Notas iniciais
Estão com o coração preparado? Boa leitura!

Capítulo 60

POV NARRADOR

Bella podia sentir a cabeça pesada, doendo a ponto de deixá-la desorientada, a boca seca e uma tontura que parecia capaz de derrubá-la, mesmo que já estivesse jogada ao chão.

Inconscientemente, levou a mão até o ponto em seu crânio de onde parecia irradiar a dor, gemendo baixo ao sentir o galo que havia se formado, assim como os dedos se tornarem pegajosos ao tocar o que ela sabia ser o próprio sangue.

― Merda! ― Gemeu baixinho, tentou ordenar os pensamentos e se acalmar o máximo que podia, diante das circunstâncias que vivia. Não sabia se conseguiria sair do pesadelo em que estava, mas precisaria tentar, pela filha que ainda a chutava com força. E se tentaria, teria que ser o mais racional possível.

Gostaria de ter podido manter os olhos cerrados por mais tempo, mas um sussurrar que a ruiva não foi capaz de compreender, seguido por um gemido agonizante, a fizeram abrir os olhos devagar, praguejando involuntariamente ao ter os olhos claros atingidos pela luz acessa.

Esperou pela aparição do rosto odioso de Jacob Black, por uma nova agressão, mas tudo o que encontrou diante de si, depois que seus olhos se acostumaram com a súbita claridade, foi dois pares de olhos assustados.

Foi com certo alivio que reconheceu os olhos azuis de Tanya Denalli, embora o olhar da loira estivesse desfocado, sem indicar qualquer sinal de reconhecimento, viu a camisa que a loira usava coberta de sangue e o rosto suado, quase mortalmente pálido, mas seus próprios olhos se prenderam em outro par de olhos, castanhos escuros como os de Jacob, a encarando com um misto de pavor e raiva.

Não reconheceu o dono daquele olhar que parecia, ao mesmo tempo, clamar por ajuda e mandá-la se manter afastada, muito menos saberia dizer o que um menino, de não mais de 6 anos fazia agachado ao lado de Tanya, mas não tinha tempo para tentar descobrir, por isso olhou ao redor, soltando um suspiro ao não encontrar qualquer sinal de Jacob.

― Meu bebê... ― Ouviu o balbuciar de Tanya, em meio aos gemidos de dor que a mulher emitia ― Meu bebê...

― Shii! ― O menino a repreendeu, levando uma das mãos femininas, até um ponto sobre o peito feminino, apertando-a contra o ferimento a bala que fazia o sangue jorrar ― Fica quieta ― A voz infantil soou tão baixa que Isabella quase não foi capaz de ouvir ― Ou ele vai te machucar.

Bella obrigou a se mover, depois de estudar mais uma vez o local em que estavam. Não reconhecia o local em que estavam, embora pudesse dizer que era uma cabana no meio de algum lugar esquecido por Deus. Pela única janela no cômodo, quase vazio, podia ver as grandes árvores que cercavam o lugar, assim como um carro parado ao longe e a sombra de um homem recostado ao veículo, não podia ver o rosto masculino com clareza, mas sabia ser Jacob.

Procurou por qualquer coisa que pudesse usar para se defender, mas a sala em que estava mal tinha móveis, apenas uma poltrona velha em um canto e um grande espaço vazio, deixando amostra paredes e chão de madeira velha que cheiravam a mofo e rangeram quando tentou se levantar devagar.

A cabeça rodou um pouco, fazendo a ruiva cambalear, mas depois de alguns segundos de hesitação, ela conseguiu se manter de pé. Caminhou apressada até o canto em que Tanya estava, recostada a uma parede, encarando-a, embora parecesse não vê-la.

― Tanya? ― Chamou, se abaixando ao lado da loira.

― Shii! ― O menino repetiu, deixando o seu lugar e correndo até a janela, colocando-se na ponta dos pés para tentar olhar do lado de fora.

Por um segundo, Isabella apenas o observou, tentando entender o que uma criança fazia ali, tentando quem sabe encontrar qualquer semelhança no menino magro e baixo que pudesse lhe dizer quem ele era.

O viu passar as mãos pequenas, sujas de sangue, no cabelo comprido demais, loiro escuro, e a encarar de volta.

Um dedo pequeno e trêmulo foi levantado e aproximado dos lábios, em um claro sinal de que ele não queria ouvi-la falando nada.

― Meu bebê... ― Tanya voltou a repetir, em um balbuciar que a cada segundo se tornava mais fraco e baixo, roubando a atenção da ruiva.

― Tanya... ― Bella sussurrou o mais baixo que podia, examinando o corpo feminino até encontrar a origem do sangue que continuava a escorrer. Em um rompante, arrancou o robe fino que ainda usava e o usou para tentar estancar o ferimento da loira.

Ainda não tinha perdoado a Denalli por a terem colocado naquela enrascada, mas não queria assistir a mulher morrer bem a sua frente. Além do mais, precisava entender o que estava acontecendo.

― Vai ficar tudo bem... ― Disse apertando a seda contra o peito feminino, sentindo o tecido absorvendo o sangue, sem fazer nada para realmente ajudar ― Vai ficar tudo bem.

― Meu bebê... ― A loira chorou, fazendo Isabella largar o robe e levar as mãos, agora sujas de sangue, até o rosto pálido, suado e gelado.

― Que bebê, Tanya? ― Questionou ― Do que está falando?

Quando a loira não respondeu, Bella voltou a encarar o menino que se mantinha colado à parede, aparentemente com medo de se aproximar.

― Vem aqui... ― Chamou por ele, querendo examiná-lo melhor, de perto ― Você a conhece? ― Perguntou quando o menino não fez qualquer movimento para chegar mais perto.

Ele apenas sacudiu a cabeça em um movimento negativo, mas Isabella continuou a analisá-lo, procurando na pele clara, nos olhos escuros e nos fios loiros escuros qualquer pista para fazê-la entender o que acontecia.

Não encontrou nada, nem mesmo nenhuma semelhança física entre o menino e Tanya ou entre ele e Edward, ainda assim, se virou para a mulher ferida e a sacudiu levemente.

― É ele, Tanya? ― Questionou alto demais ― Ele é o seu bebê? O seu bebê com Edward?

― Ele o matou... ― A loira respondeu, no que claramente era um delírio ― Matou o meu bebê.

― Não, Tanya! ― Isabella retrucou, aumentando o tom de voz sem que percebesse ― Não foi culpa dele ― Continuou, acreditando que a mulher falava sobre Edward ― Você sabe disso.

― Shii! ― O menino voltou a se aproximar, empurrando-a, a fazendo cair sentada ao chão ― Ele vai ouvir!

O aviso infantil veio tarde demais, já que em seguida a porta foi aberta com um estrondo.

― Thomas! ― A voz de Jacob Black soou autoritária, fazendo o menino tremer e se virar para encarar o homem que adentrava o cômodo ― Você está ajudando as vagabundas?

― Não... ― O menino respondeu imediatamente ― Não, senhor.

O moreno se aproximou, lançando um olhar sobre Isabella, caída ao chão, e parando de frente para o menino, fazendo-o se encolher e abaixar a cabeça.

Antes que Bella pudesse processar o que acontecia, viu quando uma mão forte atingiu a parte de trás da cabeça da criança, fazendo o menino cambalear e lutar para se manter de pé.

― O que eu já te disse sobre desviar o olhar? ― Black manteve o tom de voz imponente, embora não gritasse.

― Sempre olhar nos olhos... ― O menino respondeu, erguendo a cabeça para que pudesse encarar o homem que o tinha agredido ― Só as vagabundas olham para baixo.

Isabella podia ver lágrimas escorrendo pelo rosto pequeno, mas a voz infantil soou firme.

― Exatamente ― Jacob distribuiu tapinhas amistosos pelo ombro pequeno ― Agora, o que você está fazendo fora do quarto?

― Muito barulho ― Thomas respondeu, apontando para as duas mulheres ao chão.

Jacob lançou um olhar para Isabella e, em seguida, para Tanya, e escolhendo a loira como seu próximo alvo, usou um dos pés para chutá-la, derrubando-a e fazendo-a gritar de dor.

― Sim... ― Disse com um sorriso e se abaixou de frente para o menino, levando uma mão até o ombro dele ― Elas sabem como gritar ― Continuou, quase carinhosamente ― Melhor se acostumar, filho, elas vão gritar muito essa noite.

O menino se afastou, levando as mãos pequenas até os ouvidos, quando Black mais uma vez chutou a lateral do corpo da loira, provocando um novo grito.

― Você vai ser daqueles maricas que prefere o silêncio? ― Jacob aumentou o tom de voz, fazendo o menino se encolher ― Que seja! Até ter a sua própria puta para surrar, vai ter que se acostumar com o fato de que eu gosto de ouvi-las gritar ― Movendo-se até encontrar o olhar apavorado de Isabella, ele sorriu ― Você vai gritar para mim, gatinha?

Bella estremeceu diante do olhar que recebia, sentindo-se enojada ao ouvir o apelido carinhoso que o marido sempre usava, deixar os lábios odiosos do algoz.

― Vá à merda! ― A ruiva gritou, movendo-se para tentar se colocar de pé, mas antes que conseguisse, Jacob já a tinha presa ao chão, com o peso do corpo masculino sobre o seu.

Ela lutou contra, tentando se soltar, até que o sentiu aumentar a pressão contra o estomago distendido, provocando uma pontada de dor.

― Eu senti falta da sua luta... ― Ele riu, antes de acertar o rosto feminino com um tapa estalado ― Senti falta dos seus gritos... ― A mão que antes a tinha acertado, desceu até os seios precariamente cobertos pela camisola fina, apertando diretamente até o ponto de dor, mas a submissa se recusou a gritar e dar ao algoz o que ele queria.

O sorriso do moreno se alargou.

― Thomas? ― Chamou pelo menino ― Traga a nossa caixa de brinquedos e uma faca.

Isabella estremeceu quando o menino correu para fora da sala, deixando-a sozinha com o homem que mantinha presa ao chão e com uma Tanya, e seu balbuciar baixo, que não seria de nenhuma ajuda.

Black correu a ponta dos dedos pelo corpo da ruiva, em um movimento lento e deliberado, quase como uma caricia, até alcançar a barriga dela, onde passou as tamborilar os dedos.

― Ouvi dizer que você tem uma putinha aqui dentro... ― Ele falou, aumentando a força com que a tocava ― Vamos fazer tudo certo dessa vez. Você não vai ser a cadela fraca que era antes, não é? ― Bella ouviu o arrastar de uma caixa de madeira sobre o chão, até que assistiu Thomas aparecer, mais uma vez ao seu lado, e estender uma faca para Jacob, com as mãos trêmulas ― O pequeno Tom, aqui, vai aprender muito tendo uma cadelinha em casa com quem brincar ― A ruiva voltou a se debater ao processar o que ouvia, tentando se livrar da ameaça que Jacob representava para ela e para a filha ― Ou... ― Ele voltou a falar, levando a ponta da faca até o ventre feminino ― Eu posso dar a ela o mesmo fim que dei ao pirralho da pobre Tanya. O que você prefere?

― Ela teve um bebê? ― Isabella se obrigou a questionar, para desviar a atenção do homem que afundava cada vez mais a faca afiada contra a sua pele ― Seu?

― Poderia ser meu... ― Jacob riu alto ― Ou de qualquer um dos muitos homens que brincaram com ela. Mas, provavelmente, era do Sam... ― Ele continuou, gostando de ver os olhos verdes se arregalarem a cada vez que apertava a ponta da faca contra a barriga feminina ― Você se lembra dele? Não? Ele foi um bom aprendiz... Tão bom que esteve tão perto de você, durante todo esse tempo, sem que você soubesse. Lhe servindo drinks enquanto você brincava de pertencer àquele filho da puta.

Uma parte do cérebro, tomado pelo pavor, de Isabella, processou a informação, lembrando-se do jovem barman do club com quem tinha trocado poucas palavras todas as vezes em que ia até lá, na companhia de Edward, mas escolheu focar na tarefa de não ser gravemente ferida, por isso manteve-se falando, tentando adiar o que ela sabia ser inevitável.

― O que você fez com ele? Com o bebê...

― Eu? ― Black fingiu estar ofendido ― Eu não fiz nada, gatinha. Samuel cuidou de tudo. Ele não estava interessado no trabalho duro que seria treinar um futuro Mestre e eu já tinha Thomas para cuidar.

― O que vocês fizeram? ― Ela questionou, sentindo o rosto ser tomado por lágrimas ao pensar que a filha poderia ter o mesmo destino.

― Foi mais rápido do que eu gostaria... ― Ele respondeu ― Uma torção mais forte de pescoço e estava feito antes que ele completasse seis meses de vida. A melhor parte foi ouvir como Tanya gritou e implorou quando Sam o arrancou dos braços dela... Você vai fazer o mesmo, Isabella.

A ruiva estremeceu diante da cena que o algoz descrevia.

― Mas eu não vou ser tão piedoso... ― Jacob continuou ― Nada de promessas mentirosas que você vai rever a sua filhinha. Eu vou te fazer assistir enquanto arranco cada pequeno pedaço.

― Por favor... ― Bella se ouviu implorando ― Não...

― Então, o que vai ser? ― Ele aliviou um pouco do aperto com que a prendia e afastou minimamente a faca ― Ela vai crescer para brincar comigo e com o Thomas ou eu vou ter que tirá-la de você?

Quando a faca voltou a encostar na ruiva, provocando um pequeno corte através da camisola, ela sacudiu a cabeça em um movimento de concordância.

Nenhuma das duas opções que ele oferecia era aceitável, mas Isabella precisava manter a si e a filha vivas até que pudesse encontrar uma forma de fugir do que Jacob pretendia que fosse o futuro.

― Bom... ― Ele se colocou de pé, a deixando livre para se mexer ― Tire a roupa.

― Jacob, por favor... ― Bella pediu e lançou um olhar de desespero para o menino que ainda assistia a tudo, próximo ao homem que agora Isabella sabia ser o pai dele e, em seguida, para Tanya que continuava jogada ao chão, sangrando e desfalecendo ― Tanya... Ela precisa de ajuda... ― Disse, mais uma vez, em uma tentativa de adiar o momento em que seria, novamente, violentada ― Ela está morrendo.

― Eu pareço me importar? ― O homem retrucou ― Agora, tire a roupa!

Com as mãos trêmulas, Isabella se apoiou no chão sujo, até que conseguisse se colocar de joelhos e levou as mãos até a barra da camisola que usava.

― Tire-o daqui... ― Pediu, em meio as lágrimas, olhando para Thomas que a encarava como se estivesse diante de um fantasma ― Ele é só uma criança...

Como resposta, recebeu um novo e estalado tapa contra o rosto, fazendo-a tombar para o lado.

― Não me faça repetir, vagabunda.

Sem saber mais o que poderia fazer para impedir o que aconteceria, sem colocar a filha em perigo eminente, ela fez exatamente como ele queria, puxando a camisola sobre a cabeça e a jogando ao chão, mantendo apenas a pequena calcinha.

― Rasteje até a poltrona... ― O moreno ordenou, apontando para o único móvel existente na sala ― Você sabe o que fazer ― Ele continuou com um sorriso sádico.

Ela sabia, já tinha vivido aquela mesma cena tantas outras vezes, mas mesmo que não soubesse, ele deixou ainda mais claro o que queria quando abriu a grande caixa de madeira que Thomas tinha, com dificuldade, arrastado até a sala e alcançou uma cane[1].

Bella estava tremendo no momento em que se ergueu e se inclinou contra a poltrona velha, expondo as nádegas para que fossem atingidas. Chorando, passou uma mão delicadamente pela barriga, em um carinho rápido, tentando acalmar a bebê lá dentro.

― Está tudo bem... ― Murmurou ― Vai ficar tudo bem.

― Thomas? ― Jacob correu a ponta da vara por uma perna feminina, fazendo a ruiva tremer ― Abaixe a calcinha dela.

― Não, Jacob... ― Isabella voltou a implorar, tentando manter o menino afastado daquela loucura.

O menino não disse nada, mas também não se moveu, apenas olhando para o pai e sacudindo a cabeça em um pedido mudo para não ter que fazer o que ele pedia.

― Tire! ― O adulto gritou ― Agora!

A ruiva ouviu o característico som da cane cortando o ar e esperou pela dor que a atingiria, mas apenas escutou quando a vara atingiu outra pessoa, provocando um grito apavorado e doloroso.

Isabella chorou ainda mais e tentou olhar para a criança que tinha sido atingida, mas a posição em que estava não a permitia ver o que acontecia às suas costas.

― Tire! ― Jacob voltou a repetir, mais baixo, quando o grito do filho morreu e se tornou apenas um choro sofrido, voltando a atingi-lo quando ele não se moveu.

― Está tudo bem, Thomas... ― Bella gritou, quando os sons dos gritos infantis se tornaram insuportáveis de continuar ouvindo ― Faça o que ele está mandando.

Black se apossou dos cabelos longos, puxando a cabeça da submissa para longe do acolchoado da poltrona e torcendo-a para que a ruiva pudesse olhar para o menino assustado, que se balançava, abraçado ao próprio corpo, lutando para parar de chorar.

― Ouviu isso, Thomas? ― Black riu ― Ela quer que você faça o que eu estou mandando... ― O homem aumentou o aperto contra os fios carmesins, ao mesmo tempo em que atingia a submissa com a cane pela primeira vez, provocando um grito alto de surpresa e dor ― Diga a ele, Isabella... Como a vagabunda que eu sei que você é, diga a ele para brincar com você.

― Está tudo bem, Tom... ― Ela repetiu, propositalmente usando o apelido do menino, odiando a posição em que estava e a dor que sentia, mas odiando ainda mais o desespero que via nos olhos infantis ― Faça o que ele está pedindo. Vai ficar tudo bem...

― Não para você... ― Jacob disse aproximando o seu rosto do da ruiva, quando Thomas se mexeu devagar, para fazer o que o pai ordenava ― Agora, nós vamos ter muita diversão essa noite... ― O moreno continuou, enquanto Isabella cerrava os olhos ao sentir a única peça de roupa que ainda vestia ser afastada.

Ela perdeu a conta de quantas vezes foi atingida, de quanto tempo havia passado... Esqueceu-se de Thomas, de Tanya, de Edward e até de Sophia, quando a pele foi rompida e o sangue escorreu pelas pernas que mal a sustentava.

Gritou, como tinha jurado para si mesma que não faria, como sabia que Jacob queria... Gritou e implorou até que a voz estivesse rouca e falha, até que não tivesse mais forças para nada mais além de chorar baixo e desejar que acabasse.

Então, voltou a gritar, ainda mais alto e sofrido, quando a cane foi jogada ao chão e Jacob a invadiu, com um movimento rápido e descuidado que a fez sentir como se estivesse sendo rasgada ao meio. Pareceu durar para sempre, parecia não ter fim... Ele continuou se movendo, propositalmente apertando as nádegas castigadas, provocando o máximo de dor que podia, até que, finalmente, o ouviu grunhir como um animal asqueroso, e inundar o interior da ruiva com a evidência de um prazer doentio.

Não se importou quando o corpo foi jogado ao chão, apenas se embolou em posição fetal, chorando sem que conseguisse parar, encarando o olhar agora sem vida, de Tanya Denalli.

Por um segundo, sentiu pena da mulher que tinha perdido a vida tentando salvar um filho que não teve qualquer chance de viver e, imaginou, se o mesmo aconteceria com ela.

♥

O cômodo estava abafado quando Isabella foi despertada por mãos pequenas que a sacudiam levemente. Não tinha percebido que tinha adormecido, depois de chorar até a exaustão.

Olhou ao redor desorientada, gemendo ao tentar se mover. O corpo todo doía, principalmente o bumbum espancado e os seios que, agora que estava acordada, via que tinham sido presos por cordas grossas que cortavam a pele sensível e fazia os mamilos doloridos vazarem.

― Achei que estava morta... ― Thomas disse baixinho ― Como ela... ― E apontou para o ponto onde o corpo de Tanya permanecia.

A ruiva tentou tocar o rosto assustado que a encarava, estranhamente querendo confortar o menino quando tudo o que precisava era que fosse confortada, mas interrompeu o movimento ao perceber os pulsos amarrados juntos a frente do corpo.

Tentou dizer algo, mas foi impedida pela mordaça improvisada que tinha na boca, só então se deu conta do gosto metálico de sangue que sentia e, percebeu que o que a impedia de falar era um pedaço do antigo robe de seda que tentou usar para estancar o ferimento de Tanya.

Uma onda de náusea a atingiu, fazendo-a sufocar.

― Shii... ― Tom pediu, lançando um olhar para o corredor que tinha levado Jacob Black até o pequeno banheiro ― Ele vai voltar.

O menino correu até o corredor e depois de não ver qualquer sinal do pai, voltou até Isabella, depois de passar pela poltrona e se abaixar para apanhar a faca que tinha caído sob o móvel.

Bella estremeceu, apavorada, quando ele balançou a mãozinha em sua direção.

― Ele é mau! ― O menino disse, com raiva, embora a voz tenha soado tão baixa que a ruiva mal pôde escutar ― Muito mau.

Ela concordou com um movimento de cabeça.

― Você também é? ― Ele perguntou, apontando a faca tão próximo do rosto feminino que Bella temeu que o pior acontecesse ― É como ele?

Tudo o que ela pôde fazer foi negar com um movimento de cabeça.

Ela não sabia o que ele pretendia, estava apavorada demais para pensar com clareza, então chegou a soltar um suspiro de alivio quando uma porta foi aberta e o menino correu de volta até a poltrona, sentando-se sobre a faca.

― Olha só quem acordou... ― A voz de Jacob ecoou pelo cômodo, trazendo uma nova onda de pavor ao corpo feminino ― Nós vamos brincar um pouco mais, Thomas.

O menino não desviou o olhar dessa vez, nem mesmo hesitou quando o pai o chamou para mais perto, apenas saltou da poltrona, jogando um carrinho de plástico velho que Isabella ainda não tinha notado sobre o assento.

― Você sabe o que é isso? ― O homem questionou, mostrando duas braçadeiras para o menino.

Bella estremeceu quando Thomas sacudiu a cabeça em um gesto negativo.

― Isso... ― Jacob entregou uma braçadeira para o filho e se aproximou de Bella, a fazendo se ajoelhar, ao torcer o emaranhado que havia se tornado o cabelo longo ― Vai aqui... ― Ele estalou um tapa forte contra um dos seios presos, fazendo a submissa ganir ― Você o abre assim... ― Demonstrou ― Então o coloca aqui... ― Levou o instrumento até um mamilo desprotegido, enquanto a ruiva tentava torcer o corpo para longe ― E, então, basta soltar.

Mesmo com a mordaça, o grito feminino pôde ser escutado, fazendo o menino estremecer.

― Sua vez... ― Black chamou o filho para mais perto com um movimento de dedos.

Thomas lançou um olhar até a mulher que chorava de dor e desespero e, em seguida, fez como ordenado.

Jacob sorriu, usando os braços para imobilizar a ruiva.

― Como eu ensinei.... ― Incentivou o menino ― Ela vai gostar.

Obviamente, Bella odiou e isso ficou claro, até mesmo para Thomas, pela forma como ela se debateu, tentou gritar, e teve grossas lágrimas escorrendo pelo rosto.

― Fácil, não? ― Black largou a morena, observando-a voltar a se encolher ― Não, não, não... ― Ele usou a ponta da pesada bota que usava para acertar o ventre cheio quando ela tentou levar as mãos aos seios, para arrancar as braçadeiras que a torturavam.

Como estava com os pulsos presos, foi fácil demais para o moreno se apossar das mãos femininas e as colocar sobre a cabeça, quando ele se colocou sobre o corpo feminino, pronto para violentá-la mais uma vez.

A dor era ainda pior do que tinha sido durante a madrugada, a vontade de desistir também era maior, por isso Bella apenas virou a cabeça para o lado, olhando através da janela para os raios de sol fortes que se infiltravam através das árvores, rezando para que finalmente acabasse, enquanto sentia Jacob se movendo sobre si, machucando ainda mais o canal vaginal despreparado para a intrusão que sentia, apertando a barriga distendida enquanto a estuprava.

Sentia como se não tivesse forças, mas seu corpo se manteve desperto, recebendo cada golpe, sentindo cada movimento asquerosos até que o corpo de Jacob tombou pesadamente sobre o seu, para em seguida, senti-lo se movendo como se não já não tivesse controle sobre o próprio corpo.

Em um rápido momento de insanidade, pensou que o algoz tinha, mais uma vez, gozado, mas então sentiu o sangue pegajoso do homem sobre o seu próprio corpo e, precisou tirar forças de onde não tinha para empurrá-lo para longe. Ele não ofereceu resistência quando caiu de lado contra o chão e, só então, Bella viu a cabo da faca que tinha se alojado ao pescoço masculino.

Olhou para o sangue que brotava e para os olhos escuros que tanto a tinha intimidado, gostando de vê-los desesperados, enquanto as mãos masculinas tentavam tocar a faca.

Não pensou no que estava fazendo, quando levou as mãos presas até a faca e a arrancou, mas ouviu o grito de Thomas quando o sangue jorrou do ferimento o atingindo, só então se lembrou do menino e percebeu o que tinha acontecido.

Quis dizer para ele que estava tudo bem, que tudo ia acabar, mas ainda tinha uma mordaça entre os lábios e, em vez de usar as mãos sujas de sangue para se livrar do tecido que a impedia de falar, levantou os braços e, então os deixou cair, afundando a faca, dessa, vez no tronco do homem que por anos a tinha torturado.

Voltou a repetir o movimento, vezes sem fim, e continuou até que os braços estivessem dormente e os gritos de Thomas tivessem se tornado um choro baixo e assustado... E ainda assim, continuou a retirar a faca e cravá-la, em cada pedaço do corpo masculino que encontrava. Jacob já não levantava as mãos para tentar se defender como tinha feito no início e Bella nem mesmo sabia se ele ainda estava vivo ou não, mas continuou a esfaqueá-lo sem parar.

Nem mesmo o som da porta da frente sendo arrombada a fez diminuir a fúria com que perfurava o corpo masculino, os gritos que se seguiram apenas a incentivaram a continuar. Ele nunca mais a machucaria, nunca tocaria em Sophia. Jamais!

Ao longe, ouviu o seu nome ser chamado, mas não tirou os olhos do homem estendido ao chão, pronta para atingi-lo mais uma vez.

O movimento que faria foi interrompido por mãos fortes que se fecharam contra os pulsos presos, impedindo-a de continuar. A faca foi retirada das mãos sujas e trêmulas e só, então, Isabella se deu conta que o ar faltava, e que sorria ao encarar o homem ensanguentado ao seu lado.

― Bella? ― A voz masculina, que nos últimos dois anos tinha se tornado sinônimo de conforto e segurança, se infiltrou através da onda de insanidade que ainda dominava a morena trazendo ainda mais lágrimas e desespero ― Bella, meu amor, acabou. Acabou.

[1] Vara, normalmente de rattan, flexível, usado para castigos disciplinares.

Notas finais
Se você chegou até aqui, por favor, me deixe saber o que achou. xoxo