Despertar de uma sub
47 Capítulo XLII
Notas iniciais
Capítulo XLII
Bella Swan
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– Você se importa de me esperar aqui? – Eu sussurrei para Collin, meu segurança, que, assim como eu desconfiava que aconteceria, tinha se tornado a minha sombra nos últimos dias.
Ele concordou com um aceno de cabeça e me entregou o vaso que continha um bonito buquê de rosas que segurava.
Eu respirei fundo antes de passar pelos dois policiais que guardavam a entrada do impessoal e estéril quarto de hospital.
Eu fui recepcionada pelo constante e ritmado batimento cardíaco de Tania que continuava a ser monitorado.
Eu gastei alguns segundos fitando a figura sobre a cama. Ela tinha os olhos fechados, mas eu sabia que não estava dormindo. A forma como seu corpo estava encolhido em uma posição fetal e os mínimos estremecimentos entregavam que ela, apenas, estava tentando controlar o que se passava em sua mente.
Eu conhecia a experiência.
Com delicadeza, eu depositei as flores sobre a mesinha de cabeceira ao lado da maca e me sentei em uma cadeira. Pacientemente, esperei até que os olhos azuis marejados se pousassem sobre mim.
– Collin me disse que você vinha... – Ela disse baixinho. – Mas eu não acreditei.
– Por que eu não viria? – Respondi, oferecendo a mulher deitada a minha frente um sorriso. – Você salvou a minha vida.
Ela balançou os ombros como se não desse importância para o que eu tinha acabado de dizer.
– Você faria o mesmo... – Tania disse por fim. – Você fez o mesmo.
– Eu sinto muito não ter feito mais... – Disse com sinceridade. – Não só naquele dia, mas antes. Quando eu a vi pela primeira vez, eu soube... Vi em seu olhar que estava tão infeliz ao lado dele quanto eu fui. Eu deveria ter feito algo para ajudar.
– Não se pode ajudar quem não quer ajuda...
– Mas se pode ajudar quem está assustado demais para pedir ajuda.
– Foi assim que Edward te ajudou? — Ela me lançou um olhar triste.
– Eu estava assustada demais para admitir, mas não existia nada que eu quisesse mais do que ser ajudada... Ele viu além. – Eu me acomodei melhor em meu lugar. Era um tanto incomodo falar sobre Edward para ela, depois de saber sobre o passado que os dois compartilharam, mas eu tinha uma divida com Tania e a única forma de pagá-la era sendo o mais honesta possível, mesmo porque eu esperava que ela retribuísse o favor. — Eu, provavelmente, ainda estaria vivendo como um animal acuado e tentando lidar com todos os abusos se não fosse por ele.
– Isso é quem ele é. – Um pequeno sorriso se formou nos lábios ressecados e machucados da mulher a minha frente. – Como um príncipe encantado que vai ao resgate da princesa aprisionada.
– Um príncipe encantado com um chicote na mão... – Eu comentei com diversão.
Os nossos risos se misturaram por alguns segundos.
– Ainda assim um príncipe... – Ela tentou se acomodar melhor e desviou o seu olhar. – E você é a princesa por quem ele sempre esperou. Esse é o seu conto de fadas.
– Você ainda o ama? – Eu questionei subitamente.
Talvez fosse indelicado de minha parte questionar isso, mas eu, simplesmente, precisava saber.
– Isso importa? – Os olhos azuis dela voltaram a procurar pelos meus. – Ele não me ama. Nunca amou. O coração dele pertence a você, Bella. Isso é o que importa.
– Isso não é verdade. – Eu argumentei. – Ele a amou... Muito. Vocês têm uma história.
– Temos uma história. – Ela concordou. – Sem um final feliz. – Eu a vi dar de ombros. – Mas não foi amor. Ele gostava de mim, não nego. Eu gostava dele. Fomos apaixonados e inconsequentes. Gravamos nossos nomes no livro de nossas vidas sem qualquer possibilidade de removê-los, mas isso não faz do que vivemos “amor”. Se fosse amor, todo o resto teria deixado de importar e teríamos encontrado uma forma de ficar juntos. Isso é o que o amor de verdade faz. – Tania me ofereceu um sorriso. – Isso foi o que o amor fez para vocês, não foi?
Eu assenti timidamente.
– Isso é bom. Ele merece ser feliz...
– Você também.
– Eu dei adeus à possibilidade de ser feliz no momento em que me levantei, naquele escritório, e a ajudei a ir embora. – Eu vi quando as lágrimas acumuladas nos olhos dela rolaram por seu rosto ainda marcado pela violência sofrida. – Tem momentos em que temos que escolher. Eu não me arrependo. – Ela fechou os olhos por um instante e depois os prendeu novamente em mim. – Não me arrependo! – Repetiu, com veemência. – Mas não sei se minha atitude seria a mesma se voltássemos no tempo. É uma daquelas reações que só se sabe qual será no momento em que acontece.
– O que ele tem contra você? – Eu me levantei e prendi uma de minhas mãos nas de Tania. – O que ele usa para mantê-la presa a ele?
– Eu fui tão estúpida... – Uma risada nervosa deixou os lábios de Tania. – Tão idiota. Eu acreditei em tudo o que ele me disse... Eu confiei.
– Isso é o que Jacob sabe fazer de melhor. Eu não sei como, mas quando percebemos, já estamos aos pés dele... É como magia. Ele nos enfeitiça de tal forma que ficamos cegas para todas as mentiras que ele pronuncia. O efeito só acaba quando é tarde demais. – Eu apertei meus dedos nos dela, tentando lhe dar alguma força. – Não foi sua culpa. Ele te manipulou como manipula a todos ao seu redor. Ele é o único culpado.
Ela assentiu, mas eu sabia, por sua postura, que nenhuma das minhas palavras, realmente, chegaram até ela. E como poderia? Eu conhecia a dor que ela sentia naquele momento, conhecia o sentimento de culpa, por ter se deixado seduzir por alguém tão baixo, que prevalecia. Talvez com o tempo, assim como aconteceu comigo, ela conseguisse enxergar a verdade por trás do que eu dizia.
– Não importa mais. – Eu voltei a dizer. – Acabou! Ele não pode mais te machucar.
– Ele pode. – Ela parou de lutar contra as lágrimas e tudo o que pude fazer foi envolvê-la em um abraço. – Ele pode. Não importa onde eu esteja, não importa quanto tempo passe... Ele tirou de mim a única coisa que me mantinha viva... Enquanto eu ainda respirar, ele vai continuar a me machucar.
Eu a deixei chorar por quanto tempo quanto desejasse.
– Acabou, Tania. – Eu voltei a dizer. – Se existe justiça, ele será condenado e nunca mais teremos que vê-lo.
– É um jogo, Bella. – Ela me fez olhá-la. – Sempre foi um jogo para ele. Ainda que ele seja preso, sou eu quem perde.
...
Eu tentei dar sentido as palavras de Tania durante horas, mas quando o dia deu lugar a noite e eu deixei a livraria para trás e me dirigi para casa, ainda não tinha conseguido ordenar meus pensamentos.
– Ela só está assustada. – Collin me disse quando eu lhe disse que estava preocupada com Tania e com a forma como ela lidaria com tudo isso.
– Você foi vê-la... – Eu comentei. – Antes de mim.
Ele assentiu e me lançou um rápido olhar através do retrovisor do carro, antes de voltar a focar sua atenção na direção.
– Sempre que posso.
– Por quê?
Ele ficou em silêncio por um longo tempo, até que o carro fosse estacionado e eu, já conformada por não ter uma resposta, me preparava para sair.
– Porque, todas as noites, quando eu fecho os olhos para dormir, eu a vejo... Naquele escritório, machucada, desfalecida... Vê-la, ainda que no hospital, e saber que está viva, ignorando todos os pensamentos que tive quando a encontrei, me faz sentir melhor.
Eu terminei de soltar o cinto de segurança e impulsionei o meu corpo em direção ao banco do motorista e depositei um beijo na bochecha de Collin.
– Nós tivemos muita sorte por você estar lá para nos salvar. – Eu sussurrei. – E ainda mais sorte por ainda tê-lo como anjo da guarda.
Eu não esperei por uma resposta. Apenas deixei o carro e caminhei até em casa.
...
Eu estava tão exausta emocionalmente que, simplesmente, adormeci enquanto esperava por Edward.
Quando meus olhos voltaram a se abrir, eu estava , confortavelmente, acomodada sobre a macia cama que dividimos, vestindo apenas as minhas peças intimas e com o braço de um Edward adormecido sobre mim.
Eu acariciei o seu cabelo por alguns minutos, apenas apreciando a maravilhosa sensação de tê-lo por perto.
A única iluminação no ambiente provinha da luz da lua que adentrava o quarto através da janela, então eu não podia ver mais do que o contorno de seu rosto, ainda assim eu o fitei, vendo em minha mente o seu sorriso, o seu olhar.
Eu poderia ter passado toda a noite assim, se não fosse o pequeno serzinho dentro de mim que resolver pressionar a minha bexiga e clamar por alguma comida.
Com cuidado para não acordar Edward, eu me levantei e cainhei até o banheiro. Depois de cuidar das minhas principais necessidades, eu entrei no boxer e deixei a água norma cair sobre mim. Uma ducha sempre me renovava.
Quando eu voltei ao quarto, Edward ainda dormia, agora, firmemente, agarrado ao meu travesseiro. Era uma linda visão.
Eu depositei um beijo leve nos lábios masculinos entreabertos e apanhando a blusa social que ele tinha jogado pelo chão, me dirigi à cozinha.
Eu vasculhei pelos armários e pela geladeira em busca de algo para comer. Não faltava opções, mas eu não conseguia me decidir pelo o que queria.
– O que você está fazendo? – Eu senti as mãos de Edward se fecharem ao redor da minha cintura, antes de ouvir a sua voz, quando eu subia em um banquinho e tentava alcançar a prateleira de cima de um dos armários.
Um grito surpreso escapou por meus lábios. Ele me afastou do banco e me colocou no chão.
– Por Deus, Edward! Você ainda vai me provocar um ataque cardíaco.
Eu levei as mãos ao peito.
– O único a ter uma sincope aqui serei eu, Isabella. – Ele me lançou um olhar irritado. – O que você estava fazendo em cima de um maldito banco?
Eu consegui impedir um revirar de olhos.
– Eu só estava procurando por algo para comer...
Ele respirou fundo e arrastou uma das cadeiras da mesa da cozinha.
– Sente-se aí.
Eu obedeci, embora quisesse retrucar. Odiava quando ele usava o tom Dom de voz sem que estivéssemos jogando. E a julgar pela conversa que tivemos há menos de uma semana, quando ele me surpreendeu com uma noite incrível de sexo romântico, continuaríamos sem jogar por um longo tempo.
– O que você quer comer? Eu posso preparar um sanduiche... Ou esquentar algo do jantar.
– Eu não sei...
– Você arrisca cair de um nada confiável banquinho e nem sabe o que quer comer?
– Eu estava procurando por algo que me fizesse salivar...
– Eu sei de algo que sempre a faz salivar... – Ele comentou em tom provocativo e se recostou no armário. – Mas eu não acho que você esteja se referindo a isso, não é?
Eu deixei que meu olhar o percorresse e, realmente, salivei diante da visão de um Edward vestindo apenas uma calça de moletom folgada.
– Talvez mais tarde... – Eu pisquei para ele. – Depois de saciar a minha outra fome.
Ele sorriu.
– Vamos ver o que podemos fazer... – Ele caminhou até a geladeira. – Suco? – Ele me amostrou a jarra cheia e eu balancei negativamente a minha cabeça. – Iogurte? Leite? Ok... Nada para beber.
Eu me recostei melhor no encosto da cadeira e o admirei enquanto ele tentava encontrar algo que eu desejasse comer.
– Ok... Nós podemos pedir algo. Ou eu posso sair e comprar algo... – Ele descansou as duas mãos sobre a mesa bem a minha frente. – É só você me dizer o que quer.
– Eu acho que quero algo... Salgado. – Eu disse em duvida. – Não! Melhor... Algo doce. Ou, talvez, os dois... Que tal... Sorvete de gergelim com batata frita?
Ele tentou mais não conseguiu conter uma risada.
– Baby, são 3 horas da manhã... Onde eu vou encontrar sorvete de gergelim?
Eu soltei um muxoxo.
– Assim que o dia amanhecer, ok? – Ele me fez um carinho. – Até lá, você não pode se contentar com sorvete de chocolate? Nós temos esse no freezer. – Ele me lançou um olhar esperançoso. – Eu providencio as batatas... embora ache que essa combinação não vai dar muito certo.
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