Despertar de uma sub
21 Capítulo 19
Notas iniciais
Capítulo 19
Não era, exatamente, o meu diário. Apenas uma replica dele. E sim, alguns fatos foram deixados de fora porque ainda existiam coisas que me eram difíceis de compartilhar, mesmo com Edward. Mas, após todas as palavras que eu tinha, cuidadosamente, passado para cada página, ele me conheceria como ninguém mais.
– O despertar de uma submissa? – O olhar de Edward se prendeu em meu rosto e eu desejei ter deixado o maldito título de fora.
– Eu sei. Idiota, não é? Mas foi a única coisa que me veio a mente quando comecei a escrever isso...
– E quando foi, exatamente, que você começou?
Delicadamente, eu passei uma página e o mostrei a minha primeira impressão, o meu primeiro olhar sobre o universo que hoje acolho e me sinto grata de fazer parte.
– “Dezembro de 2008...” – Edward leu a primeira linha em voz baixa. – Bella, isso...
– É... Tem um pouco de tudo. Não deve ser uma leitura muito interessante, mas... – Dei de ombros. – Você está aí também... Desde a primeira vez que o vi.
– Interessante nem chega perto de descrever isso... Eu... Bella, eu não sei o que dizer... Vai ser uma honra ler tudo o que você escreveu aqui. Vai ser uma honra, conhecê-la dessa forma.
.
...
– Uauuu é ainda mais bonito de dia! – Exclamei ao fitar o imenso lago a minha frente. – E frio... – Estremeci quando um vento gelado me atingiu.
– Não foi uma boa ideia deixar as suas roupas em casa... – Edward retirou o seu casaco e o colocou em meus ombros.
Eu me ocupei em vestir, adequadamente, o casaco sobre a camisa fina que usava e dei a Edward um sorriso de agradecimento.
– Sempre um cavaleiro!
Para comprovar a minha declaração, Edward me puxou para mais perto, colocando seu braço sobre meus ombros e depositou um beijo em minha testa.
– Me conte alguma coisa sobre você... – Ele sussurrou quando começamos a caminhar na beira do lago.
– O que você gostaria de saber?
– Tudo!
Eu o olhei e arquei uma sobrancelha.
– Você tem uma pergunta?
– Sua cor predileta?
Essa é fácil! Eu não precisei de meio segundo para responder.
– Verde.
– Verde? – A voz de Edward soou um pouco incrédula ou talvez tenha sido divertida. – Por quê?
– É verde... Eu só gosto. – Obviamente, eu tomei o cuidado de desviar o meu olhar dos olhos esmeraldinos dele ou ele encontraria a resposta verdadeira estampada em meu rosto.
– Livro predileto?
– O meu... – Sorri por estar me referindo ao diário que tinha entregado a ele há alguns minutos atrás como um livro. Exatamente, como ele insistia em chamar.
Chutei uma pedrinha, apenas para me distrair de qualquer pensamento sério.
– Quanta modéstia! – Edward parou os meus movimentos. – Você vai se machucar, Isabella.
Como ele consegue fazer isso? Ir de um perfeito cavalheiro a um Dominador em menos de um segundo?
Eu cruzei meus braços e voltei a olhá-lo.
– Bom, se eu não gostar... Quem vai? – Me afastei um pouco e apanhei a pedrinha que tinha chutado. – E, só para constar, meus pés não são assim tão delicados...
Eu observei o redemoinho que se formou na água escura do lago quando eu joguei a pedra.
– Os seus são, Sr. Cullen? – Pisquei para Edward e continuei a dar alguns passos para longe dele.
Eu o vi ensaiar um movimento negativo de cabeça.
– O que você pensa que está fazendo? Eu vou te alcançar em menos de 10 segundos...
– Existe algo que você não sabe sobre mim, Sr. Cullen. – Incitei. – Eu sou péssima em qualquer esporte, é verdade. Mas eu corro muito bem!
Eu mal tinha acabado a frase e já havia iniciado a minha corrida. Eu o vi correr atrás de mim, quando olhei para trás por sobre os ombros.
Ele era rápido. Mas eu c era pequena e isso me permitia passar por passagens estreitas e desviar de algumas arvores.
Deus! Eu estava me divertindo. Como não fazia há anos.
Eu contornei boa parte da casa, ouvindo Edward me dizer que eu estaria perdida quando ele me alcançasse.
– Você precisa me pegar primeiro! – Gritei entre risos.
Eu alcancei a campina que tinha avistado na noite anterior quando estive no escritório de Edward e arfei diante da beleza do lugar. Inúmeras e diversas flores cresciam em harmonia pelo chão e eu apreciei a suavidade que envolvia meus pés.
Era como estar em um paraíso. Um lugar repleto de paz. Onde nada ou ninguém poderia me atingir.
Exceto Edward, que se aproveitou da minha distração.
– Eu acho que estou velho demais para isso... – Meu corpo foi levado ao chão pelo o de Edward e eu me agarrei a ele com força. – Eu... – Ele tentou continuar, mas precisou parar para respirar.
Edward repousou a sua cabeça sobre meu abdômen e fechei meus olhos, apreciando a sensação.
Ficamos assim, deitados no chão coberto de flores, juntos e em um silencio confortável por um longo tempo.
– Edward? – Sussurrei. – Eu posso fazer uma pergunta?
– Quantas quiser...
– Por que não temos um contrato? – Perguntei baixinho.
Desde de minhas primeiras pesquisas sobre BDSM eu sempre ouvi falar sobre os contratos que ligam uma submissa a seu Dom. Era uma forma de os dois envolvidos se resguardarem, se manterem seguros.
Apenas mais uma forma de deixar claro que uma relação D/s era sã, segura e consensual.
Eu nunca assinei um.
Para Jacob, segundo palavras do próprio, eu tinha me tornado sua propriedade quando lhe disse sim, com ou sem contrato.
E Edward, nunca tocou no assunto.
Mas eu sabia que Alice e Jasper, Rose e Emmett tinham um e, Jasper havia deixado escapar que Edward nunca deu uma coleira a uma submissa sem que existisse um contrato assinado por ambos.
Por que comigo era diferente?
– Você quer um? – Edward, rapidamente, se sentou e me olhou com seriedade.
– Eu não sei... – Sua pergunta me pegou de surpresa. – Eu estou apenas... Curiosa.
– Eu deveria ter preparado um... Na verdade, eu deveria ter lhe dado um para ler e assinar, se você desejasse. Mas... Nós começamos de uma forma diferente da que eu estou habituado. Honestamente, Bella? Eu sempre tive submissas experientes... Eu não treino as minhas submissas. É complicado, trabalhoso e perigoso demais.
Eu tentei dizer algo, mas nada saia.
O que isso queria, de fato, dizer?
– Com você foi diferente... Eu não sabia se daria certo.
– Você estava esperando pelo momento em que tudo desandasse? Você não queria um contrato te ligando a mim quando imaginava que isso, o que nós temos, jamais daria certo. É isso?
A única resposta que recebi foi o olhar penetrante e avaliador de Edward sobre mim.
De repente, toda a beleza do dia tinha desvanecido.
Apesar da forma como fui apresentada a esse universo, mesmo com todos os acontecimentos que tive que lidar. Eu queria isso.
Eu queria, muito, isso. Com Edward.
Por mais que sempre estivesse tomada por inseguranças, eu sempre confiei na relação Dom/sub que mantemos.
Sempre foi claro para mim, que mesmo que eu, jamais, pudesse ter o coração de Edward. Eu possuía a sua coleira, o que queria dizer, ao menos em minha mente, que tínhamos um elo forte, íntimo e inabalável.
Aparentemente, eu estava errada.
– Eu vou precisar ir a Chicago... – Edward começou a dizer quando permanecer ali, deitada ao lado dele, se tornou incomodo e me levantei. – Eu pensei em trazer algumas coisas para você e... Eu terei um contrato quando eu voltar.
– Você tem certeza? – Foi tudo que eu disse antes de caminhar até a porta de correr que separava seu escritório de onde estávamos em tempo de esconder as lágrimas que desejava derramar.
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