Despertar de uma sub
37 Capítulo XXXII
Notas iniciais
“A paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõe”.
William Shakespeare.
Bella Swan
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É engraçado que eu, amante da literatura e dona de uma livraria, nunca tenha pensado muito sobre o poder das palavras. No entanto, agora, aqui estou eu, frente a frente e lutando contra as consequências desse poder.
Uma palavra mudou tudo.
Uma palavra e tudo chegou ao fim.
Uma palavra... e eu estava mais perdida do que nunca.
Apenas dois dias tinham se passado desde que o vi pela última vez. Apenas 24 horas sem noticias, mas a saudade já tinha se tornado esmagadora. E o pior era saber que não existia mais a perspectiva do final de semana.
Nada mais de esperar ansiosamente pela sexta-feira. Nada mais de usar os dias ao seu lado para esquecer todo o resto. Nada mais de sentir o aperto da sua coleira em meu pescoço. Nada mais de me ajoelhar a sua frente e beijar os seus pés. Nada mais de ouvi-lo me chamar de Pet. Nada mais de sentir os seus braços ao meu redor. Nada mais de Edward – seja como o homem ou o Dominador – para mim.
E tinha sido minha decisão.
Não que eu estivesse arrependida. Eu não estava. Era o certo a se fazer. Mas isso não muda o fato de que o certo, às vezes, pode ser extremamente doloroso.
Por mais que eu tentasse, e eu juro que tenho tentado com todo o afinco, eu simplesmente não conseguia tirá-lo da minha mente.
Nem mesmo quando me cerquei de trabalho. O dia seguinte a minha saída daquela suíte de hotel – um domingo, para a minha infelicidade – foi gasto dentro do meu escritório na livraria. Revisando cada linha dos livros de registro.
Eu não tinha me esquecido, nem por um segundo, que essa livraria tinha sido um presente de Edward e não existia uma forma de manter um presente tão valioso quando não existia mais nenhuma ligação entre nós.
O problema é que eu não estava disposta a abrir mão daquilo que me trouxe de volta a vida, como pessoa.
Então, eu precisava encontrar uma forma de pagar por ela.
Seria mais fácil se eu tivesse, assim como Edward, uma grande reserva financeira pessoal. Ou se a livraria estivesse completamente reerguida. Tudo o que eu tinha era o pouco lucro que tínhamos conseguido nos últimos meses. Sim. Era o suficiente. Mas como eu pagaria as contas no mês seguinte? Eu tinha funcionários para contavam com seus salários e eu não podia simplesmente não honrar esse compromisso.
Talvez se eu abrisse mão de qualquer quantia... Mas, então, eu dependeria, exclusivamente, de termos um bom mês. E eu não podia prever se isso aconteceria ou não.
Um empréstimo seria uma boa saída. Se eu tivesse onde conseguir um.
Eu já tinha tentado. Toda a manhã de segunda foi gasta entrando e saindo de bancos.
A resposta foi à mesma em todos eles: “não”.
Então, eu recorri a segunda pessoa mais influente que eu conhecia.
Foi um erro. Eu soube disso no momento em que Alice adentrou o meu escritório como um furação.
Eu respirei fundo após ouvir tudo o que ela tinha a dizer – e não foi pouco –e só então tentei falar.
– Você não entende os meus motivos, Alice.
– É claro que eu entendo, Bella. – Ela suspirou, provavelmente cansada dessa conversa. – Mas você não pode fazer isso. É inconsequente e... Edward vai considerar uma afronta. Não se devolve um presente.
– Alice, regras de boa educação não se encaixam aqui. – Foi a minha vez de soltar um suspiro. – Olha, eu entendo se vocês não se sentirem confortáveis em me ajudar agora, afinal são amigos dele...
– Nós também somos seus amigos. – Ela me interrompeu. – E também não se trata do dinheiro. – Ela desviou o seu olhar do meu e mexeu em sua bolsa até alcançar o que procurava.
Com um gesto dramático, típico de Alice, ela colocou um cheque sobre a mesa.
– Jasper disse que você pode considerar como um empréstimo, sem juros ou correção monetária. Você pode pagar quando puder, como puder. – Ela estendeu a mão até tocar a minha e a apertou. – Eu estou aqui como sua amiga, tentando fazê-la usar a razão. Ir até ele e tentar pagar pela livraria só vai jogar sal sobre as suas feridas, de ambos.
– Eu aprecio a preocupação, Alice. De verdade. – Eu garanti. – E não há nada que eu precisei mais nesse momento do que a amizade de todos vocês. Mas eu tenho que fazer isso.
– Por que você é tão teimosa? – Eu vi a minha melhor amiga se colocar de pé. – Você verá que está fazendo um grande esforço por nada. Edward nunca vai aceitar esse dinheiro e você sabe disso.
Sim. Eu sabia. Mas ainda assim tentaria.
...
Foi estranho voltar a entrar na Corporação Cullen. Era a primeira vez em que eu andava pelos corredores da empresa de Edward como Bella e não como sua submissa. Mas assim, como na primeira vez em que eu estive aqui, eu podia sentir o meu coração acelerado e as minhas mãos suando.
Graças a Jasper que me esperava na entrada do imponente prédio, eu não tive problemas para chegar até o andar onde encontraria Edward.
– Você tem certeza que quer fazer isso? – Ele me perguntou antes que eu me dirigisse a secretária de Edward. Como toda a minha resposta foi um aceno de cabeça, ele prossegui: — Algumas vezes temos que errar para aprender, não é? Eu estarei no meu escritório se você precisar de alguma coisa, okay?
Eu voltei a acenar e respirei fundo, pela última vez, antes de sorrir para secretaria.
– Boa tarde, eu gostaria de falar com o Sr. Cullen.
– Você tem hora marcada? – Ela perguntou com o mesmo sorriso antipático que tinha me recebido da outra vez.
– Eu sou Isabella Swan. – Respondi. – Você pode fazer a gentileza de me anunciar?
– O Sr. Cullen está em uma reunião agora. Se você quiser esperar... Mas eu não posso garantir que ele vai recebê-la.
– Eu vou esperar.
Eu me encaminhei até uma confortável poltrona de couro negro do outro lado do espaçoso hall e me sentei.
Não foi preciso esperar por muito tempo. Antes que eu tivesse sido capaz de roer todas as minhas unhas, eu vi a porta do escritório dele ser aberta. Eu me coloquei de pé com um salto, o coração trovejando em meu peito, sem saber ao certo como ele me receberia, mas disposta a manter a minha cabeça erguida.
Toda a minha resolução foi por água abaixo quando eu vi a loira que atravessar portal e parar bem a minha frente.
Aparentemente, ele tinha sido bastante rápido em encontrá-la.
– Bella? – Ela disse sem conseguir esconder a surpresa. – É b...
Antes que ela conseguisse dizer o que pretendia, fomos interrompidas pela voz irritada de Edward.
– Tania?! Você está cometendo um erro. Eu posso...
Ele se calou no momento em que seus olhos me encontraram.
– Bella?
– Eu acho que não é um bom momento. – Tentei sorrir. – Eu posso voltar depois. Ou lhe enviar o que preciso entregar.
Obviamente, ele não podia apenas me deixar ir. Sua mão se apossou do meu braço antes que eu conseguisse lhe dar as costas.
– Espere!
Eu poderia ter lutado contra o seu aperto, mas o conhecia bem para saber que não adiantaria de nada. Apenas criaríamos uma cena e essa não era a minha intenção.
– Nada é como parece. – Tania sussurrou para mim antes de seguir em direção ao elevador.
– Tania? – Edward voltou a chamar por ela, mas em nenhum momento soltou o meu braço.
– Eu já disse tudo o que precisava dizer, Edward. – Ela respondeu com evidente carinho. – Agora eu preciso voltar, antes que ele sinta a minha falta.
– Você não precisa voltar para ele. – Eu disse sem nem mesmo saber por quê. – O seu lugar é aqui. Com Edward.
Dizer as palavras era o mesmo que cravar um punhal em meu próprio peito.
Voltamos ao ponto em que fazer o certo pode e é, absurdamente, doloroso.
– Não, Bella. – Ela me respondeu com um sorriso. – Esse é o seu lugar.
Eu praticamente fui arrastada até o escritório de Edward após Tania ter nos deixado.
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