Despertar [Revisão]

40 Filhos Tenebris


Notas iniciais
Olá leitores lindos! Embora eu saiba que muitos desconfiaram, estou aqui novamente e tenho um novo capítulo. Como sempre aviso, a escrita pode estar um pouco diferente, mas espero que não se importem. Queria agradecer todos que comentaram e me motivaram a continuar. Serio, onze comentários depois de mais de um ano sem postar mudaram a minha vida e me motivaram muito a continuar a postar e mais rápido. Esse capítulo em especial vai para a Mal Potter Uchiha Salvatore que me deixou uma recomendação, embora eu vá considerar que ela não goste muito. Pois é neh? Fazer o quê? De todas as formas muito obrigada pela recomendação. É a vigésima, o que a deixa mais especial ainda, muito obrigada mesmo pelas palavras. Então é isso. Espero que gostem do capítulo e até as notas finais em que esclarecerei algumas coisas importantes.

“Tudo bem: Não é a primeira vez que você se sente tão perdida, usada, burra e sozinha.”

— Tati Bernardi.

Ficou para trás quando todos os alunos saíram. Não havia meditado e nem feito nada. Na verdade durante toda aula de Itachi, ao menos após a parte em que ela havia socado Sasuke, Sakura teve que ficar sentada em um canto. Ela sentia como se tivessem lhe colocado de castigo com orelhas de burro, como criancinhas faziam na pré-escola.

Durante o “castigo” havia refletido um pouco. Estava arrependida de ter socado Sasuke no meio da aula, deveria ter feito isso fora da vista das demais pessoas. Por ter agido sem pensar acabou colocando em risco o moreno, embora ele merecesse mais do que ninguém estar em risco. Pagar pelo que havia feito.

– Sakura? — Itachi chamou fazendo a garota suspirar, não estava com vontade de conversar, principalmente com alguém tão parecido com Sasuke. Com outro Uchiha. — Sabe que eu deveria lhe aplicar uma advertência. — continuo a falar.

– Me fez esperar para receber uma advertência? — o encarou firme, ele se mantinha frio e a uma distância agradável, não como na última conversa a sós em que ele simplesmente invadiu seu espaço pessoal.

– Se eu aplicasse uma advertência à diretoria ficaria sabendo. — falou e só então Sakura notou, ele sabia, de alguma forma Itachi sabia do motivo da sua raiva e do que o irmão havia feito. Possivelmente todos os filhos Tenebris soubessem.

– Então se não vai me dar uma advertência, algum motivo em especial para ter me deixado aqui? — o encarou enquanto se erguia, geralmente ficaria satisfeita por não receber uma punição, mas não naquele momento, não com um Uchiha.

– Para se acalmar. Talvez você precise de alguém para conversar e aliviar a raiva. — não demonstrou intimidade, mas se mostrou aberto para ajudar.

– Olha! Muito obrigada, mas eu não quero conversar sobre nada, principalmente sobre isso e se quisesse, desculpe por isso, mas sabe que não seria com você! — foi dura demais, não se importou. Itachi sabia, Itachi estava envolvido. Uchihas talvez não fossem mais Uchihas no final. Era triste para ela, mas parecia ser mais triste para eles, presos e inflexíveis em si mesmos.

– O quanto confia no Sasuke? — ele questionou fazendo a rosada paralisar por alguns momentos. O quanto confiava? Não tinha ideia. Talvez sua vida, talvez não existisse confiança. Ela só estava machucada e magoada. Não precisava pensar em seus sentimentos, não queria.

– Itachi. – pegou alguns dos seus pertences. Então respirou fundo se acalmando. Se não sabia se confiava no Sasuke, logo confiaria menos ainda no irmão mais velho do mesmo. Mas isso não era motivo para ser grossa, muito menos ser grossa com uma autoridade da instituição. – Me desculpe, mas se é só isso, posso ir? – questionou sem muita animo, mas também tentou ser gentil. Respeitosa.

– Tudo bem, qualquer coisa, sabe onde me achar. — deu ombros se mostrando indiferente. – Já pode ir.

Com a liberação ela saiu. Fez apenas um sinal qualquer de despedida e correu para fora. Iria direto para a sua casa e então quando entrasse não falaria com ninguém mais. Trancaria sua porta para qualquer um. Independente de quem fosse.

Em seguida quebraria tudo o que visse pela frente. Até a raiva desaparecer parcialmente e ela poder agir de forma racional diante da descoberta. Isso se em algum momento conseguisse agir de forma racional.

– Sakura. — ainda estava na escada quando ouviu a voz de Sasuke a chamando. Era algo novo. Sasuke a chamar. Principalmente quando ela tinha feito algo fora do padrão. Algo considerado errado por ele. Como socar a sua cara.

Virou-se na direção dele e conseguiu ver o rosto serio com o semblante levemente franzido. Ainda não era noite, mas ao seu redor parecia mais escuro, certamente ele havia se teletransportado para o local. O que fazia sentido, afinal, ela havia acabado de passar pelos degraus onde ele estava parado.

– Acho que precisamos conversar. — voltou a falar quando a garota se manteve em silêncio. Ao que parecia um tipo severo de desordem na natureza estava se manifestando no dia, os dois silenciosos Uchihas estavam a chamando para conversar.

– É? — cruzou os braços na defensiva. — Pois eu acho que não precisamos. Eu acho que você já fez tudo o que precisava sem precisar dizer uma palavra. Estamos conversados. – deu-lhe as costas enquanto voltava a descer a escada.

Estava com raiva dele, admitia, mas a raiva por ter sido usada era pior. Muito pior. Parecia que alguma parte de si, dentro e fora do corpo, estava sendo esmagada e mutilada por essa constatação. Durante um bom tempo ela acreditou que o Uchiha poderia gostar dela, mesmo que fosse apenas como amigo. Permitiu-se ficar feliz por isso. Não sabia o que doía mais a verdade ou a vergonha. Se o seu orgulho fosse uma pessoa, estaria na UTI.

– Mas iremos conversa, Sakura. — abaixo de si, quatro degraus, ele surgiu novamente, de inicio apenas uma mancha negra, como um vulto. Então era mais e mais físico, o corpo tomava forma e cor e ao lado a luz era preenchida com sombras. Ganhava força quando a luz deixava de existir e perdia espaço. Como uma tristeza que se solidifica a cada vez que a felicidade enfraquece.

– Não precisamos, eu não acredito em nada mais do que você disser, você não vai mais me enganar. — desceu os degraus até que estivesse de frente para ele. Por estar um degrau acima tinha o mesmo tamanho.

– Então ao menos explique o motivo de ter me jogado contra a parede, o motivo da sua raiva. — tinha os olhos frios e a expressão indiferente. Sakura suspirou fundo ordenando a si mesma a ter calma.

– Me chamaram hoje na aula Sasuke. A Tsunade me contou sobre como você explicou que não foi o assassino do Kiba, que não poderia ter feito isso, porque estava o tempo todo na minha casa. — o encarou cheia de ódio. — Porque passou do final da tarde até o momento em que Temari apareceu lá, comigo. Quase três horas diretas! Só que você não fez isso, você chegou atrasado. Tempo suficiente para ter matado o Kiba e então ido ate a minha casa encenar todo aquele conto bonitinho. — cerrou os dentes por alguns instantes. — Você só queria que eu fosse o seu álibi. — por um momento sentiu os olhos se encherem de água. O coração doía de pensar nisso. Que havia se arrumado várias vezes esperando ele chegar, que foi tão estupida a ponto de ficar feliz por Sasuke aparecer na sua casa, de estar empolgada. Enquanto isso, ele matava alguém e a usava como álibi, como cumplice. Simples e cruel. Sasuke era um assassino e não se importava com mais nada. Nem mesmo com as mãos dadas que ela simplesmente não conseguia esquecer.

– E você disse a verdade para a Tsunade? — foi tudo o que ele perguntou. Não tinha uma explicação, um pedido de desculpas, em seu rosto o mais puro nada. Nenhuma gota de arrependimento ou culpa. Apenas indiferença, ate mesmo diante das lágrimas que desciam do rosto da rosada.

Ele não se importava.

– Não. — murmurou o encarando incrédula. Conseguiu ver um suspiro pequeno de alivio sair dos lábios brancos. Então mais nada, apenas o silêncio. — É isso? — questionou o fazendo a encarar. — É isso o que tem a me dizer? — não houve resposta.

Apenas ele parado. A encarando. O rosto indiferente estava sendo quebrado por uma fração mínima de nervosismo. Ele parecia incerto sobre o que dizer, Sakura entendia, o Uchiha estava em suas mãos. Não poderia dizer qualquer coisa enquanto ela pudesse acabar com seus planos. Ele não sabia que se ela aguentasse a possibilidade de o ver sendo culpado e punido pela morte de Kiba, já teria contado tudo. Que ela só queria um pouco mais de força, um pouco menos de carinho por alguém que não merecia e ele estaria sendo delatado.

Então Sasuke optou pelo silêncio e ela optou por sair da sua frente, não o deixar ver as suas estúpidas lágrimas. Seu orgulho não suportaria muito mais tempo ali, estava cansada de parecer uma menininha usada na frente dele. Embora fosse.

– Sakura. — ele chamou novamente, mas ela não se virou em qualquer direção, apenas continuou a descer a escadaria e ele fez uma coisa útil e descente, a única que poderia fazer, não apareceu novamente na sua frente e nem foi atrás. Ele a deixou seguir sozinha e embora fosse o que queria, Sakura sentiu o coração ser mais quebrado ainda ao ver que Sasuke iria a deixar partir.

***

– É uma obrigação? — perguntou pela sétima vez, ainda segurava a sua bandeja mais cheia que o normal. Estava com fome, só não gostava do que teria que fazer. Comer na mesa dos líderes, nem mesmo queria ser líder, então porque comeria na mesa dos mesmos?

– Tente não reclamar. -Temari se virou para ele e parecia animada demais para alguém tão preguiçoso como ele era. — Até porque ao que parece a sua mesa não está sendo ocupada. — olhou na direção de um local em especial. Onde ele sempre se sentava. Não havia nada além de cadeiras vazias.

– Por isso deveria estar lá. — foi tudo o que disse, mesmo assim Temari entendeu, ele não queria estar lá, queria estar ajudando as suas amigas.

– É só um jantar. — murmurou o fazendo bufar. Estava ficando irritado e era difícil. Shikamaru raramente ficava irritado. Geralmente era tranquilo demais para isso, ele não controlava a irritação, apenas não a sentia. Não até agora.

– É, só um jantar. — concordou andando na frente.

A mesa já estava completa, excerto por Sasuke. Shikamaru observou enquanto Hinata e Naruto comiam normalmente, próximos e satisfeitos. Neji parecia incomodado com algo, extremamente mal humorado e Gaara só faltava socar a comida.

– Boa noite. — Temari sorriu ignorando totalmente o humor das pessoas sentadas.

– Hunf. – foi todo o som que saiu de Neji.

– Boa noite! — Hinata e Naruto responderam juntos. Ela arregalou os olhos ficando vermelha e ele deu um sorriso gigantesco.

– Parece boa pra você? — Gaara bufou e os olhos encararam alguma coisa qualquer no refeitório.

Shikamaru só queria voltar para a sua mesa.

– Que animador. — Temari o encarou, como quem pede desculpas e se sentou ao seu lado.

– E então Shikamaru, gostando da vida de líder? — Naruto foi quem puxou assunto enquanto bebia o seu suco.

– Não. — foi tudo o que respondeu enquanto começava a comer.

– Com o tempo vai ficando mais fácil para lidar, a sua casa que se encontra bagunçada. — Hinata o sorriu tentando ser solidária ao desanimo dele.

– Não muda. – Gaara não o encarou. – Continua ruim e você se acostuma. Lidar com pessoas idiotas todos os dias e não poder fazer nada com os malditos idiotas. — bufou, Shikamaro engoliu seco ao sentir a perna que estava mais próxima ao ruivo queimar. – Na verdade piora, e muito, com o tempo. – completou no segundo em que o moreno havia recolhido a perna. Questão de segurança própria.

– Ignore ele. O Gaara está tendo um péssimo dia, é difícil sim, mas eu garanto que você vai gostar. — Naruto o sorriu, parecia animado.

– Sei. – foi tudo o que saiu de sua boca. Não queria falar. Seus pensamentos giravam em torno de outras coisas. Queria observar o céu, dormir, descansar, falar com Hanabi, ir visitar Tentan, tentar entender desde quando Sakura havia começado a socar o alvo de sua paixão e como suas amigas tinham se envolvido em tantos problemas. A única que salvava era Ino.

O que seria mais fácil, se ele não tivesse que ouvir nada sobre problemas na casa, reclamações de intrigas, ter aulas, ler sobre o desempenho de cada filho Terra, fazer relatórios sobre cada integrante, tentar entender alguns resultados negativos, solucionar problemas menores... A lista continuava, era infindável. A verdade era que ele queria ser mais um aluno e não um líder de alunos. Ter uma vida movimentada parecia um pesadelo.

Temari e Naruto estavam conversando com Hinata um pouco tímida participando vez ou outra. Mas Shikamaru resolveu prestar mais atenção no seu prato. No momento era mais produtivo e então dormiria. Se Temari continuasse a reclamar sobre ele sair de todos os lugares para dormir, iria dormir na mesa. Qualquer coisa para ele estava bom.

– Shikamaru. — a garota o balançou e ele acordou em um pulo. — Está quase caindo sobre a comida. — explicou e ele observou o prato pela metade.

Então estava sonhando que queria dormir e não de fato apenas desejando? Suspirou afastando o prato da sua frente e se debruçando sobre a mesa. Assim não correria riscos desnecessários, ainda sentia fome, contudo preferia dormir.

– O que pensa que está fazendo Shikamaru? — Temari já tinha aumentando o tom da voz.

– Dormindo. — respondeu simplesmente.

– E mesa é lugar para dormir? — ele conseguia sentir a raiva na voz dela.

– Para de ser problemática. — bufou escondendo o rosto nos braços.

– Não me chama de problemática, seu preguiçoso! — ela parecia um touro bufando de raiva.

– Então não seja. — respondeu simplesmente ouvindo a risada de Naruto. Olhou na direção do loiro que encarava os dois com um sorriso enorme no rosto.

– Vocês dois parecem um casal de velhinhos ranzinzas. — explicou o motivo da sua risada fazendo Temari reclamar alguma coisa com ele. Shikamaru não se importou, só conseguiu pensar que se fosse um velhinho ranzinza seria melhor.

Velhos podem dormir quando querem.

***

Itachi olhou para o próprio quarto sem interesse. Se existisse uma forma de descrevê-lo naquele momento, seria como alguém frustrado. Ele estava frustrado. Sua vida era frustrante. Dando aula para pessoas inúteis, obedecendo alguém inútil como Orochimaru e Tsunade. Obedecendo pessoas fracas e sem nenhuma participação efetiva no futuro que planejavam. Pessoas tão desnecessárias que nem mesmo deveriam estar vivas.

Era frustrante. No mínimo.

E para piorar a situação, ele simplesmente queria matar a maldita Haruno. Se existisse um medo na vida dos Tenebris era a respeito da personalidade dos descendentes da família Haruno. Eram complicados. Tanto que haviam conseguido uma maldição apenas para si. Tempestuosos nunca faziam o que deveriam, nunca pensavam nos outros. Egoístas natos desde o inicio da família.

Alguns diziam que eles salvavam o mundo há gerações. Bobagem. Só o faziam por conveniência. Ninguém havia estudado mais a família do que Itachi e desde a primeira descendente que fez a escolha porque havia se apaixonado por um humano estupido, ate o pai de Sakura, que simplesmente queria que os sobre-humanos deixassem de existir. Todos tinham motivos próprios. Ninguém quis realmente salvar o mundo e se a escolha que os beneficiasse a ser feita fosse a que destruísse o mesmo, era risível, mas a humanidade não teria passado da idade média.

Para se preparar Itachi havia criado diversas táticas. Formas de que escolher o que ele queria fosse o melhor para o Haruno que viesse. Pura manipulação. Mas não se importava. Quando se tinha um objetivo não importava a forma que chegasse a ele. Sendo um caminho limpo ou sujo. Ele só não esperava que quem aparecesse fosse Sakura. Uma menina mimada.

Não existia adolescência entre os Tenebris. Era uma fase humana demais para eles, mas Sakura era uma adolescente mimada, geniosa e o pior de tudo, romântica. Itachi cometeria suicídio antes de ter que lidar com uma mulher romântica por muito tempo. Ele se segurava com mais força a cada vez que encontrava Sakura.

Mantenha a Haruno viva, se ordenava, ao menos pelo tempo necessário até que ela faça o que precisa, completava. Mas a verdade era que por ele, já teria a colocado a colocado debaixo da terra na segunda frase trocada.

Sakura Haruno era uma garota sortuda por ter utilidade no mundo. Ao menos por enquanto possui. Itachi já tinha se prometido, assim que tudo acabasse, que ela fizesse o que ele queria, iria a matar. Com suas próprias mãos. Lentamente. Ultimamente os únicos momentos que ele realmente sorria eram ao imaginar os gritos desesperados da rosada, os olhos perderem o brilho em meio à escuridão e a voz. A maldita voz que apenas davam vida para palavras estupidas, silenciada pra todo o sempre.

Sempre que ela fazia alguma coisa. Falava, odiava quando ela falava, Itachi respirava fundo enquanto mostrava sua expressão indiferente. Então imaginava a cena em que ela terminava morta, desfigurada. Era uma espécie de terapia. Um mantra de relaxamento.

Sentou-se na cama e respirou fundo. Iria fazer a única coisa que gostava. Meditar. Aumentar a sua ligação com Tenebris, se tornar um só com Tenebris. Esquecer-se do que o cercava. Itachi não era o professor de introdução/aperfeiçoamento em ligações sem motivo. Nunca havia existido alguém melhor do que ele no assunto.

– Não comece com isso quando estou aqui. – a voz grossa e fria de seu líder de clã o impediu de fechar os olhos.

Não olhou em volta a procura do mesmo. Fugako, também conhecido como seu pai, já não poderia ser visto por olhos nenhum. Não que estivesse morto. Ainda não. Havia apenas dado seu corpo para Tenebris em sacrifício para ter mais poder. Não que adiantou muito. O corpo sobre-humano de Fugako simplesmente se desmaterializou no momento que Tenebris tentou o controlar.

Agora o líder dos Uchiha se vangloriava por ser completamente sombras e extremamente forte. Itachi só pensava no quão patético o pai havia sido, já que seu corpo não teve serventia alguma para Tenebris.

Nos últimos anos Fugako estava se tornando mais sombras do que Fugako realmente. Itachi ainda se lembrava do inicio, quando era possível que o homem se materializasse em puras sombras e todo o clã ficava fascinado com suas aparições. Ele fazia isso até mesmo na luz. Então começou a só conseguir fazer nas sombras. Então não conseguia mais. Até que apenas filhos Tenebris com ligações fortes poderiam o ver.

Haviam espalhado um boato estupido. De que ele só se comunicava com poderosos, que os fracos não mereciam a sua presença. Que esse era o motivo o qual Mikoto havia assumido a liderança do clã. Mas Itachi sabia a verdade. O pai estava desaparecendo. Não morrendo, não ficando fraco. Mas desaparecendo completamente.

Fugako tentava fazer parecer que não usando sua voz forte e tendo conversas rápidas, mas na maioria das vezes em que conseguia fazer contato com alguém fora das sombras, já começava a demonstrar demência.

– O que faz aqui? – foi tudo o que questionou.

– Vim vistoriar o que andam fazendo. – a voz parecia preencher todo o local. – Estão fazendo investigações da morte desse garoto, não é um ano para que chamemos atenção. – estava duro como sempre havia sido.

– Não é como se pudessem fazer alguma coisa. – respirou fundo tentando se concentrar na meditação. Logo o pai desapareceria e ele poderia ficar em paz.

– Podem atrapalhar os planos. – como almas rastejantes as sombras, seu pai, se escoraram em Itachi. – Será esse o ano ou nunca. – decretou com muita certeza, certeza até demais para alguém que geralmente beirava a insanidade. – Não teremos outra chance! – simplesmente berrou e Itachi sorriu calma e cinicamente, o pai já não conseguia ter um diálogo controlado. – Ouvi sussurros nas sombras. – explicou já não havia dureza ou determinação em sua voz, em contraste com o grito anterior, agora ele mesmo fazia os sussurros.

– Hum. – não se importou realmente, as sombras eram compostas por resquícios de memorias de filhos tenebris atormentados e de existências apagadas. Alguns diziam que era o verdadeiro inferno e que a ideia havia sido criada por um filho tenebris que escolheu ser humano, mas o subconsciente guardou a informação. Lá, o que mais se escutava eram sussurros. Até mesmo ele escutava quando realizava uma viajem pelas sombras muito distante.

– Eles me disseram, o próximo a vim é Sarutobi. – agora parecia nervoso. Itachi quase gargalhou, o pai estava realmente louco, Sarutobi havia sido o mais forte e poderoso filho Lux. Morrido na guerra aos caídos. Há mais de dois mil anos. – Ele vai descobri o que fizemos com o Sasuke, vai descobri o que tramamos e então destruirá cada um de nós. – medo, Fugako já não tinha racionalidade o suficiente nem mesmo para fingir não ter medo.

– Sasuke? — franziu a testa, o que haviam feito com Sasuke? Por alguns instantes quase se esqueceu, não era mais o líder falando, apenas um débil. – Vá embora. – mandou sem nenhuma paciência ou respeito.

– Não mande em mim. – um pouco da dureza e dignidade da voz havia voltado.

– Tsc. – bufou incomodado e então fechou os olhos para meditar. Ao seu redor a presença de Fugako ia pouco a pouco se esvaindo, mesmo contra a sua vontade. O homem era apenas sombras e sombras Itachi controlava.

Um sorriso mínimo surgiu em seus lábios, sua mãe estava certa, já era hora de trancafiar Fugako para sempre no mundo das sombras e então ela tomaria a liderança completa dos Uchiha. Os filhos Tenebris mereciam alguém tão fantástica e forte quanto Mikoto.

Ele merecia parar de ser humilhado por ter uma existência tão patética como pai. Porque desde que o corpo do pai havia sido desintegrado, quando Itachi tinha apenas onze anos, tudo o que sentia pelo homem era vergonha.

Notas finais
Então? O que acharam? Bom, imagino que não seja o que muitos queriam. Admito que quase cedi a vontade de fazer com que o Sasuke fosse um bom moço que muda pela personagem principal e tal, mas gente, minha personagem principal já não é boazinha, nem era de se esperar que eu seguisse o mesmo caminho. O Sasuke tem uma personalidade dele, é assim o personagem e altera-lo para o deixar bom, fofo e romântico seria o mesmo que criar um segundo personagem com a mesma aparência. Completamente incoerente com a história, então se gostam do Sasuke personagem "real", imagino que não seja necessário o alterar drasticamente. Outra coisa é o Itachi, sei que existia uma preferência por fazer um triângulo amoroso entre eles. Mas não. Considero que se alguém está na duvida entre dois amores, nenhum dos dois presta, não consigo ver um triângulo amoroso como romance, não no sentido da história da Sakura e do Sasuke. Poxa, ela sabe que gosta dele desde o momento em que colocou os olhos no Sasuke. Não vejo motivo para ficar de mimimi e ter duvidas, os dois já terão problemas demais para colocar um triangulo amoroso. E por ultimo, o Itachi tem uma personalidade única e forte aqui, algo que será bem consistente, então não, ele não vai se mostrar bom, ele não vai se apaixonar ou algo assim. Pois é, existe mundo além do romance e o Itachi infelizmente vive nesse mundo. Quer dizer que ele não terá nenhum romance? Não, vai ter, mas duvido muito que será o que desejam. Notaram que dei indícios do que se trata Tenebris? Bem superficial, mas Ignis, Aqua, Terra e Caeli seguem exatamente o mesmo sentido. Acho que já conseguem pensar em algo. E mais uma coisa, prestem atenção na estrutura familiar dos dois irmãos e principalmente na personalidade dos Tenebris, se algum agir diferente, desconfie. É tudo o que posso dizer sobre (afinal, se não mudei nem o personagem principal, existe uma forte razão por isso, essa característica deles é MUITO forte.) E sim. Fugako se deu mal e Mikoto quando surgir será uma diva de tão forte. Acontece, poder feminino '-.- Sobre o que fizeram com o Sasuke... Nada a declarar, mas não criem expectativas... Quero dizer... Sem expectativas positivas MUAHAHAHAH' É isso, acho que não tenho mais nenhuma consideração final. Qualquer duvida responderei nos comentários e aproveitem que estou mais aberta a contar algo e perguntem. Também vou pouco a pouco respondendo os deste capítulo. Até mais e não se esqueça do comentário !
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.