Destinados à Payre

12 Dias piores virão...


{Payre}

Khor apoiou o queixo na mão e continuou a observar distraidamente a mulher que o chupava. Ela havia ficado bem melhor na tarefa depois que todos os seus dentes foram arrancados. Ele sorriu, revelando parte dos seus próprios dentes, com os caninos proeminentes. Passando a língua por uma das pontas afiadas, sentiu com prazer o gosto do sangue quente, o que fez aumentar sua satisfação.

Também havia sido bem melhor ter-lhe tirado os olhos. Khor notou como ela tinha ficado linda com os dois buracos negros e sangrentos. Faziam um contraste curioso com a pele de cristal, sem falar que isso fora responsável por diminuir drasticamente os poderes daquela Oberoh. Ele passou levemente a mão pelos longos cabelos azul cobalto da escrava. Sim, mantê-los era outra coisa que o agradava, era divertido variar daquela forma. Suas mulheres Deiroons eram lindas e sedutoras, mas exibiam uma careca muito cansativa às vezes.

E por falar em mulheres Deiroons sedutoras, a Duquesa de Rinka passou pelas portas do seu aposento.

A Duquesa deixou transparecer o desgosto que a cena lhe causava. Khor, riu, provavelmente estava irritada por não ser ela própria, ali, entre suas pernas. O homem sabia que a Deiroon era muito habilidosa, mais do que qualquer uma, mesmo com seus lindos dentes afiados. Mas era também, muito possessiva.

Khor estreitou seus olhos cor de ouro enquanto observava a principal Duquesa de seu Reino se aproximar. Ele devia muito a ela, sabia disso. Fora ela a responsável por sua liberdade depois de ter sido preso pelo Rei Serine, mas o fato de ainda permanecer viva e todo o poder que tinha era a única recompensa que a Duquesa de Rinka receberia dele, mesmo que cobiçasse mais.

–- Majestade, os espiões trouxeram novas informações. Parece que uma agitação suspeita tem tomado o palácio de Sylesth ultimamente.

A Deiroon não pode evitar cobiçá-lo com seus olhos, enquanto passava seu relatório. Aquilo o divertia. Além de cruel, orgulhoso e muito poderoso, o Rei de Narth era extremamente vaidoso de sua aparência e habilidades. Para provocá-la ainda mais, empurrou a escrava para o lado. A Oberoh soltou um leve gemido enquanto engatinhava pelo chão, perdida. Mas as correntes em seu pescoço e tornozelos, não a deixavam ir muito longe. Sem ligar para isso, Khor se levantou e aproximou-se da Duquesa.

–- Por que agitação suspeita?

–- Porque um grupo conhecido como Os Guardiões, que até então tinha sido mantido absolutamente em sigilo pela Rainha Syka, tem sido visto em público mais vezes do que no século todo em que, segundo informações, foi criado.

E os olhos verdes voltaram a cobrir cada parte do corpo grande e musculoso do Rei. Deslizaram por seus longos cabelos dourados, muito lisos, que colavam-se em algumas partes do peito amplo e das coxas robustas. O membro excitado parecia especialmente mais difícil de ser ignorado por ela.

Khor ficou parado na frente da Duquesa de Rinka e enquanto passava as mãos pela lateral do seu quadril, disse em voz baixa:

–- E o que guardam, esses “Guardiões”, minha bela Duquesa.

–- Ainda não sabemos.

–- Então descubra.

Sem mais, ele a ergueu no ar, fazendo suas roupas rasgarem, e a arremessou contra sua cama, para em seguida, tão rápido que mesmo a Duquesa com seus aguçados sentidos não foi capaz de ver, deitar-se sobre ela e penetrá-la no mesmo movimento.

E isso era tudo o que ela poderia esperar como gratidão do seu Rei. Khor era muito valioso para pertencer a alguém. Afinal, ele era a reencarnação de um Deus. Do verdadeiro Deus de Payre, Deow.

***

{Terra}

–- Eu consegui!

Hank e Luca pararam de socar um ao outro ao ouvir os gritos eufóricos de Ren e foram imediatamente até as cordas do ringue no qual treinavam boxe. Pareciam bem curiosos.

–- O que foi? Finalmente conseguiu convencer as gêmeas francesas a...

–- Cara, eu não precisei convencer nenhuma das duas – Ren exibiu um sorriso maroto para Luca. – Mas não é sobre isso. É sobre Angel.

Hank olhou confuso para o amigo.

–- Está falando sobre a sua vingança arrasadora? Pensei que tinha desistido. Principalmente depois que ela acabou com aqueles caras.

–- Até parece! – Ren se aproximou e depois de olhar para os lados, falou em tom baixo – Desde a nossa conversa entrei em contato com alguns conhecidos do meu pai, gente que trabalha nessas organizações secretas do governo, e solicitei uma investigação sobre as coisas podres que essa garota já aprontou.

–- Eles descobriram algo relevante, fora o que todos nós já sabemos?

–- Ah, com certeza. Conseguiram com um contato, um jornalista, uns vídeos que ele não pode divulgar, por pressão do velho George Lancaster na época. Ele ficou com medo de disponibilizar o material que tinha, mas os caras conseguiram acessar esses documentos e me mandaram. – Ren riu – Sério, a garota é totalmente pirada!

–- O que tinha nesses arquivos? – Hank ficou interessado.

Ren se afastou ainda rindo.

–- É mais legal ver. E não se preocupem, vocês vão poder assistir, mas só no baile. Vai ser fantástico! Então arrumem logo umas gostosas pra levar e não percam a festa!

Ren saiu assoviando enquanto os amigos ficaram o observando preocupados. Luca não achava uma boa ideia Ren aprontar algo para Angel, principalmente agora que ela tinha a proteção de Alexis.

–- O príncipe Alexis vai acabar com ele se algo acontecer com a garota. – Hank disse.

Luca olhou assustado para Hank, pelo visto ele não era o único a pensar dessa forma.

–- Será que não devíamos tentar impedir que ele cometa uma grande besteira?

–- E desde quando o Ren nos ouve? – Hank jogou as luvas longe. – Que droga! Se isso respingar em mim, meu avô vai acabar comigo.

–- Digo o mesmo sobre a minha família. Meu pai vai me mandar para uma escola militar. Daquelas em que não se tem contato com garotas por meses.

Os dois sentaram no ringue desanimados. Embora soubessem que não era uma boa ideia Ren seguir adiante com seus planos de vingança, pela longa amizade que tinham não poderiam dedurar o amigo. Eles estavam ferrados. Os três.

***

Mona sorriu para o garoto loiro e alto que pareceu ficar encantado com ela. E a garota ampliou ainda mais seu sorriso ao perceber isso. Adorava a forma como os rapazes praticamente babavam ao vê-la.

–- Mona este é o nosso aluno novo, Leonard Lancaster.

Foi com algum esforço que Mona manteve o sorriso radiante diante das palavras da professora Meggie Fox.

–- É parente da Angel Lancaster?

A garota observou atentamente o quanto o rapaz ficou incomodado com a pergunta. Interessante, era muito parecido com a expressão que ela própria exibia quando a ligavam a Ren. Aquele imbecil.

–- Somos primos. Mas não temos nenhum tipo de proximidade.

–- Ah, entendo. – e como ela entendia! – Está conhecendo a escola?

–- A professora Fox está me passando o básico e estamos visitando alguns lugares, mas a Alpha é realmente muito grande.

Mona dirigiu seu olhar simpático a acompanhante do garoto.

–- Professora, eu estou livre nesse momento, se quiser posso guiar o novo colega por ai. Acredito que a senhora tenha varias coisas para fazer e eu adoraria ajudar.

–- Minha querida, poderia mesmo?

–- Claro, vai ser um prazer!

Assim que a professora se afastou, Mona virou-se para o novo aluno, mantendo seu melhor ar de “garota linda e prestativa”.

–- Leonard, certo? Tem algum lugar especifico que gostaria de conhecer na nossa escola?

Ele a fitou com seus olhos muito azuis e embevecidos.

–- Primeiro, se não for muita impertinencia a minha, gostaria de saber o nome da minha linda guia.

Mona deu uma risada e tocou as faces com as mãos, encabulada.

–- Meu Deus, que vergonha! Fiquei tão ansiosa em ajudar a Sra. Fox que nem me dei conta da minha falta de educação. – Estendendo a mão disse docemente. – Meu nome é Mona Scilias Dewis e é um prazer conhecê-lo.

–- Imagine, eu é que estou me sentindo muito sortudo por conhecê-la, Mona. – Leonard a observou curioso enquanto apertava levemente a mão estendida – É a filha do candidato a Presidência, Harrison Dewis? – antes que ela pudesse dizer algo, o garoto riu – Claro que é. Vi várias fotos suas, e devo dizer que mesmo tendo achado as imagens deslumbrantes, não fazem jus a original.

–- Ora, é sempre tão galanteador?

–- Só com as moças realmente encantadoras.

Os dois sorriram e começaram a caminhar para a direção que Mona apontou. Iriam conhecer o Centro Cultural, pois estava quase na hora do almoço e Mona aproveitou para convidá-lo a acompanhá-la na refeição. Era uma excelente oportunidade para saber mais sobre a irritante garota que vinha atrapalhando os seus planos com o Príncipe. Com sorte poderia descobrir algo útil daquele lindo rapaz.

***

–- Quem é o Ken ali com a Mona? – Choi perguntou para um grupo de meninas que estavam almoçando em uma mesa próxima a que Mona e seu acompanhante desconhecido, e já detestado, ocupavam.

–- Acho que é um aluno novo. – respondeu uma das maninas.

–- É sim, vi ele andando pela escola com a Professora Fox mais cedo. – disse outra.

–- Acho que é inglês. Pelo menos é o que parece pelo sotaque. – a terceira comentou, não queria ser a única a não ter nada que pudesse ajudar Choi. Ele era sempre tão gracinha!

O rapaz beijou o topo da cabeça de cada uma como agradecimento e acenou em despedida.

Choi fez questão de seguir para a mesa de forma que Mona não percebesse sua aproximação. Assim que chegou perto, veio por trás da garota e beijou sua bochecha.

–- Linda Monalisa! Que perfume maravilhoso, é novo? Não lembro de ter sentido antes.

Agora vinha a parte favorita dele. Se estivessem sozinhos, Mona provavelmente lhe jogaria a faca, com sorte apenas o copo de suco, e o chamaria de diversas coisas não muito lisonjeiras. Mas ela estava acompanhada, então precisava manter a pose. E era ai que a diversão começava.

Mona sorriu lindamente para ele, embora Choi pudesse ver claramente nos olhos dourados, imagens dele sendo estrangulado por ela. Ou virando uma peneira com os golpes causados pela elegante faca de prata que ela usava.

–- Choi, que prazer! Sim, é novo. Eu sempre fico muito admirada em como sempre consegue perceber até os pequenos detalhes que a qualquer outro passariam despercebidos.

–- Minha linda, mesmo o menor dos detalhes, em você, é sempre algo notável e digno de minha atenção.

–- Fico deleitada com isso, mas não acho que mereça tanto. – ela exibiu um sutil brilho de advertência no olhar. — Está sempre tão ocupado, com tantas pessoas para falar, não precisa se prender por minha causa e nem perder o seu valioso tempo em parar apenas para reparar nesses pormenores.

–- Sempre tão modesta, nossa adorável Monalisa! – Choi finalmente olhou para o rapaz que havia permanecido em completo silêncio durante a troca de amabilidade entre os dois – Ouvi dizer que é um novo colega. Deixe-me me apresentar. Sou Baek Choi Hee, prazer.

Choi apertou a mão do rapaz que respondeu um tanto inseguro.

–- Leo... Leonard Lancaster.

–- É o seu nome mesmo?

–- C-como? – o garoto perguntou confuso.

–- É porque não pareceu muito certo ao dizer, então poderia ser uma mentira. — vendo os olhos arregalados do sujeito, Choi gargalhou. – Calma, estava só brincando, Leo. Posso te chamar de Leo? – o sujeito recuperou a pose e pareceu prestes a retrucar quando Choi continuou. – Leo Lancaster? É parente da nossa querida colega, Angel Lancaster?

O rapaz ficou com uma expressão sombria ao responder.

–- Primo, mas não temos muito contato.

–- Mesmo? Que pena, deve ser muito divertido ter uma prima tão, hãm, vivaz. Sem falar que é sempre bom ter a família por perto. Não acha?

Choi continuou sorrindo em expectativa, como se a resposta do outro fosse realmente muito importante.

Leonard franziu os labios e olhou para a janela, antes de voltar a observar Choi parecendo muito incomodado.

Mona, irritada, resolveu usar um velho truque para se livrar da situação indesejada, pelo que Choi pode observar, pois ela puxou o guardanapo e derrubou o copo de água, desviando habilmente daquele que continha suco. Ele tinha que parabenizá-la pela agilidade.

–- Oh, que distraída!

Imediatamente Leonard se levantou para ajudá-la, mas Choi foi mais rápido e estava mais perto dela. Pegou um guardanapo e começou a pressiona-lo contra a barriga da garota, onde a água havia caído. Suas mãos, no entanto, logo começaram a subir descaradamente para os seios da garota. Que não tinham uma gota de água. Ela lhe lançou um olhar absolutamente indignado, arrancando o pano de suas mãos atrevidas.

Com uma expressão de desculpas, Mona olhou para o inglês metido:

–- Me perdoe, mas pelo visto terei que deixá-lo ou meu vestido ficará arruinado. – com uma expressão de puro pesar ela completou. — Espero que possamos nos encontrar brevemente, Leonard. Podemos até combinar outra refeição.

–- Não se preocupe, eu entendo. E certamente nos encontraremos em outro momento, ficarei ansioso por isso.

Choi revirou os olhos ao ver aquela papagaiada toda. Parecia até a cena de algum drama vitoriano. Para não perder o embalo, exclamou.

–- Minha nossa, vejam só que horas são! Se não me apressar vou perder o episódio da série que estou acompanhando. Já ouviram falar da “A garota das duas caras”? É simplesmente hilária! – sem esperar por resposta de nenhum deles, sorriu para o rapaz — Gostei pra caramba de te conhecer, Leo! Quando ver a sua prima Angel diga que mandei um beijo! – para Mona ele deu uma piscada. – Bela Monalisa, pode deixar que serei capaz de encontrá-la só por esse cheiro tão doce que exala!

Sem ligar para o aviso que ela lhe lançou com olhar, o mesmo que informava que o frasco de perfume que ela usava iria direto para o lixo na primeira oportunidade, Choi depositou um demorado beijo na face da garota, bem próximo aos lábios.

Acenando para os dois foi se afastando com um enorme ar de satisfação. Como era gratificante incomodar esses idiotas que ficavam cheios de intenções pra cima da sua adorável Monalisa!

Mas ao atravessar a porta, uma dúvida de outra natureza o tomou. Até que ponto um parente, que pelo visto não morria de amores pela Angel, poderia ser um problema para aquele estranho relacionamento que existia entre ela e Alexis?