Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo 27

Eu levei minhas mãos a cabeça quando o advogado deixou a minha sala e gemi baixinho.

– Tão ruim assim? – Angela perguntou baixinho ao entrar no escritório.

– Pior! – Respondi. – Jéssica alega que eu a perseguia e que a demiti sem um motivo justo. Eu mal posso acreditar nisso.

– Não vai ser difícil provar que ela está errada. Eu posso testemunhar se for preciso e você tem todos os documentos que provam a falta de produtividade dela... Um bom advogado vai resolver isso facilmente.

– Sim, eu já deveria ter procurado por um. É só... – Eu massageie minhas têmporas com o máximo de delicadeza possível tentando aliviar a pressão que sentia em minha cabeça. — É mais um problema para administrar. Eu vou cuidar disso.

– Você precisa de alguma coisa? Se eu puder ajudar... – Minha gerente ofereceu gentilmente.

– Se você souber onde posso encontrar uma cabeça nova e uma nova identidade... – Tentei fazer piada.

– Um comprimido é tudo o que posso conseguir.

– Obrigada, Ang! – Acenei e me ocupei em apanhar o telefone.

Eu disquei o numero do celular de Jasper e recostei a minha cabeça, mais uma vez, sobre o braço.

– Jazz... – Coloquei o máximo de animação possível em minha voz, assim que a ligação foi atendida. – Como vai?

– Bella? É bom falar com você...

Eu apreciei o tom de voz calmo e gentil por um segundo.

– É bom falar com você também. – Garanti. – Sinto muito se o interrompi ou atrapalhei o seu trabalho...

– Você não atrapalha, querida. Mas, me diga, existe algo em que eu possa ajudar?

– Sim! Eu... Eu só gostaria de perguntar se você conhece algum advogado trabalhista que possa me indicar.

– Problemas na livraria?

– Infelizmente... Nada complicado demais, mas eu prefiro ter o auxilio de alguém especializado.

– Eu posso entrar em contato com o advogado da empresa e passar o seu telefone... Tudo bem para você?

– Claro! Mas não será um problema? Talvez eu deva procurar outra pessoa...

– Bom, desde que você não resolva nos processar... – Ele riu. – Acho que não há problema algum.

– Obrigada, Jazz!

– Estou a sua disposição... sempre que precisar. – Ele não precisava ser mais claro do que isso para que eu entendesse que ele não estava se referindo a apenas ceder o contato de um advogado. Eu apreciei, muito, o gesto.

– Eu sei... Obrigada, de coração.

...

Eu lutei contra a fechadura da porta de entrada da minha nova casa e quando finalmente consegui abri-la, eu passei pela mesma como um furação, sem me importar em trancá-la novamente. Joguei a minha bolsa sobre o chão do quarto e me debrucei sobre o lavado do meu banheiro. Foi mais longe que consegui chegar, antes de sentir o gosto azedo em minha boca e permitir que o que embrulhava o meu estomago fosse colocado para fora.

Eu me senti um pouco melhor após isso, mas também cansada demais. Desejava um banho, mas tudo o que eu fiz foi me arrastar até a cama e tombar o meu corpo sobre o colchão macio. Chutei os sapatos de salto alto para longe dos meus pés e fitei o quarto escuro.

Fechei os olhos no momento em que um pensamento sobre Edward ameaçava ganhar força.

...

Eu acordei mais tarde do que deveria e ainda assim me sentia péssima. Meu corpo inteiro doía, minha cabeça pesava e meu estomago parecia estar em ebulição. Cogitei a possibilidade de permanecer na cama, mas deixei a ideia de lado, afinal era sexta-feira... Eu só na sabia dizer se isso seria bom ou ruim para mim.

Eu demorei o máximo que podia no banho e escolhi a melhor roupa que encontrei em meu, bagunçado, guarda-roupa e me maquiei com, exagerado, esmero. Eu não sabia como faríamos, mas deveria ter a coleira de Edward ao redor do meu pescoço até o final do dia e tudo o que menos desejava era que ele fosse capaz de ver as olheiras em meu rosto e o quanto o nosso afastamento estava me afetando.

...

Existia um movimento incomum, dado o horário, na livraria, assim que eu cheguei, então eu parei no balcão do caixa tencionando ajudar Angela com os clientes.

– Não... – Ela me afastou. – Tem alguém te esperando.

Eu lancei a ela um olhar desanimado.

– Não me diga que é mais um advogado... – Pedi desanimada, mas me coloquei a caminho do meu escritório.

Eu endireitei a minha postura e abri a porta com o meu rosto erguido. Seja quem fosse não era uma boa ideia permitir que me visse cabisbaixa, não seria bom para os negócios.

Mas qualquer resolução foi por água abaixo ao me deparar com Edward, casualmente, sentado em minha poltrona.

Ele levantou a sua mão e balançou a sua coleira para que eu a visse.

– Já é sexta-feira, Isabella... – Ele começou e eu estremeci ao ouvir a sua voz. – E você deveria estar usando isso.

Eu continuei paralisada, embora meu cérebro gritasse: “ajoelhe, diga alguma coisa... caminhe até ele.”

– Você quer jogar, Pet? – Meu Mestre sorriu, o seu sorriso prepotente.

Bom, essa era uma pergunta que eu imaginava saber a resposta, mas o vendo bem a minha frente, eu percebi que não tinha mais tanta certeza.

Eu queria jogar?

Notas finais
O próximo virá antes do que vocês imaginam... Por favor, me deixem saber o que acharam, okay? xoxo