Despertar de uma sub
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Capítulo 10
Eu devo ter adormecido. Porque a próxima coisa de que me lembro é de abrir meus olhos preguiçosamente e sentir meu corpo envolvido por água deliciosamente morna.
Eu estava na banheira e após me situar pude sentir o corpo de Edward atrás de mim. Suas mãos deslizando suavemente por meus braços.
– Já era hora de acordar, Bela Adormecida. – Ele sussurrou em meu ouvido.
Meu corpo inteiro se arrepiou.
Céus! Até sua voz é perfeita!
– Sinto muito... – Sussurrei de volta. – Por ter adormecido.
Ele passou a distribuir beijos em meu ombro nu enquanto suas mãos continuavam a me acariciar, agora deslizando por minhas pernas.
– Como se sente? – Sua voz rouca chegou ao meu ouvido e eu fechei os olhos e recostei minha cabeça em seu peito.
Eu sabia que ele estava se referindo ao fato que fui castigada há... Quanto tempo mesmo? Quanto tempo estive adormecida? Bom, acho que isso não importa, realmente.
E embora eu pudesse sentir meu traseiro um pouco dolorido, eu só conseguia me prender ao fato de que eu estava de volta aos braços de Edward. Que era final de semana e eu provavelmente teria a sua coleira de volta.
– Bem... Eu me sinto maravilhosamente bem, Mestre! – Respondi com um pequeno sorriso.
Ouvi o seu riso e me permitir desfrutar do momento.
– Você não está dolorida? – Ele questionou novamente.
– Um pouco... – Confessei.
– Nós te daremos um descanso hoje... – Ele comentou enquanto sua boca passou a sugar a pele do meu pescoço.
Aparentemente alguém tem um fetiche por chupões.
– Mestre? – Chamei antes que me perdesse na sensação de suas caricias.
– Sim... – Sua boca não me deixou nem por um segundo.
– Eu terei minha coleira de volta?
Sem que eu fosse capaz de evitar, prendi a respiração enquanto esperava por sua resposta.
– Acho que você fez por merecê-la... – Ele disse e eu deixei um suspiro de alivio escapar. – Mas não hoje.
Tenho certeza que ele foi capaz de sentir a forma como meu corpo inteiro retesou.
– Respire, Isabella. – Ele comandou. – Eu disse que você não a terá hoje, não que você não a terá mais.
– Eu fiz algo errado? – A questão escapou por meus lábios antes que eu percebesse o que estava fazendo.
Edward se apossou de minha cintura e com um movimento rápido me colocou de frente para ele, confortavelmente acomodada em seu colo.
Mantive minha cabeça abaixada, tentando evitar que ele visse a decepção em meus olhos.
– Olhe para mim, Isabella.
Como eu fui incapaz de obedecê-lo, seus dedos tocaram meu queixo e ele me obrigou a olhá-lo.
Nossos olhares se encontraram e por algum tempo essa foi toda a troca que fizemos.
– Você não fez nada errado. – Ele disse por sim. – Pelo contrário. Estou muito orgulhoso de você. Você foi esplêndida ontem à noite...
– Então, por...
– Nós ainda precisamos conversar. Você sabe disso. E eu quero rever os seus limites e pretendo estar em meu perfeito estado de espírito quando colocar aquela coleira ao redor do seu pescoço.
Voltei a desviar o meu olhar e o foquei na água que se movimentava ao nosso redor, conforme nos mexíamos.
– Você não é a única que tem de estar preparada. – Ele voltou a falar. – Eu preciso de um tempo para me preparar.
Meus olhos voltaram a procurar pelos dele. Ele me olhava com tanta intensidade. Tudo o que eu podia ver em seus olhos esmeraldinos era sinceridade.
– Na próxima sexta-feira... – Ele garantiu.
...
Eu tinha um pequeno desafio pela frente: Encontrar uma roupa que fosse capaz de esconder as muitas marcas deixadas pelos lábios de Edward em meu pescoço.
Era segunda — feira pela manhã e eu estava tentando me aprontar para o trabalho, mas no momento em que coloquei meus olhos, através do grande espelho no closet, nos chupões que ele deixou em minha pele não consegui mais me mexer.
Domingo tinha sido intenso, ainda que não da forma como eu esperava. Conversamos por horas, esclarecendo toda e qualquer dúvida que um de nós pudéssemos ter, revemos meu checklist... Sem, realmente, fazer grandes alterações, apenas discutindo sobre o que era ou não um limite e porque eu me sentia assim. No final das contas não alteramos muita coisa, mas eu estava disposta a permitir que Edward empurrasse os meus limites quando achasse que eu estava pronta para isso.
Confiava o suficiente nele para isso.
E embora eu não estivesse usando a minha coleira, ele ainda me colocou de joelhos e me fez mostrá-lo o quanto eu estava grata por tê-lo como meu Mestre.
Tinha sido incrível!
– Eu acho que preciso começar a me policiar... – A voz de Edward me trouxe de volta dos meus devaneios.
Olhei para o nosso reflexo no espelho. Ele perfeitamente vestido em um terno preto atrás de mim, seus dedos contornando as marcas que tinha deixado.
Sorri para ele.
– Por favor, não faça isso. Eu gosto de tê-las em mim.
E era verdade. Amava ver o que Edward era capaz de fazer, com meu corpo, quando se entregava.
– Mmmm... – Ele cantarolou. – Você não deveria ter dito isso. Agora estou louco para me livrar do roupão que está usando e comprovar a veracidade de suas palavras.
Levei minha mão até o nó que prendia o roupão felpudo que usava e rapidamente o desfiz.
– Por onde você quer começar? – Sussurrei expondo meus seios. – Por aqui? Mmm eu adoro quando você os marca...
– Droga, Bella! – Ele cerrou seus olhos e respirando fundo voltou a fechar o meu roupão. – Você vai se atrasar para o trabalho.
–Eu ainda tenho alguns minutos... – Provoquei com um sorriso.
Ele me puxou para junto de si e eu gemi ao sentir sua ereção contra mim.
– Eu preciso de muito mais do que alguns minutos para o que eu quero fazer com você...
Edward me soltou e passou a vasculhar em meu armário. Ele alcançou um vestido de gola role azul e me entregou.
– Agora, vista-se! Eu te darei uma carona...
...
A semana passou incrivelmente rápido e quando eu dei por mim já era sexta-feira. Desnecessário dizer o quanto eu estava em expectativa.
Edward não havia me dito o que aconteceria no nosso fim de semana. Tudo o que eu sabia é que eu deveria estar em minha posição às 18h.
Soltei um suspiro cansado e olhei para meu celular. Eu tinha menos de meia-hora para estar onde ele me esperava.
Eu corri o mais rápido que pude e assim que adentrei em casa, fui direto ao playroom. Desejava um bom banho antes, mas não havia tempo.
Acho que precisamos rever nosso horário.
O quarto estava escuro, o que não era grande novidade e comecei a retirar as botas que usava quando o vi, recostado na parede de frente para mim.
Droga! Pelo visto não tinha chegado a tempo.
Me ajoelhei e abaixei minha cabeça.
– Sinto muito, Mestre! Não tinha a intenção de me atrasar...
– Na verdade, você ainda tem três minutos... – Ele respondeu calmamente. – Agora, você não acha que está vestida demais para estar em sua posição?
Me coloquei de pé imediatamente e agradeci mentalmente pelo quarto estar tomado pelo breu.
Não era a primeira vez que me despia para Edward, mas ele tinha esse poder sobre mim, que me fazer sentir uma menininha inexperiente e tímida.
Trabalhei rápido em retirar minhas roupas e, com mais cuidado do que era necessário, as dobrei antes de colocá-las empilhadas em um canto.
– Nervosa? – A voz de veludo de Edward soou próxima ao meu ouvido, me deixando sobressaltada. – Talvez uma ducha te faça relaxar...
Foi impossível evitar sorrir para ele.
– Obrigada, Mestre! Isso seria ótimo...
Ele assentiu e com um movimento de cabeça me indicou o banheiro.
– Mantenha seu cabelo seco.
Me banhei rapidamente. Não queria ter que fazer Edward esperar por mim mais tempo que o necessário.
Minha pele ainda estava um pouco úmida quando voltei a adentrar o quarto. Algumas velas tinham sido acessas e Edward estava displicentemente sentado na beirada da grande cama que ocupava bota parte do cômodo.
Antes de caminhar até ele, dei uma olhada ao redor, me perguntando qual dos muitos instrumentos a vista seria usado em mim hoje.
Me ajoelhei entre as pernas de Edward e esperei.
– Isabella... – Ele começou, afastando meu cabelo. – Você deseja usar a minha coleira?
– Sim, Mestre! – Respondi prontamente.
...
Eu não posso negar que estava nervosa. E acredito que isso estava bastante claro pela forma como não consigo manter minhas mãos quietas.
Nossa noite havia sido interrompida após um telefonema, portanto eu não sabia o que esperar.
– Isabella? – Edward começou, assim que estacionou em frente ao club. – Se eu perguntasse por sua palavra de segurança agora, qual você usaria?
Eu olhei para ele e respirei fundo, sentindo a forma como a coleira de couro apertava um pouco o meu pescoço.
– Verde. – Respondi. Porque apesar de estar incrivelmente nervosa, eu não estava com medo. Não importa o que Edward tinha em mente para essa noite, eu sabia que estaria segura ao lado dele. – Verde, Mestre. Eu só estou um pouco ansiosa.
– Eu sinto muito que tenhamos que interromper nossa noite, mas Jasper encontrou um problema... – Ele finalmente revelou o motivo que nos trouxe ao club e eu respirei aliviada. – Eu vou resolver o que quer que seja e então voltamos para o nosso fim de semana.
Ele desceu do carro e se apressou em abrir a porta para mim. Sorri para a sua delicadeza.
– Obrigada, Mestre! – Sussurrei, e aceitei a mão que ele me oferecia.
Seguimos em direção a entrada e eu precisei me segurar para não olhar para o segurança e dizer: “Parece que hoje eu tenho passe livre, hein?” Não acho que Edward ficaria muito feliz com isso.
– Qual é o motivo desse sorriso? – Ele questionou abrindo o sobretudo que me protegia do frio cortante do lado de fora.
Timidamente ajeitei o vestido de couro marrom que usava, arrumando o decote tomara que caia e mordi meu lábio inferior.
– Foi muito mais fácil entrar hoje... – Respondi, meus olhos acompanhando os movimentos de Edward, enquanto ele entregava nossos casacos para uma jovem loura que os guardou prontamente.
Edward apenas fez um movimento negativo com a cabeça e sorriu para mim.
Eu olhei ao redor notando que o salão ainda estava praticamente vazio.
– Se mantenha ao meu lado o tempo todo... – Ele sussurrou me puxando pela mão.
Embora ele não tenha me dito para manter a cabeça baixa, foi isso que fiz durante todo o caminho. Era um habito infelizmente da época em que estive com Jacob e, de certa forma, era um único que não me era um desafio cumprir, na verdade eu o seguia com certo alivio. Era muito melhor manter minha cabeça abaixada do que ver o olhar que os outros dominadores me lançavam naquela ocasião.
Subimos um lance de escada e caminhamos por mais alguns segundos até que paramos em frente à porta do que eu imaginava ser o escritório de Edward.
– Olhe para mim, Isabella.
Eu o obedeci imediatamente e fui saudada por um sorriso torto, antes que ele prensasse meu corpo contra a porta.
Eu esperava por algum ordem, mas tudo o que ele fez foi colar o seu corpo ao meu e me beijar com ardor. Quando acabou eu estava ofegante e querendo mais.
– Eu quero você ao meu lado durante todo o tempo que permanecermos aqui... – Ele sussurrou em meu ouvido. – Minhas mãos estarão em você, o tempo inteiro.
Eu consegui reprimir um gemido baixo ao imaginar de que formas suas mãos estariam em mim.
Uma das mãos de Edward ainda estava em minha cintura e essa foi a única razão para que eu tenha caído assim que ele abriu a porta atrás de mim.
– Edward... – A voz de Jasper Whitlock nos saudou.
Rapidamente voltei a abaixar o meu olhar, enquanto corava.
– Você pode nos conseguir alguma bebida, Isabella? – Edward disse e embora eu não estivesse olhando em seus olhos eu ainda podia o ouvir o tom divertido de sua voz. – Você vai encontrar um bar a sua frente, se deixar de encarar o lindo chão do meu escritório.
– Sim, Mestre!
Eu caminhei até o bar, mas mantive o cuidado de manter meu olhar afastado de Jasper.
Rapidamente preparei duas doses de whisky, acrescentando duas pedras de gelo, como sabia que Edward gostava e o servi antes de entregar o copo restante a Jasper.
– Então, Jasper, o que é tão importante? – Edward estava sentado em sua cadeira e enquanto eu dava os poucos passos que nos separava, deixei que meus olhos percorressem a parede de vidro as suas costas. Eu podia ver todo o club dali.
Eu parei ao lado do meu Mestre e me ajoelhei.
Eu escutei quando Jasper pigarreou e logo em seguida a sua voz:
– Alice está me esperando no bar... Ela pode fazer companhia a Isabella enquanto conversamos.
Eu mordi meu lábio inferior em dúvida se gostaria de sair do lado de Edward ou não.
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