Despertar de uma sub
28 Capítulo 26
Notas iniciais
Capítulo 26
Ele me fazia desejá-lo apenas com um olhar.
– Você tem algo a dizer, Isabella? – Eu imaginei ouvir diversão em sua voz, mas quando voltei a me concentrar nele, toudo o que encontrei foi irritação em seu olhar.
– Sim, eu... – Tentei dizer, mas as palavras pareciam presas em minha garganta. – Eu pensei em... Eu acho que...
Edward se remexeu em sua poltrona e senti, assim como vi, sua irritação se aprofundar. A caneta que ele segurava, foi jogada sobre a mesa e ele passou a tamborilar seus dedos, provocando um som irritante.
Meus olhos passaram pelo cabelo úmido, desceram pelo colarinho aberto, onde eu podia vislumbrar alguns fios cobres em seu peito, percorreram os braços cobertos por uma camisa social cinza e se fixaram em seus dedos.
Sem saber como, meu sonho voltou com tudo e eu quase o senti deslizando para o meu interior.
Subitamente o escritório pareceu aumentar de temperatura e meu único desejo era que ele me obrigasse a me aproximar e então usasse seus dedos para tamborilar o meu corpo.
– Isabella? – Edward disse o meu nome com tamanha rispidez que eu praticamente saltei enquanto meu sonho desaparecia. – Diga...
– Eu... É... Nossos jogos se resumem ao final de semana, certo? – Comecei e apertei as minhas mãos juntas, de forma que ele não pudesse ver como tremiam.
– Exatamente. – Ele respondeu. – Se tivermos a necessidade de jogar durante a semana você saberá.
Droga! Ele não estava ajudando. Na verdade só estava me deixando ainda mais nervosa com toda a sua indiferença e clara irritação por estar tendo essa conversa comigo.
Algumas vezes, como agora, ele conseguia me deixar tão mal humorada e estragar o meu dia com um único gesto ou olhar.
– Era só isso? – Ele prosseguiu, completamente alheio a forma como eu estava lutando para fazer sair as palavras e, principalmente, para não permitir que ele me afetasse.
– Não! – Disse com tanta rispidez quanto ele. – Seria mais fácil se você fosse, aos menos, um pouco gentil e me permitisse falar em vez de deixar tão evidente o quanto a minha presença te incomoda. – Soltei em um rompante e assim que me calei, já estava arrependida, especialmente porque meus olhos se encontravam marejados.
Edward desviou o seu olhar por um instante e eu pensei que ele diria algo para desmentir as minhas palavras , mas quando ficou claro que isso não aconteceria, eu me senti absurdamente idiota por ainda estar no mesmo ambiente que ele.
– Foda-se! – Sibilei baixinho. – Eu estou me mudando... – Finalmente, as palavras foram ditas. – Eu achei que você deveria saber.
Eu não esperei por qualquer coisa que ele pudesse querer dizer e sai do escritório tão rápido quanto minhas pernas eram capazes de me levar.
Infelizmente eu não fui capaz de deixar o apartamento antes que eu o ouvisse.
– Isabella!
Eu queria, e deveria, ter ignorado o seu chamado, mas tudo o que fiz foi parar no meio da sala e me virar em sua direção.
– Você não precisa sair. – Ele disse, após nossos olhares se encontrarem mais uma vez. – Nós somos adultos e...
– Você está enganado. Eu preciso. E eu já deveria ter feito isso há muito tempo. Eu... – Respirei fundo para evitar que ele conseguisse perceber o quanto isso tudo me machucava. – eu agradeço toda a sua ajuda quando eu precisei, mas a verdade é que eu já deveria ter partido há muito tempo.
– Se é o que você quer... – Foi tudo o que ele disse, de volta com toda a sua arrogância e indiferença. – Nos vemos no fim de semana.
– Não. Você verá a sua submissa no final de semana. -Ele poderia não saber ou não quer enxergar mais existiam diferenças bastantes significativas entre essas duas partes de mim. – E eu verei o meu Mestre.
Eu não esperei por qualquer resposta e deixei o apartamento antes que eu desmoronasse.
Esse seria um longo, difícil e amargo dia. Eu só podia esperar passar por ele e que o próximo fosse tanto melhor quanto possível.
Eu tinha dois dias para curar as feridas e voltar a usar a coleira de Edward, como se nada tivesse acontecido, e eu estava disposta a conseguir.
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