Despertar de uma sub
33 Capítulo 30
Notas iniciais
Capítulo 30
A semana que antecedeu a minha apresentação oficial no club de Edward pareceu, simplesmente, voar. Ou talvez eu tenha passado todos os segundos em tamanho estado de ansiedade que nem mesmo percebi o decorrer dos dias.
O fato é que a sexta feira havia chegado e faltando um pouco mais de 24 horas para a fatídica apresentação meus nervos estavam em frangalhos. E o mal estar que havia me abandonado há quase uma semana tinha voltado com tudo.
Felizmente, meu Mestre havia me surpreendido com uma mensagem de texto onde dizia que graças a um problema na empresa precisaríamos adiar o início do nosso fim de semana para a noite, o que me dava todo o dia para tentar encontrar alguma calma e expulsar o mal estar.
Antes mesmo do horário de almoço eu já havia desistido. Seria, simplesmente, impossível relaxar e ignorar a sensação de apreensão que aumentava a cada minuto. E se eu fizesse algo errado? E se eu o envergonhasse? O pensamento me fez correr até o pequeno lavabo em meu escritório e expulsar o pouco que tinha conseguido comer.
No meio da tarde eu me sentia, realmente, mal e cheguei a ligar para Alice em busca de algum conselho e quem sabe companhia em uma consulta médica de emergência. Ela foi, absurdamente, gentil como eu sabia que ela seria e por quase duas horas conversamos sobre ser natural me sentir dessa forma e que se eu me permitisse relaxar todo o resto fluiria perfeitamente. Bom, eu gostaria que ela tivesse me dado uma receita mágica de como fazer isso, mas tudo o que ela fez foi dizer: “Se você não conseguir se focar nisso, se for demais para você... apenas diga a ele. Não é nenhuma vergonha admitir isso.”.
Bom, poderia até não ser nenhuma vergonha, mas qual seria o tamanho do estrago que isso poderia causar em nossa já fragilizada e quase inexistente relação?
Então, em vez de me preparar para dizê-lo que eu não conseguiria, eu apenas liguei para uma farmácia, encomendei um remédio para enjoo, algum analgésico e após ingeri-los joguei meu corpo sobre o pequeno sofá em meu escritório e me obriguei a ter pensamentos positivos.
Não funcionou muito bem, obviamente. E eu quase podia sentir as lágrimas de frustração escorrendo por meu rosto conforme a hora de encontrá-lo se aproximava.
Felizmente, no final do dia, Angela adentrou o meu escritório com um pequeno sorriso no rosto e uma notícia que conseguiu roubar toda a minha atenção, tamanha a surpresa proporcionada.
– Existe alguém querendo falar com você lá fora... – Eu quase abri a minha boca para dizer que não pretendia receber ninguém quando ela me disse um nome que eu jamais esperaria ouvir. – Sra. Cullen.
A mãe de Edward? A mesma que tinha me visto nua na semana passada?
Deus, eu ainda podia ver o olhar chocado no rosto dela.
Como eu não podia, simplesmente, me recusar a recebê-la, eu me obriguei a levantar, alisar a roupa que usava e colocar uma máscara de tranquilidade em meu rosto.
Eu fiz o meu melhor para sorrir quando a mãe de meu Mestre adentrou a sala. Agora que eu não estava tão preocupada em esconder a minha nudez, pude reparar na similaridade física entre eles. O mesmo tom incomum de bronze nos cabelos, os mesmo olhos azuis penetrantes e o mesmo modo de sorrir quando percebiam a apreensão da outra pessoa parada a sua frente. Eu estava de frente para uma versão feminina de Edward e embora a sua presença me deixasse nervosa, também existia a mesma vontade de agradá-la que meu Mestre despertava... Apenas a motivação era diferente. Eu queria que ela gostasse de mim porque... Bom, porque se ela não gostasse, eu, provavelmente, estaria fora da vida de Edward antes de um piscar de olhos.
– Bella... – Ela estendeu a sua mão para mim e eu tentei disfarçar o tremor da minha quando aceitei o aperto de mão. – Eu sinto muito ter vindo sem avisar. É muito gentil da sua parte me receber.
Eu pensei em ser cortes, mas eu simplesmente não sabia o que dizer, então eu apenas apontei para a poltrona de frente para minha mesa e a convidei a se sentar.
– Em que eu posso ajudá-la, Sra. Cullen? – Disse assim que nós duas nos acomodamos.
– Esme, por favor! – Ela respondeu suavemente. – Sra. Cullen é formal demais, não acha?
Eu assenti, embora achasse que continuar com a formalidade era uma boa ideia.
– Eu só... – Ela manteve seu olhar sobre mim por um momento e eu, realmente, me surpreendi ao ver um leve rubor colorir as suas bochechas. – Gostaria de me desculpar pelo ocorrido na semana passada. Nós não tínhamos a intenção.
De uma forma estranha eu esperava por acusações, um pouco de discriminação e, talvez, até um intimado para me afastar de Edward, mas, em momento algum, eu se quer cogitei a possibilidade dela me pedir desculpas. Era, no mínimo, chocante.
Desnecessário dizer que eu apenas fiquei ali, parada de frente para ela, sem saber o que dizer ou fazer.
– Eu não posso imaginar o quanto você deve ter se sentido envergonhada... – Esme acrescentou. – E, fatalmente, não há nada para que eu possa fazer para mudar o ocorrido. Mas, poderíamos começar novamente. O que acha?
– Eu...Eu, realmente, não sei o que dizer. – Sussurrei.
Ela ampliou o seu sorriso, se levantou e voltou a estender a sua mão em minha direção.
– Eu sou Esme Cullen, a mãe de Edward. – Essa era a forma correta de conhecer alguém, então eu sorri de volta e apertei a sua mão, mais uma vez.
– Eu sou Bella Swan... – Devolvi o comprimento e senti o meu rosto esquentar. – E eu não sei como classificar o meu relacionamento com Edward sem chocá-la.
Ela deu leves tapinhas em minha mão.
– Oh, querida, não há mais nada sobre Edward que ainda possa me chocar.
...
Afortunadamente, a curta, porém produtiva, conversa com Esme Cullen me deu muito sobre o que pensar. Suficiente pra que eu conseguisse me focar em tudo o que ela tinha me dito e na forma como, parecíamos, nos ter dado bem até que a hora de me ajoelhar aos pés de Edward tinha chegado. Daí em diante, ele, como sempre, foi capaz de me fazer esquecer todo o resto... até o momento em que eu me encontrava em seu escritório no club, vestindo nada mais do que um corpete tomara que caia de renda tão apertado que, praticamente, me roubava o ar e deixava muito de minha pele a amostra, um minúsculo tapa sexo – pelo qual eu estava grata, apesar de não esconder muita coisa -, meias 7/8 presas por ligas e o, inesquecível, plug decorado com uma cauda de gato. Mantendo os meus cabelos soltos longe do meu rosto, eu tinha um arco com duas orelhinhas e pra proteger as minhas mãos, um par de luvas negras que deixava os dedos de fora.
Eu me sentia ridícula!
Mas esse pensamento também me deixou no momento em que ele se abaixou a minha frente e substituiu a coleira de couro por uma de aço, a mesma que eu tinha dado a ele. Eu apreciei o gesto e o considerei como um incentivo.
– Você está fabulosa, Pet! – Ele elogiou, seu rosto bem próximo ao meu. Por um momento eu cheguei a acreditar que ele me beijaria. — Eu já deveria ter feito isso há muito tempo... – Ele continuou a dizer, seus lábios agora desviado dos meus, roçando o lóbulo de minha orelha. – Mas, agora que você me pertence... De todas as formas. Eu não tenho porque não fazer com que todos os Dom’s presentes me invejem.
Ele voltou a se colocar de pé e sua mão se apossou, com firmeza, da guia de minha coleira e ele me puxou em direção a porta.
– Que melhor maneira para fazer isso do que exibir a minha gatinha desinibida por aí?
O tempo, assim como tudo ao meu redor, pareceu congelar no momento em que eu, ao lado do meu Mestre, adentrei o salão do club. Ele me conduziu, pelo caminho mais longo, até um pequeno palco montado bem no centro do amplo salão, fazendo ocasionais paradas para cumprimentar um ou outro conhecido. Eu me sentia pequena, exatamente, como um pequeno felino se sentiria ao seguir o seu novo dono por uma casa desconhecida. Uma parte de mim queria se esconder, evitar que todas aquelas pessoas pudessem me ver agora, mas também existia uma parte que se exaltava toda vez em que eu o ouvi dizer que eu era a sua submissa e o quanto ele estava orgulhoso em, finalmente, poder mostrar a todas aquelas pessoas o quanto maravilhosa eu era. Eram elogios que há muito eu não ouvia dele e que eu sabia que, naquele momento, se referiam apenas a Bella submissa, mas essas poucas palavras foram o que me motivaram a me curvar a beijar cada par de sapatos que meu Mestre indicava, foram essas palavras e o ocasional afago em meus cabelos, que me deram força para chegar ao palco e cumprir cada uma das ordens que ele viesse a me dar.
Eu podia fazer. Podia fazê-lo se sentir orgulhoso por me ter usando a sua coleira, podia me permitir, ao final da noite, sentir orgulho de mim mesma por ter conseguido dar mais um passo em direção a perfeita submissa. Era a minha natureza, aquilo com o qual eu tinha sonhado e que, finalmente, poderia ser vivido da forma correta... se eu não estragasse tudo.
Foi com uma determinação e segurança estranhas a minha personalidade, na maior parte do tempo, que eu me levantei quando me foi ordenado e mantive minha cabeça erguida, fitando, sem realmente ver, todos os olhares presos em mim. Esse pequeno movimento, tão difícil de ser realizado, se mostrou o mais importante de todos. Existia algo de inebriante, extremamente sedutor, em saber que eu era o motivo para a reunião de todas aquelas pessoas e que muitas delas estavam, como meu Mestre sussurrou em meu ouvido, excitadas por me verem.
Naquele momento eu descobri que apreciava, mais do que imaginava, me exibir.
Um pequeno suspiro de descontentamento chegou a escapar por meus lábios quando Edward usando um pano negro para me vendar. Eu queria um pouco mais daqueles olhares... Eu queria me sentir desejada por todas aquelas pessoas e eu queria, acima de tudo, ver o brilho no olhar do meu Mestre. Mas eu teria que me contentar em apenas sentir.
E eu senti. Senti no momento em que ele me fez levantar os braços e com delicadeza, porém firmemente, os prendeu a uma corrente acima da minha cabeça. Eu precisei ficar na ponto dos pés e um pequeno grito acabou sendo escutado no momento em que ele, com um tapa, me mandou afastar as pernas.
– Uma gatinha assustada. – Eu ouvi alguém gritar, mas me mantive focada nas sensações que as mãos do meu Mestre e Senhor causavam ao deslizar por minhas pernas até alcançar os meus tornozelos e prendê-los a outras correntes.
Eu não poderia ir a lugar algum, mesmo se quisesse e foi exatamente o que Edward disse para que todos pudessem ouvir.
Meu coração acelerou a um nível nunca antes alcançado no momento em que ele abaixou um pouco o corpete que eu usava, revelando os meus seios.
– Eu sou um pouco possessivo, como todos vocês sabem... – Eu o ouvi dizer. – E para não correr o risco de qualquer um de vocês esquecer a quem essa assanhada gatinha pertence... – Eu senti no momento em que ele tocou, levemente, um de meus mamilos me fazendo estremecer. – Eu tenho algo para lembrá-los.
Eu gemi baixinho com a pressão que do prendedor e me remexi inquieta desejando ter mais.
Depois de conceder o mesmo tratamento ao outro mamilo, ele se afastou por alguns segundos e, em seguida, se colocou às minhas costas.
– Você não faz ideia do quão linda está assim... – Ele sussurrou para que apenas eu pudesse ouvi-lo. – Completamente indefesa, exposta, com o meu nome em você. – Ele nem mesmo havia me tocado e eu já podia sentir a minha umidade escorrendo por minha perna.
– Nós vamos jogar um pouco... – Ele voltou a dizer, sua voz agora soando alta o suficiente para que todos os presentes pudessem ouvi-la. – Eu tenho 5 dos meus instrumentos prediletos, tudo o que você precisa saber é descobrir quais são. Para cada acerto você terá uma recompensa, para casa erro uma punição. Você acha que consegue jogar, Isabella?
– Sim, Mestre! – Respondi imediatamente e me encolhi um pouco ao ouvir algumas risadas, provavelmente, provocadas pela minha ansiedade em começar a jogar.
O primeiro golpe veio sem aviso e eu saltei ao ter minhas coxas atingidas. A surpresa do movimento não me permitiu ter ideia de qual instrumento se tratava e no momento em que Edward me perguntou eu senti os meus olhos inundarem.
– Mais uma vez, Mestre... Por favor! – Pedi com a voz baixa.
– Ela precisa de uma mais... – Ele disse. – Eu estou em dúvida se o pedido é porque ela não sabe o que é ou porque minha gatinha gosta de ser espancada.
Eu soltei um suspiro de alivio e gratidão.
– Concentre-se. – Ele disse baixo, mas seu tom de comando, aquele que deixava claro que não admitiria ser contrariado, estava presente.
Eu cerrei os olhos com força, embora eles já estivessem vendados. E sorri ao reconhecer o toque múltiplo das macias tiras de couro, o mesmo que sempre me levava a loucura, o mesmo que sempre me fazia querer mais.
Existia uma pontada de diversão na minha voz quando eu respondi:
– Um flogger, Mestre.
– Boa menina! — Ele elogiou.
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