Notas iniciais
E chegamos ao capítulo final... E que longaaaa caminhada tivemos, mas apesar dos pesares, valeu a pena, certo? O Epílogo saí amanhã e, então, será realmente o fim. :/ Boa leitura!

Capítulo 62

POV NARRADOR

Isabella Swan Cullen não ouviu o primeiro choro alto que a filha emitiu assim que foi retirada da barriga da mãe, após uma cesariana de emergência, porque estava inconsciente.

Edward não segurou a filha ou cortou o cordão umbilical porque tinha sido mantido do lado de fora do lado da sala de cirurgia, andando nervosamente, pela sala de espera, sem saber o que os médicos iriam lhe dizer.

Menos de vinte e quatros horas tinham se passado desde que Isabella havia sido resgatada e, embora à primeira vista, a morena aparentasse estar fisicamente bem, bastou que chegassem à casa de Selena e se sentassem, após a moça ter tomado um demorado banho, para explicar o que havia acontecido, para que um sangramento tivesse início, e então vieram as dores e o desespero.

Segundo a obstetra, não existia nada que pudessem fazer para evitar o parto antes do esperado, mas ela estava confiante de que mãe e filha ficariam bem, afinal não era tão incomum um nascimento aos sete meses de gestação, mesmo diante das complicações que Bella apresentava.

Cullen gostaria de ter sentido a mesma confiança, mas era impossível não estar apreensivo e temeroso, especialmente depois de o terem colocado para o lado de fora da sala onde o parto ocorria, após a esposa ter sofrido uma parada cardiorrespiratória.

Sabia que os amigos estavam por perto, assim como os pais que tinham sido avisados por Jasper, mas não conseguia se obrigar a se acalmar o suficiente para sentar ao lado deles e aguardar por noticiais.

― Tudo vai dar certo, irmão ― Jazz se aproximou, pousando uma mão sobre o ombro do melhor amigo.

Cullen assentiu, mas não encontrou voz para responder.

Só conseguiu voltar a respirar com alguma normalidade quando a médica se aproximou e, com um sorriso contido, parou de frente para o empresário.

― Parabéns, Sr. Cullen, você é pai de uma menina com pulmões realmente fortes. Ainda não conseguimos fazê-la parar de berrar.

Edward podia ouvir a comemoração dos pais e amigos, mas não conseguiu encontrar forças para iniciar a própria comemoração.

― Como elas estão? ― Questionou baixo, quase com medo do que ouviria ― Minha esposa…

― Ainda desacordada ― A obstetra respondeu honestamente ― As duas precisarão de alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva, mas você vai voltar para a casa com as duas, assim que possível.

Só então o ruivo se permitiu relaxar, soltando um suspiro que não sabia que estava segurando até aquele momento.

Se sentiu ser abraçado pela mãe e, recostando a testa contra o ombro feminino, chorou de alivio e emoção.

Jacob Black tinha tentado e chegou muito perto de conseguir, mas Bella ainda estava viva e bem, assim como a filha que tinha lutado para proteger.

♥

Era um dia bonito, apesar do vento frio que fazia os cabelos longos de Isabella voar por todo lado, o que a morena considerava uma benção. Não precisavam de um dia chuvoso e melancólico quando já viviam um momento tão triste.

Ajeitando a manta que protegia a filha do vento, ela suspirou, ao sentir a mão do marido se apertar contra o seu ombro.

Sentia-se um pouco estranha por estar onde estava, viva e saudável na medida do possível, com Sophia se desenvolvendo como qualquer criança com três meses de idade, enquanto participava de uma cerimônia fúnebre tardia em homenagem a mulher que tinha assistido morrer.

Ainda não sabia muito bem o que pensar sobre Tanya Denalli, afinal era difícil esquecer que tinha sido arrancada de casa pela loira que a ameaçava, mas conseguia entender porque ela tinha agido de forma tão desesperadora. Provavelmente faria o mesmo, ou pior, no lugar dela, se precisasse proteger Sophia.

Na verdade, tinha feito. E isso ainda a assombrava, provavelmente assombraria para sempre.

Portanto, estava decidida a se despedir de Tanya, e de qualquer rancor que por ventura ainda nutrisse por ela, naquele dia. Já não existia nada que pudesse ser feito e não queria passar a vida remoendo as ações da moça. Ela tinha feito o que achava que devia fazer, assim como Isabella, e era horrível que tivesse perdido a vida no processo.

― Me deixe segurá-la um pouco… ― Edward pediu, estendendo os braços para pegar a filha quando a menina começou a choramingar.

Bella aproveitou o momento para se aproximar de Collin Miller que se mantinha destacado, com os olhos fixos sobre a lápide trabalhada, recém colocada, que ostentava o nome de Tanya Denalli.

Apenas os três, e a pequena Sophie, tinham assistido a cerimônia que não passava de uma encenação. O caixão que tinha acabado de ser coberto por terra estava vazio e o corpo de Tanya havia sido cremado três meses antes, na presença apenas do namorado, que em breve viajaria para algum lugar ensolarado e bonito, como Tanya costumava ser, segundo o segurança, para espalhar as cinzas a deixando para ser, finalmente, livre.

Mas precisavam dar a ela mais do que o descanso merecido em algum lugar pacífico, era preciso dar também uma versão oficial dos fatos, então no que dizia respeito ao mundo fora do círculo de confiança de Edward Cullen, Tanya Denalli havia sido encontrada, já sem vida, pelo namorado, após cometer suicido tomando um coquetel de remédios controlados.

Não era a melhor versão, na opinião de Isabella, e ela gostaria de ter livrado a loira do estigma que fatalmente carregaria mesmo após a morte, mas era a explicação mais razoável, levando em consideração o histórico da moça.

E, de certa forma, estava grata pelo segurança, mesmo em meio a dor da perda, ter conseguido pensar em absolutamente tudo para impedir que o que aconteceu dentro daquela cabana, jamais chegasse ao conhecimento público.

Não sabia o fim que o corpo de Jacob Black teve, e nem mesmo se importava em saber, mas sabia que apesar da polícia ainda procurar por ele, com a intenção de levá-lo a julgamento pelos crimes cometidos contra as duas ex-escravas quando invadiu a livraria de Bella e pelo assassinato de Mia, ele jamais seria encontrado novamente. Nunca mais teria, sequer, que pensar nele. Era o que Bella repetia para si mesmo, todos os dias, embora continuasse a pensar demais no algoz.

― Sinto muito! ― Bella disse, abraçando o segurança de lado, quando ele se permitiu chorar.

O caixão poderia estar vazio, mas a homenagem prestada tinha sido verdadeira, assim como sabia que aquele lugar, mesmo que Tanya não estivesse ali, sempre seria onde o segurança a procuraria.

― Sinto muito, Collin! ― Repetiu, quando o segurança caiu de joelhos, tocando a lápide com o nome da mulher que amava, mas nunca mais teria.

♥

― Muito bem! ― Bella sorriu, batendo palmas, para incentivar a filha que tinha, pela primeira vez, conseguido se sentar firmemente sozinha, no momento em que viu a melhor amiga adentrar o quarto da afilhada, seguida de perto por um rapazinho que imediatamente levou os olhos escuros até a morena.

― Olha só para ela… ― Alice comentou, animadamente ― Tão grande!

Não era bem verdade. Sophia era um bebê pequeno, resquício do parto prematuro, mas era bastante esperta para os seis meses que tinha.

― Como ele está? ― Bella perguntou em um sussurro, depois de se colocar de pé e se aproximar da amiga, após assistir a forma contida com que Thomas Jones se sentou de frente para a bebê risonha e passou a balançar um urso de pelúcia para ela.

― Na mesma… ― Alice respondeu com um movimento displicente de ombros ― O único momento em que ele é uma criança normal é quando o trago aqui.

Isabella assentiu, feliz por saber que o pequeno Tom tinha encontrado uma família de verdade para chamar de sua e que, de certa forma, fazia parte dessa família também.

Alice tinha se apaixonado pelo menino antes mesmo de conhecê-lo, repetindo o quanto era triste que ele tivesse passado por tantas coisas ruins sendo tão novo, quando Bella tinha lhe contado um pouco do que tinha acontecido no dia em que conheceu o menino, ainda assim foi surpreendente para todos que a morena tivesse seguido até o abrigo para onde ele tinha sido levado quando, ela e o marido, enfim, se decidiram por darem início a um processo de adoção.

Jasper esperava que a esposa quisesse um bebê, mas Alice já sabia quem chamaria de filho e, sua certeza, se tornou ainda maior quando pôde enfim conhecer o menino arisco e calado que não fez qualquer esforço para impressionar o casal que visitava o orfanato naquele dia.

Ele não disse nada para Alice naquele dia e mal olhou para Jasper, sentindo-se muito intimidado com a presença masculina.

Na verdade, ele não dizia muito para praticamente ninguém, nem mesmo nas consultas com a psicóloga que o acompanhava. Uma ou outra palavra quando era indispensável e isso era tudo o que conseguiam de Thomas.

Exceto Isabella e Sophia. Ele falava com a bebê, como se ela pudesse entendê-lo, quando ninguém estava olhando e falava com a morena por quem tinha, rapidamente desenvolvido uma fascinação, sempre que ela se aproximava e o abraçava. De certa forma, pelo menino que tinha se tornado seu afilhado, Bella sentia-se grata por ter sido arrastada até uma fétida cabana no meio do nada, do contrário, talvez ele continuasse preso aos abusos de Jacob.

Jasper precisou usar um pouco da influência que tinha e muito do dinheiro que recheava a sua conta bancária para conseguir a guarda provisória do garoto tão cedo e ele tinha feito isso pela esposa, já que ainda estava tentando se adaptar ao papel de pai de um menino que mal o olhava, com o qual não sabia muito bem como lidar.

Mas Isabella sabia que, em algum momento, tudo acabaria dando certo para o rapazinho que lançava um sorriso tímido para Sophia quando ela se jogou em seus braços, feliz por perceber que, ao que parecia, as duas crianças cresceriam para serem bons amigos.

― Eu acho que ela gosta de você, Tom! ― Bella voltou para perto das crianças, socorrendo o menino quando a filha voltou a atacá-lo, enchendo-o de baba.

Ele olhou para onde Alice estava por um instante e segurou Sophia contra o pequeno peito.

― Eu gosto dela… ― Ele respondeu tão baixo que Bella quase não foi capaz de ouvir.

Sorrindo, a morena estalou um beijo contra a bochecha do garoto que tinha salvado a sua vida. O amaria como amava a filha e daria a vida por ele, se um dia fosse preciso, decidiu quando ele timidamente retribuiu o carinho.

― Gosto de você também, madrinha! ― Ele continuou, um pouco mais alto, fazendo Alice arfar de surpresa por ouvi-lo dizer mais do que duas palavras sem que precisasse implorar.

― Você está roubando meu filho, Bella! ― A morena brincou, para encobrir a voz que se tornou embargada de emoção. ― Não é justo!

♥

Duzentos e quarenta e sete dias tinham se passado desde que Bella Cullen esteve frente a frente com Jacob Black pela última vez.

Um pouco mais de oito meses desde que, enfim, tinha se livrado da ameaça que o falso dominador representava, ou pelo menos parte dela, já que ainda não tinham conseguido encontrar o antigo barmam do clube e, provavelmente, nunca o encontrariam. Não quando não sabiam mais do que um primeiro nome que não era tão incomum.

E durante todas as sessenta e uma semanas passadas, não teve uma só noite em que a ruiva não tenha sonhado com o momento em que, enfim, se livrou do algoz.

Invariavelmente, acordava no meio da madrugada, suada, chorosa e assustada, após rever, em um sonho vivido demais, o momento em esfaqueava o falso dominador até que Edward a fizesse parar.

Estava grata que, pelo menos, já não acordava aos gritos como acontecia nas primeiras noites.

Deixou a cama em silêncio quando mais uma vez despertou sobressaltada, para encontrar o quarto que dividia com o marido às escuras e em silencio, em vez da sala asquerosa de uma cabana velha, se arrastando até o banheiro, depois de checar a tela da babá eletrônica que mostrava uma imagem nítida do quarto onde Sophia dormia profundamente, e se acomodou dentro da banheira, em seguida, antes mesmo que estivesse cheia.

Precisava de um momento para chorar.

Estava tentando... Estava tentando com muito afinco, mas ainda era difícil. Sempre seria, segundo a terapeuta que ainda acompanhava, mas tinha noites que se tornava difícil demais.

Tinha conseguido calar qualquer soluço e não tinha feito qualquer som mais alto do que um sussurro, mas ainda assim não ficou surpresa quando sentiu o marido deslizar uma mão forte por seus braços, a movendo para que pudesse se acomodar as suas costas. Ele sempre sabia quando ela deixava a cama... Principalmente, ele sempre sabia quando ela precisava dele.

Isabella se deixou ser amparada e confortada, amando a sensação dos braços fortes a apertando e puxando contra o tórax firme.

Ele não disse nada, sabendo que já tinha dito tudo o que podia durante todos os meses passados, completamente ciente de que ela sabia que não era possível mudar nada do que tinha vivido ou feito... Tranquilo em saber que, algumas vezes, ela só precisava colocar para fora o que sentia e, contente, por poder estar ao lado dela nesses momentos, a confortando o máximo que podia.

― Como você ainda pode me amar? ― Ela questionou em um murmuro, encolhendo-se contra o abraço protetor que recebia, sentindo o que o ruivo sentia praticamente irradiando dele para ela ― Depois do que eu fiz... Depois de...

― Você fez o que tinha que fazer... ― Edward interrompeu o discurso gago e incoerente ― Para proteger a si mesma e a nossa filha.

― Ainda assim foi algo horrível de se fazer... ― Bella retrucou, fungando ao sacudir a cabeça para se livrar da memória das mãos empunhando uma faca e a cravando contra o peito de um homem ― Não consigo me livrar da imagem dele lá, morto, enquanto eu continuava a golpeá-lo uma e outra vez, o som da faca cortando a pele, a sensação do sangue nos meus dedos...

― Horrível teria sido te perder... ― Cullen moveu a esposa, colocando-a sobre o seu colo para que pudesse olhar dentro dos olhos que se encontravam avermelhados ― Porque é o que teria acontecido. Você sabe disso. Eu teria perdido você e Sophia, como Collin perdeu Tanya.

A ruiva assentiu, afinal já tinha ouvido aquilo tantas vezes antes, inclusive dizia o mesmo para si mesma todas as noites, mas algumas vezes ainda se sentia nauseada ao se lembrar de tudo o que tinha acontecido, do olhar de Jacob se apagando, do último suspiro.

Em momentos como esse, fechava os olhos e rezava para que Thomas tivesse a memória daquele dia apagada com o tempo. Nenhuma criança merecia viver com a dor de recordar algo tão horrível.

― Eu o matei, Edward! ― Sussurrou as palavras, embora sempre evitasse dizer isso em voz alta ― Isso não faz de mim alguém tão vil quanto ele era?

― Isso faz de você alguém forte, corajosa e tão protetora que não hesitou em se proteger, em proteger a nossa filha ― Cullen rebateu, segurando o rosto feminino com as duas mãos, usando as pontas dos dedos para acariciá-lo ― Sei que ainda é difícil, talvez sempre seja, mas para mim tudo o que aquela noite me faz sentir por você é admiração. Você lutou, Bella. Lutou o quanto podia, lutou da forma que podia... E venceu, isso é tudo o que me importa.

Ela assentiu, tombando a cabeça, escondendo o rosto no vão do pescoço masculino, sentindo o cheiro almiscarado até que o pânico, que sempre a perseguia depois de um pesadelo, começou a se dissipar.

― Ainda dói às vezes... ― Comentou, correndo as mãos pela nuca máscula, despretensiosamente ― Ainda me enlouquece, às vezes. Hoje é só uma dessas vezes.

― Eu sei... ―Ele respondeu, retribuindo o carinho, correndo uma mão pelas costas nuas, em um movimento circular que ele esperava que fosse reconfortante, o mesmo movimento que tinha feito quando a encontrou naquela cabana.

― Faça melhorar... ― Ela pediu, por um segundo levando o moreno de volta para aquele dia, de volta para a impotência e medo que sentia ― Por favor, faça melhorar.

Mas já não estavam em perigo, já não tinha sangue por toda a parte... Tudo o que existia eram os dois, dentro de uma banheira parcialmente cheia, em um banheiro às escuras e silencioso.

Cullen sorriu porque, diferente do dia que ainda atormentava a esposa, agora ele podia fazer as coisas melhorarem.

E foi o que ele fez. O que ele sempre fazia. Para Bella e para ele próprio.

Transformou dor em amor, dor em prazer... Independente de naquele momento ser dor emocional, em vez de física, até que nenhum dos dois fosse mais capaz de pensar em Jacob Black e o que ele tinha sido. Até que os corpos suados e despertos, ainda que dentro da banheira, os guiassem até um clímax capaz de eclipsar tudo o que tinham sofrido, deixando no ar apenas o que realmente importava: o amor que sentiam um pelo outro.

― Eu te amo... ― Edward sentiu a necessidade de dizer contra o ouvido feminino ― Não importa o quê, eu te amo!

Notas finais
Se você chegou até aqui, por favor, me deixe saber o que achou. Xoxo