Despertar [Revisão]

1 REVISADA - Virada de vida.


Notas iniciais
Primeiro cap. aeeeee tosca eu sei. Então espero que gostem e queria agradecer a minha mãe que me deu o PC, a minha amiga que me escuta e aos meus dedos porque sem eles eu não faria nada disso (aposto que alguem já ouviu essa) Tive que deixar essa pequena parte porque eu era muito da louca. Mas é isso gente, nem sei se tem alguém ai, mas a revisão de Despertar em fim começou. O primeiro capítulo tá igual (considerando que deixei de ser semi-analfabeta, reescrevi e deixei o os personagens mais adultos e sexys desde então). No próximo já vem mudança, tentei deixar bem mais enxuta a história e tirar a enrolação e os furos. Espero que gostem.

Ninguém gosta de você não é porque você parece nerd ou estranho.
É porque você é um babaca."
(A Rede Social)

Puxou o capuz com força sobre sua cabeça e só então atravessou o pátio. Iria para a biblioteca, também conhecida como única edificação que não tinha nem mesmo uma marquise para proteger os alunos. Uma idiotice incoerente do colégio. A biblioteca era o que tinha menos atenção em uma instiruição de ensino.

Há alguns meses ela obviamente não saberia disso. Não mesmo. Há alguns meses ela era uma aluna modelo do Instituto Acadêmico Gurgel Lins, era a melhor aluna da classe, capitã do grupo de dança, namorada do cara mais cobiçado e tinha a tira colo, como melhor amiga, a garota que todos queriam ser amigos. Ainda não entendia como em um piscar de olhos tudo havia mudado.

Na verdade ela entendia, só não aceitava. Com motivos, sua mente berrava para não aceitar, afinal, tudo o que estava ocorrendo era ridículo, idiota e anormal.

Tão anormal que ela deixou que crescesse como uma bola de neve e acabou soterrada. Não que tivesse culpa. Quem poderia dizer que um dia ela acordaria e ao abrir a porta do quarto acabasse a derrubando? Que seus cabelos, antes longos e ondulados na medida certa para causar inveja em qualquer um pelo tom cobre, iria gradualmente começar a ficar rosa? Isso mesmo, rosa, como as lesbicas e punks que ela sempre fez questão de classificar como excluídas e sempre menosprezou. Que o corpo, delicado e magro, iria crescer quase quinze centímetros e ela seria relacionada com uma vareta ao invés da garota linda e meiga que sempre foi?

Não estava pronta para as mudanças que ocorreram durante as férias de meio de ano do ano anterior e nem para o que as mudanças iriam provocar.

O namorado havia lhe dado um “chute na bunda” público e na mesma semana começado a namorar sua ex-melhor amiga – que uma semana depois não apenas pegou seu posto de líder no grupo de dança, como também realizou uma votação onde foi decidido, por unanimidade, que seria melhor que ela se afastasse. Se afastasse pra sempre. – e agora maior inimiga.

Seu rosto, porem, continuava idêntico. Não que ela gostasse, sempre foi o que menos apreciou em si mesma. Ser ruiva lhe dava sardas demais e diversas vezes ela se sentia uma pequena massa de cobre, as pessoas elogiavam, diziam que era lindo, mas trabalhava com realidade, não tinha como acreditar. Assim como nunca acreditou que a testa tinha o tamanho ideal para o rosto. Eram fatos e fatos devem ser aceitos e superados.

Não que ela estivesse aceitando fatos nos últimos meses.

Como aceitar sua situação? Lá estava ela, usando um moletom branco encardido e molhado por causa da chuva e levando os materiais na mochila do grupo de dança que a expulsou, o que para ela soava tão patético quanto conseguia ter criatividade pra pensar, os pés encharcados e os livros que carregava úmidos... Livros, havia aprendido a ama-los nos meses que se passaram.

Entrou na biblioteca abaixando o capuz, os cabelos agora nos ombros – havia cortado quando após tentar pintar para encobrir a cor teve um resultado desastroso – pareciam brilhar no tom róseo.

— Bom dia, Sakura! – a biblioteca sussurrou com o sorriso amável, lábios finos, enrugados e batom escuro terroso. O lugar era pequeno e pouco frequentado, por isso não era surpresa que ambas tivessem se aproximado. Era bom ter alguém para conversar, embora no fundo de sua mente a antiga Sakura gritava de ódio a pavor a cada palavra trocada. Apenas perdedores são amigos de funcionadios de escola.— Chuva difícil essa, não?

— Não estava esperando. – sussurrou em resposta e colocou os livros que tinha que devolver sobre o balcão.

— A previsão era de sol. – a pobre senhora parecia triste apontando para a blusa de malha gasta que vestia. Sakura moveu a cabeça e resmungou alguma coisa, a atenção em uma pilha de livros, tinha que achar outros para ler. – Pena que não temos um aquecedor, seria valioso.

A mais nova parou alguns segundos, lembrava-se de quando ocorreu a votação a respeito da distribuição da verba doada pelo pai de um aluno novato, ela fez campanha para que todo o valor fosse para o refeitório em uma cor mais moderna e aparelhagem de som para escutarem música durane o intervalo. Haviam dito que a biblioteca precisava, estava caótica, mas quem se importava? Bom... Agora ao que parecia, ela.

Ignorou a memoria do ano anterior e começou a garipar livros. Não havia nenhuma variedade e os poucos que tinham raramente eram exemplares do seu gênero literário, ainda assim, conseguiu um romance francês, algo sobre beijos. Ela já havia ido à França e beijando alguns garotos franceses, isso enquanto ainda tinha um namorado e não quebrava coisas por onde passava.

Sentou-se à mesa mais afastada para iniciar a leitura. O intervalo de quarenta minutos parecia ter se estendido desde que ela havia se tornado um pareo social e ler fazia com que o tempo passasse. Era um ritual. Chegava à biblioteca, trocava algumas palavras com a bibliotecária até que ela começasse a reclamar sobre a vida, escolhia um livro e começava a ler, logo o sino tocava e Sakura se obrigava a sair do seu local seguro e seguir para a sala.

Pessoas são cruéis, principalmente quando você já foi cruel com elas, usando a alcunha de vingança os limites se perdiam. Sentia isso na pele.

— Sakura Haruno? – a voz grave chamou a sua atenção e a puxou dos seus devaneios sobre a população estudantil do instituto.

Ergueu seus olhos encontrando um homem. Não só um homem, mas um exemplar muito bem feito de um homem. Alto, bonito e charmoso. Pele branca como a neve, olhos tão negros que não pareciam ser reais, mas combinavam com os cabelos do mesmo tom, lisos e grandes, amarrados em um rabo baixo. Na verdade preto era definitivamente a sua cor, concluiu ao notar as roupas escuras, calça e camisa social negra, ela conseguia analisar os músculos bem definidos por debaixo do pano.

Definitivamente não era o tipo de homem que estava se aproximando dela nos últimos tempos.

— Gostaria de ter uma conversa com você. – sentou-se à mesa com e a rosada engoliu seco, de um lado a beleza dele, do outro a desconfiança.

— Comigo? – franziu a testa e apontou para si mesma. Não o conhecia e obviamente não era um aluno do instituto, ela com certeza saberia se algum tão bonito estivesse ali, ou se um homem de aparentemente vinte e cinco anos estivesse no ensino médio. Provavelmente um professor? – Fiz alguma coisa?

— Não! – moveu os lábios, poderia ser um sorriso, mas se fosse obviamente os músculos não estavam preparados para realizar o movimento e pegos de surpresa, não conseguiram desempenhar o papel. – Só quero falar que – se aproximou mais. – Sei o que você é.

— O quê?! – tentou se afastar ao máximo quase entrando no estofado.

— Suas habilidades, sei delas. – garantiu como se fosse algo natural a ser falado. – Você ainda não entende, mas existe um lugar para pessoas como você e escolhas importantes a serem feitas. – continuou antes que ela pudesse argumentar. – Você deve se preparar para elas, para o momento mais importante da sua vida. – ergueu a mão até o bolso da camisa. – Meu cartão e meu número, assim que estiver pronta, venha até mim. – deixou o papel sobre a mesma.

— Oi?! – não entendia nada e para piorar ele estava simplesmente indo embora. Como assim ele chegava, soltava uma frase enigmática e saia? – Espere, do que está falando? – levantou e o moreno parou. Ela conseguia ver agora, conversando com a biblioteca havia outro homem, ruivo e igualmente impressionante. Uma sorte, caso contrario, a mulher teria a repreendido pelos pequenos surtos de incompreensão.

— É difícil explicar, você precisaria aceitar vir comigo e mesmo assim, tudo tem seu tempo. – estava diante dela. Conseguia ser maior alguns centímetros, o que era uma raridade considerando que ela tinha um e setenta e oito.

— Ir? Pra onde? – só ela que não via lógica? A mente ainda tentava raciocinar de onde alguém tão bonito havia surgido, ele falar que sabia dos seus problemas era demais. Será que ele sabia de tudo? Toda a sua anormalidade?

— Para onde todos são como você – três passos e ele acabou com a distância entre ambos. – Sakura. – o nome foi dito quase com satisfação, lentamente. – Onde poderá ser apta a escolher entre ser humana e insignificante como todos aqui ou – os olhos negros brilharam em admiração. O que não tinha sentido, o que Sakura era definitivamente não causava nenhuma admiração. – O que você realmente é. – ela sentia-se cada vez mais intimidada pela fala e intensidade dos olhos dele. – Pense e me lingue – sorriu de lado, agora os músculos pareciam estar se acostumando e o sorriso era simplesmente ó sorriso. – Vou estar te esperando. – completou lhe dando as costas.

Sakura ficou paralisada, nem mesmo piscou os olhos até que o estranho homem de roupas negras saísse. Não sabia o que dizer e nem o que pensar. Alguém sabia de sua deformidade. Alguém talvez entendesse como era difícil tudo o que estava passando. Alguém queria lhe dar uma escolha.

Depois de sete meses do mais puro terror, ela talvez conseguisse ver uma saída.

Ainda sem se mover direito, passou as mãos pela superfície lisa da mesa até que encontrasse o cartão. Era menor que a maioria e não tinha quase nenhuma informação na superfície negra e opaca. Uma sequência de números que formavam um telefone. Uma sequência de letras que formava um nome.

Uchiha Itachi.

Notas finais
O que acharam? Eu dei uma revisada, mas a verdade é que estou em surto porque meu vizinho acha divertido fazer aniversário de madrugada e me veio a inspiração para escrever e voltar com ela (passei anos sem minha gente, é quase um milagre). Bom. Espero que gostem e deem sua opinião.