Despertar de uma sub
20 Capítulo 18
Notas iniciais
Capítulo 18
Eu prendi meu olhar no imenso espelho a minha frente e quase não me reconheci.
– Eu disse que estava linda... – Alice sussurrou do outro lado do seu espaçoso quarto. – Edward vai adorar!
Eu olhei para a minha imagem perfeitamente maquiada, sentindo uma pontinha de insegurança.
–Você, realmente, acha isso? – Questionei, enquanto um de meus dedos contornava meus lábios pintados de vermelho. – Eu, ainda, não sei se é uma boa ideia.
Brinquei com alguns fios do meu cabelo que Alice havia deixado, propositalmente, de fora do penteado glamoroso. E, como uma menininha, girei o corpo e praticamente gargalhei ao ver a forma como o vestido rendado de um ombro só evidenciava os meus pontos fortes.
– Provavelmente, Le nem sabe o que o dia de hoje significa... – Continuei, após me sentar na cama e começar a calçar os sapatos de salto alto.
– Eu não acredito que ele esqueceria o dia em que te deu a sua coleira. – Alice sorriu para mim e voltou a me borrifar perfume.
– Bom muita coisa aconteceu nos últimos dias... – Sussurrei, imaginando se o visual provocativo seria suficiente para me conceder à comemoração que desejava. – E, para mim, é mais do que só isso.
– Talvez, seja mais para ele também... – Eu segurei as mãos que minha nova amiga me oferecia e me coloquei de pé. Alice ficou na ponta dos pés e beijou a minha bochecha. – Divirta-se!
...
Eu parei em frente ao luxuoso restaurante e, imediatamente, me arrependi em ter pedido a ajuda de Alice.
Uma reserva em nosso restaurante japonês predileto estaria de bom tamanho... E, no entanto, ela me enviou para o, provável, restaurante mais caro e sofisticado de Chicago.
E eu ainda não sabia o que ela tinha dito a Edward para fazê-lo me encontrar aqui.
Encolhi-me no quente, sobretudo que usava e prendi, firmemente, minha bolsa próxima ao meu corpo, tentando ocultar o nervosismo e, respirei fundo, antes de adentrar o local.
–Eu acredito que o Sr. Cullen esteja esperando por mim. – Disse, timidamente, ao Maître que me recepcionou. – Nós temos uma reserva.
Ele me olhou por alguns segundos, o que foi capaz de me deixar, ainda mais, desconfortável, e logo em seguida abaixou seu olhar até um grande e perfeitamente ornamentado livro.
– Nós temos uma reserva em nome de Edward Cullen. – Ele, finalmente, me concedeu uma resposta. – Porém, Senhorita, não há nada no seu nome.
Eu o olhei em confusão.
– Eu não disse o meu nome. – Olhei ao redor e não me passou despercebido que muitos olhares estavam sobre mim.
– Senhorita... – O Maître voltou a dizer, após um, quase imperceptível, movimento de cabeça que fez com que um homem alto, impecavelmente vestido em um terno preto, se aproximasse de mim. – Eu preciso solicitar que se retire.
– O que? – Disse um pouco mais alto do que pretendia e quase me encolhi ao perceber que, praticamente, todos no espaçoso salão nos observavam. Estremeci ao sentir a pesada mão, do que eu imaginava ser o segurança, sobre meu ombro. – Por quê?
– Sinto muito, mas sua presença, certamente, constrangerá os nossos clientes e, obviamente, denegrirá o nosso estabelecimento.
Eu podia sentir as lágrimas, pela humilhação, querendo cair e engoli em seco antes de me virar, dando de cara com o segurança.
– Não me toque! – Advertir, antes de apresar meus passos e deixar o restaurante.
Eu precisei respirar fundo inúmeras vezes, mas felizmente fui capaz de conter o choro.
Não era a primeira vez que algo assim me acontecia, depois da divulgação dos vídeos e, certamente, não seria a última.
Mas, por que tinha que acontecer logo hoje? Eu não teria outra opção a não ser contar a Edward.
Como eu poderia explicar que não apareceria para o jantar que insisti que tivéssemos?
Eu me recostei ao lado da entrada do restaurante e vasculhei em minha bolsa, em busca de meu celular.
A vontade de chorar voltou ao avistar o simples presente embrulhado.
Fechei meus olhos, me controlando, e esperei até que Edward atendesse a ligação.
– Hey! – Tentei esconder o fato de que minha voz soava embargada. – Você já está no restaurante?
– Não... Sinto muito, Bella! Eu me atrasei com uma reunião de última hora. Mas, já estou chegando.
Eu acho que suspirei de alivio.
– Sem problemas. – Me apressei em dizer. – Eu estava pensando e... Nós podemos ir a outro lugar ou, quem sabe, eu possa preparar algo em casa... Você não se importa, não é?
– Por quê? – Obviamente, existia clara desconfiança em sua voz.
Recostei minha testa contra o muro gelado, tentando encontrar algo para dizer, que não evidenciasse que algo estava errado.
– Eu imagino que você deva estar cansado e...
– Você pode me dizer a verdade agora. – A interrupção não veio através do telefone, mas sim da voz cantada de Edward, bem as minhas costas.
Virei-me para encarar os olhos inquisitivos.
Uma de suas perfeitas sobrancelhas foi arqueada e eu não tive outra opção além de dizer baixinho:
– Eu não posso entrar...
– Você pode explicar isso melhor? – Ele apoiou suas mãos no muro ao qual eu estava recostada me mantendo presa a ele.
– Aparentemente, eu não sou bem vinda... – Murmurei e, envergonhada, desviei o meu olhar. – Mas não é grande coisa, eu posso...
– Você quer dizer que não a deixaram entrar? – A voz melodiosa perdeu qualquer traço de alto controle. — Eu espero que esteja enganado... Especialmente, com relação ao motivo.
Eu movi a minha cabeça em um gesto negativo.
– Você sabe, perfeitamente, qual foi à razão.
Eu observei a forma como Edward respirou fundo e, com um movimento súbito, me soltou e se virou em direção à entrada do restaurante.
– Edward? – Chamei ao vê-lo se encaminhar até lá. – Espere!
Eu não queria, mas tive que segui-lo.
Segurei seu braço, tentando pará-lo.
– Deixe isso para...
– Não termine! – Ele se voltou em minha direção e a intensidade da raiva que encontrei em seu olhar, me fez soltá-lo.
– Sr. Cullen... – O Maître sorriu para ele. – É um prazer recebê-lo.
– Aparentemente, você não dispensa o mesmo prazer a minha acompanhante.
– Por favor... – Sussurrei me juntando a Edward. – Vamos embora.
O Maître voltou seu olhar para mim.
– Sua presença é uma honra em nosso restaurante... – Ele disse a Edward. – Mas, temo que a senhorita não seja bem recebida pelos demais clientes.
– Essa é a sua opinião ou do restaurante como um tudo? – Edward retrucou, mantendo o contato visual. – Eu gostaria de ouvir isso, pessoalmente, do seu superior.
– Sr. Cullen...
– Edward, por favor... – Voltei a falar, me apossando, mais uma vez, de seu braço. – Todos estão nos olhando... Pare com isso.
Ele me olhou por um segundo e acariciou o meu rosto, antes de olhar ao redor.
– Vocês estão incomodados com a nossa presença? – Ele disse mais alto e eu desejei ser capaz de desaparecer. – Isso só prova os quão mesquinhos e ignorantes vocês são, meus senhores. Se existe alguém, nesse restaurante, que deveria estar incomodada em compartilhar o mesmo ambiente com alguém, essa pessoa seria a linda mulher parada ao meu lado. Ela é digna de todo o respeito e consideração que vocês tanto desejam ter. Ouso dizer que Bella é ainda mais digna do que todos nós. E seus pré-conceitos e julgamentos equivocados só comprovam isso. Desejo, imensamente, que seus falsos pudores, e não a presença dela, os impeça de aproveitar a refeição. Isso mostraria que existe alguma dignidade em vocês.
– Sr. Cullen eu peço per... – O Maître tentou dizer.
– Guarde as suas palavras vazias... – Edward me puxou para mais perto. – E, obviamente, aguarde o contato do meu advogado.
Eu precisei correr para acompanhar o passo dele, mas parei ao vê-lo socar o teto de seu carro.
–Merda! – Ele sibilou. – Filhos da puta arrogantes!
– Edwar... – Tentei me aproximar.
– Me dê alguns segundos, anjo. – Ele abriu a porta do carona e com um movimento me pediu para entrar.
Eu obedeci, mas mantive meu olhar sobre ele, enquanto ele se inclinava sobre o carro e continuava a praguejar.
Essa não era a noite que eu esperava ter.
Fechei minhas mãos em punhos e comecei a murmurar:
– Não chore! Não chore! Não chore!
Obviamente, não adiantou.
Eu estava agradecida por Alice ter insistido em usar maquiagem a prova d’água ou eu estaria terrível quando Edward, finalmente, adentrou o carro.
Ele me puxou para mais perto. Exatamente como tinha feito no dia que retornou de viagem e me encontrou na livraria.
– Eu sinto muito! – Ele disse em meu ouvido. – Por tudo... Mas, não pelo o que eu disse a eles. Eles mereceram. O que eu sinto muito é que você tenha passado por isso e... Que eu tenha sido, de alguma forma, indelicado com você.
Eu o abracei.
– Obrigada... – Tentei dizer. – Por me defender.
– Sempre!
...
– Nós tínhamos uma comemoração? – Edward voltou a dizer, após longos minutos, me ajudando a voltar ao meu lugar e secando as lágrimas que tinham caído por meu rosto.
– Apenas um jantar... Alice não deveria ter insistido em algo tão...
– Eu sei, exatamente, que dia é hoje, Bella. – Edward me deu um sorriso torto. – Você, realmente, acredita que eu esqueceria o dia em que você me deu a honra de ser o seu Mestre?
Eu acho que corei.
– Nós ainda podemos comemorar... – Ele assegurou e, com cuidado, me fez colocar o cinto de segurança. – O que você acha de uns dias apenas para nós... Longe de tudo isso?
O olhar dele me fez perceber que sua sugestão não era apenas por mim.
– Eu adoraria qualquer tempo com você... Em qualquer lugar.
...
Eu devo ter adormecido, após algumas horas de viagem para algum lugar que Edward não especificou, mas que imaginei que não seria longe demais, já que, segundo ele, era dispensável passarmos no apartamento antes.
A próxima coisa de que me lembro após fitar a estrada escura e deserta por tempo suficiente para me deixar sonolenta é da mão de Edward me tocando delicadamente e sua voz doce em meu ouvido.
– Chegamos!
Eu olhei ao redor, sem conseguir ver nada, além da sombra de grandes árvores, por conta da escuridão da noite e prendi meu olhar no dele.
– Vamos acampar? – Minha voz sonolenta tentou soar divertida. – Eu deveria ter trocado de roupa.
Edward apenas me deu um sorriso bonito e deixou o carro. Eu tentei forçar a minha visão, mas não consegui acompanhá-lo.
Estava a ponto de abri a minha porta e chamar por ele, quando ele, sendo o perfeito cavalheiro que é se adiantou a mim.
– Saltos, realmente, são os melhores sapatos para se usar aqui fora... – Ele disse me estendendo a mão.
Eu deixei o carro, segurando firmemente a mão que me foi oferecida.
– Isso me dá a desculpa perfeita... – Ele disse próximo ao meu ouvido e me pegou no colo.
Eu gritei pela surpresa e me prendi a ele.
...
– Seja bem vinda! – Edward se recostou displicentemente a porta que tinha acabado de abrir e, delicadamente, me colocou no chão e com um só movimento iluminou todo o local.
Eu arfei!
– É incrível! – Disse me deliciando com a visão da casa feita de imensas paredes de vidro que me permitia apreciar a vista de um imenso lago cercado por gigantescas árvores.
Eu me sentia imersa em uma grande e deserta floresta. Mas isso não me assustava, não se Edward estivesse ao meu lado.
– É lindo!
– Fico feliz que tenha gostado... – Suas mãos me viraram de frente para ele e, logo após, trabalharam em me livrar do pesado, sobretudo.
Seus olhos brilharam e eu, subitamente, me senti tímida diante de sua avaliação.
– Essa casa... – Ele começou, com a voz rouca. – Todo esse lugar e todos os outros do mundo, se apagam diante dessa visão... – Sua mão deslizou por meu braço nu. – Linda, nem chega perto de te definir agora.
Meu coração pareceu tentar alçar voo diante de suas palavras doces.
– Tudo isso era para mim? – Seu rosto se inclinou em direção ao meu e eu fechei meus olhos ao sentir seu nariz deslizar por minha bochecha.
– Sempre é para você. – Respondi com a voz trêmula.
O beijo que se seguiu foi capaz de me fazer esquecer o incidente do início da noite e, até mesmo, o meu próprio nome. Tudo o que existia para mim era a dança incansável de nossas línguas, o afago carinhoso e, ainda assim, dominador, de suas mãos em meu pescoço, o calor de seu corpo colado ao meu e a evidente, potente e irrefutável prova de que eu era capaz, também, de fazê-lo esquecer de todo o resto.
– Você deve estar cansada... – Sua respiração pesada tocou a pele de meu ombro, onde ele repousou sua cabeça, após nos afastarmos em busca de ar.
– Nem um pouco. – Garanti, infiltrando meus dedos em seu cabelo.
Ele riu. E como sempre, o som, era responsável por aquecer minha alma.
– Isso é bom... – Um beijo foi depositado em minha pele, me fazendo arrepiar. – Me dê só alguns minutos... Eu preciso dar uns telefonemas. O que você acha de um banho enquanto isso?
Ele não esperou por uma resposta, mais uma vez voltou a me pegar no colo e me conduziu até um espaçoso quarto.
– Todas as paredes são de vidro? – Perguntei ao tocar o chão e, como antes, a linda vista me impressionou.
– Quase isso... – Edward pegou a minha mão e me levou até o banheiro.
Aí estava um cômodo sem paredes de vidro. Senti-me aliviada.
– Eu vou estar no escritório... Na segunda porta após você descer as escadas. – Mais um beijo, dessa vez, mais voraz, em meu pescoço. – Seja boazinha e mantenha esses lindos lábios vermelhos para mim.
Eu assenti e o vi deixar o quarto. Só então me dei conta que não existia nada que eu pudesse vestir.
...
Eu gastei meu tempo olhando ao redor, o que, obviamente, incluía o imenso closet repleto de roupas masculinas e não resisti à tentação. Deslizei um macio e delicado tecido branco por meus braços e prendi um dos botões.
Não tinha o cheiro inebriante de Edward. Mas pertencia a ele. Era o suficiente para mim.
Cuidadosamente, dobrei o bonito vestido que usava e o coloquei em uma gaveta vazia e me fitei em um espelho preso a parede.
A maquiagem continuava perfeita – o que só provava o quanto Alice é boa nessas coisas, mas o meu cabelo agora estava um pouco desgrenhado, mas ainda assim, o efeito era bonito. Pensei em soltá-lo e permitir que largas ondas caíssem em minhas costas, mas achei que Edward apreciaria o meu pescoço completamente livre e o colo, parcialmente exposto pelos botões renegados da camisa social e a falta de um sutiã.
Eu corei, abundantemente, ao me dar conta que a única lingerie que vestia era uma minúscula calcinha de renda negra que não cobria muita coisa.
Ponderei se devia continuar a espera de Edward ou procurar por ele. Minha ansiedade decidiu por mim.
Eu desci as escadas lentamente e aproveitei para apreciar a bela casa.
Eu nunca tinha parado para pensar em quão rico e influente Edward era, mas estava bastante claro que era muito mais do que eu supunha.
Sua voz chegou até mim, assim que deixei o último degrau e, instintivamente, me deixei guiar até ele.
O blazer do seu paletó havia sido descartado sobre um sofá e a gravata negra estava frouxa em seu pescoço, assim como alguns botões de sua camisa abertos.
Ele estava sentado em sua poltrona de costa para uma campina florida, que podia ser observada pela parede de vidro, o que tornava a sua imagem ainda mais linda e... De certo modo, angelical.
Sua atenção totalmente voltada para o telefonema, só se desviou quando eu me recostei sobre a porta de madeira, fechando-a e, suavemente, bati para fazê-lo ciente da minha presença.
Ele sorriu e afastou o fone de seu rosto.
– Você tem algum fetiche pelas minhas camisas? – Ele questionou divertido.
– Eu não fui capaz de encontrar nada que pudesse vestir... – Respondi em minha defesa.
– Por que será? – Eu observei o olhar penetrante, a sobrancelha arqueada e o deslizar da ponta da língua umedecendo os lábios tentadores.
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