Destinada
4 Uma Alice Oriental
Notas iniciais
Assim que pisei no corredor movimentado da St Brigids Secondary School meus nervos afloraram e eu comecei a sentir uma onda de histeria se aproximando. E se eu não conseguir fazer amizade com ninguém? Ou pior e se ninguém quiser fazer amizade comigo? e se descobrirem sobre a minha família? e se...
– Hey J pode parar com o ataque de pânico sem sentido, tudo vai dar certo, como sempre — Falou Nessie parada na minha frente me encarando com um olhar determinado, interrompendo meu anormal descontrole.
– Bem melhor agora, seus olhos voltaram ao normal.- comentou ela pondo-se ao meu lado para que caminhássemos para nossa aula — Agora relaxa e curte seu primeiro dia de aula no ensino médio — cantou as palavras antes de entrarmos em sala de aula
– Fácil para você fala, miss Sunshine — sussurrei enquanto me sentava ao lado de uma menina com feições orientais e muito bonita, observei Ness sentando-se com Jake e as pessoas ao redor os admirando.
– Oi eu sou Elena– cumprimentou-me a garota ao meu lado com um enorme sorriso estampado em seu rosto.
– Sou Juno — respondi meio surpresa que minha voz não tenha falhado.
– Você é sobrinha do novo médico da cidade certo? — ela questionou olhando em meus olhos.
– É, nós nos mudamos recentemente para uma casa perto de Muckross House, mas como você sabia que Carlisle é meu tio? — constatei prestando atenção em seu rosto que corava fortemente.
– É uma história bem engraçada na verdade, eu meio que sou vizinha de vocês e quando eu fiquei sabendo que finalmente alguém iria se mudar para aquela casa, eu meio que fiquei curiosa e posso ou não ter espionado a chegada de vocês — confessou ela de forma envergonhada, sua resposta me fez gostar dela imediatamente principalmente por que algo nela me fazia lembrar tia Alice, e eu sorri a tranquilizando.
– E eu posso ou não ter tentado espionar meus vizinhos, sem muito sucesso obviamente — sussurrei em tom de camaradagem e ela riu trazendo uma nova luz ao seu rosto, por um misero segundo vi cores ao seu redor, mas devo ter imaginado.
– Bom, pelo menos já sei uma coisa sobre você. Espionagem não é o seu forte — brincou dando um leve empurrãozinho em meu ombro.
– E você pelo jeito é muito melhor nisso — afirmei com uma voz afetada que a fez desatar de rir, chamando atenção de Jake e Nessie que sorriu para mim e piscou, como se dissesse que ela sabia que eu faria amigas.
– Eles também são da sua família — comentou Elena encarando as costas dos meus primos com um sorriso travesso — Me responda Juno, o que tem na água que sua família bebe que os transforma em pessoas excepcionalmente lindas? — perguntou arqueando a sobrancelha
– Não sei, deve ser uma anormalidade na sua visão — brinquei fugindo do assunto, já que a resposta provavelmente a faria sair correndo e gritando de medo e aversão.
– Bom dia — interrompeu um homem de meia idade, que obviamente era nosso professor — Desculpem o atraso e comecemos com o que interessa — disse distribuindo folhas de papel com nossas leituras obrigatórias, passei um rápido olhar pela lista e vi nomes como: Jane Austen, Irmãs Brontë, Shakespeare, F. Scott Fitzgerald, Oscar Wilde... e sorri ao perceber que eu estava realmente indo bem no meu primeiro dia. O sinal tocou depois do que pareceram horas, anunciando o próximo horário.
– Você vai para onde agora? — perguntou Elena colocando seu caderno na bolsa. Olhei meus horários e quase chorei de alivio ao ver que meu próximo tempo não envolveria cálculos.
– Historia — respondi enquanto saiamos da sala — E você?
– Álgebra — respondeu assumindo uma postura derrotada que me fez rir como nunca antes — Não é engraçado Juno, você deveria ser minha amiga e sofrer por minha desgraça — dramatizou o que me fez rir ainda mais. — Eu fico aqui, nos vemos depois, péssima amiga — se despediu.
– Até, ganhadora do Oscar — falei ironicamente.
– Você pode estar certa, sabe, eu sou uma atriz incrível, pode perguntar a SRa. Louis ela vai confirmar — falou entrando na sala e dando língua. O que confirmou minha teoria: Elena é uma Alice Oriental.
Enquanto estava na aula de Historia pensei o quanto é raro se identificar com alguém tanto quanto me identifiquei com essa maluquinha, que eu já considerava uma amiga.
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