Despertar da ilusão

4 Onde eu estou?


Notas iniciais
Demorei para postar, mas aqui está, espero que agrade a vocês.. Boa leitura :)

Emily Dawson

Estava abrindo a porta do carro, íamos embora já que ficamos muito tempo por aqui. Hoje foi divertido, Nicholas estava diferente comigo. Menos idiota que o normal, digamos que estava até que legal... E até mesmo me ajudou a esquecer um pouco meus problemas. O que eu estou dizendo...

Dei uma ultima olhada para aquele lugar, era realmente lindo. O vento passou sobre meu rosto, balançando meus cabelos e trazendo com ele um cheiro agradável. A luz do sol já estava mais fraca, estava ficando frio aqui. Passei as mãos pelos meus braços, tentando me esquentar de alguma forma. Minha roupa ainda estava um pouco úmida, o que piorava a situação.

Ouvi um baralho vindo do carro, me virei novamente para o carro, e percebi que era o telefone do Nicholas. Me estiquei para pegar, e ir levar até ele. O telefone vibrava, e tocava em minhas mãos. O que fez com que eu olhasse para a tela do celular enquanto andava, vi o nome da pessoa, era o John. Decidi atender já que John era meu amigo, antes que eu pudesse falar algo ele falou.

– Então Nicholas você saiu com a Emily né. Rolou alguma coisa cara?- ele falou eufórico. Fiquei em silêncio, prestava a atenção em cada palavra dita por ele. Ele também se calou, acho que estava esperando a resposta do “Nicholas”, mas seu silêncio foi por pouco tempo- Nicholas... Acorda cara , então vocês ficaram como o planejado? Ela cedeu?- continuei sem dizer uma palavra. Minha vontade naquele momento foi de gritar, mas não me saia uma palavra de meus lábios — você a beijou ou não cara?!

Então foi para isso que ele me trouxe aqui? Aquilo tudo não se passava de um teatrinho... Como eu fui idiota... Ouvir o John dizer aquilo acabou comigo, admito. Mas não por tudo ter sido apenas um jeito dele ficar comigo, foi por eu ter acreditado no Nicholas. Como ele pode?

Eu não deveria estar surpresa, já era de se esperar vindo dele, mas por algum motivo isso me afeta. Era tudo um plano besta para ele me beijar e conseguir sua vitória. Por mais que eu não queira admitir, ele conseguiu o que queria. E agora vai poder dizer a deus e o mundo que mais uma vez, sim ele conseguiu.

Sinceramente não sei por que não resisti ao seu beijo, já fiz isso antes faria de novo. Bem talvez o que tem acontecido tenha me deixado fraca, e é isso o que acontece em seus momentos de fragilidade, as pessoas usam você.

Desliguei o telefone respirei fundo, e olhei para frente, logo vi Harry vindo até mim. Ele sorria docemente como se tudo aquilo que houve conosco fosse real, e sincero. Eu como sempre a idiota aqui que se ferra no final. Como uma pessoa pode ser doce, e ao mesmo tempo, um completo babaca? Infelizmente não tenho a reposta...

Rapidamente olhei para baixo, não queria o encarar. O que havia acabado de acontecer me fazia me lembrar de algo, que sinceramente eu desejava esquecer. Não posso me deixar levar pelas emoções, mas a todo o momento via flashs daquele dia se passando por minha mente.

Lembranças me atormentavam, e ao mesmo tempo sentia uma raiva subir dentro de mim. A mistura de sentimentos me confundia totalmente. Senti uma lágrima escorrer pela minha face, e logo a sequei, não entendo por que estou com vontade de chorar. O que acaba de acontecer não é motivo para tal.

É como se tudo que tenho guardado estivesse escorrendo para fora de mim agora.

Estive tentando fazer de tudo para esquecer isso, mas parece que isso tudo vem me assombrando. Tentando me levar para o buraco de novo. Esses sentimentos estavam me consumindo, comecei a me sentir um pouco tonta e quase tombei para o lado, mas apoiei um de meus braços no carro. Um flashback veio em minha mente.

Tinha acabado de voltar de uma lanchonete que havia ido com Anna. Já estava escuro, e vento frio que batia em meu rosto com voracidade. Andei mais rápido para chegar logo até a porta, a abri e entrei. Mal pude completar o ato, que ao me virar vi algo indesejável. Senti meu rosto enrubescer, e uma mistura de raiva e tristeza.

No momento que me virei, foi o exato momento que vi meu pai dando uma tapa no rosto de minha mãe. Ela foi jogada no chão com o impacto, e colocou a mão no local.

Ela gemia baixinho com a dor, e se encolheu no canto onde havia caído. Meu pai bufava ferozmente, havia ira em seus olhos, mas não maior do que a ira que se encontrava em mim. Não permitiria isso, não mais.

Ele andou até minha mãe, e começou a gritar com ela, não prestei atenção no que ele dizia. Pus-me a frente dela, precisava protegê-la. Foi quando senti um estalo, e uma ardência no lado direito de meu rosto. Cai sobre meus joelhos, meus cabelos foram jogados para frente cobrindo meu rosto.

Foi um rápido ato, demorei um pouco para me ligar no que havia acontecido ali, ao perceber a situação em que me encontrava ergui meu rosto para olhar para ele. Olhei bem a fundo de seus olhos, e vi que não tinha um pingo de arrependimento em seu olhar.

Olhei para trás para ver se minha mãe faria algo, e ela não fez absolutamente nada! Ela não me defendeu, não disse nada. Só se levantou ajeitou sua roupa, e foi para seu quarto como se nada houvesse acontecido.

Olhei novamente para meu pai, já não havia mais tristeza em mim. Só raiva e nojo. Era isso que eu estava sentindo por ele naquele momento. Nojo, repulsa do monstro que ele tem se tornado. Levantei-me, e nem sequer olhei para ele.

Logo percebi que havia alguém que observava cautelosamente tudo que acontecia ali, era Peter ele parecia assustado. Seu olhar estava perdido e amedrontado. Ele ainda estava com o mesmo olho roxo, mas desta vez menos.

Ultimamente ele tem sido tão frio, faz tempo que o vejo demonstrar qualquer tipo de sentimento. Surpreendi-me ao ver surgir coragem em seu rosto assustada, e ao vê-lo correr em minha direção, e me abraçar. Ele se separou de mim, e se pronunciou olhando para mim preocupado.

– Você está bem Emily?- ele perguntou rapidamente, e eu assenti. Ele se virou bruscamente em direção ao meu pai e apontou o dedo em direção ao seu rosto — como você pode ?COMO VOCÊ PODE?VOCÊ É UM COMPLETO IDIOTA! – Meu pai o ignorou, e andou a porta revirando seus olhos. Peter se pós a sua frente, e o impediu de passar – como consegue dormir a noite? Já não bastava me bater, vai fazer isso com Emily agora?!

Ele o empurrou, e o mesmo caiu no chão. Ele passou pela mesinha de centro, e a segurou por baixo, logo após virou-a no chão ferozmente e com força. Quebrando tudo que estava ali em cima.

Após isso ele foi até a porta a abrindo, e depois a fechando. Olhei para o chão, e Peter não estava mais ali. Havia cacos de vidro espalhados pela sala, coisas caídas. Apenas eu e os destroços, continuei sentada ainda sem entender o porquê de tudo isso...

Sabe quando você vê as pessoas que ama se tornando algo que você desconhece? Quando você se sente um estranho em meio da sua família, em meio de sua própria casa? É assim que estou me sentido, tenho tentado ser forte, mas às vezes isso parece impossível.

Estou vendo minha família ser destruída , estou vendo tudo se desmanchando , caindo aos pedaços. Estou como uma pilastra sustentando a tudo e todos. Fazendo de tudo para manter tudo de pé quando eu mesma estou desmoronando .

Não consigo suportar, não consigo aguentar. Mesmo com todos meus esforços, tudo isso está sendo em vão.

Minhas tentativas de ajudar a juntar minha família, sendo forte para ajuda-los a ficar de pé mesmo com todas as dificuldades, para que? Para ver todos indo embora, e me deixando sozinha. Deixando-me aos pedaços. Me sento vazia, sinto frio mesmo aquecida. Não consigo entender, é como estar fria por dentro...

Consegui voltar a meus pensamentos , ergui o rosto, e vi Nicholas me encarando. Ignorei-o, e esperei minha tontura passar por alguns segundos. Minha tontura passou mais minha cabeça doía muito, tirei a mão do carro, e pus em minha testa entrelaçando os dedos em meus cabelos.

– O que houve Em?- olhei para ele ,e estendi o telefone. Ao ver o nome na tela ele arregalou os olhos, e voltou a olhar para mim. Demonstrava estar preocupado com aquilo, deve saber bem do que se trata. Ele pegou o celular, e ainda parecia tenso com o que estava acontecendo.

–Eu acreditei em você!- não me contive, e gritei com ele, ele parece ter se assustado com minha atitude, mas quem se importa — foi tudo planejado ne ? Você me trouxe aqui por isso?- fiquei cabisbaixa, e falei em um sussurro – eu acreditei em você...

–Emily, eu posso explicar... Eu... -Não deixei que ele termina-se, e falei.

– Nicholas só me leva para casa... Eu não quero conversar...- fui fria e direta , acho que é assim que tenho que ser agora. Não me afetar com esse tipo de coisa, acho que às vezes temos que aprender isso da maneira difícil.

{...}

Tinha acabado de chegar em casa e o silêncio tenebroso de sempre pairava por ali, isso quando não estão gritando. Ainda bem, minha cabeça ainda está doendo pelo o que houve mais cedo e os ouvir gritando é o que eu menos quero agora.

Estava indo para meu quarto, vou me deitar um pouco quem sabe minha cabeça para de doer. Cheguei ao quarto e joguei minha mochila na cama. Sentei na cama e lembrei que estava com a roupa completamente suja e fedendo, me levantei rapidamente e fui até o banheiro tomar um banho. Após o banho me troquei colocando uma roupa limpa e básica.

Minha cabeça está latejando foi quando me acorreu uma coisa, tem aspirinas no armário da cozinha! Sai de meu quarto em direção à cozinha. Quando passei pela porta da cozinha, havia um cheiro estranho vindo lá de dentro. Se não soubesse que ninguém fumava aqui diria que é de cigarro, provavelmente esse cheiro vem de algo que está queimando no fogão.

Parei de andar e virei meu rosto em direção a porta, meu irmão estava ali mexendo em algo. Ele parecia se preocupar que alguém o observa-se, pois olhava para os lados o tempo todo. Ele mexia naquilo freneticamente e murmurava algumas coisas. Andei em direção a ele para poder ver o que era, mas quando eu estava perto só o vi fechando uma mochila.

Ao ver minha presença no ambiente ele se espantou e rapidamente pegou sua mochila a colocou em seu ombro saindo do local, passou por mim olhando para baixo certamente ignorando minha presença. Fui atrás dele sem que ele percebe-se, ele saiu porta a fora sem dizer nada. Ele está muito suspeito, alguma merda esse garoto está fazendo. Tem sido assim todos os dias, ele sai de noite para onde ninguém sabe. Até agora ninguém sabe. Sim eu vou atrás dele, vamos ver o que ele faz de legal por ai.

Peguei meu celular no quarto e sai porta a fora. Olhei para um lado da rua o procurando mais ele não estava ali, olhei para o outro e vi um garoto andando de maneira estranha, deve ser ele. Ele já estava quase virando a esquina, comecei a andar mais rápido para alcança-lo em silêncio para não chamar a atenção dele é claro.

Mas como ironia, não ironia eu que esbarro em tudo mesmo, sem querer esbarrei na lixeira do vizinho. Meus vizinhos vão me xingar mais tarde, sacudi o pé para retirar um lixo que ficou preso e corri um pouco. Quero estar longe dali quando eles virem o que eu fiz.

Peter nem percebeu minha presença, provavelmente ele é surdo para não ter ouvido o barulho que acabei de fazer. Continuei andando atrás de Peter. Mantendo certa distância, não quero que ele perceba que está sendo seguido e ainda por cima por mim. Não sei ao certo por que estou fazendo isso, ele é só um garoto de 14 anos o que poderia esta fazendo de tão errado. Isso soa tão estranho.

Quando percebi Peter atravessou a rua, e entrou em uma lanchonete. Fiz o mesmo, mas não entrei na lanchonete os observei de fora. Era uma lanchonete estilo retro com bancos vermelhos de couro, e o balcão era decorado conforme o tema.

Eu nunca vim aqui talvez seja por que o local está meio caidinho. Ele se sentou em uma mesa junto a três garotos que aparentavam ter a mesma idade dele, menos um esse era mais alto e parecia ter uns 17 anos. Tinha cabelos negros sua pele era morena e seus olhos eram verdes, seu olhar estava centrado na mochila que Peter trouxe com ele. Os outros rapazes estavam mais animados, falavam sobre varias coisas apontando e gesticulando. Eles eram estranhos, mas fora isso garotos normais.

Acho que me enganei sobre Peter... Decidi ir embora dali me virei, mas ao fazer isto vi Peter e os meninos saindo para os fundos da lanchonete, não há para eles saírem por ali. Após Peter e outros dois garotos mais novos saírem com ele o mais velho conferiu se havia alguém olhando e saiu também. Isso foi um tanto suspeito. Fui andando até os fundos por fora da lanchonete, havia uma parede onde eu podia observa-los sem ser vista.

Peter entregou a mochila a um dos garotos, que pareceu conferir o que tinha dentro. Peter observava tranquilo o garoto revirava sua mochila, outro dos meninos colocou sua mão dentro da mesma e de lá puxou um maço de cigarros, e mais e outro também. Cigarro? O que Peter fazia com aquilo em sua mochila?

Acho que eles estavam contando, Peter estendeu a mão e o mais velho o olhou e tirou um maço da mochila e o entregou. Peter pegou um isqueiro dentro de seus bolsos e retirou um cigarro do maço, ele começou a fumar ali mesmo. Não posso acreditar que ele está fumando, ele nunca foi de se envolver com esse tipo de coisa. Hoje não é um dia muito bom, muitas surpresas, e nenhuma delas foram boas. Nossa sou uma garota de sorte...

Depois disso Peter foi com os garotos para outro local. Eles entraram em uma rua que eu não conhecia, mas irei ir atrás de Peter para descobrir o que mais ele anda escondendo nessas idas a locais desconhecidos.

{...}

Depois de muito andar cheguei a um local meio sombrio, pessoas entravam e saiam dali, suas faces eram mórbidas, e em grande maioria pálidas. Havia muitas pessoas do lado de fora fumando cigarros ,e coisa que eu não faço ideia do que sejam. Tive que me misturar no meio dessas pessoas para entrar aqui, esse lugar tem um cheiro horrível. Não faço a mínima ideia de que lugar é este, não sei como voltar, e eu ainda me perdi de Peter.

A todo local que passo tem pessoas bebendo, fumando e fazendo coisas... Já por duas vezes me ofereceram bebidas, cigarros, por todas às vezes neguei. Elas me assustam, parecem estar mortas ou quase, mas estão aqui ferrando com o que ainda sobrou de vida dentro delas. Me olham como se eu não devesse estar aqui , há também pessoas que me olham com certa malicia, mas ignoro.

Estou tentando me achar por aqui quando avisto o menino alto que estava com Peter entrando em algo que aparentava ser uma sala, fui até lá e fiquei espiando pelo vão da porta. Peter estava lá falando com um homem cuja face não consigo identificar. Sinto algo encostar no lado do meu rosto, e levemente ser pressionada com o mesmo. Fiquei paralisada, em silêncio quando ouço uma linda voz rouca falar perto de meu rosto, o que me causou arrepios.

– O que faz aqui?- virei meu rosto levemente para o lado, e vi um moreno alto com cabelos negros, e olhos castanhos claros me encarando sério. Reparei no objeto que ele segurava contra minha cabeça era um revolver. Fiquei imóvel, pensando no que faria, e em cada palavra que por mim seria dita.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.