Despertar de uma sub
54 Capítulo XLVIII
Notas iniciais
Edward POV
Há muitos anos, quando eu ainda era pequeno, minha mãe havia me dito que algumas vezes, independente de nossas intenções, vamos magoar quem amamos e por mais que não desejamos nada mais do que fazer alguém feliz, vamos cometer erros, tomar decisões equivocas e, mesmo munidos de bons sentimentos, acabaremos por fazer mais mal do que bem.
Tinha me esquecido de tudo o que havia ouvido em minha infância quase imediatamente, mas as palavras exatas me voltaram à mente quando me dei conta de que havia cometido um grande erro, embora não desejasse nada mais do que acertar, agir corretamente em prol de outra pessoa. Exatamente como minha mãe tinha me alertado que poderia acontecer.
Fitando Isabella, ciente da intensidade do medo que a assolava no momento e certo de que eu, mesmo sem qualquer intenção, o havia ajudado a vir à tona, percebi que estava fazendo mais mal do que bem a minha noiva.
Não poderia negar que de certa forma, eu tinha meus próprios medos com os quais lidar. Tinha medo de perder a mulher que amava e, consequentemente, a filha que esperávamos. Tinha medo de não ser capaz de protegê-las, de impedir que elas se machucassem, acabassem feridas física e emocionalmente por um sociopata livre para atacar quando bem entendesse.
Eu não tinha nada mais em mente, quando reforcei a segurança de minha noiva e a impedi de sair de casa, que não fosse mantê-la segura, inteira. Mas isso não me impediu de vê-la desabar.
Eu a tinha visto, há menos de uma semana, gritar e defender o seu ponto de vista e me lembro de pensar que estava diante de uma mulher forte, uma sobrevivente que encarava seus medos de frente e que, mesmo que toda a minha segurança falhasse, ela ainda seria capaz de se manter de pé, independente do que acontecesse. Mas, agora, vendo-a acuada, temerosa de deixar o próprio quarto, perdida em memórias que minha superproteção havia despertado... pergunto se eu apenas não tinha, de certa forma, feito o que Jacob Black queria.
A mulher decidida e corajosa que eu tinha conhecido há alguns anos, ainda estava perdida em algum lugar, dentro da pessoa traumatizada que eu mantinha em meus braços durante a noite quando pesadelos a impedia de dormir, que eu observava se encolher sobre a cama e chorar durante o dia. E se eu a tinha feito se esconder, eu era o responsável por trazê-la de volta. Só precisava encontrar uma forma de fazer isso. O quanto antes.
...
Quase duas semanas haviam se passado desde que havíamos sido informados da mudança de depoimento de Tanya. Quase 5 dias que eu havia deixado de ir a empresa... E nada, absolutamente nada, havia mudado. Por mais que tentássemos, Tanya estava longe de se quer ponderar a alternativa de voltar atrás na loucura que estava cometendo. Ela nem mesmo aceitava as minhas tentativas de contato e eu não estava sendo discreto nas minhas tentativas. Não quando havia colocado Collin parado do lado de fora do apartamento dela praticamente 24 horas por dia esperando que ela o ouvisse... Bom, tudo o que consegui foi fazer com que ela o impedisse de se aproximar.
E Bella... Bella estava a cada dia mais distante. Era como se ela tivesse encontrado um lugar dentro de si e se trancado lá. Ela ainda me ouvia e, de certa forma, mantinha alguma conversa quando eu insistia nisso, mas nunca iniciava um assunto, em nenhum momento voltou a tentar deixar a casa e, quando Angela apareceu com alguns relatórios da livraria, ela apenas disse que confiava que tudo estava bem e a dispensou. E, embora, ela estivesse se esforçando eu podia ver que sim -, tinha perdido peso, mal conseguia dormir e os enjoos, que a tinham abandonado depois do primeiro trimestre da gestação, retornaram com todo a força. Além de preocupado com sua segurança e bem estar emocional, agora eu também estava preocupado com a sua saúde.
Não existia qualquer possibilidade que eu voltasse a deixá-la sozinha, embora quase uma semana afastado do trabalho estivesse cobrando seu preço nos negócios.
– Me desculpe, Jasper. Mas você terá que resolver isso sem mim. — Praticamente sussurrei ao telefone, temendo que ao alterar o tom de voz acabasse por despertar Bella que tinha, finalmente, conseguido adormecer. Ainda não era o ideal, já que ela tinha passado a noite em claro e alguns minutos de sono durante o dia não seriam suficiente para mantê-la saudável, mas já era alguma coisa. — Nós dois sabemos que você pode fechar esse contrato sem mim. Já está tudo adiantado. Tudo o que você precisa fazer é repassar os detalhes.
– Eu sei que não é um bom momento. — Meu melhor amigo e sócio argumentou. — Mas os clientes insistem na sua presença. Foi você quem negociou tudo com eles, é compreensível que eles queiram que esteja presente no momento de assinar o contrato... Além disso, você sabe como a mente de empresários funciona. Se imaginarem que você se afastou da empresa por motivos pessoas podem repensar se a nossa empresa é a melhor opção para eles.
– Sinto muito, Jasper, se isso decepciona os clientes ou você. Mas minha família vem em primeiro lugar. Se tiver que abrir mão da empresa por Bella e minha filha, eu não hesitarei.
– Isso não me decepciona. Nem um pouco -. Pude ouvir certa admiração na voz do outro lado da linha telefônica. — Pelo contrário, me decepcionaria se você não pensasse dessa forma. Só estou te deixando ciente da situação. Além do mais, não acho que seja saudável para Bella toda essa superproteção. Já conversamos sobre isso.
– Você está certo com relação a isso. — Admiti cansado. — Mas agora o mal já está feito. Preciso consertar e diminuir o estrago, Jazz. Não vou deixá-la sozinha. Não agora.
– São só algumas horas, Edward. Posso pedir a Alice que faça companhia a Bella e antes do início da noite, você estará de volta.
– Eu não sei se é uma boa ideia....
O que quer que eu pretendesse dizer, foi interrompido ao sentir o toque delicado em meu peito, seguido de um beijo demorado em minha pele. Desviando o olhar, me deparei com o rosto cansado e ainda assim tão bonito de Bella me observando.
– Vai... — Ela sussurrou e me ofereceu um sorriso fraco. — Eu vou ficar bem. Prometo!
Eu tinha minhas duvidas quanto a essa promessa.
– Você não pode viver em minha função, baby. — Ela continuou. — E eu me sentiria ainda pior se perdesse algum contrato por minha culpa.
– Alice te fará companhia. — Informei e, antes que ela pudesse se opor, continuei: — E estarei de volta antes do anoitecer.
– Edward... — Ela claramente gostaria de discordar, mas por fim se deu por vencida. Fácil demais, eu pensei com desgosto. Não queria uma discussão por conta de uma rápida ida ai trabalho, mas queria que Bella voltasse a agir como antes. — Jasper ainda está no telefone... — Ela apontou e lentamente se afastou, virando-se de costas para mim e, como havia se tornado costume, encolhendo-se.
– Certo. — Eu falei um pouco mais alto, voltando minha atenção para o aparelho celular em minha mão. — Alice pode estar aqui em uma hora?
– Até antes se for necessário. — Jasper assegurou.
...
– Venha aqui. — Puxei minha noiva em minha direção assim que a ligação foi encerrada. — Quero você nos meus braços.
Ela voltou a se acomodar colada ao meu corpo e senti seus braços se apertarem ao meu redor.
– Eu te amo! — Ela sussurrou. — A voz baixa e rouca como um claro indicativo de que ela estava, mais uma vez, lutando contra o choro. — Odeio ser um estorvo para você.
– Pare com isso. — Eu a repreendi e me movi de forma que meu rosto ficasse bem próximo do seu, meu corpo quase por cima do dela. — " Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza", lembra?
Ela sorriu. Foi um sorriso fraco e rápido, mas era um sorriso.
– Ainda não nos casamos.
– Mas vamos... Em um futuro bem próximo. Nada mais justo do que começarmos a pôr em prática os votos que faremos.
– Deveríamos nos casar agora. — Ela disse inesperadamente. Por um segundo achei que ela estava apenas com um humor melhor e havia decidido fazer uma brincadeira, mas o brilho de expectativa no olhar esmeraldino deixou claro que eu estava enganado.
– Você está falando sério?
– Por que esperar mais? Quero me casar com você, Edward. Poder pensar em mim mesma como sua mulher, poder dizer isso antes que... — Bella se calou, então desviou o olhar e suspirou. — Desculpe. Isso é loucura. Podemos nos casar quando você quiser e...
Eu me acomodei melhor sobre a cama, recostando-me a cabeceira e a trouxe para o meu colo. Com as mãos ao lado do rosto dela, os dedos em uma carícia lenta, afirmei:
– Me casaria com você agora mesmo se pudéssemos, amor. — Garanti. — Mas não quero que pense que nosso tempo junto está acabando, que precisamos correr... Além do mais, eu prometi que nos casaríamos antes de sua próxima consulta de pré natal, lembra-se? Vou cumprir minha promessa.
A única resposta que recebi foi um encolher de ombros desanimados.
– Mas para isso... — Continuei. — Preciso que você volte completamente para mim, Bella. Você não poderá ser a noiva mais linda dessa cidade se continuar se escondendo em casa.
Seu olhar indicava surpresa e certa dose de espanto.
– Pensei que estivesse proibida de deixar a casa e...
– Se eu lhe dissesse agora que você pode ir onde quiser, desde que vá acompanhada por alguns seguranças, o que você me diria?
– Eu... — Quando os olhos dela se desviaram do meu, eu senti uma inundação de culpa me atingir. — Eu acho que... Não tem nenhum lugar que eu realmente queria ir e...
– Bella? — A interrompi. — Me desculpe! — Então, sem esperar por uma resposta, a abracei apertado. — Sinto muito, meu amor.
– Pelo que você está se desculpando? — Ela retribuiu o abraço.
– Eu só queria protegê-la. Eu juro! Mas... Só fiz com que sentisse medo. E...
– Não é sua culpa, Edward. Eu... eu não tenho medo por mim. — Ela respondeu baixinho. — Apenas... eu...
– Está tudo bem. — Eu assegurei. — Você estava certa antes. Não podemos parar nossas vidas. Nos tornar reféns do que ele pode ou não vir a fazer. Eu demorei demais para entender isso, mas agora eu entendi, Bella. É claro que ainda vamos nos precaver. Vamos manter os seguranças, mas... quero que volte ao trabalho, que se sinta bem para ir onde quiser, que volte a ser a mulher corajosa que eu sempre admirei. Isso... — Fiz uma pausa para apertá-la ainda mais quando a sentir tremer em meus braços e depois, lentamente, a afastei, prendendo seu olhar claramente assustado ao meu. — O que tem acontecido nas últimas semanas não faz bem a nenhum de nós... — Quando lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Isabella, precisei lutar contra mim mesmo para não secá-las com as pontas do dedo. Em vez disso, deslizei uma das mãos por seu braço até alcançar o ventre saliente. — Isso, toda essa tensão, não faz bem a nenhum de nós três. Especialmente a ela. Nossa filha.
Eu esperei por alguma resposta. Qualquer indicativo de que ela compreendia o que eu estava tentando fazer. Não tive nada em resposta às minhas palavras, a não ser mais lágrimas e a sensação de que eu tinha errado mais do que imaginava.
– Vou ao trabalho... — Voltei a falar. — E quando voltar, sairemos, ok? Podemos jantar fora ou apenas caminhar como você sempre gostou. Mas sairemos.
– Edward, eu não acho que...
– Eu estarei com você. — Garanti. — E nós dois vamos ver que o que eu fiz foi desnecessário. Uma grande burrada. E quando voltarmos para casa, vamos ter a certeza que termos voltado ao que éramos, sem Jacob Black entre nós.
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Bella POV
Eu sabia que Edward estava certo. Afinal era exatamente o que eu própria havia tentado fazê-lo enxergar no início... Mas, agora... Agora eu não conseguia simplesmente deixar o medo de lado, a sensação de que a qualquer momento algo terrível pudesse acontecer.
Era horrível que eu tivesse me permitido cair tão fundo. Eu tinha certeza que essa era a intenção de Jacob: me amedrontar, desestabilizar. Eu deveria ter lutado com mais afinco contra todas as lembranças e sensações desagradáveis que elas traziam, mas não tinha sido capaz de encontrar em mim a força necessária para tanto.
Sabia que estava fazendo mal a mim mesma e, de certa forma, a Sophia, mas eu, por mais que tentasse, não era capaz de impedir que os pesadelos viessem e com eles o medo agonizante de que eles se tornassem realidade.
Há cinco dias, a todo momento em que fechava os meus olhos, eu podia rever as imagens daquela mulher anônima na minha mente, das consequências dos atos que aconteceram naquela noite. E quando, finalmente, meu corpo cansado vencia a luta contra a minha mente, eu assumia o lugar que mais temia e era a minha filha que perdia a vida antes mesmo de chegar a tê-la.
Só de pensar em tal coisa, meu estômago se revirava e o pouco que havia sido capaz de ingerir era posto para fora.
Foi assim, comigo inclinada sobre o vaso sanitário, que Alice me reencontrou. Não sabia ao certo há quanto tempo não nos víamos. De certa forma e sem que eu me desse conta tínhamos nos distanciado. Só então, ao vê-la parar ao meu lado e me ajudar a voltar a me colocar de pé, percebi que eu própria havia deixado a minha amiga de lado. Suponho que era compreensível diante do que andava vivendo nos últimos tempos, mas quando, após ser novamente acomodada sobre a cama, olhei atentamente para Alice e a vi mais magra do que habitual, com olheiras tão ou até mais acentuadas do que as minhas, me dei conta de que eu não era a única pessoa no mundo com problemas e o que era pior, eu não fazia ideia do que poderia acontecer para que minha melhor amiga não tivesse seu costumeiro sorriso contagiante no rosto.
– Você está bem? — Ela questionou de pé ao meu lado. — Quer que eu pegue algo para você? Um pouco dágua, talvez?
– Eu estou bem. — Menti. — É bom te ver novamente.
Ela sorriu para mim e então me deu as costas, aproximou-se da janela que estava fechada e após afastar as cortinas passou a olhar lá para fora, sem se importar em realmente conversar, embora ela tenha respondido baixinho que estava contente por me rever.
De certa forma, eu estava agradecida pelo silêncio da minha amiga. Não tinha muito sobre o que eu pudesse ou quisesse falar e, aparentemente, nenhuma de nós duas estava disposta a fingir interesse uma na outra. Ainda assim, conforme o tempo passava, eu me peguei, esquecendo um pouco as minhas próprias agonias e quando vi Alice, disfarçadamente, limpar uma lágrima que escorria por seu rosto, não pude mais me manter em silêncio.
– Alice? — Chamei, mas antes que eu pudesse continuar, ela se afastou da janela, caminhando em direção a porta.
– Vou buscar alguma coisa para bebermos. — Ela disse como desculpa, antes de deixar o quarto.
Eu me remexi em meu lugar, incomodada com a situação. Estava claro que naquele momento, minha melhor amiga apesar de estar ali para mim era quem precisava de algum suporte, mas com o meu estado de espírito simplesmente não sabia o que fazer ou dizer. Apesar de amar Alice e querer muito bem a ela, não me sentia apta para aconselhar ou confortar ninguém. Não quando eu precisava que fizessem isso por mim.
Ponderei se não seria uma boa alternativa, ligar para Edward ou Jasper, mas lembrei-me que uma ligação minha só os atrasaria ainda mais no trabalho.
– Por que você não se senta um pouco aqui comigo? — Eu disse quando minha amiga voltou ao quarto e me entregou uma garrafa de água mineral.
Ela fez como eu pedi e eu esperei que ela dissesse algo, mas tudo o que ela fez foi prender seu olhar na garrafa que tinha em mãos.
– Obrigada por ter vindo. — Eu me vi dizendo quando o silêncio se tornou desconfortável. — Realmente, não era necessário, mas...
– Tudo bem. — Ela me interrompeu. — Estou aqui para o que precisar e...
Eu respirei profundamente e levei a minha mão até a de Alice, impedindo-a de continuar a balançar a garrafa dágua de um lado para o outro por mais tempo.
– O que aconteceu? — Questionei com real interesse, mas sem saber o que fazer caso ela tivesse um problema de verdade em mãos. E ficou claro que ela realmente tinha quando começou a chorar.
Talvez eu realmente devesse chamar alguém.
Por um segundo, fiquei apenas olhando sem ter qualquer reação e depois ponderei o quão egoísta eu estava sendo. Diante de mim estava minha melhor amiga, alguém com que eu pude contar nos piores momentos e que agora, ao que tudo indicava, precisava que eu retribuição todo o cuidado e carinho recebido desde que nos conhecemos e tudo o que eu fazia era encará-la enquanto ela chorava.
Sem pensar demais, eu me movi e abracei; Permiti que continuasse a chorar e delicadamente acariciei os seus cabelos.
– Qual é o problema? — Questionei baixinho. — Me diz como eu posso ajudar.
Ela apenas me abraçou de volta e continuamos abraçados por longos minutos, enquanto Alice fungava no meu ombro.
– Me desculpe, Bella. — Ela finalmente disse algo. — Eu deveria estar te ajudando e no entanto...
– Você não deveria nada, Alice. — Disse sinceramente. — Na verdade, nem deveria ter vindo se não estava bem... Não é justo e...
– Não! — Ela me interrompeu. — É melhor estar aqui com você do que em casa pensando... Só sinto muito que não esteja sendo uma boa companhia e que em vez de melhorar o seu dia, esteja aqui te afogando com as minhas lágrimas.
Delicadamente eu a afastei até que pudéssemos nos olharmos.
– Bom, eu também não sou a melhor companhia no momento... Mas em falta de opção melhor, posso tentar te fazer sentir um pouco melhor. O que acha? Por que não me diz qual é o problema e então vamos pensar em uma solução.
– Eu, realmente, não acho que deva despejar os meus problemas em você agora. Além disso, Edward me mataria se em vez de fazer com que seu humor melhore, eu a coloque ainda mais para baixo.
– Esqueça o Edward. Ele não está aqui agora. Só estamos eu e você... E, bem, sendo honesta, não me sinto capaz de ajudar, mas somos amigas, não é? Podemos tentar nos ajudar mutuamente. O que acha?
– Acho que, apesar de tudo o que já aconteceu e ainda está acontecendo, você é a melhor pessoa que eu já conheci e que Sophie terá muita sorte em ter você como mãe e... — Então ela se calou quando uma nova enxurrada de lágrimas chegou.
– Hey! — Eu voltei a abraçá-la. — Você está me preocupando. Me diz o que aconteceu. Você e Jasper brigaram?
– Não! — Ela fungou e tentou parar as lágrimas, mas não conseguiu. — Jasper e incrível e... Mas acho que... Não sei... talvez... Você me acharia louca se eu dissesse que talvez fosse melhor nos separarmos e...
– Espera aí. — Eu a fiz se calar e me olhar. — Se vocês não brigaram e ele é incrível como você disse e se vocês se amam, como eu sei que se amam, por que é que você está me dizendo algo tão absurdo?
– É só... Não sei como dizer a ele.
– Dizer o quê? — Questionei sem entender qual era o problema.
– Jasper e eu estamos juntos há tanto tempo... — Ela começou a dizer. Desde a faculdade. São anos juntos e eu acho que... Você sabe chega um tempo em que começamos a pensar em outras coisas e...
– O que você quer dizer com pensar em outras coisas, Alice? Algo como "como seria se eu estivesse com outro cara"?
– Não! — Ela respondeu imediatamente. — Amo o Jasper e estou mais do que satisfeita com ele...
– Então... — A incentivei a continuar com um aperto suave de mãos.
–É mais como... "Como seria se tivesse uma família"?
– Ahhh.... -Eu soltei um suspiro ao entender onde ela queria chegar. — Você quer um bebê. Alice, eu não sei porquê você está receosa de dizer isso a ele. Eu tenho certeza que Jasper vai adorar a ideia e...
– Ele adorou a idéia. — Minha amiga interrompeu e então voltou a chorar copiosamente. — Estamos tentando... Ela disse depois de um tempo. Há algum tempo... Desde... Então quando você contou que estava grávida... — Ela fez uma pausa e depois de me lançar um olhar envergonhado, afastou seus olhos dos meus me deixando sem entender a sua reação. — Me desculpe, mas depois que eu soube sobre a sua gravidez, eu meio que... eu...
– Você quis ainda mais o seu próprio bebê? Alice, você não tem que se desculpar por isso. É totalmente compreensível e eu acho que seria, realmente, maravilhoso, se estivéssemos grávidas ao mesmo tempo.
– É horrível o que vou dizer, mas sinto inveja de você. Do que você e Edward estão tendo. — Eu a olhei atentamente, sabendo bem que não importa o que ela dissesse inveja nunca seria a palavra correta para expressar seja lá o que ela estivesse sentindo, apenas porque esse era um sentimento que não combinava com Alice.- Edward nem mesmo queria um bebê e... Vocês vão ter um. E eu e Jasper... nós queremos tanto e não podemos ter... isso é...
– Alice? — Eu voltei a procurar pela mão dela e a apertei. — Posso entender como se sente. De verdade. Mas, veja, vocês ainda podem continuar a tentar. Eu sei que para algumas pessoas é mais complicado e...
– Eu sou estéril.
– O quê? — Não era a reação mais inteligente, mas eu simplesmente não soube mais o que dizer diante do que tinha ouvido. — Eu tenho certeza que não chega a tanto, Alice. Você apenas está nervosa e, você sabe, o estresse atrapalha e...
– Eu fui ao médico. Fiz alguns exames. Tem alguma coisa errada com o meu ovário e...
– Oh meu deus, Alice! — Eu voltei a puxá-la de encontro a mim. — Eu sinto muito!
– Não sei como dizer a ele, Bella. — Ela disse em meu ouvido, ainda chorando agarrada a mim. — Não sei como dizer ao Jasper que por minha culpa ele não poderá ser pai.
– Não é sua culpa, Alice. — Fiz questão de garantir. — E tenho certeza que a única coisa que chatearia Jasper seria ouvi-la insinuar isso.
...
Eu imaginava que o que estava passando desde que Tanya havia mudado o seu depoimento era ruim. Que nenhum sentimento poderia ser pior do que o medo que havia retornado e estava guiando a minha vida nos últimos dias. Mas, então, descobri que a impotência é muito pior do que o medo.
Vendo minha melhor amiga chorar, estando arrasada por saber que não seria capaz de realizar o sonho que possuía e sem poder fazer absolutamente nada para aliviar a dor que eu via refletida nos olhos dela, me fez perceber o quão esmagador é ver alguém que se gosta sofrendo e não poder ajudar. Enquanto abraçava Alice, deixando que ela colocasse para fora tudo o que sentia, me peguei pensando em Edward, em como ele deveria ter se sentido nos últimos dias, vendo-me tão deprimida e ainda existia o adicional de culpa que eu sabia que ele vinha sentido depois de perceber como eu tinha reagido a sua tentativa de proteção. Sim, ele tinha exagerado, era verdade. Mas eu era a única a ser fraca. Ele, ao menos, tinha agido, tentando ao seu modo proteger a mim e a nossa filha, deixando claro o quão importante somos para ele. Eu tinha apenas... me entregado.
Sim. Eu inda estava com muito medo. Mas, com Alice fortemente agarrada a mim, decidi que, pelo menos, tentaria lutar contra esse medo.
– O que você acha de sairmos um pouco? Dar uma volta no quarteirão? Quem sabe fazer compras? — Eu sugeri quando as lágrimas de minha amiga se extinguiram e ela se acomodou de forma que sua cabeça repousasse no meu colo. — Teremos que levar os seguranças, mas acho que um passeio faria bem para nós duas.
– Eu, realmente, não estou com animo para passeios... — Ela negou. — E sei que você também não. Mas eu agradeço a tentativa de me animar. Sou eu quem deveria cuidar de você.
– Eu estou bem, Alice. Na verdade, tenho sido um problema nos últimos dias... Quero mudar isso. Já temos coisas demais com o se preocupar, não é?
– E eu te trouxe mais uma...
– Não diga isso. Somos amigas. Quero que saiba que estarei sempre aqui para você. Sei que está triste agora e que pode parecer insensível da minha parte. Mas não é o fim do mundo, Alice. Você e Jasper se amam. Podem ser muito felizes só vocês dois e se desejam tanto um filho, existem outros caminhos. Há muitas crianças por aí esperando por uma família... É uma alternativa.
Ela apenas balançou a sua cabeça minimamente. Antes que ela voltasse a chorar, eu continuei:
– Você não precisa pensar sobre isso agora, ok? Só não ache que a esperança acabou. E não deixe Jasper de fora. Converse com ele. Eu tenho certeza que juntos vocês vão conseguir passar por isso.
– Como eu disse... — Ela fungou uma vez mais, porém sorriu levemente para mim. — Você é a melhor pessoa que eu já conheci.
...
Quando Edward voltou para casa, me encontrou completamente produzida. Uma cortesia de Alice. Embora chorosa e, visivelmente, batida ela fez questão de me arrumar quando lhe contei sobre o jantar que Edward gostaria de ter. Ainda não estava certa de que deixarmos a casa era nossa melhor opção, mas se estava mesmo decidida a enfrentar tudo o que Jacob despertava em mim de frente, precisava sair da toca... em algum momento. E eu não poderia pensar em companhia melhor para isso do que Edward. Com ele, ao meu lado, eu me sentiria relativamente em segurança.
Obviamente, ele notou o estado de espírito de Alice, mas a surpresa ao me encontrar vestida e maquiada, pronta para sair o fez aceitar a resposta de que tudo estava bem com minha amiga e se concentrar em mim. Era absolutamente lisonjeador saber que tinha esse efeito sobre ele.
– Você está linda! — Ele me disse após nos despedirmos de Alice que me deixou com promessa de que me procuraria em breve, nem que fosse apenas para voltar a chorar. — Absolutamente, incrível.
– Obrigada! — Eu fiquei na ponta do pé para beijá-lo docemente. — Eu espero que você não se decepcione com a minha produção recatada e simples. Mas optei pelo confortável hoje.
– Você fica maravilhosa de qualquer forma. — Ele me fez rodopiar e, quando sorri para ele, o vi sorrir de volta. Um sorriso amplo e relaxado. Como não tinha visto nas últimas duas semanas. — Ao que devo a honra da produção?
– Pensei que jantaríamos fora hoje... — Fingi um falso desapontamento.
– Você se ofenderia se eu dissesse que pensei que teria que tirá-la a força da cama?
– Nem um pouco. — Respondi com franqueza. — Tenho sido terrível nos últimos dias. Desculpe-me !
– Não há nada pelo que se desculpar, meu amor. — Ele acariciou o meu rosto. — Mas estou curioso sobre o que a fez mudar de atitude.
– Alice me fez perceber que estou aqui, apenas desperdiçando a vida, temendo o que pode, talvez, jamais acontecer quando deveria estar me sentido agradecida pelo que temos.
– Bom... — Edward se aproximou e passou a distribuir beijos por minha clavícula. — Acho que estou, mais uma vez, em divida com Alice. Terei que pensar em uma forma de agradecê-la.
– Você pode fazer isso dando a Jasper alguma folga... Eles vão precisar de uns dias sozinhos.
Edward parou por um instante, seus olhos observando os meus.
– Algum problema?
– Nada que eles não possam resolver... desde que estejam juntos. Assim como nós.
...
Não posso dizer que o jantar foi explendido. Eu tentei relaxar. De verdade. Mas não fui capaz de evitar olhar ao nosso redor a cada minuto, observando todos que se aproximavam, checando se os seguranças estavam por perto... Edward notou, é claro, o meu comportamento, mas não foi nada além de gentil e atencioso, segurando a minha mão a todo tempo e garantindo que estávamos em segurança, perfeitamente bem.
Ele estava certo. O jantar transcorreu sem incidentes, mas não posso negar que me senti extremamente aliviada quando voltamos para casa.
Aparentemente, eu precisaria de muito mais do que apenas resolução para conseguir seguir em frente.
– Sinto muito por não ter sido uma boa companhia. — Eu disse assim que adentramos o quarto e Edward, cavalheiro como sempre, me ajudou a retirar o pesado casado que eu usava.
– Não sou capaz de pensar em companhia melhor. — Ele respondeu depois de me ajudar com os sapatos e passar a cuidar de retirar suas próprias roupas. — Estaria feliz mesmo que não tivéssemos chegado sequer a deixar o prédio. Você tentou, meu amor. E isso é muito mais do que eu poderia pedir.
– Então... — Eu arranquei o vestido simples que usava e me joguei sobre a cama. — Acho que mereço uma recompensa.
– Um recompensa, é? — Edward se juntou a mim. Ele sorriu e eu o acompanhei. — Sabe, senti falta desse sorriso... — Ele contornou os meus lábios. E me senti péssimo por ter sido o responsável por tirá-lo do seu rosto.
– Não se sinta assim. Você é o único responsável por ele estar de volta.
Sua resposta foi um beijo doce, calmo, mas que logo se aprofundou. Só quando ele se afastou foi que me dei conta do quanto tinha sentido falta de Edward nessas duas semanas. Sim, ele tinha estado bem ao meu alcance todos os dias, mas eu, de certa forma, havia nos distanciado e agora, sentindo meu coração acelerado ao olhá-lo, percebi que não queria mais mantê-lo longe de mim, de nenhuma maneira.
– Deus! Sou uma imbecil. — Eu disse antes de puxá-lo para um novo beijo. Beijo esse que tratei de intensificar, assim como deixei minhas mãos livres para se prenderem nos fios sedosos do meu noivo e, mais tarde, vagarem pelo peitoral definido, sentido os músculos, arranhando a pele.
– Bella... — Ele tentou me frear, mas eu gentilmente o coloquei recostado contra o colchão e me posicionei por cima de seu corpo. Nós dois gememos quando nossas intimidades se encontraram. Mesmo com os tecidos de nossas roupas intimas entre nós, podíamos sentir o quanto afetávamos fisicamente um ao outro.
– Shiiii... — Eu disse e me inclinei para plantar beijos molhados por seu peito. — Senti a sua falta.
Nós dissemos nada mais e nem mesmo era necessário. Nossos corpos falavam por si mesmos a cada novo beijo ou carícia mais intima e em poucos minutos, mesmo que desejássemos dizer algo não seriamos capazes. Quando não existia mais nenhuma barreira entre nós, tudo o que éramos capazes de vocalizar eram gemidos de prazer, palavras soltas que mesmo sem qualquer nexo dizem tudo o que se passava em nosso intimo.
Duas semanas nem era tanto tempo assim. Mas quando o senti deslizar para dentro de mim só conseguia pensar em como eu tinha conseguido ficar tanto tempo sem senti-lo dessa forma. Aparentemente ele sentia o mesmo já que seus dedos se apertaram em minhas coxas, possivelmente deixando alguns hematomas, e me brindando com a sua voz rouca, necessitada próximo ao meu ouvido.
– Senti tanto a sua falta, baby.
Eu não respondi. Não com palavras. Apenas passei a acompanhá-lo, movendo-me no mesmo ritmo que ele, enchendo seus ouvidos com meus gemidos que eram só dele, para ele... até que eu, finalmente, cerrasse meus olhos com força vendo fogos de artifício explodirem enquanto gritava o nome do único homem no mundo capaz de me fazer sentir segura, amada.
E a sensação só se tornou ainda mais intensa, avassaladora quando foi a voz dele de derramar o seu prazer dentro de mim.
...
Lembro-me de ter pensado, antes de adormecer nos braços de Edward, que aquela seria, enfim, uma noite tranquila, livre de fantasmas tentando me assombrar.
Eu estava enganada. Assim como em todas as outras noites os pesadelos vieram e com eles os meus gritos preenchendo o quarto, despertando-me do horror que minha mente era capaz de criar.
Desorientada esperei pelo calor dos braços fortes do meu noivo ao meu redor, pela calmaria que viria com a sua voz baixa próxima ao meu ouvido me dizendo que tudo ficaria bem... Mas nada disso veio.
Quando, finalmente, me senti capaz de abrir os olhos tudo o que encontrei foi o quarto as escuras e o lugar de Edward, ao meu lado, vazio.
Ainda com lágrimas a escorrer pelo meu rosto e com as pernas trêmulas, quase incapazes de me manterem de pé, eu me levantei e deixei o quarto a procura do meu porto seguro sem me importar em encontrar um robe que escondesse a minha minúscula camisola.
Descer as escadas foi dez vezes mais difícil do que eu poderia imaginar. Precisei me agarrar ao corrimão para evitar cair e ainda assim só não fui ao chão porque antes que eu soubesse como, Collin estava lá, ao meu lado, me segurando.
– Bella, o que foi? — Ele me ajudou a chegar até a sala de estar, de onde eu podia ver os dois novos seguranças próximos a porta, mas nem a visão do meu fiel guarda-costas me trouxe algum alívio.
– Edward... — Eu sussurrei sabendo que naquele momento ele seria o único capaz de me acalmar, trazer alguma paz.
– Ele está no escritório com...
Eu não esperei que Collin terminasse. Não me importava com quem meu noivo estava ou com o que estivesse fazendo. Tudo o que conseguia pensar era que precisava dele comigo, dos seus braços me segurando apertado contra si, da sua força me mantendo inteira.
– Bella, espera. — Ainda pude ouvir a voz do meu segurança, assim como sabia que ele estava bem ao meu lado enquanto eu praticamente corria em direção ao escritório, mas não me dei ao trabalho de respondê-lo, assim como não parei. Não até que eu subitamente abrisse a porta do escritório e com os olhos embaçados procurasse por Edward apenas para encontrá-lo ajoelhado de frente para o sofá, com Tanya firmemente agarrada a ele.
CONTINUA...
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