Despertar de uma sub
62 Capítulo 55
Notas iniciais
CAPÍTULO 55
Isabella Cullen
Voltar à livraria foi pior do que eu imaginei. Passados um pouco mais de dois meses desde a morte de Angela, eu esperava ao menos conseguir adentrar a loja sem que iniciasse uma crise de choro. Mas o máximo que consegui foi chegar ao escritório, antes que um soluço involuntário escapasse.
Pelo menos, consegui fechar a porta, antes de levar as mãos ao rosto banhado de lágrimas, em uma inútil tentativa de conter a agonia que sentia.
Jasper estava ao meu lado, antes que me desse conta da presença masculina. Sabia que ele e Edward estavam se dividindo entre a própria empresa, o clube e a livraria e era grata ao meu amigo e ao meu marido por cuidarem dos negócios que eu tinha me tornado inapta a cuidar, mas naquele momento teria gostado de estar sozinha, assim não teria me sentido impelida a conter a crise de choro que veio sem aviso e autorização.
Não que o loiro tivesse dado qualquer indicativo de que não saberia lidar com as minhas lágrimas, muito pelo contrário, mas eu sabia que fatalmente o episódio chegaria ao conhecimento de Edward e eu gostaria de poupar o meu marido de qualquer preocupação, afinal sabia que ele tinha passado os últimos dois meses com os nervos à flor da pele.
Após a ameaça de parto prematuro que, felizmente, fomos capazes de evitar, Edward tinha se tornado ainda mais protetor e cuidadoso do que costumava ser. Eu não veria problema nenhum nisso, se o meu marido não se sobressaltasse com absolutamente tudo.
É claro que entendia o comportamento dele, afinal estávamos lidando com muitas coisas ao mesmo tempo nos últimos meses: o assassinato de Angela, ainda sem solução oficial, os três negócios para gerenciar, a preocupação com o meu estado de saúde e Sophia, a complicada situação de Tanya que continuava a ser uma questão mal resolvida entre nós e, claro, a ameaça eminente que Jacob Black representava.
Portanto, eu sabia que Edward estava no limite, embora ele se esforçasse para não demonstrar, por isso eu tinha passado a evitar me descontrolar na frente dele ou de qualquer pessoa, assim evitaria que ele soubesse — e invariavelmente se preocupasse -, e os olhares piedosos que sempre encontrava.
Tinha sido uma verdadeira batalha conseguir ir até a livraria naquele dia, embora a obstetra tivesse, enfim, me liberado a retornar a rotina normal, desde que mantivesse um ritmo lento e atento a qualquer indicativo de que algo estava errado. Edward tinha relutado em aceitar que eu deixasse a segurança e o conforto de casa, mas por fim cedeu depois de muita insistência, desde que não me afastasse dos seguranças que, naquele momento, estavam do lado de fora da livraria.
― Sente-se aqui um pouco… ― Jasper falou, me conduzindo até o sofá em um canto do escritório.
Eu fiz como o meu amigo pediu, tentando reassumir algum controle sobre mim mesma. Com os olhos fechados, tentei praticar os exercícios respiratórios que a minha terapeuta havia me ensinado até que a opressão no peito abrandou e as lágrimas findaram.
― Aqui, tome um gole ― Minhas mãos ainda estavam um pouco trêmulas quando aceitei o corpo d’água que Jazz me ofereceu, mas consegui ensaiar um sorriso incerto em agradecimento.
― Obrigada! ― Sussurrei― Sinto muito se o atrapalhei, ou assustei, com a minha entrada intempestiva. Não era a minha intenção.
Ele me ofereceu um sorriso compreensivo.
― Eu compreendo ― Ele respondeu depois me avaliar por alguns segundos e, a julgar pelo intenso olhar que matinha sobre mim, ele realmente era capaz de entender ― Estou contente por vê-la de volta a livraria.
Soltei um suspiro agradecido por ele ter mudado o foco daquela conversa, afinal o que mais podíamos ter para falar sobre todo o drama que ainda cercava a minha vida que já não tivesse sido exaustivamente discutido nos últimos dois meses?
― Sim! Recebi minha carta de alforria essa manhã… ― Respondi, fazendo alusão a consulta pré-natal na qual tinha comparecido na companhia do meu marido ― Desde que eu leve as coisas com calma, tenho passe livre para trabalhar por pelo menos meio período, não é muita coisa e também não será por muito tempo… ― Completei levando a mão livre até a barriga de sete meses de gestação, em um carinho involuntário ― Afinal, em no máximo dois meses, essa pequena chutadora estará entre nós. Mas estou contente por poder aliviar um pouco da jornada tripla que você e Edward têm enfrentado.
O loiro aquiesceu e, com uma liberdade típica dos grandes amigos, repousou a mão sobre o meu ventre avantajado, sorrindo ao sentir os movimentos inquietos da minha bebê.
― Ela nunca para? ― Perguntou admirado ao sentir os pequenos chutes contra a palma da mão ― Eu não me canso de sentir o quanto ela é animada… Soph, chuta mais um pouco para o titio.
― Quase nunca… ― Suspirei ― Eu espero que ela não seja tão inquieta depois do nascimento ou vou mandá-la para a sua casa com mais frequência do que você gostaria, já que você é o mais empolgado com as acrobacias dela.
― Eu me candidato à vaga de babá oficial… ― Jazz acariciou um pouco mais a minha barriga, antes de afastar a mão e desviar o olhar, não antes de eu notar o brilho saudosista nos olhos dele ― Vai ser divertido ter uma criança em casa por algumas horas.
Assenti, ao mesmo tempo em que desejei confortá-lo, mas não sabia o que dizer, não sem entregar as conversas confidenciais e emocionais que mantinha com a minha melhor amiga. Sabia que Alice ainda não tinha contado ao marido sobre a impossibilidade de gerar um bebê, apesar de ter se conformado com a situação no decorrer dos meses passados e de até mesmo estar cogitando a possibilidade de adotar uma criança.
― Isso na sua voz é o instinto paternal aflorando? ― Brinquei, tentando levar o assunto com leveza, ao mesmo tempo em que tentava preparar o coração do empresário para o que Alice, em algum momento, teria que contar ― Vocês, homens de negócios durões, Dominadores exigentes, se derretem muito fácil diante de um bebê.
Jasper ocupou um lugar na confortável cadeira em que esteve trabalhando durante a manhã e sorriu para mim.
― Não conte isso para ninguém ou minha reputação estará acabada… ― Ele repousou as mãos sobre a mesa de vidro e, distraidamente, brincou com a grossa aliança de ouro ― Mas talvez eu esteja um pouco ansioso demais para algumas trocas de fraldas e noites insones. A boa notícia é que Edward terá uma mão amiga com a qual contar assim que Sophia nascer.
― Nós vamos apreciar toda ajuda que você tiver disposto a dar… ― Respondi ― Afinal, você sabe, dizem por aí que a maternidade não é tão maravilhosa quanto parece.
― Você vai descobrir em alguns meses, então vai poder nos dizer ― Ele manteve a conversa, apesar do tom de voz ter adquirido um tom cansado que eu não estava acostumada a ouvir, e o olhar tenha se tornado vago.
― Jasper? ― Chamei, com carinho, e esperei até que ele me olhasse ― Você sabe que pode conversar comigo, ou com Edward, sobre qualquer coisa, não sabe? Sei que temos exigido muito de você nos últimos tempos, mas ainda somos amigos e, se algo o estiver incomodando, por favor, não guarde só para você.
― É claro que eu sei… ― O empresário endireitou a postura e ergueu a cabeça ― Mas e você, Sra. Cullen, veio até aqui para bater papo e ter crises de choro sem que Edward saiba ou para trabalhar? Eu tenho muito sobre o que te atualizar…
― Então, vamos ao trabalho… ― Me colocou de pé e me aproximou do meu amigo, aceitando o fato de que ele não queria falar sobre o que o incomodava.
Talvez, em algum momento no futuro, Jazz decidisse se abrir, então eu me asseguraria de ser uma amiga tão boa para ele quanto ele sempre foi.
O dia de trabalho foi bem mais produtivo e animador do que eu poderia ter esperado, enquanto estava debruçada sobre balancetes, planilhas e novos pedidos de livros, fui capaz de esquecer os problemas e a culpa que ainda me corroía pela morte de Angela.
Me lembrei muito dela enquanto analisava todos os papéis que Jasper me passava e o ouvia falar sobre o funcionamento da livraria enquanto estive afastada e, claro, senti o coração apertar todas as vezes em que pensava sobre a jovem que teve a vida ceifada tão prematuramente, mas por mais que eu desejasse ser capaz de mudar o que aconteceu, não existia nada que pudesse fazer para trazer Ang de volta, apenas podia esperar que a justiça em algum momento fosse feita, de qualquer forma que fosse possível.
― Vocês fizeram um trabalho incrível… ― Eu disse já no final do dia, enquanto movimentava a cabeça tentando dissipar o cansaço que começava a aparecer, logo depois da chegada do meu marido, indicando que o expediente logo teria que ser encerrado ― Eu não teria feito melhor.
― É claro que teria… ― Edward comentou, massageando os meus ombros tensos.
― E não nos dê todos os créditos... ― Jasper, deixou o lugar que tinha ocupado por toda a tarde e sorriu para Edward e eu ― Apesar de não estar à frente da livraria, pessoalmente, muitas das suas ideias foram implementadas. Tentamos seguir a suas orientações o melhor que pudermos.
Lancei mais um olhar para os muitos papéis espalhados sobre a mesa e, lentamente os recolhi.
― Bom, eu ainda preciso me inteirar de muitas coisas... ― Separei o que considerava ser mais importante e guardei o restante, antes de também me colocar de pé ― Por isso, vou fazer o meu trabalho de casa da melhor forma que puder ― Sorri, sacudindo as pastas que tinha separado ― E por um tempo, vocês vão poder focar nos seus próprios negócios ― Ou aproveitar alguns dias de folga ― A última frase foi dita com um olhar sugestivo sobre Jasper ― Tire, pelo menos, um final de semana para você e Alice relaxarem um pouco... Talvez visitar um ou outro club fora da cidade.
― Isso soa bem... ― Jazz ponderou a ideia. Realmente sentia como se precisasse de alguns dias livres, sem grandes preocupações sobre a cabeça. Talvez assim, finalmente, conseguisse entender o que estava acontecendo com a esposa e o relacionamento que mantinham antes que se distanciassem mais do que já tinha acontecido ― Se não for um problema para você... ― Lançou um olhar para o amigo, em busca de alguma resposta.
― Tire uma semana para você, desligue o telefone e me obrigue a reaprender a não ser tão dependente de você, irmão. ― Edward aquiesceu, depois da eu ter lhe lançado um nítido olhar de advertência que ele não foi completamente capaz de entender ― Mas, antes, vamos tomar um drink, correr um pouco... Apenas passar um tempo, sem falar sobre softwares, livros e números.
― Aceito o drink, mas troco a corrida por algumas horas na academia... Muita energia acumulada precisando ser colocada para fora.
― Acho que seremos somente eu e você, hoje à noite, Sophie... ― Sussurrei, acariciando o ventre, ao mesmo tempo em que sorria para Edward, indicando que não me importava que ele tivesse um momento com o melhor amigo ― Mas, antes das atividades masculinas começarem, o que acham de me apresentarem o novo gerente?
― Vou procurá-lo... ― Jasper ofereceu, ajeitando o paletó sobre o corpo e, em seguida, deixando o escritório.
― Você tem certeza? ― Edward questionou se apossando da bolsa e pasta que eu segurava, tencionando seguir o amigo até o salão da livraria ― Sobre conhecer o novo gerente? É apenas o seu primeiro dia de volta... ― Continuou a falar, sem que eu tivesse a oportunidade de respondê-lo ― E sobre ficar sozinha hoje à noite? Serão só algumas horas... E eu não teria feito o convite se não achasse que o Jazz anda mesmo precisando gastar a energia acumulada.
Eu me aproximei dele, correndo uma das mãos pelo peito forte, até que estivéssemos tão próximos quanto a minha barriga distendida permitia.
― Sim, para as duas perguntas... ― Respondi com um sorriso sincero, tentando soar confiante ― Ainda penso em Angela todo o tempo, ainda é horrível que ela não esteja mais aqui... ― Confessei, escolhendo antes de tudo ser honesta, afinal se tinha alguém com quem eu realmente podia se abrir era com Edward ― Mas eu não posso mudar o que aconteceu, por mais que eu queira, então a vida precisa prosseguir, não é? Da melhor forma que pudermos...
Edward deixou bolsa e pastas irem ao chão e ame abraçou, acariciando o meu rosto.
― Você não precisa ser forte o tempo todo, sabe?
― Nem você... ― Aumentei o sorriso, enlaçando o pescoço masculino para que ficássemos ainda mais próximos ― Tem sido meses difíceis para todos nós e você tem carregado a maior parte desse fardo sozinho...
― Baby...
― Eu sei que você vai negar. ― Não o deixou falar porque sabia que ele nunca admitiria ― Mas eu sei que tem sido desgastante e estressante... Por isso, me faça um favor, só por essa noite, esqueça toda a minha bagagem, tudo o que o preocupa, e se divirta com o seu amigo, ok? Jasper precisa conversar e ele não vai fazer isso com outra pessoa que não seja você. Então, vá beber alguma coisa, ouvir o que ele tem para dizer e, talvez se exercitar, por alguns minutos... Eu estarei em segurança, em casa, esperando por você. ― E, provando que o conhecia muito bem a ponto de saber, apenas pelo olhar que ele me dava, que ele ainda não estava convencido, eu me coloquei na ponta dos pés, apoiando-me nos ombros largos, e me aproximou do ouvido masculino, abaixando o tom de voz até que estivesse sussurrando, tentando soar tão provocante quanto poderia ser, estando grávida de sete meses ― Você sabe que eu gosto de você todo suado e escorregadio.
Edward apreciou o tom de voz sexy provocando arrepios de excitação por todo o corpo, enquanto me sentia correr os dedos pela sua nunca, atiçando-o.
― Você está tentando desviar a minha atenção com promessa de sexo mais tarde, gatinha? ― Ele riu, levando os lábios até o meu pescoço, roçando os dentes pela pele, provavelmente prometendo a si mesmo que me marcaria novamente até o final do dia.
― Apenas te dando algo pelo o que ansiar, querido.
Ele se apossou dos meus lábios, em um beijo intenso que me deixou arfante e desejosa por mais.
― O que foi isso? ― Questionei quando ele se afastou, abaixando-se para recuperar a bolsa e as pastas que tinha jogado ao chão, fingindo não me ver corada e, claramente, excitada.
― Retribuindo o favor... ― Ele piscou e, caminhou até a porta, abrindo-a para que eu pudesse passar ― Agora, vamos lá, conhecer o seu novo gerente.
― Espera... ― Eu o segui quando o viu deixar o escritório ― Você joga tão sujo, baby.
Edward me lançou um sorriso falsamente inocente assim que adentráramos a movimentava livraria.
― Talvez, nós dois, possamos tirar um final de semana de folga também, transformar a casa do lago em nosso club privado e, então, eu vou te mostrar o que é jogar sujo. ― Ele respondeu, baixo, quando eu o alcancei.
― Eu não acho que possamos fazer muita coisa além de nos provocarmos... ― Soltei um suspiro frustrado, levando as mãos ao ventre.
― Espere e verá... ― Ele piscou, todo confiante e provocante. No comando, mesmo que não estivesse usando o tom Dom de voz.
Eu pretendia retrucar, mas precisei me calar quando vi Jasper se aproximar, ao lado de um senhor baixo e serio que me observava atentamente.
― Sr. Johnson, essa é Isabella Swan... ― Jasper iniciou a apresentação, propositalmente usando o meu sobrenome de solteira, como uma provocação ao melhor amigo.
― Cullen. ― Edward o corrigiu, com um olhar pouco amigável.
― Apenas Bella... ― Eu estendi a mão para o homem, devolvendo a análise que sofria, embora sorrisse para parecer amigável.
― David Johnson... ― Ele respondeu, aceitando e retribuindo o aperto de mãos ― É um prazer, finalmente, conhecê-la, Sra. Cullen ― Continuou, deixando claro que já conhecia um pouco da possessividade daquele que tinha sido o seu patrão direto nos últimos dois meses. ― Eu espero que o meu trabalho esteja do seu agrado.
― Pelo pouco que eu pude ver hoje, você tem se saído muito bem... ― Respondi, desfazendo o aperto de mão, mas ainda com o olhar sobre o rosto masculino, me acostumando com a nova realidade e tentando evitar uma nova onda de culpa, ao compará-lo com Angela, eram muitos diferentes, afinal.
Ela era uma jovem alegre e divertida, apesar de ser uma profissional focada, e ele era um senhor com anos de experiência e pouca simpatia. Seria difícil me acostumar.
― É um ótimo trabalho... ― David respondeu com um sorriso contido ― Tenho trabalhado em livrarias por toda a vida... Além do mais, a sua antiga gerente fez um trabalho incrível, o que, confesso, facilitou a minha adaptação.
― Sim... Ela era incrível! ― Precisei engolir o bolo que se formou em minha garganta ― Nós vemos amanhã, Sr. Johnson!
― Eu disse algo que não deveria? ― Ainda pude ouvir o gerente questionar, em voz baixa, enquanto me apressava até a saída, mas não fui capaz de ouvir qualquer resposta.
― Bella? ― Edward me fez parar, a alguns passos do carro, segurando um dos meus braços ― Está tudo bem, querida! ― Ele me puxou para um abraço desajeitado, enquanto olhava ao redor, para Collin que nos observava de longe.
Retribui o abraço, mas me recusei a permitir que novas lágrimas aparecessem. Era difícil, mas precisava me acostumar com o fato de que tinha perdido Mia para sempre e, nem toda a culpa que carregava dentro de mim, seria capaz de mudar isso.
♥
Eu mal tinha acabado de encher a grande banheira da suíte quando Edward adentrou o cômodo, carregando uma bolsa de ginástica e ostentando um sorriso que me fez suspirar.
― Você tem certeza que vai ficar bem sozinha? ― Ele perguntou, enquanto eu continuava a despejar sais de banho na água e fingia não notar que, apesar da pergunta, ele estava bastante animado para a noite fora com o amigo.
― Certeza absoluta! ― Respondi com um sorriso compreensivo, ao mesmo tempo em que retirava o robe felpudo e, sem qualquer acanhamento por estar nua, me dirigia a banheira para um bastante merecido banho relaxante. Aproveitaria que tinha algumas horas sozinha, para tentar rever os relatórios e livros caixas que tinha trazido para casa, mas antes ficaria dentro d’água até que ficasse com as pontas dos dedos enrugados, na companhia de um novo romance ― E eu não vou estar sozinha... ― Continuei, apontando para o leitor digital na beirada da banheira, ao lado de uma generosa taça de suco de uva, já que não podia apreciar um bom vinho, e piscando ― Collin deixou dois seguranças de plantão hoje.
― Você está tentando me convencer a ficar em casa? ― Ele estendeu uma mão para me ajudar a entrar na banheira, sendo tão cavalheiro quanto sempre era ― Ficando nua e me lembrando que o chefe da segurança não está por perto?
― Edward, para de se preocupar tanto... ― Tentei soar o mais firme e decidida quanto podia, estando de pé, no meio da banheira, com as mãos na cintura distendida, nua ― E, não, nem pense em cancelar a folga do Collin.
― Eu já disse o quanto você fica sexy tentando soar toda autoritária? Faz a minha mão coçar para te surrar... ― Ele cruzou os braços, parecendo particularmente delicioso, quando o couro da jaqueta que usava foi esticado, evidenciando bíceps firmes.
― Como se eu pudesse ser sexy quando pareço uma bola prestes a rolar pelo chão... ― Retruquei, afundando na água morna ― Agora, pare de me olhar assim, e vá logo para a sua noite de meninos.
― Como eu estou te olhando? ― Edward ignorou o que eu disse e, em vez de sair, se abaixou, sentando-se na beirada da banheira, retirou a jaqueta e levou uma das mãos até um dos meus joelhos, apertando-o delicadamente.
Eu não respondi, apenas me ocupei em prender o cabelo em um coque frouxo.
― Como se você fosse a mulher mais bonita do mundo? ― Ele continuou, propositalmente me adulando ― Como se eu estivesse prestes a esquecer tudo e me enfiar em você? ― A mão masculina subiu pela minha perna em uma caricia lenta e provocante ― Por que você não acredita quando eu digo que você continua tão sexy quanto sempre foi?
― Olhe para mim... ― Respondi, tentando soar convincente, embora estivesse adorando o pequeno jogo de sedução do meu marido ― Meus pés estão inchados, meus seios estão vazando colostro e minha barriga está tão grande que mal consigo ver abaixo da cintura. O que tem de sexy nisso?
― Eu consigo ver perfeitamente abaixo da sua cintura... ― Edward respondeu, subindo ainda mais a mão ousada, até que encontrasse o ponto exato entre as minhas pernas, adorando o gemido baixo que eu emiti quando ele me tocou ― E, nós dois sabemos, que isso é o que importa.
Eu estava pronta para retrucar, então, ele escorregou dois dedos até o meu interior, me fazendo tombar a cabeça contra a beirada da banheira ao mesmo tempo em que afastava ainda mais as pernas, concedendo passagem para os dedos mágicos dele. A nova posição, deixou os meus seios em evidencia, os bicos rosados eretos fora d’água.
Edward usou a mão livre para acariciar um seio, apertando com cuidado um mamilo, no momento exato em que o líquido que eu tanto me queixava brotou e escorreu pelo cume alvo.
― Seus seios estão vazando porque seu corpo está se preparando para alimentar a nossa filha... ― Ele continuou, embora eu não prestava muita atenção ao que ele dizia, especialmente quando ele dobrou os dedos, atingindo o ponto certo para me levar a um orgasmo rápido e intenso.
Ele sabia exatamente onde e como tocar para me enlouquecer, então eu não deveria ter me surpreendido por já estar tão pronta para gozar.
― Você sabe o quanto eu amo o fato de você estar, agora mesmo, gerando um pedacinho nosso.
― Foda-se! ― Gemi mais alto, movendo os quadris de encontro a mão que me manipulava com tanta maestria, por um segundo me esquecendo do que tinha falado, do que ouvia e do que pretendia dizer, concentrando-me apenas nas sensações maravilhosas que assolavam o meu corpo ― baby, isso é tão bom!
Ele fez ficar ainda melhor quando aumentou o ritmo com que seus dedos entravam e saiam do meu canal úmido e apertado e torcia um mamilo intumescido.
Ele continuou até que o meu corpo tremeu e um gemido mais alto preencheu o banheiro, ecoando pelas paredes.
― Deus, Edward, eu estava falando sério! ― Resmunguei, sonolenta, quando os efeitos do orgasmo me deixaram, corando quando o meu marido se inclinou para correr a língua pelos mamilos expostos, lambendo-os, sem se importar com o gosto do líquido amarelado e espesso.
― Eu também. ― Ele respondeu, depois de mordiscar uma aréola e se afastar ― Você continua sexy e deliciosa. ― Garantiu, levantando-se, para retirar o cinto e abaixar o zíper da calça jeans que usava, e abaixá-la, juntamente com a boxer, o suficiente para revelar o membro ereto ― Você precisa que eu demonstre mais uma vez?
― Você vai se atrasar... ― Eu me movi, espalhando um pouco de água ao redor, para levar os lábios até a ereção que ele ostentava.
― Jasper vai sobreviver... ― Edward respondeu, um segundo antes de passar a emitir os próprios gemidos ― Porra, você é tão boa nisso! ― Ele infiltrou uma mão pelo meu cabelo, me fazendo tomar mais dele.
Eu aceitei, de bom grado, o ritmo que ele impunha, tomando tudo o que ele tinha para dar até que ele explodiu entre os meus lábios, enchendo a minha boca com a evidência do seu.
Lambi os lábios, depois de engolir o que o meu marido tinha oferecido e sorri matreira.
― Acho que você tem razão... ― Disse, voltando a me recostar contra a banheira, o deixando livre para lidar com a respiração ainda ofegante ao mesmo tempo em que voltava a se vestir apropriadamente ― Eu continuo bastante sexy.
Ele se inclinou, depositando um beijo na minha testa.
Sorrindo, ele apanhou a jaqueta e a bolsa de ginastica jogadas ao chão.
― Grávida ou não, você sempre vai ser a mulher mais sexy que eu já vi. ― Garantiu, voltando a se inclinar sobre mim, dessa vez para depositar um beijo casto e rápido nos meus lábios ― Me ligue, se precisar de qualquer coisa, e eu estarei de volta o mais rápido que eu puder.
Eu assenti.
― Ei, baby, e quanto aos meus pés inchados? ― Eu brinquei, quando ele estava próximo a porta do banheiro ― É melhor não ter se esquecido deles.
― A desculpa perfeita para que eu tenha minhas mãos sobre você, novamente... ― Ele respondeu, maliciosamente.
― Mais tarde! ― Eu decretei, quando ele hesitou em cruzar o batente da porta ― Divirta-se!
― Eu te amo! ―Edward respondeu, levando a alça da bolsa ao ombro e se preparando para fechar a porta ― Amo vocês duas.
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