Destinação
1 Capítulo 1
Notas iniciais
POV Brian
Gus não está mais aqui. Wendy também não, eu não queria que ela fosse; e acho que nem Melanie, que eu nunca fui de ter algum tipo de "relação". Iria sentir falta disso, iria sentir falta de todos eles. Maldita separação de continentes. Logo agora que.. Onde está Justin? É estranho acordar e não sentir o seu cheiro e a sua presença quente perto de mim. Droga! Eu esqueci que Justin estava a caminho de Nova Iorque, seguir a sua esperada carreira brilhante como um artista. Sem mim. Que dor de cabeça. Eu ainda posso lembrar dos últimos momentos dele aqui, comigo.
"Eu voltarei. Você vai para lá. Iremos nos ver o tempo todo."
"Não precisamos de anéis ou votos para provar que nos amamos. Nós já sabemos disso."
Ele conseguiu dar o melhor de si nos últimos cinco anos e eu só consegui perceber isso depois de uma explosão na Babilônia. Acho que poderia ser menos orgulhoso as vezes, abrir mão disso não é tão difícil, dependendo da situação, é claro. Eu vou sentir a sua falta, sunshine. Você não faz ideia. Eu ainda podia sentir os seus lábios nos meus, em um beijo urgente, um beijo que mais parecia uma despedida. Podia relembrar o que eu senti dentro do seu corpo, as lembranças desses anos vieram de uma só vez, misturado ao prazer do momento. O top 5 das fodas que tivemos, esta última foi a mais memorável, por ser urgente, por ser não necessariamente uma foda e sim um ato de 'fazer amor'. Eu já admitira que o amava, não preciso mais enganar ninguém a respeito disso. Daria tudo para senti-lo mais uma, duas, três vezes.. Esse raio-de-sol deve estar longe agora. Preciso de um banho. Me distrai por um momento. Lembrei das várias vezes que fodemos nesse chuveiro, ele estava sexy e enquanto eu o ensaboava sempre olhava para sua bunda, chegava perto da perfeição. Sacudi a cabeça e fechei o chuveiro. Vesti uma calça e uma camiseta. Peguei um cigarro e o acendi. Traguei o mesmo e deitei na cama. Lembrei por instantes da face dele, e de como eu iria sentir falta de me perder por poucos segundos naqueles olhos claros. Merda! Preciso esquecer isso por algumas horas. Vou trabalhar no computador, é o necessário. Não iria sair hoje, eu acho. Tanto faz. Sai dos meus pensamentos quando ouvi alguém entrar no loft, levantei minha cabeça e vejo Michael com seu sorriso amigável de sempre.
– Achei que talvez gostaria de um pouco de companhia.
– Porque você está fora assim tão tarde?
– Nem é meia-noite ainda. — Ele disse extasiado. — Nos bons velhos tempos, estaríamos indo rumo a Babilônia.
– Babilônia já era. — Olhei para ele com uma expressão informal. — Assim como os bons velhos tempos. — Me permiti fitar a tela do computador.
Michael pegou meu casaco escuro e o jogou em cima de mim. O peguei logo depois.
– Ainda não. — Percebi a longa noite que teria pela frente. Onde nós iríamos agora?
Mais tarde, acendi algumas luzes que iluminariam uma boa parte do antigo clube. Isso não é a Babilônia sem a música, sem os efeitos e sem os caras bonitos. Michael esboçou uma expressão de espanto quando viu como ficou o lugar que passava as madrugadas nos bons velhos tempos.
– O que você esperava? Garotos dançando? Glitter caindo das alturas?
– Foi para cá que nos viemos na noite do nosso baile de formatura. — disse Michael, com um sorriso pela lembrança.
– O horrível Judy Zumholtz.
– E o igualmente terrível Carol Kolodny. Nós invadimos e dançamos..
– Dançamos sem camisa.
– Você foi chupado no quarto dos fundos. — Michael se aproximou e continuou. — Foi aqui que tudo começou. — Eu suspirei.
– E acabou.
– Mas é o que somos. É o que nos fez.
– Você não dizia que tudo isso era uma ilusão barata? — Me virei para ele. — Que lá fora a vida continua e aqui dentro nada nunca muda?
– Eu disso isso, sim. — Sentia o olhar dele sobre mim. — Mas foi antes de entender que algumas coisas não são feitas para mudar. — Voltou com seu sorriso amigável. — Dance comigo.
– Hrr.. — Me desviei do seu toque e bufei. Ele deveria estar brincando comigo.
– Porque não?
– Por uma coisa: não tem música.
– É claro que há. Não consegue ouvi-la? — E então começou a se mover pelos apoiadores de luz e encontrou o lugar móvel onde os go go boys dançavam. O arrastou para o meio do salão — O velho thumpa-thumpa?
– Cuidado, idiota. Quer se machucar?
– Eu estou bem. — Michael subiu no lugar e me chamou. — Vamos. — Começou a insistir. — Vamos! Balance os quadris. — No final se pôs a dançar.
– Balance o seu, Mikey. Eu estou muito..
– O quê? Velho? Você sempre será jovem. Você sempre será lindo. Você é Brian Kinney, pelo amor de Deus!
Parei com o andar e balancei a cabeça em negação. Me virei e andei até ele. O mesmo me ofereceu a mão, eu a segurei e lá estavamos nós, dançando.
– O que eles estão tocando? — falei com um certo fardo.
– Nossa música. — Disse por fim.
Era possível ouvir Proud e imaginar todos dançando de acordo com o ritmo da música, mesclado aos efeitos, as bebidas e a tal vibe gay que fazia da Babilônia o centro de encontro mais famoso daquela Avenida.
Então tudo começou, de novo.
Nas semanas que se passaram evitei pensar em Justin o máximo possível, mas era bem difícil. Não evitei o quase-total-isolamento de todos, me preocupando mais em trabalhar e conseguir várias campanhas para Kinnetik. Michael conseguiu me convencer a reabrir a Babilônia e estava trabalhando duro nisso também. O tempo estava passando bem devagar ultimamente, e cada vez mais sentia vontade de beber e usar algumas drogas. Não usei mais drogas recomendadas por farmacologistas, não estava nem um pouco disposto a acordar no dia seguinte com um cara e souber que fiz malabarismos pelo loft, e isso graças ao sonny boy. Precisava vê-lo, mas se fosse teria que parar tudo que estava fazendo para encontrá-lo novamente, e está ciente que não teria que dizer "até depois" como estava acostumado. O que devia fazer era ficar em Pittsburgh e terminar a reforma da Babilônia, faturar mais milhões para sua empresa e no final do bimestre ver o que será das coisas em diante. Talvez fosse visitar Justin, talvez iria fazer alguma outra coisa. Decidiu que veria isso com o tempo.
Nova Iorque, East Village.
POV Justin
Não era tão ruim, o espaço que a amiga de Daphne deixou para me acomodar estava bom. O mais difícil agora seria se acostumar e arranjar um espaço para trabalhar, já que tudo custa aparentemente uma fortuna. Por alguns momentos eu me arrependia de estar aqui, em vez de estar com Brian, em seus reconfortáveis braços. Deus, como eu o amava. O que eu estou fazendo aqui mesmo? Ah, crescer profissionalmente, é isso. Vou ligar para ele mais tarde, avisar que já cheguei e como são as coisas aqui. Ouvir sua voz mais uma vez será o necessário para começar tudo. Agora preciso tirar as coisas da mala, organizar umas pastas e talvez desenhar algo. Quando vou ver ele novamente? Isso martelava na minha cabeça, e resolvi balançar a mesma. Não seja uma bichinha, Taylor. Vamos, mãos a obra! Comprimi meus olhos e os lábios o mesmo tempo, lembrando do beijo dele, lembrando da sua expressão, lembrando do momento em que ele disse que me amava. Não que eu já não soubesse, mas ele falando só torna isso mais real e verdadeiro. Retirei meu antigo composto de folhas que usava no tempo da escola, os desenhos retratados de forma a ver cada músculo do corpos nus e as repetidas vezes que escrevi o nome de Brian no papel. Não pude conter um sorriso. De repente veio uma saudade daqueles tempos em que eu não sabia que precisaria deixar o homem que eu amo para crescer na vida. Guardei o composto em uma pasta junto com alguns esboços de paisagens que já havia trabalhando a alguns dias atrás. Em uma delas, retratei a Babilônia, depois da explosão, do que eu me lembrava pelo menos; retratei o terror, a correria, e a rápida sensação maravilhosa de encontrar Brian e o abraçá-lo forte depois de todo o ocorrido. Isso tudo passou, mas ficou marcado. Ouvi batidas na porta, e logo depois a abri.
– Vim avisar que não dormirei aqui esta noite, mas você pode ficar a vontade, certo? Qualquer coisa.. aqui está meu número. — Ela me entregou um pedaço de papel com seu telefone. — Fique a vontade para comer, sair, telefonar ou fazer qualquer outra coisa, Justin! Eu estou indo, ok?! Até mais!
E saiu, sem ao menos ouvir o meu sussurro de 'obrigado'. Não iria sair hoje. Não me sentia animado para fazer nada. Olhou para o seu relógio e constatou que deveria fazer uma ligação. Uma não, duas. Discou o número e uma voz bem conhecida atendeu.
– Justin! Que bom que você ligou! Eu já ia te ligar para saber como vão as coisas ai em Nova Iorque! Me conta! — Ele podia sentir o entusiasmo de Daphne no outro lado da linha e começou a rir.
– É tudo maravilhoso e.. enorme. Você tem que ver, é impressionante. Precisa vir aqui me visitar e eu vou cobrar!
– Acha que eu perderia essa chance?! Mas e você está bem acomodado? Está gostando? Hoje eu estava pensando em ir sair e comer algumas besteiras, mas não é a mesma coisa sem você, Jus!
– Admito que sua amiga me lembra muito você, ela é bem legal. O espaço está bom, agora preciso achar um outro espaço para trabalhar e fazer meus futuros quadros. Ah.. Ainda vou encontrar lugares que vendam as besteiras aqui!
– Você vai conseguir, você sempre consegue o que quer! — Esta frase me remetia a Brian. Não pude conter o suspiro e a distração ao lembrar dele. — Alô?!
– Desculpe.. Vou conseguir o espaço, Daph. Tudo irá se ajeitar com o tempo.
– Você já ligou para Brian? Ele já ligou para você? Você me parece desanimado. Antes que eu esqueça, sua mãe mandou lembranças!
– Eu vou ligar para ele depois. Você me conhece bem, não consigo enganar você. Mande beijos para ela e para Molly também!
– Nem perca seu tempo, sou sua melhor amiga esqueceu? Mas preciso ir, vou voltar ao trabalho! Não apronte nada sem mim ai? Está ouvindo?! Depois eu ligo para você, ok?
– Ok, eu vou esperar sua ligação! — Não podia garantir nada de aprontar, afinal ainda iria conhecer as maravilhas daqui.
– Beijos, até mais Jus!
– Até, Daph!
E desligou. Respirei fundo algumas vezes depois e disquei o número que eu memorizei já tinha um tempo. Estava chamando mas ninguém atendia. Comecei a ficar nervoso e nem sei porque, acho que estava ansiando para ouvir a voz dele. Vamos lá, Brian. Atenda! E nada. Desisti, talvez ele ligasse de volta outra hora. Me sentia vazio sem ele nessa cidade grande e desconhecida por mim ainda. Precisava beber algo. Abri a geladeira e encontrei uma bebida. Abri a mesma e a ingeri por completo. Não era Whisky, mas bem que queria que fosse. Brian iria aprovar, com certeza. Melhor me distrair logo. Após terminar, voltei para o quarto e terminei de ajeitar as coisas. Teria muito tempo pela frente para fazer tudo que tinha que fazer. E isso me assustava as vezes. Depois de finalmente ter ajeitado a maioria dos meus pertences, resolvi descansar da viajem, estava sentindo a exaustão tomar de conta do meu corpo. O fiz sem muito esforço e cai na inconsciência.
"Você realmente me assustou."
"Eu só pensava: Por favor, não deixe que nada aconteça a ele."
"Eu te amo.. eu te amo."
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