Notas iniciais
Boa leitura!

Algumas vezes eu me pegava tentando entender a obsessão doentia de Jacob Black por mim, mas por mais esforço que eu fizesse era simplesmente impossível chegar a qualquer conclusão satisfatória. Não tinha explicação, no fundo eu sabia. Era apenas loucura, pura, simples e, ao que tudo indicava, mortal. Isso nunca teria fim, ele nunca me deixaria em paz até me ter de volta ao seu lado ou morta.

Honestamente, entre as duas opções, eu preferiria à segunda, mas eu não estava disposta a, simplesmente, desistir quando ainda poderia lutar, embora eu não soubesse como lutar e vencer essa guerra. O que me levava a um dilema: Fazer o que eu sabia ser o certo ou me resguardar, ignorando todo o resto, até que o inevitável acontecesse?

Eu não tinha uma resposta para esse questionamento interno e possivelmente não a encontraria de imediato, sem pesar todas as consequências, por isso respirei fundo e procurei pela mão masculina repousada sobre o meu joelho. Edward retribuiu o aperto enquanto me analisava com olhos desconfiados e preocupados. Vê-lo ali, ajoelhado aos meus pés, depois de ter me feito sentar sobre a cama, sempre pronto a cuidar de mim me aqueceu o coração e o quebrou ao mesmo tempo.

Subitamente as palavras de Tanya, durante a discussão em minha casa, no dia em que a flagrei nos braços de Edward, me assombraram.

“Ela é o grande peixe. Ele vai pescá-la, mais cedo ou mais tarde.”

Eu tentei duramente não enxergar isso durante todo o tempo em que fugi da ameaça que Jacob representa, mas a verdade é que Tanya está certa. Um dia, talvez quando eu menos esperar, ele vai conseguir o que deseja. E quando esse dia chegar, o homem ajoelhado a minha frente ficaria destruído, eu não tinha dúvidas.

– Eu te amo! – Sussurrei, lutando para que minha voz não soasse embargada.

Ele sorriu para mim, totalmente alheio ao turbilhão de sentimentos que guerreavam dentro de mim, de certa forma inconsciente do perigo que nos rondava, confiante de nosso pequeno momento de felicidade duraria para sempre.

– Eu também te amo, anjo. – Ele respondeu, fazendo meu coração saltar ao usar o primeiro apelido carinhoso que ele tinha me dado, quando ainda lutava contra o que sentia por mim, embora suas ações já o denunciasse. – Mas essas declarações inesperadas sempre me trazem a impressão de que algo está errado.

Eu sorri, da melhor maneira que podia.

– Eu só estava pensando em quão sortuda eu sou por ter você sempre pronto a cuidar de mim...

– Sempre. – A resposta simples era uma promessa e me fez suspirar.

– Sempre, é? – Tentei empregar leveza a minha voz. – Mesmo que você tenha que deixar a recepção do seu casamento às pressas para me socorrer?

– Uma recepção de casamento não é grande coisa sem a noiva. — Ele gracejou e piscou para mim.

– Sendo assim... – Eu levantei devagar e ele me acompanhou, sua mão sempre na minha, como se esperasse que eu caísse a qualquer momento. – Acho que devemos voltar.

– Ou você pode se livrar desse vestido, voltar pra cama e descansar.

– Eu estou bem, amor. – Garanti, embora “bem” não fosse exatamente como me sentia. – Foi só uma vertigem.

Edward ainda me analisou por alguns segundos, antes de assentir e nos dirigir para fora do quarto, de volta a nossa festa de casamento.

Quando alcançamos o jardim e eu me vi cercada pelos nossos convidados, todos sorrindo e nos cumprimentado, nossos amigos me puxando para um abraço apertado, claramente se divertindo, um bolo se formou na minha garganta e uma onda de culpa me atingiu.

Naquele exato momento Angela estava nas mãos de um psicopata sádico, provavelmente sofrendo as torturas que eram destinadas a mim... e eu estava elegantemente vestida em um vestido de noiva, fingindo um sorrido, aproveitando a festa.

– Você se importa se eu me sentar por um minuto? – Disse baixinho no ouvido do meu marido, roubando a atenção dele. – Você pode me conseguir algo para beber?

– É claro! – Ele respondeu e sem um segundo de hesitação me levou até uma mesa. Eu pensei que ele se sentaria ao meu lado e chamaria um dos muitos garçons pelo recinto, mas em vez disso ele apenas acenou para Collin e depois do segurança ter se aproximado, se afastou em busca do que eu pedi.

– Eu acho que vou vomitar... – Disse baixo e levei as mãos à cabeça, bem próxima de um pequeno surto.

– Isso seria terrível... – Collin respondeu em tom brincalhão. – E estragaria o seu vestido.

Eu ignorei a tentativa de piada.

– Eu sou uma pessoa horrível!

Talvez tenha sido o meu tom de voz ou o desespero em meu olhar, mas o meu segurança apagou o sorriso e se inclinou em minha direção.

– Bella... – Ele começou, mas eu o cortei.

– Eu preciso de ajuda, Collin. Da sua ajuda. E você tem que me prometer que não vai contar nada para o Edward.

– O que aconteceu?

Eu poderia ter explicado, mas uma rápida olhada ao redor me fez consciente de que meu marido estava a meio caminho, uma taça de água em suas mãos, seus olhos sobre mim.

– Promete. – Eu abaixei ainda mais o tom de voz. – Ou eu vou fazer o que tiver que fazer sozinha.

Ele forçou seu corpo a relaxar na cadeira em que tinha se sentado, o rosto uma máscara de divertimento que não entregava a irritação que eu sabia que ele estava sentido.

– Eu prometo!

Eu apenas tive tempo de assentir antes de ter a visão de Edward parado a minha frente. O meu segurança aproveitou o momento para se afastar, não sem antes me lançar um olhar inquiridor.

– Obrigada, baby! – Ele me levantei, aceitei a taça d´água que ele me oferecia e entrelacei meus dedos aos dele. – Ainda temos que esperar muito pelo bolo? Eu estou salivando de vontade de prová-lo.

– Se é bolo o que você quer, eu posso providenciar...

– Na verdade... – Eu levei meus lábios ao ouvido masculino, contente por ver Edward estremecer ao sentir o gelado da minha boca tocá-lo. – O que eu quero mesmo é você, mas para chegar à noite de núpcias, precisamos cortar o bolo.

Se ele estava intrigado com a troca que eu tinha mantido com Collin, a curiosidade desapareceu diante da minha insinuação.

– O que eu vou poder fazer com você durante a noite? – Ele me puxou para mais perto e, sem se importar com o local onde estávamos, permitiu que sua mão deslizasse por minhas costas e se acomodasse sobre o meu bumbum, me presenteando com um aperto desavergonhado.

– Tudo o que você quiser... – Eu respondi prontamente. – Eu sou sua, lembra?

– Você é minha! – Ele confirmou e levou seus lábios ao meu pescoço, abafando um gemido ao sentir um arranhar de unha fugaz, nada inocente, na sua nuca.

*****

– Me desculpe por isso... – Edward ofegou ao mesmo tempo em que eu me ajoelhava a sua frente e o via lutar contra o zíper da calça social, as mãos trêmulas pela excitação fazendo desse simples ato um gesto quase impossível.

Eu ignorei o pedido de desculpas, afinal eu o tinha provocado durante o final da festa, nublando nossas mentes com o máximo de excitação que eu era capaz. Com um tesão desenfreado eu era capaz de lidar, muito mais fácil do que lidar com a sensação esmagadora de culpa, com o medo sufocante.

– Mmmm... – Eu gemi logo após deslizar a minha língua sobre o membro ereto. – Você é delicioso!

Tudo o que eu recebi como resposta foi uma mão forte a prender o meu cabelo e guiar os meus lábios, me fazendo tomá-lo todo em minha boca, em um só impulso.

– Oh foda-se! – Ele gemeu quando minha língua começou a circulá-lo. – Baby, eu...

Ele não terminou a frase e nem precisava, eu sabia exatamente o que ele queria dizer, o que sentia, por isso me surpreendi quando ele se afastou e me ajudou a levantar.

– Eu pareço um adolescente afoito... – Edward recostou sua testa a minha e respirou fundo. – Isso não é o que eu tinha em mente para a nossa noite de núpcias.

– Eu gosto de você afoito. – Respondi e era verdade. Quando ele perdia o controle, me levava junto, me fazia esquecer todo o resto, minha mente ficava em branco e só existia nós dois.

Era exatamente o que eu precisava no momento.

– Você gosta é? – Ele me virou, fazendo com que minhas costas encontrassem seu tórax. – Eu já disse o quanto você ta gostosa nesse vestido.

– Não... – Eu respondi em um lamento ao senti-lo conduzir a mão até o meu decote, pronto para acariciar os meus seios. Eu fechei os olhos por um segundo, aproveitando a caricia e criando coragem para ser uma menina má. – Mas eu prefiro que você mostre em vez de falar... – Em um impulso eu retirei a mão que se aventurava por dentro do decote e a desci pelo meu corpo, levando-a até o ponto ardente entre os meus quadris. Antes que Edward pudesse dizer qualquer coisa, eu já tinha minhas próprias mãos sobre os seios, impedindo o toque masculino onde o motivo pela necessidade de perda de controle estava escondido.

– Não, não, não... – Ele me repreendeu com a voz rouca. – Eu decido o que fazer, gatinha.

Com um movimento rápido, que me deixou levemente tonta, eu me afastei. Controlando a tontura, eu sorri travessamente para o meu marido e caminhei até a cama, ainda com as mãos a simular toques ousados sobre os meus seios.

– Eu acho que estou sendo uma menina muito, muito má hoje... – Eu o provoquei e sorri ao vê-lo se ocupar de acabar de retirar as roupas que ainda estavam sobre seu corpo. – Talvez eu tenha que ser castigada... – Sugeri e, para evitar qualquer dúvida, me inclinei em direção a cama, usando uma das mãos para me apoiar.

Eu só precisei esperar por um segundo, até que senti Edward às minhas costas, uma mão deslizando por minha coxa, subindo o vestido.

Exatamente onde eu o queria, como o queria.

Com um gemido, eu permiti que meu rosto encontrasse o colchão macio e no momento em que um tapa estalado atingiu minhas nádegas, eu escorreguei uma mão pelo decote do vestido, alcançado sem esforço o pequeno e quase imperceptível cilindro acomodado entre os meus seios.

Com os dedos fortemente fechados ao redor do objeto, eu senti quando meu marido se inclinou sobre mim, sua mão alcançando exatamente o mesmo ponto onde meus dedos tinham acabado de estar.

– Você não precisa tocar esses montes deliciosos, querida... – Ele usou a ponta dos dedos para apertar um mamilo me fazendo gritar. – Eu faço isso por você, com prazer.

Eu aproveitei os toques precisos e excitantes sem vergonha e enquanto os sentia acender o meu corpo como só Edward era capaz de fazer, me esqueci do que tinha em minha mão, do que pretendia fazer quando nosso momento de paixão chegasse ao fim, de tudo...

– Por favor... – Pedi incoerente, sem saber ao certo pelo o que pedia.

Uma risada rouca chegou aos meus ouvidos e logo em seguida meu corpo foi virado e meus pulsos presos por uma mão forte. Por um momento, minha mente culpada me fez imaginar que Edward estava, ao contrario do que eu imaginava, bastante consciente de todos os meus atos desde que o maldito telefonema de Jacob havia estragado o que deveria ser o dia mais feliz da minha vida, mas em vez de me fazer abrir a mão e revelar o que meus dedos escondiam, tudo o que meu marido fez foi erguer meus braços acima da minha cabeça e colocar minhas mãos debaixo de um travesso.

– Não tire as mãos daí... – Ele ordenou, com os olhos presos ao meu, inconscientemente me ajudando a enganá-lo.

Eu acenei em concordância e abri os dedos da mão direita, deixando que o cilindro escorregasse até que estivesse devidamente escondido pelo amontoado de plumas.

Meus olhos se encheram de água quando eu trapaceei, retirando as mãos do confinamento macio e as levei até a cabeceira da cama.

– Desculpa! – Sussurrei quando Edward me lançou um olhar fingidamente aborrecido. – É mais confortável assim.

Ele não disse nada, apenas se afastou por um segundo, para retirar agora as minhas roupas e em seguida me ajudar a me acomodar melhor sobre a cama. Quando meus dedos voltaram a se fechar sobre a cabeceira e minha cabeça repousou sobre o travesseiro, eu precisei fechar os olhos para impedir uma lágrima de rolar por meu rosto.

Edward não notou, entretido em distribuir beijos e novas marcas por meu corpo. A sensação era maravilhosa, seja lá o que o dia seguinte reservasse, eu teria provas de que pertencia única e exclusivamente a um só homem espalhadas por minha pele.

Eu aproveitei cada segundo como se fosse o último, afinal poderia ser. Me entreguei completamente, não me importei em abafar gemidos ou me permiti ser visitada pela timidez quando, sem pudor, Edward afastou as minhas pernas e se acomodou entre elas.

Não era uma despedida, longe disso, porque em minha mente eu estava convicta de que faria qualquer coisa para estar nos braços do meu marido todos os dias, segura, feliz, mas era a necessidade de viver aquele momento ao máximo, decorar cada toque, cada som, cada movimento... só para o caso de tudo mais acabar.

Como sempre, ele realizou o meu desejo secreto, mesmo que não soubesse o que se passava por minha mente. Movendo-se com maestria, ele me levou aos céus, me deixou entre as nuvens e quando nossa quebra livre em direção ao êxtase começou, me fez, por um momento que certamente se prolongaria, em minhas lembranças, por todo vida, a mulher mais feliz do mundo.

*****

Eu olhei para a taça de vinho parcialmente bebida com um misto de tristeza, culpa e alivio. Por um insano momento, conjecturei a possibilidade de sorver o restante do liquido rubro, voltar a me acomodar sobre a cama, com o rosto sobre o peito de Edward e dormir... horas sem fim até que a realidade se tornasse um pesadelo distante e esquecido.

Balançando a cabeça para afastar o pensamento impossível, eu voltei o meu olhar para o homem adormecido ao meu lado. O sono induzido no qual eu o tinha feito cair dava ao rosto masculino uma expressão relaxada, quase como se Edward estivesse em um sonho bom.

Infelizmente, eu sabia que qualquer sonho induzido pelo sonífero que eu o havia feito ingerir se transformaria em pesadelo assim que ele despertasse e não me encontrasse ao seu lado.

– Sinto muito! – Disse baixinho, embora soubesse que ele não podia me ouvir. – Eu te amo tanto... – Acomodando a taça sobre a mesa de cabeceira, eu me inclinei e beijei demoradamente os lábios inertes. – Eu não sei se você vai poder me perdoar... Só não duvida que eu te amo.

Eu poderia ter passado o restante da noite ali, nos braços de Edward, adiantando o inevitável, mas me obriguei a deixar a cama e em seguida o quarto. Desci as escadas sentindo como se um pedaço de mim ficasse para trás a cada passo dado, lutando contra mim mesma e a vontade aniquiladora de voltar correndo ao quarto e me trancar lá, com aquele que sempre seria o meu salvador.

– Você não tem que fazer isso... Você sabe. – A voz de Collin chegou aos meus ouvidos e só então me dei conta que estava na sala. Nenhuma luz a iluminar o cômodo, ninguém por perto, a não ser eu e o meu segurança.

Eu respirei fundo.

– Onde estão os outros? – Perguntei, me referindo aos demais seguranças que eu sabia que estavam pela propriedade.

– Dormindo... – Collin respondeu calmamente. – Edward?

– Dormindo... – Foi a minha vez de responder, a voz soou tranquila, mas o coração alçava voo dentro do meu peito.

– Você não tem que fazer isso. – Ele repetiu, com maior convicção, tentando me convencer, talvez tentando convencer a si mesmo.

– Você descobriu onde ela está? – Eu questionei. Tola como sempre fui, ainda tinha esperanças.

– Não. – Uma só palavra e eu me senti perder o chão, um pouco mais. – Nenhum sinal de Angela. Nada no apartamento dela, nada na livraria, nada em lugar nenhum.

– Então... – Eu me obriguei a me sentar ao lado de Collin. – Eu tenho que fazer isso.

Collin se colocou de pé, afastou-se por um momento, acendeu as luzes e voltou a até onde eu estava, se ajoelhou a minha frente e pegou a minha mão.

A cena era tão parecida com a que eu tinha vivenciado algumas horas antes, quando Edward chegou ao nosso quarto, correndo depois de ter me visto pela janela. Eu quis chorar, mas estranhamento as lágrimas secaram.

Afastando o meu braço do colo, Collin retirou uma pequena seringa do bolso da calça e a aproximou da minha pele.

Eu desviei o olhar, tentando ver além do escuro da noite do lado de fora das paredes de vidro que cercavam a casa do lago.

Uma picada quase insignificante, seguida de um tapinha amistoso de Collin na palma da minha mão e ele se afastou. Eu voltei o meu olhar para o ponto onde, agora, existia um microchip, sob a minha pele. Engraçado pensar que eu tinha ficado chocada ao descobrir como Collin monitorava Tanya e agora ele poderia fazer o mesmo comigo, a meu pedido.

Sem me olhar, o meu segurança descartou a seringa usada e, com um smartphone em mãos, me mostrou um pontinho vermelho brilhando em uma tela preta. Eu dei de ombros. Não tinha duvidas de que funcionaria, por isso havia pedido pelo monitoramento.

– Edward vai ficar louco quando descobrir... – Collin fechou o aplicativo e voltou o celular ao bolso.

– Eu vou ficar louca se não fizer nada para impedir que Angela se machuque.

Ele me lançou um olhar indecifrável antes de responder:

– Ela já foi machucada, Bella.

– Eu quis dizer que preciso fazer algo para impedir que ela seja machucada... permanentemente.

– Não há nada que indique que isso já não tenha acontecido.

– Não há nada que indique que isso tenha acontecido. – Teimei porque pensar nessa possibilidade me aniquilava

– Existe qualquer coisa que eu posso dizer ou fazer para te impedir de fazer essa burrada?

– Não... – Respondi honestamente. – Mas eu quero que me prometa mais uma coisa.

– Você não precisa me fazer prometo... – Ele me lançou um olhar irresoluto. – Eu vou te proteger com a minha vida se for preciso.

– Não! – Eu me coloquei de pé e encarei o meu segurança. – Eu quero que você me prometa que vai proteger Edward, que vai impedi-lo de ir atrás de mim, que vai mantê-lo a salvo, vivo.

– Eu não posso prometer isso, Bella. – Collin balançou a cabeça negativamente.

– Collin...

– Eu não posso prometer que vou mantê-lo vivo, Bella, porque você vai matá-lo no momento em que deixar essa casa.

*****

O dia amanheceu e a tarde se aproximava sem que eu me desse conta. Minhas mãos tremiam, minha pele transpirava, meu peito se apertava... Razão e emoção guerreando dentro da minha cabeça, me deixando exausta, enjoada e perplexa comigo mesma.

O resto da noite e toda manhã foram gastas tentando enganar a mim mesma, fingindo que uma decisão importante e sem volta precisava ser tomada quando no fundo eu sempre soube que era fraca demais para fazer o que era certo.

Quando o assunto era o futuro ao lado de Edward, da família que já formávamos, a razão nunca ganharia, mas isso não quer dizer que o peso da culpa não estivesse me matando aos poucos.

– Tarde demais! – Eu murmurei, lançando um olhar desesperado para a grossa aliança de ouro que enfeitava o meu dedo anelar esquerdo. – Tarde demais!

Com os dedos pegajosos de suor e ainda a tremerem, eu lentamente despi a roupa confortável que tinha me obrigado a colocar durante a madrugada, acariciei o ponto no meu pulso onde ainda existia um microchip e fechei os olhos.

– Me perdoa, Ang! – As lágrimas vieram agora, as mesmas que tinham me abandonado durante a noite, as mesmas que quase me mataram sufocada ao deixar meu segurança perplexo parado no meio da sala enquanto eu corria de volta para o quarto, para Edward.

Collin estava certo quando disse que eu estaria condenando Edward ao seguir com o plano de me entregar a Jacob para salvar Angela e com essa culpa, a de destruir o homem que amo, eu não poderia lidar.

Ainda com as lágrimas a escorrer por meu rosto, eu deixei o meu posto próximo a janela do quarto de onde eu fitava, sem realmente ver, o lago em frente à casa e me aproximei da cama onde meu marido ainda dormia, embora eu pudesse dizer, pela forma como ele havia passado a se mexer há alguns minutos, que ele despertaria em breve.

Sem cerimônia, eu me acomodei sobre os quadris masculinos e usei a ponta dos dedos para desenhar formas invisíveis pelo tórax nu.

Meus olhos ardiam e meu rosto estava, certamente, marcado quando as pálpebras de Edward se moveram e seus olhos, ainda nublados pelo sono induzido, me encontraram.

– Bella... – A voz soou forçada, mais rouca do que o habitual.

Eu não respondi, apenas funguei e continuei a deslizar a minha mão por cada centímetro de pele que encontrava.

– Bella? – Ele me chamou mais uma vez e tentou se mover, mas a tentativa de se sentar rapidamente o fez levar as mãos à cabeça e soltar um gemido. – Merda! Minha cabeça...

– Desculpa... – Finalmente consegui dizer algo.

– O que? – Ele tentou focar seus olhos em mim, mas eu podia ver que manter os olhos abertos era custoso demais para ele. – Droga! Você pode me conseguir um copo d’água ou...

– Sinto muito! – Eu o interrompi e me inclinei contra ele, o máximo que meu estomago distendido permitia, colocando meu rosto ao dele. – Eu sinto muito.

Inconscientemente, Edward levou uma das mãos a minhas costas em uma espécie de abraço desajeitado, mas tentou me afastar assim que sentiu as minhas lágrimas molharem o seu rosto.

– Bella? O que foi? – Ele tentou, mais uma vez, me tirar de cima do seu corpo e bufou de frustração ao não conseguir. – Amor, por favor, me deixa olhar pra você...

Eu fiz como ele pediu porque mais cedo ou mais tarde, eu teria que olhar nos olhos dele e dizer o que tinha feito. Me afastei, ocupando um lugar sobre o colchão e o ajudei a se sentar.

– Puta merda! – Ele xingou ao se recostar contra a cabeceira da cama. – Acho que estou de ressaca.

Eu teria rido da expressão de desagrado, se não soubesse que a culpa pelo mal estar era minha. Sem dizer nada, eu alcancei a garrafa de água mineral que tinha deixado sobre a mesa de cabeceira, ao lado da taça de vinho ainda pela metade, e após abri-la a entreguei para o meu marido.

Ele sorveu todo o liquido com um gole só e voltou a fechar os olhos. Após bons minutos de silêncio, eu tive os olhos questionadores de Edward sobre mim, novamente.

– Vem aqui... – Ele apontou para o seu colo.

– Melhor não.

– Vem aqui, Bella. – Ele repetiu, dessa vez a voz soou dura, irritadiça e alguma coisa na forma como ele jogou a garrafa vazia para longe da cama e tentou me puxar para o seu colo me fez perceber que ele, ao menos, sentia que eu tinha feito algo.

Eu poderia ter me desvencilhado. O mal estar não teria permitido que ele me obrigasse a voltar para o seu colo, mas eu não lutei contra ele, apenas fiz o que ele queria.

– Você estava chorando... – Ele disse assim que eu me acomodei sobre as suas coxas. – E pediu desculpas...

– Eu sinto muito! – Repeti.

– O que você fez?

Eu funguei, tentando acalmar as batidas do meu coração.

– Não é uma ressaca... – Eu falei baixinho e desviei o meu olhar dos olhos de Edward, pousando-o sobre a mesinha de cabeceira, onde o cilindro onde o sonífero estava, agora vazio, fazia companhia a taça de vinho.

– O que você fez? – Ele repetiu e, pelo canto dos olhos, vi as mãos dele apertarem o lençol.

Eu voltei o meu olhar para o rosto masculino.

– Fiz com que você dormisse.

Eu acho que esperava por gritos irritados, por um afastamento brusco... Mas tudo o que Edward fez foi me lançar um olhar incrédulo e cheio de mágoa.

– Você me dopou?

Eu não respondi. Não era preciso. Ele estava vendo a verdade nos meus olhos.

– Por quê?

– Ele está com a Angela... – Dizer em voz alta foi como pronunciar a sentença de morte da minha amiga, a constatação me fez desviar o olhar enojada de mim mesma, culpada por destruir alguém inocente. – Eu tinha que fazer alguma coisa.

– Pelo amor de Deus, Isabella... O que você fez?

Eu fechei meus olhos e em seguida os abri mais uma vez e deixei que Edward visse toda dor que eu sentia.

– Condenei Angela, para não destruir você.

CONTINUA...

Notas finais
Se você chegou até aqui, por favor, me deixa saber o que achou.