Despertar de uma sub
51 Capítulo XLV
Notas iniciais
Capítulo XLV
Foi necessário muito esforço para que eu conseguisse me concentrar no trabalho, especialmente depois que Edward, não contente em já ter gravado sua imagem em minha mente, me fez ainda mais consciente do seu efeito sobre mim ao enviar-me mensagens ao longo dia. As primeiras não passavam de lembretes bem humorados e, propositalmente, instigantes da surpresa que ele dizia ter para mim no final do dia. No entanto, conforme as horas passavam, as mensagens deixaram de instigar apenas a minha curiosidade e passaram a alimentar a excitação que ele sempre seria capaz de despertar, mesmo a distância.
No horário do almoço eu estava ainda mais consciente da carência que meu corpo sentia dele, talvez tenha sido por isso e em uma tentativa infrutífera de ocupar a minha mente com qualquer outra coisa que não fosse a vontade de estar nos braços do meu noivo que eu tenha aceitado sem qualquer hesitação a companhia do meu segurança.
Não que eu, de fato, tivesse muita escolha e no fundo já estava acostumada a ter Collin sempre por perto, mas na maioria das vezes ele, bastante consciente do quanto ainda me incomodada tê-lo me vigiando constantemente, se mantinha a uma distância segura.
– Você se importa se caminharmos um pouco? — Eu disse assim que ele se juntou a mim, na saída da livraria? — Não mais do que 2 ou 3 quarteirões.
– Você pode ir onde desejar, Bella. — Eu respondeu com o semblante sério, o que, de fato, era seu natural, mas existia algo mais que me chamou a atenção: distração. Quase como se ele, pela primeira vez, deixasse transparecer que não estava onde gostaria. — Mas eu aconselharia a irmos de carro.
– Não iremos muito longe... — Insisti já a seguir o caminho que gostaria. — E eu gosto de caminhar.
– Certo! — Ele me alcançou e passou um dos seus braços ao redor da minha cintura. Eu o olhei interrogativamente. — Você pode, por favor, não sair do meu campo e visão?
– Algo errado? — Questionei tentando me acostumar com o fato de estarmos tão próximos um do outro.
– Nada com que você precise se preocupar. Estou apenas nos precavendo.
Nem por um segundo, eu acreditei nele. Mas estava empenhada a não deixar que nada estragasse o meu dia, que até então estava correndo incrivelmente bem, então não dei muita atenção a centelha de medo que ameaçou se apossar de mim.
– Não vou sair de perto... — Garanti. — Mas se importaria se não andássemos abraçados. Parece estranho demais.
Ele me deu um sorriso constrangido e me soltou, mas manteve-se próximo o suficiente para que qualquer pessoa que nos olhasse soubesse que estávamos juntos. No entanto ao adentramos a primeira loja infantil que encontrei pelo caminho, ele voltou a sua postura habitual posicionando-se na entrada da loja para me esperar depois de caminhar por todo o interior avaliando tudo e todos.
Eu preferi me concentrar nas primeiras compras que faria para a minha filha em vez de continuar a me questionar sobre o que estava errado. Quando deixei a loja, munida de muitas sacolas, já não me importava mais sobre o que quer que estivesse preocupando o meu segurança.
– Você tem tido notícias de Tanya? — Questionei assim que nos acomodamos em uma cantina italiana para o almoço.
– Nâo tantas quanto eu gostaria. — Ele respondeu olhando ao redor e, enfim, relaxando em seu lugar.
– Ela não parece muito disposta a manter contato conosco desde que deixou o hospital. — Comentei enquanto olhava o cardápio. — Confesso que estou preocupada. Gostaríamos de ajudar, mas ela tem se afastado... Sendo bem honesta, ficaria bem mais tranquila se você estivesse com ela agora, em vez de estar aqui, comigo.
Um sorriso espontâneo apareceu no rosto constantemente serio de Collin.
– Não me leve a mal... Mas eu também preferiria isso. — Ele deu de ombros.
– Não levarei a mal. — Respondi sinceramente.
– Mas nós dois sabemos que isso não vai acontecer...
– Obviamente que não. Edward pode ser bastante intragável quando quer.
– Eu não o culpo por cuidar do que ama. Eu faria o mesmo se estivesse no lugar dele.
– Verdade? — Questionei, deixando o cardápio de lado e me concentrei no rosto a minha frente. — Se pudesse faria o mesmo por Tanya?
Incrivelmente vi surgir um rubor nas feições masculinas.
– Sei que está interessada nela, Collin. — Voltei a falar quando ficou claro que ele não me diria nada. — Está bastante evidente na verdade.
Ele pigarreou e afastou o seu olhar do meu. Eu teria achado graça, se não soubesse que ele estava envergonhado.
– Tudo bem. Podemos falar de outra coisa... — Voltei a encarar a lista de pratos, tentando escolher um. — Ao menos sabe me dizer se ela gostou do apartamento? É pequeno, mas eu costumava gostar quando vivia lá.
– O que não foi muito tempo... — Meu segurança alfinetou.
Eu ri. Não tinha sido mesmo muito tempo, Edward tinha me levado de volta para onde eu, realmente, pertencia.
– Tem razão. — Eu concordei. — Nós podemos procurar por outro lugar, caso ela não esteja a vontade vivendo lá.
– Sendo bem honesto, ela, possivelmente, não se sentirá a vontade em qualquer lugar bancado por vocês... É uma situação bastante constrangedora para ela.
– Ahhh — Eu tentei encontrar algo para dizer, mas não consegui. No fundo, podia imaginar o quão incomodo deveria ser para Tanya aceitar a nossa ajuda nas atuais circunstancias. E eu nem mesmo podia culpá-la por isso. Me sentiria ainda pior se nossas posições fossem invertidas.- Eu entendo. De verdade. — Garanti. — Esse é um dos motivos pelo qual eu não tenho forçado uma aproximação, embora acredite que nós duas poderíamos nos ajudar mutuamente. Você sabe... toda essa coisa sobre a minha bebê e o passado dela... Eu imagino o quanto deva ser doloroso.
Eu esperei por alguma resposta, mas tudo o que recebi de Collin foi um olhar pensativo e enigmático.
– Eu acredito que seja um pouco mais complexo do que isso... — Ele disse por fim e para deixar claro que não me falaria nada mais, completou: — Você deveria pedir logo ou vai se atrasar.
Era o que eu pretendia fazer quando o meu celular acusou a chegada de uma nova mensagem. Antes mesmo de alcançar o aparelho dentro da bolsa já sabia que era Edward.
Eu estava certa, mas fui surpreendida ao vê-lo me dizer que se juntaria a nós para o almoço. Após uma rápida troca de mensagens, eu finalmente fiz o pedido, para três, e não fui capaz de reprimir o meu sorriso quando avistei o meu futuro marido adentrar o restaurante.
– Pensei que só o veria no final do dia... — Comentei com o máximo de casualidade possível, mas agora que o tinha tão perto voltei a sentir os efeitos que ele tinha sobre mim e que eu tinha tão duramente controlado ao longo da manhã.
– Consegui terminar antes do que imagina... Pensei em você tirar o restante do dia de folga.
Eu observei a forma como Edward e Collin se cumprimentaram, antes de responder:
– Não posso. Tenho uma entrega para supervisionar após o almoço... Se você puder esperar então, talvez... — O que quer eu pretendesse falar ficou engasgado na minha garganta quando uma das mãos de Edward procuraram pela minha perna e iniciou uma caricia despretensiosa. Ele riu da minha reação.
Eu tomei um gole da água que tinha acabado de ser servida e desejei que o almoço já estivesse no fim, se possível, que o dia já estivesse no fim, assim poderia desejar livremente que a mão repousada em minha coxa fizesse seu caminho em direção ao norte sem correr o risco de deixar isso evidente em meu rosto em meio a um restaurante parcialmente lotado.
Comemos praticamente em silêncio, exceto por eventuais discussões sobre o club entre Edward e Collin. Eu me mantive em silêncio, observando a forma como eles interagiam com desenvoltura ou passavam por longos minutos em silêncio sem constrangimento. Vendo os dois interagindo, me senti boba por nunca ter cogitado que existia, entre eles, mais do que apenas uma relação patrão/emprego. Obviamente, não existia o mesmo laço de amizade que unia Edward a Jasper, por exemplo, mas existia aquele coleguismo mutuo fortalecido pela confiança que eu sabia que meu noivo dispensava a Collin. Finalmente, fez sentido para mim, que Edward insistisse tanto em ser Collin o meu segurança.
– Por que está tão quieta? — Edward sussurrou ao meu ouvido quando nosso almoço chegou ao fim e Collin se dispôs a deixar a mesa e pagar a conta. Ele poderia não ter dito com todas as letras, mas eu sabia que ele apenas quis nos deixar a sós por um momento.
– Apenas pensando que eu gostaria de estar sozinha com você. — Reconheci prontamente, fazendo um sorriso travesso surgir no rosto do meu noivo.
– Sozinhos sem que Collin estivesse conosco nesse restaurante ou sozinhos em casa? — Eu poderia ter proferido a resposta correta prontamente, mas Edward pôde enxergar a verdadeira resposta na forma como eu não consegui conter o calor que se espalhou pelo meu rosto.
– Você sabe... — Ele voltou a falar antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. — Eu acho que o fato de termos os mesmos desejos na maior parte do tempo é um dos motivos que nos levaram tão longe... — A mão que até o momento estava repousada comportadamente em minha coxa, ganhou vida e passou a subir por minha perna, deixando um rastro de calor. — Você pode até não me dizer, mas eu sei, apenas porque desejo o mesmo, que adoraria que eu a acariciasse, a fizesse gozar aqui, agora... Eu faria isso, baby, se o seu rostinho lindo não entregasse tudo o que estivéssemos fazendo. — E para confirmar seu ponto de vista, ele permitiu que seus dedos mergulhassem em minha fenda úmida e quente e eu precisei tombar a minha cabeça de encontro ao seu ombro para abafar um gemido involuntário e esconder o meu rosto dos demais presentes.
– Mais tarde...- Ele prometeu baixinho e se afastou.
...
– Você, realmente, não precisa fazer isso. – Eu disse quando Edward se abaixou a minha frente, se ocupando em apanhar a pesada caixa de livros recém colocada no chão do estoque. – Eu posso, perfeitamente, me abaixar.
Ele solenemente ignorou o que eu tinha acabado de dizer e sem qualquer esforço aparente, depositou os livros novos sobre uma pequena e esquecida mesa.
Com um sorriso de agradecimento, eu me ocupei em verificar se todos os livros encomendados estavam sendo entregues. Não era responsabilidade de Edward, me ajudar com esse serviço, na verdade eu planejava faze-lo sozinha, mas segundo o meu noivo, se trabalhássemos juntos, acabaríamos mais rápido. Aparentemente, alguém estava bastante ansioso pela hora de ir embora.
Com um suspiro lancei um olhar às demais caixas espalhadas pelo chão, cheguei a conclusão que eu estava tão ansiosa quanto ele. Durante boa parte do dia, eu havia conseguido controlar a curiosidade, mas agora que a hora de partir estava chegando,eu estava a ponto de implorar para que Edward me desse, ao menos, uma pista do que deveria ser a minha surpresa, mas como sabia que não adiantaria, eu apenas me concentrei no trabalho que tinha a fazer.
– Se você não se importar... Pode verificar aqueles. – Apontei para uma das caixas. – 50 exemplares.
– Sim, Senhora! – Ele respondeu me lançando um olhar indecifrável.
– Hummm eu gostei disso. – Comentei com um sorriso. – Você pode voltar a me chamar assim mais tarde.
– Só em seus sonhos, querida. – Ele respondeu e estalou a palma de sua mão contra a minha bunda.
Eu não fui capaz de evitar a gargalhada que explodiu entre meus lábios.
– É uma boa coisa estarmos sozinhos... – Eu comentei em meio aos risos. – Você não consegue manter suas mãos longe de mim.
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