Despertar de uma sub
42 Capítulo XXXVII
Notas iniciais
Meu coração se aqueceu ao perceber que Edward poderia me ver sempre que quisesse. Minha imagem estava ali quando ele abrisse e fechasse os olhos.
Eu acho que isso acaba com qualquer duvida acerca do quanto ele sentiu a minha falta.
...
Eu o encontrei no amplo banheiro, usando nada além de uma toalha ao redor da cintura. A pele ainda úmida do banho. O cheiro de sabonete aliado à essência que era só dele me atingiu em cheio.
– A porta do meu quarto está trancada. – Eu disse parada a porta.
– Eu acho isso um pouco difícil de acreditar... – Ele respondeu passando a mão pelo cabelo. – Já que você está no seu quarto agora.
Eu não pensei. Apenas corri até ele e me joguei em seus braços.
– O que foi isso? – Ele questionou com uma risada.
– Nós vamos dormir juntos? No mesmo quarto? – Eu, assim como ele, podia ouvir a animação em minha voz. Quem visse a cena poderia acreditar que eu nunca estive em seu quarto antes.
– Todos os dias. Se você quiser.
Eu o beijei como resposta. Um beijo doce e calmo.
– Não há qualquer outra coisa que eu queira.
– Nós vamos reservar o outro quarto para os fins de semana, ou qualquer outro dia em que jogarmos. Se isso estiver bem para você.
Estava bem para mim. Eu sabia que não era, realmente, comum que um Mestre e sua submissa dividissem uma cama após o encerramento de uma cena. O distanciamento físico servia para manter a mente, de ambos, focada no que realmente importava: a Dominação e a submissão. Cada um focado, o máximo possível, em seu papel.
Eu não via problemas, não se o teria todo para mim nos outros dias. Eu queria evoluir como submissa, queria deixá-lo orgulhoso e me esforçaria para isso.
– Manteremos o esquema de fim de semana? – Eu perguntei o deixando livre para acabar de se secar.
– Eu acho que precisamos conversar sobre isso. Mas é o que consigo pensar como melhor solução. Os dias de semana são cansativos, tanto para mim quanto para você. Obviamente, você pode me dizer quando deseja jogar e então eu te direi “sim” ou “não”. O mesmo serve para o contrário. Se, por algum motivo, você não se sentir confortável para usar o meu colar, então basta me dizer.
– Eu senti falta do contato gelado do aço em meu pescoço. – Confessei.
– Eu senti falta de tudo na minha gatinha.
A forma como ele me chamou trouxe memórias nada inocentes a minha mente. Eu senti falta disso. Queria me ajoelhar aos pés dele, usar a sua coleira, ser o seu Pet.
– Eu acho que prefiro “gatinha” a “cadela”. – Minhas bochechas esquentaram e Edward riu com vontade.
– Eu sei. – Ele prendeu sua mão em meu cabelo e me puxou para mais perto. – Por que você acha que eu a chamei assim? Mas, Isabella, que fique claro... Quando você estiver de joelhos, usando a minha coleira, eu posso, e vou, te chamar do que eu quiser... E sabe o que é melhor nisso? Você vai amar.
Eu senti o familiar e saudoso arrepio percorrer todo o meu corpo.
– Você pode fazer isso... Agora se quiser.
Seus dedos soltaram o meu cabelo e ele deu um passo à frente até que seu corpo estivesse colado ao meu.
– Não. – Ele sussurrou docemente. – Agora o que eu quero é fazer amor.
Minhas pernas estavam ao redor da sua cintura antes que eu pudesse me dar conta.
– Eu quero beijar, tocar, acariciar cada centímetro do seu corpo. – Ele continuou a dizer enquanto nos levava até a cama. – Eu quero memorizar cada pedacinho de pele, cada sinal. Me deliciar com o seu sabor. E eu quero fazer isso devagar, olhando em seus olhos e fazendo você ver que é a única a quem eu pertenço.
Ele se sentou na beirada da cama, me deixando sobre o seu colo.
– Agora, tudo o que eu quero, é que você, só você, tenha o controle.
Eu deixei o seu colo apenas para me colocar de pé a sua frente. Lentamente, comecei a retirar uma e outra peça de roupa até que estava nua a sua frente.
Eu amei ver o olhar de veneração em seu rosto.
– Eu nunca vi nenhuma mulher tão linda quanto você.
– Eu nunca vi tanto sentimento em um olhar... – Eu me aproximei e com um deslizar de mão em seu peito, o fiz se deitar e o livrei da toalha que o escondia de mim.
Ele ainda era, e sempre seria, a melhor e mais excitante visão que alguém poderia ter.
Umedecendo os meus lábios e tentando conter a avalanche de excitação que me atingia, me acomodei sobre ele, mais uma vez.
– Eu não posso estar no controle... – Disse em um sussurro. – Porque você é o único a comandar o meu coração e corpo. Me tome de volta, Edward. Como sua mulher, como sua submissa... Como desejar. Não importa, não quando você me olha assim. Não quando eu posso ver, sentir e quase tocar o que está aqui. – Um beijo singelo foi depositado em seu peito, sobre o seu coração.
Não foi uma surpresa quando ele, em um movimento rápido, nos virou, se colocando sobre mim.
Agora sim, tudo estava como deveria estar. Com ele fazendo o que sabe fazer de melhor: Dominar.
– Não me diga coisas como essa. – Ele pediu, quase implorando. – Eu quero fazer isso devagar. Eu quero te fazer ver o quanto significa para mim...
– Não existe maneira melhor de me mostrar isso do que ser quem você é, nada além disso. Você não precisa ceder o controle ou se conter. Tudo o que você tem que fazer é continuar a me olhar assim, a me tocar dessa forma. O seu amor, Edward, finalmente está explicito em cada gesto, não importa qual seja.
Eu dei boas vindas as intensas sensações que só ele era capaz de provocar no momento em que meus braços foram colocados acima da minha cabeça. Eu nem mesmo pensei em me mover.
Não importa se éramos Bella e Edward apenas, ele sempre seria o Mestre. E eu amava isso.
– Me diga... – Ele me fez enlaçar a sua cintura com as minhas pernas.
A posição o trouxe para tão perto de mim que eu podia senti-lo em minha intimidade. Eu me contorci tentando ter mais dele.
Suas mãos apertaram o meu quadril, me mantendo parada.
– Me diga. – Exigiu. – Eu quero ouvi-la dizer, uma e outra vez, que me ama enquanto eu faço amor com você.
A declaração escapou, pela primeira vez, por meus lábios assim que o senti deslizar para o meu interior. As palavras se misturaram, então, aos gemidos.
Nunca foi tão intenso e verdadeiro.
– Deus! Eu amo ouvir isso... – Ele mordiscou a pele do meu pescoço e aumentou a intensidade com que se movia contra mim. – É o melhor e mais bonito som. Só perde para o meu nome sendo sussurrado quando eu a faço gozar.
Eu não pude me manter na posição que ele havia me colocado. Minhas mãos procuraram por ele e se perderam entre seus fios acobreados.
– Eu te amo! – Repeti quase inaudivelmente quando as borboletas em meu estomago se tornaram incontroláveis.
Foi a última vez que a frase conseguiu ser formada naquela noite.
Eu me entreguei, de uma forma como nunca tinha feito, nem mesmo com ele, e como recompensa fui agraciada com o mais avassalador de todos os orgamos que eu já tinha experimentado.
Eu não podia respirar ou sentir qualquer parte do meu corpo. Tudo o que existia era o olhar preso ao meu, as sensações dos toques masculino, a sua voz sussurrada em meu ouvido.
Quando eu fechei meus olhos ao alcançar o céu, ele beijou cada centímetro do meu rosto e continuou com a caricia até que eu fui capaz de voltar para o meu corpo.
Nossos corpos estavam suados e ofegantes, ainda assim eu me agarrei a ele como um naufrago se agarraria a um bote salva-vidas. Minha cabeça repousada sobre seu peito, o batimento cardíaco acelerado dele quase me ninando.
– Eu... – Ele começou com hesitação e eu me movi para olhá-lo. – Algumas vezes, eu quero... quero muito, que as palavras saíssem, mas nem sempre consigo. Então, eu quero que você saiba que, dizendo ou não, o meu amor é seu, todo seu, somente seu. E eu vou fazer o meu melhor para que você jamais duvide disso.
Eu deixei algumas lágrimas caírem.
...
Eu não tinha motivos para insônia, mas ainda assim passei toda a noite velando o sono de Edward. Talvez tenha sido o estado de felicidade suprema, a incredulidade por meu maior sonho ter se tornado realidade, as lembranças de casa palavra e toque trocado há pouco ou a preocupação de encontrar uma forma de contar a Edward o que eu já deveria ter dito.
Eu, agora, estava segura do amor dele por mim, mas essa ainda era uma gravidez inesperada e eu não fazia ideia de como ele receberia a noticia. Eu não estava preocupada com possíveis rompantes de raiva – embora eles pudessem acontecer -, mas nós estávamos em uma espécie de clima de lua de mel e eu não queria perder isso tão cedo.
O problema é que não adiantou pensar por toda a noite. Eu não fui capaz de encontrar uma maneira que minimizasse o impacto de uma noticia assim.
“Eu não sei como você vai se sentir sobre isso, mas você vai ser pai.”
Não! Parecia que eu estava esperando uma reação ruim.
“Hey, você vai ser papai!”
Tão ruim quanto a anterior.
“Eu estou grávida”
Não! Direto demais.
Talvez eu devesse começar perguntando sobre o que ele pensava sobre formar uma família. Eu sabia que ele era bastante apegado aos pais, então talvez eu estivesse me preocupando à toa. Talvez um filho sempre tenha sido o sonho dele. E se fosse assim eu estaria muito feliz em ajudá-lo a realizar esse sonho.
Eu me sentei na cama e olhei para o rosto adormecido.
Será que o bebê se pareceria com ele? Eu esperava que sim.
Eu apanhei a mão masculina e com cuidado para não acordá-lo a levei até a minha barriga. Ela não havia crescido nada, mas o conhecimento de que tinha um serzinho crescendo lá dentro me fazia vê-la como a parte mais importante da minha anatomia. O contato, ainda que inconsciente da parte dele, me fez sorrir.
Um bebê! Um pedacinho de Edward em mim...
Pronto! Eu esperaria que ele acordasse, manteria sua mão repousando sobre meu ventre até que ele abrisse os olhos e, simplesmente, diria.
Ele ficaria feliz e, então, eu poderia ficar feliz também.
Infelizmente, meus planos foram frustrados pelo toque do celular de Edward.
Eu pensei em ignorá-lo, mas não queria que ele acordasse, então, eu apanhei o aparelho que estava sobre a mesinha de cabeceira tencionando desligá-lo, mas ao ver que a ligação era de Alice, me decide por atender.
– Oi... – Eu disse baixinho e me dirigi ao banheiro. Eu poderia falar com minha amiga por alguns minutos e, então, voltar para a cama e esperar até o pai do meu filho acordasse para que eu pudesse lhe dizer que sua vida estava prestes a mudar.
– Bella! — O grito de Alice me encolher. – Bella, é tão bom ouvir a sua voz.
– É bom ouvir a sua voz também, Alice. – Eu respondi com um sorriso que gostaria que ela fosse capaz de ver.
– Como você está? – Ela questionou. – Eu queria visitá-la, mas Edward nos disse para te dar um tempo para descansar e processar tudo. Já é tempo suficiente, não é? Nós podemos ir hoje. Eu posso cozinhar e...
– Você cozinhando, Alice? – Eu provoquei. – Eu pensei que você estivesse feliz por eu estar viva e no entanto lá vem você tentando me envenenar.
– Engraçadinha... Eu só quero me certificar que minha melhor amiga está bem.
– Eu estou. – Garanti. – E você pode vir me visitar no momento que quiser. Ignore a super proteção de Edward. Eu vou amar te ver e a Jasper também.
– Rose e Emmett também podem ir?
– É claro que sim. Mas eu cozinho.
– Boa sorte em convencer Edward a permitir isso.
Eu gargalhei sabendo que ele não me deixaria chegar perto do fogão nos próximos dias.
– Ok. Podemos pedir algo então.
– Eu estarei aí em uma hora. – Alice se apressou em dizer.
– Alice? – Eu chamei antes que ela encerrasse a ligação. – Eu... eu gostaria de dar algo a Edward, mas não sei o que. Algo que...
– Algo que mostre a ele o quanto você o ama? – Ela questionou com diversão. – Desnecessário. Qualquer um pode ver isso na forma como você olha para ele.
– Algo que o lembre desse amor mesmo se estiver irritado ou surpreso ou perdido ou...
– Por que ele estaria irritado ou surpreso ou perdido? Eu sei que ele, finalmente, disse como se sente para você. Então, agora você sabe que não importa o que aconteça ele estará com você.
Eu não deveria ter deixado as palavras escaparem, mas quando percebi já havia dito.
– Então, ele vai ficar feliz quando eu disser que estou grávida?
– O QUÊ? – Eu me encolhi diante das palavras gritadas através do telefone e as minhas costas.
Merda! Não era pra ter sido assim.
Eu não me importei em encerrar a ligação ou responder a pergunta de Alice. Apenas me virei e olhei para um Edward, com o rosto marcado pelo sono, parado a porta do banheiro, me olhando como se tivesse visto um fantasma.
– Eu... – Comecei a dizer. – Eu estava esperando que você acordasse para dizer, mas então o celular tocou e Alice...
– O que você disse? – Ele me interrompeu. – Por que você disse...
Eu respirei fundo, forcei um sorriso e disse:
– Eu disse que estou grávida porque eu estou... Nós vamos ter um filho. Em 8 ou 7 meses, eu ainda não sei ao certo... Eu...
– Grávida? Você está me dizendo que está grávida?
Ele me deu as costas antes que eu pudesse confirmar.
– Você está grávida e lutou com aquele maldito filho da puta?
Eu o segui até o quarto.
– Eu não sabia. – Rebati. – E não é como se eu tivesse muita escolha.
Ele se voltou em minha direção e eu me assustei com a palidez em seu rosto.
– Você está grávida e queria jogar ontem à noite?
– O que uma coisa tem a ver com a outra? Edward, eu sei que...
– Esqueça isso! – Ele disse mais alto. – Esqueça isso!
– O que? Do que é que você está falando? – Eu me aproximei. – Eu sei que é uma noticia inesperada, mas não podemos lidar com isso. É só um bebê.
– É só um bebê? – Ele disse com incredulidade. – Eu não acredito que eu... Você me fez estar no controle ontem a noite, e se eu tivesse perdido o controle?
– Você nunca perde o controle. Edward, está tudo bem. Nós podemos fazer amor. – Eu soltei uma risada. – Eu tive medo de que você ficasse irritado pela gravidez ou que não quisesse o bebê. Mas porquê fizemos amor? Não faz sentido!
– Você não entende, não é? Grávida! Deus! – Ele se afastou de mim. – Eu acho que devemos mudar as coisas, talvez seja melhor que você, realmente, volte para o outro quarto e...
– O QUE? – Foi a minha vez de gritar. – O que você está fazendo? Pare, ok?! Você precisa de um momento para digerir a noticia... Tudo bem, eu vou tomar um banho e então quando eu voltar nós vamos conversar como dois adultos e tudo vai ficar bem.
– Eu quero que você volte para o seu quarto e...
– NÃO! – Eu disse e me aproximei dele o suficiente para fazê-lo parar e me olhar. – Você não vai fazer isso. Não vai me afastar de novo. Eu não vou deixar.
– Bella, eu não...
– Olhe nos meus olhos, Edward. – Exige. – Olhe nos meus olhos e me diga que tudo o que você me disse ontem a noite é mentira, me diz que tudo o que eu vi no seu olhar era ilusão, me diga que não quer esse filho e então... Então eu vou. Vou para outro quarto, para outra casa... Do contrário, eu vou ficar bem aqui, onde estou, e vamos lidar com isso juntos.
– Não era mentira. – Ele sussurrou. – Não era mentira.
Obrigada, Deus!
Eu o abracei.
– Do que você tem medo? Me diz, Baby, do que você tem medo?
Ele se apossou do meu rosto e me fez olhá-lo. O que eu vi me quebrou o coração. O rosto antes pálido agora estava aterrorizado.
– Eu não quero machucá-lo. Eu não quero matá-lo.
– O que você...
– Eu não quero matar o bebê. O nosso bebê.
– Por que você faria isso? – Eu levei minhas mãos ao seu rosto e limpei as lágrimas que começaram a cair. – É seu filho e você não vai fazer nada além de amá-lo.
– Porque foi o que eu fiz. Eu matei o meu filho... com Tania.
CONTINUA...
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