Despertar de uma sub
22 Capítulo 20
Notas iniciais
Capítulo 20
– Eu não sou o seu Mestre agora, Isabella. E você sabe disso. – Eu mordi meu lábio inferir me impedindo de dizer qualquer coisa. – Você vai me dizer qual é o problema?
– Não há problema algum... – Respondi rápido demais para ser verdade.
Edward me puxou pela mão e me fez sentar em um dos bancos altos que ficavam próximo ao balcão da cozinha.
– Por que um contrato é tão importante? – Ele questionou sem deixar de me olhar.
Eu odiei o fato que ele estava insistindo nesse assunto.
– Não é. – Respondi e passei a brincar com minhas mãos.
– Você vai continuar a mentir para mim? – Eu pude ouvir a irritação na voz dele.
– Eu não estou mentindo, okay? – Rebati. – Não é importante. Eu só estava curiosa... Eu nem mesmo deveria ter tocado nesse assunto... Esqueça isso!
– Eu pensei que você soubesse o quanto falta de honestidade me irrita.
Eu dei de ombros porque não existia nada que eu pudesse dizer sem entregar qual era o meu real problema.
– Droga, Isabella! – Edward se colocou de pé e me deu as costas. – Pare de se comportar como uma criança mimada que teve um sorvete negado e me diga qual é a porra do problema.
Eu precisei controlar minha própria irritação.
Também me coloquei de pé, e tentando evitar as malditas lágrimas que, mais uma vez, queriam sair, voltei a pia e os legumes que ainda precisavam ser cortados.
Qual era o meu problema? Nem mesmo quando Jacob me punia durante horas era tão difícil conter o choro.
– Olhe... – Bati a faca com um pouco mais de força do que o necessário contra a tabua de corte. – Jasper comentou que era estranho que não tivéssemos um contrato, que você nunca esteve em um relacionamento D/s sem que um contrato fosse assinado... Eu quis saber por que comigo era diferente. Foi apenas por isso que perguntei...
– Você sabe por quê. Eu já te disse... Nós começamos de forma diferente e eu...
– Você está esperando pelo momento em que isso acabe, então é melhor que não haja nada que o prenda a mim. Eu entendi!
– Não você não entendeu! – Ele retrucou. – Eu sinto muito se você está magoada. Mas eu não vou retirar o que disse... Eu lhe dei uma resposta honesta.
Eu me mantive em silêncio, assim como Edward e tudo o que se podia ser ouvido na cozinha era o bater incessante da faca na tabua.
– Bells... – Edward voltou a falar, após alguns minutos. E não me passou despercebido que essa era a primeira vez que ele me chamava assim.
Apenas uma pessoa em todo mundo me chamava assim, meu pai.
Droga!
– Bells? – Edward continuou, mesmo que eu continuasse a não olhá-lo. – Eu não sou cego, okay? Eu sei o que está acontecendo aqui... Você quer mais! Mas eu não posso ter dar mais do que já temos.
Ouvi-lo dizer, com todas as letras, que jamais seriamos mais do que somos, deixou meus olhos desfocados.
– Merda! – Xinguei baixinho quando senti a ardência em meu dedo provocada pela faca que tinha deslizado por minha pele, provocando um corte profundo.
Rapidamente, Edward prendeu minha mão na dele e lavou o sangue que escorria entre meus dedos.
– Você vai precisar de um curativo... Você precisa ter mais cuidado com facas e...
– Está tudo bem, Edward. Eu cuido disso. Você se importa de terminar o jantar?
E mais uma vez, eu fugi.
...
Eu voltei à cozinha algum tempo depois, tentando manter a minha cabeça erguida.
Por um instante apenas observei Edward colocar a mesa.
– Quando você pretende voltar a Chicago? – Perguntei baixinho e me apressei em ajudá-lo.
– Como está seu dedo? – Ele me surpreendeu ao me puxar para o seu colo após se sentar.
Como sempre, eu me agarrei a ele.
– Não era tão ruim quanto parecia... – Respondi.
Ele avaliou o curativo que tinha providenciado e me deu um sorriso fraco.
– Bella, eu...
– Está tudo bem, Edward. De verdade. – Fiquei contente pelo tempo que gastei praticando meu discurso no espelho tenha surtido algum efeito. – Eu não estava procurando por um relacionando amoroso quando me decidi pelo universo BDSM... – Isso era verdade, ao menos até que eu o conheci. – E ainda é assim. – Eu não sei se ele podia ver a mentira em meus olhos, mas ainda assim continuei. – Eu apenas estou confusa com tudo isso... Eu acho que... Sei lá, ainda não sei lidar com tudo isso.
Eu fiz uma pausa.
– Eu não sou uma submissa completa e experiente. Eu ainda tenho muito que aprender até chegar lá e... Seria uma honra se pudesse ser com você, embora eu saiba que você não gosta de treinar e...
– Eu abri uma exceção, Bella. No dia em que a levei para minha casa... Não se engane, eu queria a minha coleira em seu pescoço desde a primeira vez que a vi.
Eu assenti, me esforçando a manter todo o resto de fora.
Uma relação D/s era tudo o que eu teria... era melhor me acostumar com isso.
– Você vai cometer erros pela inexperiência... E o mesmo vai acontecer comigo. – Edward deslizou seu dedo pelo meu rosto e eu apreciei a caricia, embora ela também me ferisse. – Se você, ainda, estiver disposta nós podemos recomeçar... Dessa vez, como deveria ter sido desde o início.
Algumas poderiam dizer que eu estava me contentando com migalhas, mas eu precisava dele, de sua presença próximo a mim... Então, eu iria me agarrar, com todas as forças, ao que tinha.
– Seria uma honra.
Seus lábios procuraram por meu pescoço e ele depositou um beijo molhado em minha pele. Eu foquei meus olhos em um ponto qualquer da cozinha, tentando me concentrar e não desejar o que não poderia ter.
– O que você acha de me deixar alimentá-la? – Edward continuou a falar, ainda beijando a pele, agora exposta, de meu ombro. – E depois nós podemos discutir como seguir com isso... É claro só depois de você ser uma boa menina e retribuir o favor... Eu estou louco para provar o jantar em você.
– Eu não poderia pensar em nada melhor para essa noite. – Era uma boa coisa que nossos olhos não estivessem conectados, ou ele perceberia que a animação em minha voz era apenas uma fachada.
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