Notas iniciais
Feliz natal, povo lindo! Boa leitura!

Capítulo 58

POV NARRADOR

Bella estava confortavelmente acomodava sobre a grande cama de casal, cercada pelos papeis da livraria, quando ouviu passos lentos vencendo os degraus da escada. Lançou um olhar para o relógio digital sobre o criado mudo e revirou os olhos, enquanto ajeitava a camisola de seda curta que evidenciava, e muito, a barriga saliente.

Ainda não tinha passado das 10 horas da noite e não esperava pelo retorno do marido tão cedo. Imaginou que ele ficaria até tarde com o melhor amigo, mas aparentemente estava enganada.

Com um sorriso divertido, esperou pela entrada dele no quarto, mas acabou ouvindo a porta do quarto do lado sendo aberta.

Deixando o relatório que lia de lado, se levantou devagar e apanhou o robe que fazia conjunto com a camisola. Não sabia o que o marido fazia no quarto da filha, mas quis surpreendê-lo lá, já que adorava a visão do ruivo se derretendo sobre tudo que o era relacionado a Sophia.

Acabava de amarrar o robe, acima do estomago distendido, quando a porta do quarto em que estava foi aberta cautelosamente.

― Você não deveria estar em algum bar com o seu melhor amigo? ― Questionou divertida, ainda com os olhos no laço que fazia ― Jasper, merece um amigo melhor do qu... ― O que pretendia dizer, deixou de ter qualquer importância quando levantou o olhar, sorrindo, esperando encontrar o marido a olhando tão intensamente quanto sempre, mas acabou se deparando com Tanya Denalli, parada sobre o beiral da porta, firmemente agarrada a uma bolsa.

Observou o rosto pálido e os olhos azuis assustados, sentindo o próprio corpo sendo invadido pela habitual raiva que sempre a assolava quando, sequer, pensava sobre a ex-namorada de Edward. Ainda não a tinha perdoado pela mudança no depoimento contra Jacob e, mesmo sabendo não ser um comportamento racional, a culpava pela morte de Angela.

― O que você está fazendo aqui? ― Questionou, cruzando os braços contra o peito.

A loira respirou fundo, tencionando dizer algo, mas foi impedida quando Bella, claramente, se exaltou.

― Eu não faço ideia de como conseguiu entrar ou do que pretende, mas Edward não está aqui agora, para cair no seu jogo, então, vá embora.

Tanya poderia ter explicado que Jacob Black, tinha um homem de confiança entre os seguranças que deveriam proteger a morena naquela noite e que, com a ajuda dele, conseguiu afastar o outro guarda-costas que nunca se venderia, forjando um acidente familiar, lhe dando a oportunidade de adentrar a residência, sem que fosse impedida. Podia ainda ter dito que, Edward Cullen já não a ouvia ou tentava protegê-la com o mesmo afinco e boa vontade de antes e que, ele inclusive, a tinha proibido de se aproximar da esposa.

Poderia ter explicado que, naquela noite, de uma forma ou de outra, tudo terminaria para todos, mas tudo o que fez foi encarrar a mulher diante de si, lançando um olhar saudosista e, de certa forma, invejoso para o ventre dela, antes de dizer pausadamente, fingindo uma calma que não sentia.

― Você precisa vir comigo...

― O quê? ― Bella riu em escárnio ― Eu não vou a lugar algum com você. Sequer tenho o que falar com você. Portanto, saía, antes que eu chame os seguranças.

― Não torne tudo ainda mais difícil, Bella. ― Emma pediu, com o coração aos saltos.

Sentindo as mãos trêmulas pelo nervosismo da situação, Bella tentou alcançar o telefone sem fio sobre a mesinha de cabeceira, tencionando ligar para o ramal dos seguranças que estavam de plantão. Não iniciaria uma discussão que apenas a deixaria ainda mais nervosa, podendo fazê-la mal e, consequentemente, atingir a filha.

― Eu preciso que venha comigo.... ― Tanya repetiu, mais alto e duramente, fazendo com que a morena se virasse mais uma vez para olhá-la, pronta para dizer alguns desaforos.

― Tanya... ― Bella deu um involuntário passo atrás, quando seus olhos voltaram a encontrar a loira, dessa vez com uma arma em punho, apontada em sua direção ― O que você está fazendo?

― Não me obrigue a fazer o que eu não quero... ― A loira disse, a voz deixando de soar autoritária para parecer esganiçada e desesperada.

― Você não tem que fazer nada que não queria... ― Bella tentou fazer a mulher recuperar a razão, embora mantivesse os olhos presos nas mãos trêmulas que sacudiam a arma ― Solte a arma e vamos conversar.

― Eu não tenho tempo para conversa... ― Denalli gritou, se aproximando de Bella e sacudindo a pistola que segurava, nervosamente ― Precisamos ir. Agora!

― Eu não posso... ― Bella tentou fazer a mulher entender, enquanto pensava no que poderia fazer para se livrar da situação em que estava. ― Não posso ir com você, Tanya. Edward vai chegar a qualquer momento e...

A menção ao nome do ex-namorado só fez a mulher se exaltar ainda mais.

― Você não entende... ― Ela gritou ― Precisa vir comigo ou ele vai matá-lo.

― Quem, Tanya? ― Isabella queria gritar também, mas estranhamente parecia bem próxima de perder a voz, assim como sentia as pernas amolecerem ― Jacob? Ele está com Edward?

A possibilidade fez o coração da submissa acelerar um pouco mais, deixando-a levemente tonta.

Tanya se aproveitou do momento em que a morena precisou se segurar no dossel da grande cama e se apossou de um dos braços dela, tentando puxá-la para fora do quarto.

― Não, Tanya! ― Bella tentou se soltar, debatendo-se para retirar o braço do aperto da outra mulher ― Você sabe o que ele vai fazer comigo? Com a minha filha?

Teria continuado a lutar e provavelmente teria conseguido se livrar da mão que a segurava e, em seguida, correr para longe do quarto em que estavam, se não tivesse sentido o cano da arma pressionado contra a sua barriga, a paralisando de medo.

― Tanya, não...

― Você tem que vir comigo... ― A loira disse novamente, dessa vez se permitindo um choro baixo e contido, evidenciando todo o destempero e desequilíbrio que sentia ― Vai me ajudar a salvá-lo. Ou juro, por Deus, que sua filha não vai chegar a nascer.

Bella aquiesceu por um momento, tentando fazer com que a mulher a sua frente não se sobressaltasse ainda mais.

― Tudo bem... ― Disse, fingindo uma calma que não sentia ― Eu vou com você. Só me deixe me vestir apropriadamente, ok? ― Pediu, imaginando que poderia tentar se trancar no closet e, então, correria até o playroom, onde apenas ela e Edward tinham acesso, graças a fechadura eletrônica.

Tanya lançou um olhar até o cômodo citado, examinando-o atentamente.

Bella tinha quase certeza que ela cederia.

― Pense bem, Tanya, está frio lá fora... Vai me fazer congelar antes que consiga me levar até ele. Dois minutos, eu só preciso de dois minutos para me trocar, então vou com você até onde quiser que eu vá.

― Eu não... ― A loira começou a falar, mas foi interrompida pela chegada de um segurança.

Por um segundo, Bella imaginou que teria ajuda, mas o homem apenas escancarou a porta do quarto e caminhou até as duas, se apossando do cabelo longo da patroa.

― Você tem menos de dez minutos, antes que o outro segurança chegue... ― Disse para Tanya, arrastando a grávida pelos cabelos até o corredor ― Eu não arrisquei tudo para que você ferre com tudo, vagabunda.

Bella tentou se debater o máximo que podia, gritou e clamou por ajuda enquanto era obrigada a descer os degraus. Se agarrou a porta principal e chutou o segurança o máximo que podia, mas tudo o que conseguiu foi ser jogada ao chão e, em seguida, um tapa estalado sobre a face.

Ele sacou a própria arma e apontou para a mulher caída ao chão. Bella sabia, olhando para a arma que tinha a sua frente, que ele, diferente de Tanya, não hesitaria em atirar.

― Entre no carro... ― Ele disse, apontando para o SUV preto estacionado diante da casa ― Agora!

Isabella reconheceu o carro de Collin e, sentiu uma pontada diferente no peito. Não queria acreditar que o chefe da segurança, que tinha se tornado um amigo pessoal, pudesse estar envolvido naquilo.

― Onde está Collin? ― Perguntou, em meio as lágrimas, quando foi jogada sobre o banco do motorista e encarou Tanya Denalli, que já ocupava o lugar da carona.

― Dirija, vagabunda! ― O segurança gritou, batendo a porta, trancando Bella dentro do carro ao lado de Tanya, e encostando a pistola contra a lateral do rosto da morena, através da janela aberta.

Tanya sacou o próprio celular do bolso traseiro e fez a ligação que selaria o destino das duas.

― Já estou com ela... ― Disse para o aparelho.

― Tanya, não... ― Bella implorou.

A resposta da loira foi encostar o cano da arma que ainda segurava contra o ventre que abrigava um bebê.

― Dirija! ― Falou, depois de ouvir o que a pessoa do outro lado da ligação tinha a dizer.

Sem qualquer outra opção, Bella ligou o carro com as mãos trêmulas e fez como ordenado, dirigindo para longe da segurança que um dia imaginou ter em casa, encarando o guarda-costas que a tinha traído pelo espelho retrovisor, até que ele desapareceu do seu campo de visão, ao alcançar a rua.

― Onde está Collin? ― Perguntou, mais uma vez, depois de minutos em silêncio, suando frio e bastante consciente da arma que ainda se apertava contra a sua pele.

― Ele não pode mais te salvar... ― Tanya respondeu, respirando com dificuldade, parecendo tão perto de uma crise de pânico quanto Bella ― Não pode salvar a nenhuma de nós duas.

Isabella lançou um olhar desesperado para o próprio braço, para o ponto onde o segurança tinha implantando um microchip. Collin era o único que poderia encontrá-la.

― O que você fez com ele? ― Voltou a falar quando o caminho que a loira indicava a levou até a autoestrada.

― O mesmo que Jacob vai fazer com nós duas, se você não calar a boca e dirigir mais rápido...

― Tanya, por favor, ainda está em tempo de parar essa loucura... ― Implorou, com a voz embargada ― Pense em Edward, ele vai enlouquecer quando chegar em casa e não me encontrar... Pensa na minha filha, Jacob vai matá-la. Por favor.

― Cala a boca! ― A loira gritou, batendo contra o estomago distendido com a ponta da arma ― Cala a boca!

A morena se calou porque não sabia mais o que dizer e porque estava ocupada tentando encontrar alguma forma de fugir, alguma forma de se proteger.

― Entre a direita... ― Tanya a trouxe de volta ao pesadelo que vivia, ao indicar uma saída na rodovia, que levava a um ponto escuro e deserto, depois de pouco mais de quarenta minutos dirigindo.

― Olhe para mim... ― A loira continuou, quando Bella, seguindo uma nova ordem, estacionou o carro ― Olhe para mim....

A submissa desviou o olhar dos arredores e focou no rosto feminino que a encarava.

― Faça o que ele disser, tudo o que ele disser... ― A loira sussurrou ― E, então, talvez você fique bem.

― Jamais vou ficar bem, se me entregar a ele, Tanya. Não faça isso.

― Faça tudo o que ele quiser... ― Denalli repetiu, lançando um olhar desesperado para fora do carro quando o carro em que estavam foi iluminado por um farol alto, de um novo veículo que se aproximava. ― Só por um tempo, só até que eu consiga encontrar ajuda.

― Você enlouqueceu... ― Bella rebateu, rindo em desespero, bem perto de ter a sua própria crise de desequilíbrio mental ― Acha que ele vai te deixar ir?

― Ele vai... ― Tanya respondeu, saltando em seu próprio lugar quando ouviu o abrir e bater de porta do outro carro ― Ele prometeu. Vou estar livre. Nós dois. Então vou conseguir ajuda para você.

Bella se permitiu um choro sofrido, olhando para mulher a sua frente.

― Você matou a nós duas, idiota!

Qualquer coisa que Tanya pretendia responder, foi esquecida no momento em que a porta do motorista foi aberta e Bella jogada para fora do carro, caindo aos pés do homem que sempre a destruía.

― Olhe só para quem eu tenho de volta... ― Jacob Black, sorriu, abaixando-se para encarar a mulher que tinha conseguido fugir uma vez. Dessa vez, ele se asseguraria que ela não conseguiria escapar novamente, não com vida.

Bella sentiu o rosto ser atingido algumas vezes e, então, as mãos fortes de Jacob se fecharem ao redor do seu pescoço.

― Nós vamos nos divertir tanto juntos... ― Ele sorriu, a levantando, quando a asfixia ameaçou apagá-la, carregando-a até o porta-malas aberto do carro que o tinha levado até ali.

― Jacob? ― Tanya gritou, correndo até o algoz ― Onde ele está? Você prometeu... Fiz o que pediu. Onde está o meu bebê?

Bella foi jogada dentro do bagageiro do carro, antes que pudesse processar e entender o que tinha ouvido.

Bçack fechou o porta-malas com uma batida forte, trancando Bella lá dentro, e se virou para encarar a loira que o cercava.

A viu estremecer diante do seu olhar e gostou da evidência do pânico que se apossou do corpo feminino, quando se aproximou.

― Onde está o meu bebê? ― Ela gritou, apontando a arma que ainda segurava para o algoz ― Você prometeu que o entregaria, que estaríamos livres...

Nenhum pouco abalado pelo destempero da loira, Jacob cruzou os braços e deu alguns passos à frente, se aproximando de Tanya.

― Você acreditou nas minhas promessas? ― Ele disse baixo, calmo e confiante, quase tendo as palavras encobertas pelo bater insistente de Bella contra a carroceria do carro em que estava presa ― Acreditou que poderia se livrar de mim?

Por um segundo, tudo o que se ouvia eram os pedidos de socorro de Isabella, as batidas desesperadas, um ou outro carro passando ao longe.

Tanya ficou paralisada durante todo o tempo, tempo o suficiente para que o algoz chegasse perto demais e tentasse lhe roubar a arma que empunhava.

― Você prometeu, filho da puta! Você prometeu... ― A loira gritou, enquanto lutava para manter o controle sobre a pistola que parecia escorregar de seus dedos ― O meu bebê...

― Morto e enterrado! ― Jacob gritou de volta, acertando a loira, derrubando-a e fazendo-a soltar a arma que segurava ― Como você vai estar em alguns minutos.

De dentro do carro, Bella continuava a lutar, debatendo-se, gritando, socando a lataria do carro, enquanto se desesperava cada vez mais e ouvia os gritos de Tanya do lado de fora.

― Socorro! ― Gritou, mais uma vez, usando as mãos finas para sacudir o carro, tentando desesperadamente fazer o porta-malas se abrir. Se conseguisse fazer com que o carro se abrisse, então poderia correr, tentar se esconder, qualquer coisa... Não pararia por nada, mas antes precisava sair ― Socorro!

As lágrimas já ameaçavam sufocá-la, o ar parecia faltar e a filha se agitava em sua barriga, chutando-a sem parar, como se soubesse que estava em perigo.

Continuou a bater até que as mãos ficaram doloridas, até que parou de ouvir os gritos de Tanya, até que um estouro alto a faz arfar e, então, entrar ainda mais em pânico.

Parou por um segundo, tentando ouvir do lado de fora, tentando entender o que tinha acontecido, tentando não enlouquecer de medo.

Talvez uma hora tenha se passado, ou talvez tenha sido apenas alguns segundos, Bella não saberia calcular quando tempo aguardou, mas quando ouviu passos se aproximando do carro, voltou a se debater, a socar tudo o que encontrava pela frente.

― Socorro! – Tentou novamente, quando o porta-malas foi aberto ― Socorro! ― Gritou, mais uma vez, pela última vez.

Notas finais
Se você chegou até aqui, por favor, me deixe saber o que achou. xoxo