–Ela esta fugindo!- Uma voz estridente gritou do meio da multidão.

– Peguem na! Ela trapaceou! – A mesma voz gritava cada vez mais perto.

Um arco de fogo se manifestou no céu enquanto aquele até então pássaro, que agora se transformava em dragão voava com os olhos vendados.

– ME AJUDEM A SAIR DAQUI! –Eu gritava desesperada no pico da montanha.

– Abra o portal! – Uma moça estonteante gritava do meio de todas aquelas pessoas.

Repeti as palavras, mas nada acontecia.

O medo. Sim, o medo não deixava o portal se abrir.

– Agarre a, e a estraçalhe! – A voz estridente se aproximava.

Sem saber o que fazer fechei meus olhos com toda força, me concentrei, mas nada adiantava, eu estava perdida.

Perdida...

E foi nesse momento que luz até então mascarada reapareceu em minha frente. Eu o conhecia.

Eu estava sentada na beira da minha cama estarrecida, esse era o décimo pesadelo que eu tive em apenas três dias. Minhas noites de sono estavam cada dia mais conturbadas, se os meus pesadelos não me levassem a um lugar paralelo ao nosso mundo,era a escuridão que me perseguia diariamente.

–Que horas são?- A minha melhor amiga Lyra Foster disse em um ímpeto, se colocando de pé na frente da janela do nosso quarto, o que pelo seu semblante me revelou que a neve já tinha vindo e já havia coberto grande parte do nosso colégio.

– São seis horas da manhã. – Eu disse a ela, observando as horas no meu mais novo relógio de pulso, o qual eu havia ganhado de presente do meu melhor amigo e irmão de Lyra, Henry.

– Olha a neve, ninguém merece, ela já cobriu o nosso pátio!- Lyra disse com os um desapontamento na voz, já que a coisa mais importante para ela nessa vida era passar os intervalos admirando o céu azul e límpido, o que com a chegada da neve tornou seus planos totalmente impossíveis.

Eu me coloquei de pé, e fui em direção a espessa janela que ficava no centro da parede do nosso quarto, e logo notei a imensidão de cor branca.

– Lyra, eu tive novamente outro pesadelo. – Eu disse a Lyra, ainda observando os flocos pequenos de neve que cismavam em cair e adivinhando em que momento a nevasca iria chegar, quando ela se virou para mim assombrada.

– Outro pesadelo?Em apenas três dias? – Ela me interrogou preocupada.

– Sim, mas hoje foi diferente, uma luz extremamente forte me salvou de toda aquela escuridão. — Eu me sentia envergonhada por estar contando a Lyra, esse pesadelo, era algo de certo modo tão insiguinificante, mas que sem explicação alguma deixava Lyra sempre aterrorizada.

– Uma luz? – Lyra perguntou assustada. — Que espécie de luz?- Ela parecia realmente que estava interessada nas minhas loucuras.

– Não sei explicar, isso e complicado. – Eu disse em um uníssono, e fui me sentar na beira da minha cama.

– Entendo, mas me prometa uma coisa esta bem?- Ela disse isso como se fosse uma ordem e não uma petição.

– Nunca, em hipótese alguma fale para alguém o que você anda sonhando. — Ela disse se ajoelhando na minha frente, e me olhando com os olhos oblíquos, o que me deixou um pouco assustada.

– Esta bem. – Eu prometi

Depois de um breve momento de silencio, eu voltei à janela para espiar os estragos causados pela neve, e Lyra deitou na sua cama e começou a ler um livro que eu não conhecia, mas pela capa era algo do tipo: Como observar estrelas cadentes, a sua leitura predileta.

Enquanto eu estava na janela, eu pude observar que não havia ninguém fora de seus quartos, e já eram quase sete horas da manhã, o que era algo fora do comum nos sábados em Hidden Sword High School, já que todos os alunos esperavam ansiosos a chegada dos fins de semana, onde cada um menos eu, Lyra e Henry poderia receber visitas de seus pais.

– No que você esta pensando?- Lyra me perguntou sem tirar os olhos de seu livro.

– Em nada, só estou fitando a paisagem de neve. — Eu respondi com desanimo, olhar para aquela imensidão de brancura estava me enojando.

– Você ainda esta pensando naquele pesadelo?- Lyra me perguntou, agora olhando para mim.

– Não, eu só estou com sono, afinal não dormi direito a noite. – Era uma explicação verdadeira, havia três dias que eu não pregava o olho e isso estava interferindo diretamente na minha saúde.

– Entendo, mas não se preocupe isso são só pesadelos nada de ruim ira te acontecer. — Ela me disse colocando seus fones de ouvido, o que ela sempre fazia quando estava prestes a dormir. — Você me acorda quando for à hora do café?- Ela perguntou em meio a um bocejo.

– Sim, claro. — Eu respondi, calçando a minhas botas e colocando o meu cachecol, e jogando meu pijama em cima dos cobertores da minha cama, e indo em direção a porta do quarto,eu não iria ficar naquele quarto o dia inteiro.

A neve tinha cessado quando eu sai no jardim do colégio, eu só conseguia sentir algumas gotas de chuva, parecia que a nevasca ainda estava aguardando a hora certa para atacar.

Eu andei por todo o jardim, havia agora alguns alunos do meu ano e de algumas series mais avançada que se aglomeravam no pátio coberto de neve, os quais se ocupavam em fazer bonecos de neve e atirar bolinhas uns nos outros.

Enquanto eu andava por todo o colégio, eu fiquei deslumbrada com a maneira com que o céu se mostrava naquele dia. Era um translúcido sem fim. Eu fiquei alguns minutos olhando para o céu e admirando a forma com que ele se mostrava hoje, mas quando menos esperei a minha visão se escureceu por completo.

– O que você esta fazendo aqui? — Uma voz familiar me fez dar risadas, eu conhecia aquelas mãos quentes em qualquer lugar que eu fosse e aquela voz rouca e grave, o entregavam de qualquer modo.

– Estou apenas apreciando a paisagem. – Eu respondi e meio a uma gargalhada, nunca senti mãos tão quentes como as dele.

– Assim não vale você sempre sabe que sou eu! –Henry me disse frustrado.

– Eu sempre adivinho pelo calor das suas mãos. – Eu disse com um sorriso, agora podendo olhar para os seus cabelos Castanhos escuros que roçam ate o pescoço, os quais fazem um belo contraste com a sua pele branca cor de porcelana e seus olhos azuis impenetrantes.

– Calor das minhas mãos? – Ele me perguntou curioso.

– Sim, você tem as mãos mais quentes que já vi. – Eu disse corando, sem saber o real motivo.

Nós dois rimos, éramos amigos desde pequenos e só bastava apenas um olhar para nos dois nos entendermos, era algo incrível que nunca ninguém conseguira explicar.

– O que você esta fazendo aqui fora? – Eu perguntei percebendo o frio que estava fazendo e percebendo que ele só estava usando uma calça jeans Levi´s e uma camiseta preta com mangas compridas e seu tênis preferido um Nike star preto.

– Nada, eu estava na janela do meu quarto olhando para a paisagem branca quando eu vi você caminhando sozinha aqui fora então resolvi lhe fazer companhia. – Ele disse sorrindo, o que fez a o meu rosto arder.

Henry nunca provocava essa sensação em mim, mas ultimamente essa explosão de sentimentos ocorre toda vez que olho para ele.

– Você não esta com frio?

Ele riu antes de responder.

– Nunca tenho frio. – Ele disse com os olhos impenetrantes e mais azuis que o costume.

Eu senti meu coração acelerar nessa hora, mas logo outra emoção dominou o ambiente. Um grande estampido veio do bosque e fez meu coração quase parar, eu olhei para Henry e percebi que uma fúria aparente fluía de seus olhos, eu nunca o havia visto daquele jeito e isso me deixou com um grande assombro.

– Volte para o seu quarto! – Ele disse ríspido.

– Porque, o que aconteceu? – Eu perguntei ofegante, o que sempre ocorria em situações que me deixavam com medo.

Uma ventania inesperada fez com que eu fechasse os meus olhos, uma ação impensada e quando eu voltei á abri-los Henry não estava mais ao meu lado. Tudo havia voltado ao normal, à ventania já tinha ido embora, realmente estava tudo normal. Aparentemente normal.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.