Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo 02

Eu não sabia exatamente como me sentia... era uma mistura tão poderosa de tantos sentimentos: eu estava completamente enfeitiçada por aquele homem parado ao meu lado, mas ao mesmo tempo eu sentia tanto medo, como nunca havia sentido antes...

Eu sabia que Jacob estava furioso comigo e eu precisava fazer algo para consertar isso, mas só de pensar em todas as formas que ele poderia me castigar, meu corpo tremia involuntariamente.

Eu estava obviamente consciente dos braços fortes do homem lindo e desconhecido, em volta do meu corpo, e por mais absurdo que fosse, o fato de tê-lo tão perto de mim, quando eu usava apenas o seu paletó, foi capaz de me deixar completamente quente.

Oh Céus, Bella, no que está pensando?

Jacob me mataria se eu fizesse algo...

Era claro que eu não faria nada, mas lembrar que eu precisava voltar pra Jacob, depois de ter sido, de alguma forma, salva dele, faziam com que as lagrimas escorressem por meu rosto.

– Muito, muito obrigada, mas... mas eu preciso procurar por Jacob. — consegui dizer ainda com meu corpo tremendo involuntariamente. Tentei recuar de seu abraço, mas seus braços simplesmente me prendiam cada vez mais forte. Era tão confortável e assustador ao mesmo tempo.

Droga, eu nunca estive tão confusa!

O que ele estava fazendo comigo?

A realidade voltou a me atingir e eu voltei a sussurrar e tentar me afastar.

– Eu preciso falar com ele... Eu preciso pedir desculpas a ele... Oh Deus! Ele deve estar furioso comigo!

Eu podia ver a confusão em seu rosto e o fato de que o meu medo por Jacob, era mais do que evidente não estava ajudando muito.

– O que você ainda quer com aquele sádico? Me explique, por favor. Eu consigo ver o medo em você... — ele disse com a voz profunda e o som que encheu meus ouvidos, parecia tão perfeito, tão único...

O que estava acontecendo comigo? — me questionei mais uma vez.

Eu respirei fundo, antes de finalmente conseguir pensar em algo para responder.

– Eu... eu simplesmente não posso ir embora... eu não devo fugir de meu Dom... não tenho o direito de me negar aos pedidos dele.

Eu tentei inutilmente controlar as minhas reações, mas meu corpo me traia constantemente e eu pude ver a confusão se tornar cada vez maior em seu lindo rosto, para logo em seguida se transformar em uma espécie de... agonia?

Oh, Deus, agora eu também estava imaginando coisas!

– Por quê? — ele perguntou baixo, sua voz soando tão estranha... como se ele não soubesse bem o que dizer.

– Porque ele é meu Dom... é minha obrigação atender as vontades dele, mesmo que isso me machuque — respirei fundo tentando controlar todas aquelas emoções que passavam por mim. Eu precisava falar. Precisava explicar que não desejava mais ser uma sub de Jacob, mas, não queria a piedade daquele homem tão maravilhoso, mas, acima de qualquer coisa, eu tinha que ser sincera. Eu não sei por que me sentia assim com relação a ele, afinal ele não passava de um estranho, mas eu sentia que precisava ser sincera com ele. Repensei muito no que falar para finalmente dizer meu real motivo — além do mais, pra onde eu irei se ele não me quiser mais?

Vi um misto de fúria e nojo passarem por seus olhos num instante para serem substituídos pela máscara de frieza que havia antes. De alguma forma, aquele estranho ainda desejava me ajudar.

– Calma, calma. Respire! – ele começou a dizer e por mais que seu rosto se mostrasse impassível, eu senti uma certa suavidade em sua voz. — Primeiro vamos conversar... meu nome é Edward, Edward Cullen e você é?

Edward Cullen!

Seu nome me atingiu como um choque! Edward Cullen ou Mestre Cullen era um dos mais famosos Dom's do círculo de Chicago. Seu nome não era menos do que mencionado com respeito e admiração por todos. Dentro do cenário BDSM, ter Mestre Cullen em sua rede social, era muito mais do que simples conhecimento, era uma honra, era absurdamente desejado por todos.

Não havia muitos registros sobre ele disponíveis, mas, as poucas coisas que li, falavam do fato dele ter construído um império pessoal em pouco tempo. Todos diziam que ele levava sua natureza Dominadora muito a sério, que não existia uma submissa em Chicago que não rastejaria para tê-lo como seu Mestre. Edward Cullen era o príncipe encantado das submissas, além de ainda ser jovem e lindo. Como eu não o reconheci imediatamente?

– Você é mesmo Edward Cullen?

Minha pergunta soou idiota, como se fosse uma adolescente que encontra o vampiro da twisaga. Se ele fosse mesmo Edward Cullen, eu sabia que poderia confiar nele. Sua fama deixava claro que ele era um Dominador exigente, mas que nunca, em hipótese, alguma maltratava sua submissa. Eu sabia que estaria a salvo com ele.

Ele apenas assentiu com a cabeça, o que me deixou ainda mais constrangida. Eu não consegui firmar o olhar mediante aqueles olhos.

– Bella... Isabella... Isabella Swan.

Nunca gostei que me chamassem de Isabella, mas, por um instante, imaginei como seria meu nome saindo por seus lábios num momento de intimidade, o que fez com que uma descarga nervosa fosse enviada a meu centro.

– Isabella — eu o ouvi chamar e foi impossível evitar que todo um arrepio percorresse o meu corpo.

– Sim... — eu murmurei tão baixo, com minha voz repleta de excitação.

Meus Deus, esse homem era capaz de me enlouquecer, apenas pronunciando o meu nome.

Por que não o encontrei antes de Jacob?

–Olhe pra mim. — ele comandou e eu nem mesmo precisei pensar, meu corpo imediatamente o obedeceu. Eu estava tão nervosa e assustada! Mas no momento em que eu avistei um pequeno sorriso em seus lábios, me senti bem. Era como se eu soubesse de alguma forma que tinha feito a coisa certa. Como se de alguma forma, ele estivesse orgulhoso de mim.

Não seja absurda Bella!

Ele nem me conhece... provavelmente está apenas cheio de pena de mim.

– Você precisa se acalmar... — sua voz era firme e eu não pude evitar novamente seguir o seu comando. -Tem muita coisa que precisamos conversar... mas o que você realmente precisa saber agora, é que não precisa voltar a estar com Jacob, se não deseja isso. — apesar de minha razão me dizer que eu estava, talvez, enlouquecendo, eu fui me acalmando aos poucos. — Antes de qualquer coisa, quero que você saiba que tem a liberdade de fazer o que quiser de sua vida. Agora se acalme e depois vamos resolver qualquer que seja seu problema.

Ainda precisei de alguns minutos, antes que todos os tremores que percorriam meu corpo chegassem ao fim.

– Então, pronta pra me explicar algumas coisas?

Não, eu não estava e será que algum estaria pronta pra falar sobre isso? Mas antes que qualquer palavra se formasse, vi minha cabeça assentir positivamente, como se tivesse vida própria.

– Primeiro eu quero deixar claro que você tem liberdade de responder o que quiser, mas, eu ficaria muito feliz se todas as minhas perguntas fossem respondidas. Não se sinta obrigada a fazer nada que não queira.

Era como se ele soubesse exatamente o que falar para me acalmar. Ter a possibilidade de responder ou não suas perguntas me dava uma espécie de consolo por tudo aquilo que desejava esquecer e me vi soltando um suspiro de puro alívio antes que ele prosseguisse.

– Bem, primeiro me explique porque você não usou sua safeword naquela cena, já que você não estava preparada para realizá-la.

Safeword?

Jacob nunca me deu uma safeword.

Eu cheguei a ler sobre elas em fanfics, mas não achava que elas funcionassem na vida real.

Elas apareciam nas histórias como a proteção da submissa, mas eu não tinha proteção alguma e, quando cheguei a perguntar a Jacob se não receberia uma safeword, ele simplesmente respondeu que eu não merecia uma.

– Eu... eu ... eu não tenho uma safeword– me sentia envergonhada por tudo, ainda mais pelas palavras que precisavam ser ditas. — Jacob sempre me disse que eu não merecia uma safeword.

– Tudo bem, não precisa falar nada... Você já respondeu minha pergunta.

Seus braços me acolheram protetoramente de novo até que eu me acalmasse. Até que ele fez a pergunta que definiria nosso futuro:

– Bella, você ainda quer ser escrava de Jacob?

– Eu preciso. — respondi imediatamente. Aquilo não era uma questão de querer, mas sim de necessidade.

Seu tom de voz ficou sério novamente quando ele disse:

– Não foi isso o que eu perguntei. Você quer continuar a ser escrava dele?

Eu não podia simplesmente dizer que sim, porque temia mais que qualquer coisa voltar àquela casa, mas também não poderia dizer não, pois não tinha para onde ir. Era tudo muito complicado em minha cabeça.

– Não — respondi por fim, o que o fez dar um leve suspiro.

– Mas, porque insiste tanto em que precisa ser escrava dele? Tem que haver um motivo lógico para isso. — Edward se mostrava realmente curioso com meus motivos

Eu tentei pensar em muitas formas de responder isso. Mas existia algo nele que me fazia sempre decidir por dizer a verdade, era mais do que se sentir intimidada, e eu realmente me sentia, mas de alguma forma, eu queria agradá-lo, queria que ele confiasse em mim.

– Eu, eu preciso... Eu realmente preciso. Não tenho para onde ir agora. Quando aceitei ser sua submissa, a primeira coisa que ele pediu foi para que largasse meu emprego e fosse morar com ele, porque assim eu teria condições de servi-lo conforme ele queria.

Eu definitivamente me sentia envergonha e intimamente humilhada por estar confessando a ele, os meus reais motivos. Mas a verdade era que nesse momento, eu não conseguia pensar em nada que me fizesse agir diferente, mesmo sabendo que voltar pra Jacob, certamente seria um erro pior do que tê-lo aceito a primeira vez, porque nesse momento, Jacob deveria estar mais do que furioso comigo, o que ele certamente usaria como margem para mais torturas, mas nada disso parecia tirar Edward de sua zona de conforto. Em alguns momentos eu sentia como se minhas palavras o abalassem, mas, realmente, eu não era uma boa referência no julgamento das pessoas.

Eu era um verdadeiro imã de má sorte!

– Então você acha que precisa voltar para ele por não ter pra onde ir, certo?

– Que outra alternativa eu teria? — definitivamente não eram as palavras que eu desejava pronunciar e me envergonhava profundamente disso. Mas a verdade das minhas palavras era muito mais dolorosa do que a minha vergonha.

Eu sabia que não tinha para onde ir. Meus pais já haviam falecido e eu praticamente não tinha contato com minhas amigas. Foi mais uma das coisas que Jacob impôs quando me tomou como sua, eu havia largado meu emprego, aberto mão de toda a minha vida quando aceitei a coleira de Jacob, apenas para me arrepender pouco tempo depois.

Um silêncio estranho tomou o ambiente que só foi cortado pelas palavras de Edward:

– Você poderia ficar na minha casa.

Eu instintivamente recuei assim que suas palavras ganharam vida. Se eu consegui me separar de Jacob, não queria um novo relacionamento como esse, nunca mais e era exatamente isso o que Edward estava me propondo?

– Deixe-me explicar. – ele pediu imediatamente, assim que leu o que minha expressão queria dizer. Sim, eu estava com medo. — Eu não posso permitir que você volte a viver com aquele homem. Não sei onde o conheceu nem o que ele lhe disse para lhe convencer que era um Dominador, mas, posso afirmar que ele mentiu. O que eu vi foi o suficiente para ter certeza disso. E, infelizmente, no meio existem muitas pessoas que se fazem passar por Dom's para conseguir realizar todo o tipo de perversão com pessoas que não conhecem bem o meio, assim como você. Eu consigo ver que você é uma submissa nata, mas que foi enganada em seu caminho de autodescoberta, e tenho certeza que você só precisa de um tempo para se recuperar de tudo e eu jamais faria algo para magoar você – por mais absurdo que pudesse ser a sua preocupação aparente comigo, eu não conseguia duvidar da sinceridade em suas palavras — eu moro numa casa muito grande, não seria incomodo nenhum pra mim que você morasse lá enquanto arruma sua vida.

– Isso não é algo que eu possa aceitar... – baixei meu tom de voz, mas tentei ser firme em minhas palavras. – Não posso simplesmente começar a agir com você da mesma forma que... não quero me tornar completamente dependente de você... principalmente se você não me...- minhas palavras foram subitamente interrompidas.

– Eu não disse isso... — ele respirou fundo, mostrando uma enorme indignação por meus pensamentos, o que fez com que me sentisse imediatamente suja perante ele — Mas nesse momento, eu estou te oferecendo a minha casa, como um amigo.

– Oh! – eu não fui capaz de esconder a minha surpresa. Ele me via apenas como uma amiga? Como isso era possível se acabamos de nos conhecer? – Mas não somos amigos. – tentei fazer com que ele entendesse a lógica dos meus pensamentos.

– Não. Não somos ainda, mas podemos ser... se você estiver disposta, podemos ser amigos inicialmente e depois, quem sabe, quando você... — sua resposta novamente me surpreendeu. Como ele podia ser tão diferente de tudo o que eu conhecia?

Um leve entendimento começou a ser formar em minha mente. Ele disse "podemos ser amigos inicialmente e depois...", então ele não queria apenas como sua amiga... ela me queria para algo mais... talvez como sua submissa? Eu não saberia dizer se naquele momento, o pensamento me fez sentir bem ou com ainda mais medo. Talvez uma mistura dos dois.

Eu já não sabia se queria voltar a ser uma submissa, mas eu também não sabia se eu queria deixar de ter a oportunidade ser a submissa de Edward Cullen... Mestre Cullen, só em pensar nele como meu senhor, fez com que meu corpo voltasse a responder a sua presença, o que tornava tudo ainda mais confuso e difícil pra mim.

– Você... quer dizer, o Senhor me quer como sua submissa? — fui incapaz de reprimir minha curiosidade.

Era incrível como mesmo naquele momento de tanta tensão eu ainda conseguia ficar excitada com a possibilidade de servir a Mestre Cullen. Algo em mim dizia que com ele seria diferente.

– Bella, se eu disser que essa ideia não me agrada, eu estaria mentindo, mas nesse momento você não está preparada para ter um Dom. Você, antes de mais nada, precisa se conhecer e entender o que é ser uma submissa. Quando isso acontecer, você vai estar preparada para ter um Dom. Óbvio que eu gostaria de ser seu escolhido, mas isso é algo que só o tempo pode dizer.

Ele dizia que gostaria de ser meu escolhido? Isso chegava a soar irônico em meus pensamentos. Seria uma honra se ele me aceitasse como sua submissa num futuro próximo... eu não poderia pensar em nenhuma outra pessoa capaz de me fazer voltar ao BDSM sem ser Edward Cullen. Mas, antes da empolgação tomar meu corpo, lembrei de toda a dependência que ser uma submissa trás. Eu não estava preparada para renegar minha vida novamente, logo agora que recebia a oportunidade de ser independente novamente.

– Se eu aceitar estar em sua casa, eu poderia trabalhar, me manter e ajudá-lo de alguma forma?

Ele parecia meio que em choque com minhas palavras. Deveria ser natural uma pessoa aceitar casa e comida de graça? Não, definitivamente para mim não era. Eu fazia absoluta questão de ajudá-lo mesmo que fosse com pouca coisa.

– É claro que sim! Como disse você estará em minha casa como amiga, poderá fazer o que achar que deve da sua vida, mas mesmo que fosse minha submissa, ainda teria liberdade para trabalhar, estudar e o que desejar. Não sou o tipo de Dom que espera ter como submissa alguém que esqueça completamente quem é... se você não souber quem é ou do que gosta, como poderá servir a alguém com afinco? Não me satisfaço com um jogo onde apenas um joga Isabella, a participação das minhas submissas é mais do que necessária e sempre por livre escolha... Você saberá disso, algum dia, se chegar a ocupar esse posto.

– Quanto a me ajudar... – Edward deu uma gargalhada e por mais que eu tentasse entender o que era tão engraçado, eu não conseguia. – isso definitivamente não é necessário, mas eu faço questão de ajudá-la, enquanto não consegue recomeçar.

Eu poderia ter dito não a sua resposta e provavelmente era isso que eu deveria fazer, mas a verdade era inegável: eu queria ir com ele, tanto quanto ele parecia querer que eu aceitasse. E ponderando minhas opções essa certamente não era a pior: Eu podia ir com Edward e tentar de alguma forma recomeçar ou voltar para Jacob e para a vida degradante que ele me oferecia. Não foi muito difícil decidir o que escolher no final.

Depois que já estava instalada em um confortável quarto de hospedes na imensa casa de Edward, eu me deparei com a irrealidade de tudo aquilo. Eu estava agora, morando de favor na casa de um estranho, praticamente. Um estranho que eu confiava mais do a minha mesma, mas ainda assim, um estranho, sem poder ajudar em nenhuma despesa – não que ele precisasse da minha ajuda e eu pude entender sua gargalhada quando mencionei isso, no momento em que adentrei a sua casa. E sem absolutamente nada meu por perto. Eu não tinha nem mesmo uma roupa comigo, já que quando Edward e eu nos encontramos eu estava nua, em meio a uma cena e se não fosse por seu paletó eu provavelmente teria que ter feito todo o caminho até aqui, sem roupa alguma.

Para tornar tudo ainda mais irreal e constrangedor, eu agora estava parada de frente pra imensa cama king size do quarto em que eu ocupava, olhando completamente incrédula, todas as sacolas que estavam espalhadas por cima dela. Eu podia reconhecer todas as grifes estampadas em todas aquelas sacolas e estariam mentindo se dissesse que nem ao menos uma vez desejei ter alguma dessas coisas, mas o fato é que eu não podia ter, nem mesmo quando eu trabalhava duro para me manter isso seria possível, e eu não podia aceitar que Edward Cullen gastasse tanto dinheiro assim comigo. Isso era muito mais do que eu poderia concordar em receber. Ele tinha me mostrado a lógica e me feito aceitar ser acolhida em sua casa, afinal eu precisaria de um teto onde me abrigar e alguma comida e água, mas eu definitivamente não morreria se não tivesse roupas de gripes, sapatos que custavam mais do que todos os meus preciosos livros juntos e lingeries que poderiam pagar por um mês de comida.

– Eu não posso aceitar... — falei baixo, mas o suficiente pra que Edward que estava parado no meio quarto estudando minha reação conseguisse ouvir. — Isso deve ter custado uma fortuna e eu... Eu não teria como pagar.

Oh, Céus estava me sentindo como uma plebeia de frente a um príncipe encantado, a diferença é que o príncipe era de carne e osso e nesse momento estava sorrindo por me ver visivelmente corada.

– Eu faço questão. — ele falou ainda sorrindo e eu me forcei a não ceder.

Eu abri uma das sacolas e apanhei um vestido azul. — Isso provavelmente custou mais do que todas as minhas roupas juntas... sem contar o trabalho que deve ter te dado. — Quando voltei a encontrar o olhar de Edward não pude deixar de notar a forma como ele olhava para o vestido e para mim. Ele estaria pensando o mesmo que eu? Provavelmente não... porque ele imaginaria como eu ficaria dentro desse vestido?

– Na verdade, não me custou mais do que alguns dólares... — ele respondeu indiferente. — e confesso que não tive trabalho maior do que dar alguns telefonemas.

Edward parecia falar como se tudo fosse excepcionalmente simples na vida. Talvez fosse pra ele, mas não pra mim.

Resolvi não argumentar mais. Era visível que ele não gostaria de ser questionado.

Procurei entre as sacolas as peças que julguei mais simples e baratas e vesti por aquela noite, mas, era impreterível que no dia seguinte eu fosse atrás de recolher minhas coisas na casa de Jacob. Eu sabia que isso não seria nada fácil, mas era completamente necessário.

O jantar passou rápido, sem grandes conversas. Eu me sentia esgotada psicologicamente, e realmente não me importava com o silencio.

Tudo havia mudado tão rápido!

Ontem eu estava num quarto imundo sendo maltratada constantemente e agora estava aqui, com um príncipe encantado na minha frente e em um palacete... Era tudo o que qualquer mulher poderia querer! Encontrar alguém educado, lindo, rico e que lhe cubra com roupas e sapatos de marca sem você pedir. Mas aquilo para mim, só servia para mostrar o quão insignificante eu era ao seu lado.

Eu me enganei ao imaginar que conseguiria dormir facilmente essa noite. Não conseguia deixar de pensar em tudo o que aconteceu durante o dia. E saber que Edward, estava em algum quarto próximo ao meu, dormindo tranquilamente, me deixava ainda mais inquieta e de longe, meu corpo parecia responder ao dele, de uma forma que eu não seria capaz de controlar e ele ainda não tinha nem me tocado. Ainda? Eu estava perdida! Imaginando que em algum momento ele me tocaria...

O conhecimento de que seria tão fácil entrar em seu quarto e sucumbir à tentação fazia com que a missão de dormir ficasse ainda mais difícil.

Eu pude ver o dia amanhecer ainda sentindo meu corpo se contorcer. Tentei me livrar de todos os meus pensamentos sobre Edward e me foquei em tentar pensar no que faria ao reencontrar Jacob.

Edward saiu cedo para o trabalho, o que facilitou ainda mais minha saída. Eu não saberia como explicar a ele a minha decisão e ele certamente não aceitaria, muito menos entenderia.

Não resisti à vontade de usar aquele vestido azul que Edward tanto olhou ontem. De um modo estranho, queria agradá-lo mesmo esperando que ele não chegasse a me ver com aquela roupa.

No caminho que fiz até a casa de Jacob fui repensando todas aquelas mudanças que estavam acontecendo em minha vida. Eu definitivamente era grata a Edward pela oportunidade que estava me dando de recomeçar. Um pequeno calafrio percorreu a minha espinha no momento em que pensei nele.

Ele não aprovaria minha vinda até aqui.

Eu percebi então que não queria decepcioná-lo, mas não podia simplesmente ignorar o fato de que eu estaria deixando uma parte de mim pra trás, na casa de Jacob, se me submetesse a ele nesse momento. Não era pelas roupas, mas pelo o que todas as poucas coisas que eu tinha conseguido manter significavam para mim: roupas humildes, nada comparado ao vestido que eu usava nesse momento, mas que tinham sido compradas com o meu dinheiro, quando eu ainda me permitia ser independente, alguns dos meus livros favoritos, duas ou três fotos dos meus pais e amigos, que eu havia conseguido esconder de Jacob... tudo era importante, de alguma forma, para mim.

Só me restava esperar que Edward fosse capaz de entender a minha atitude.

Com um suspiro resignado, olhei para a casa que tinha sido meu pior pesadelo, e decidi que se não entrasse logo, provavelmente eu não entraria mais. Forcei meus pés a darem os primeiros passos e adentrei a casa. Vendo de fora, eu cheguei a pensar que teria a sorte de não encontrar Jacob, mas assim que estava dentro de casa, percebi que minha sorte não seria assim tão grande.

Jacob estava lá, com a casa parcialmente destruída. Era evidente que num ataque de fúria, ele havia destruído parte dos móveis e adornos. Ele ainda estava visivelmente alterado, provavelmente por ter passado a noite bebendo com os outros como sempre fazia.

Eu precisei me desvencilhar de todas as coisas que estavam jogadas no chão, até alcançar o cubículo que era destinado a ser o meu quarto, mas precisei passar por Jacob, que estava jogado em um sofá velho. Quando me viu ele pareceu surpreso. Sem dizer nenhuma palavra comecei a recolher tudo o que me pertencia, tentando, de alguma forma, ignorar sua presença.

– Ora ora, se não é Isabella Swan quem resolveu apareceu... decidiu voltar pro seu Mestre? — seu tom de voz era irônico, debochado — Resolveu voltar pra casa... Conte, como é o grande Mestre Cullen?

Eu fiz o meu melhor, fingindo não ouvir o que ele me dizia. Sabia que ela estava furioso, e se eu começasse a debater com ele, as coisas chegariam a um ponto em que eu não desejava nesse momento.

– Vejo que ele te comprou direitinho, não é? Roupa nova, de marca... se soubesse que você se vendia por um vestido qualquer, você estaria com um guarda roupa novo, para me atender.

Eu forcei minhas mãos trabalharem rapidamente e tinha praticamente todas minhas coisas, já reunidas em uma pequena mala, que estava há algum tempo esquecida dentro daquele quarto. Vê-la praticamente vazia e me lembrar de todas as coisas que eu havia levado e Jacob havia destruído, me partia o coração.

Sem que eu percebesse imediatamente, ele se aproximou a passos largos e eu pude sentir todo o pavor dominar o meu corpo novamente. A cada passo dado, a tensão aumentava praticamente me roubando o ar.

– Agora, me diga, como ele vai pagar pelos seus serviços? Mais roupas? Joias? – Jacob estava perigosamente perto de mim e recuei sem perceber que assim, estava me deixando ainda mais vulnerável a ele.

O que eu fui fazer?

Uma risada irônica saiu por seus lábios.

– Chega a ser engraçado o fato de que Edward Cullen precise subornar uma mulher para ficar com ele...

Eu percebi então, que Jacob estava tentando mais uma vez jogar com meu psicológico. Ele não estava vindo me torturar fisicamente, mas ele queria destruir qualquer confiança que eu pudesse ter em Edward. E por mais que eu tentasse ignorá-lo, as palavras dele, faziam algum efeito em mim.

– Pense bem no que está fazendo Isabella. Você realmente acha que ele vai te tratar melhor do que eu?

– Eu não acredito em você! — Eu queria dizer com firmeza, mas, havia muitas duvidas em minha mente.

E se Jacob estivesse dizendo a verdade? Se Edward estivesse tentando me comprar?

– Você acha que eu era ruim para você Bella? Nós sabemos que eu estava fazendo apenas aquilo que você gostava... – ele arqueou uma sobrancelha pra mim, eu sabia que se não saísse dali rapidamente, o fogo logo se tornaria físico. -Mas se você realmente acredita que eu era ruim é porque você não o viu... Como acha que ele ganhou essa fama de Dom? Espancando... No mínimo. — mais uma risada irônica saiu por seus lábios e eu tive realmente medo de suas palavras.

Afinal, tudo aquilo poderia ser verdade, pois, um Dom pode ser extremamente cruel – eu sabia disso por experiência própria – e, Edward não parece ser um daqueles que aceita falhas facilmente.

– Acha que ele a tratará diferente das outras mulheres que se submeteram a ele? Ele vai usá-la e quando se cansar vai jogá-la fora, como um brinquedinho. É isso que ele faz com todas... e é isso que fará com você também.

– Não — respondi com um sussurro.

Se eu tinha medo de como aquilo estava começando, tinha ainda mais de como seria quando terminasse.

Eu não queria admitir que estava me envolvendo emocionalmente com Edward. Não era aceitável! Não em nossa posição. Nunca poderíamos ter um relacionamento "normal", e era exatamente desse tipo de relacionamento que eu precisava nesse momento. Mas será que era o tipo de relacionamento que eu queria?

Eu estava mergulhada em meus medos e lagrimas se formavam em meus olhos apenas por pensar em me separar de Edward.

Não ouvi seus passos. Fui apenas invadida pelo som de sua voz, que soava grave e imponente, um verdadeiro som de comando.

– Você não sabe nada sobre mim ou sobre como trato as minhas submissas. Você disse que eu as espanco? – Ele deu um riso seco, sem humor algum. — Está certo. Mas nada que lhes cause mais dor do que prazer... — ele parou ao meu lado e passou um braço por minha cintura, o que fez com que um choque passasse por meu corpo. — algo que, obviamente, você não se preocupava. Você nem ao menos sabe o que é ser um Dominador de fato. Bella tem o direito de escolher o quer fazer... — suas palavras possuíam um tom doce quando se dirigia a mim, e eu podia ver que isso não passava despercebido por Jacob, que nos olhava com ódio. Edward estava definitivamente comprando uma briga com ele e, o resultado poderia ser desastroso. Não agora é claro. Jacob Black não era idiota o suficiente para isso, mas eu sabia o quanto ele poderia ser vingativo e ardiloso. — Mas não pense que pretendo permitir que continue com o seu jogo, Black. Mesmo que Bella volte a ser sua escrava, pois ela não era e nunca foi sua submissa, não permitirei nenhum tipo de tortura em nenhuma casa.

Eu não conseguia formular palavras naquele momento. O choque por sua presença, as palavras de Jacob, seu tom confortante, tudo me confundia ainda mais. Eu apenas envolvi minha mão na sua e, assim, sem palavras, saímos de mãos dadas da casa, com minha pequena mala em sua outra mão.

Eu podia sentir meu coração bater freneticamente em meu peito. A sensação de ter a mão de Edward presa a minha, parecia ao mesmo tempo tão acolhedora e assustadora.

Em algum momento no caminho até seu carro, me perdi olhando para nossas mãos e pensando em quanto estava gostando da sensação de calor e proteção que ele me fazia sentir, só em ter sua mão na minha. Eu sabia que não tinha agido certo... Que direito eu tinha de entrelaçar nossas mãos, como um casal de adolescentes? Ele certamente ainda não tinha se livrado do meu aperto, por ser cavalheiro demais.

– Oh! Desculpe-me. – pedi forçando minha voz a sair suavemente e esconder toda a agonia que eu sentia naquele momento.

Eu queria mais de nossas mãos juntas. Eu precisava de mais.

(...)

Notas finais
GLOSSÁRIORelação baunilha: Como praticantes BDSM, chamam relações fora do contexto BDSM.Checklist: Questionário que uma Sub ou um Dom preenche, mostrando suas preferências e seus limites.