Despertar [Revisão]
36 Chuva e lagrimas
Notas iniciais
Eu sei o que é dor, você acha que pode suportá-la, mas um dia percebe que não pode.
Dr. House
Olhos azuis observavam o mar abaixo de si, de cima do penhasco da casa Tenebris a visão era sempre bela, mas agora se tornava agonizante. As ondas batiam contra as rochas furiosas, como se quisessem a punir. O vento parecia circular em volta de algo invisível, o fogo não se fazia presente deixando um clima gelado, uma tempestade logo iria cair e a terra transmitia tristeza. Até mesmo os pequenos pontos de luz pareciam tomados pelas trevas. Não era um dia bom para ninguém. Mas ela já sabia que seria um dia ruim, havia sonhado com isso. Também sabia que dias extremamente piores estavam por vir,
— Eu lhe avisei que a primeira morte ocorreria. — a voz gelada e dura estava atrás dela e Ino não olhou para seu dono, não queria ver o que ela havia o entrego, a culpa iria a consumir por inteiro. Porque ele estava fazendo isso? — Outras vão ocorrer, incontáveis, continue distante e me traga mais informações sobre cada um, quem sabe se fizer seu trabalho direito eu lhe perdôo pelo seu erro de se aproximar deles. — sabia que não seria perdoada. Não havia uma migalha de perdão em toda a sua existência, não começaria a ter agora.
— Sim. — a voz fria e sem nenhum sentimento lhe tomava. O vazio que o mesmo tinha passava para ela por completo. Entrava em sua alma e congelava as emoções. Uma tortura psicológica inimaginável e inatingível para qualquer outro.
— Sei que não vai me obedecer. — algo semelhante a um sorriso pode ser ouvido, mas ele não estava sorrindo. Nunca sorriu, nunca sorriria.
— Como consegue? — questionou retirando os fios loiros do rosto que o vento fazia questão de fazer dançar e observando os elementos, eles sabiam o que a primeira morte significava? Sofriam pelos seus filhos ou pelo mundo em geral? — Ver tudo isso e não sentir nada?
— Vai aprender da pior maneira, que não há porque sentir nada por eles. — não eram apenas palavras jogadas ao vento, era uma previsão e Ino estremeceu enquanto deixava de sentir a presença atrás de si. O peito doeu e ela cerrou os punhos com uma mistura de medo e raiva que fez seus olhos marejarem antes dela fechar os mesmos e assumir uma expressão fria. Isso porque sabia que ele nunca mentia e era infinitamente melhor em prever o futuro.
Seu pai nunca errava uma única previsão.
•••
Sasuke deveria estar atrasado. Ou nem mesmo aparecesse. O que ela odiaria que ocorresse porque se sentiria uma idiota por ter se arrumado de forma tão preocupada. Primeiro algo bonito, depois algo que mesmo bonito não parecesse arrumado demais, afinal ele iria passar na sua casa para conversar ou algo semelhante. Sakura poderia ser sonhadora, mas era esperta o suficiente para não esperar muito do Uchiha. Eram amigos, só isso.
O problema era que o Uchiha não chegava e após meia hora esperando, Sakura se cansou. Geralmente não tinha muito que fazer na sua casa e por isso ficava o maior tempo possível fora, conversando com seus amigos, principalmente Temari e Shikamaru por fazerem o mesmo caminho que ela, mas ao deixar todos para trás e ir direto pra casa Sakura se entediou rapidamente.
Por fim pegou o livro o qual Tsunade havia a emprestado. Não era o tipo mais comum de livro. Pelo contrario. De couro marrom e com o nome Haruno escrito no que parecia serem pétalas das conhecidas flores de cerejeiras japonesas envernizadas. As folhas eram grossas e amareladas, talvez antigas. O que explicava o fato do livro ser um manuscrito como Tsunade havia explicado ao dar imposições ao dizer que apenas ela poderia ler o livro e que se não entendesse algo deveria anotar e mostrar a anotação para alguém, jamais mostrar o livro. Era estranho, como se o livro tivesse algo perigoso em si.
Porém o mais estranho e em partes fascinante se encontrava na contracapa onde havia um enorme selo quase transparente, nele um livro aberto ficava por baixo de duas foices frente a frente que só não se tocavam por um relógio de areia. Erguendo a mão Sakura tocou o selo sentindo os pequenos relevos. Não conseguiu associar nenhum material conhecido ao que foi usado para a confecção.
Moveu a mão por todas as ondulações do selo e só então notou que uma espécie de brilho prateado e quase transparente que se movia. Arregalou os olhos engolindo seco. Algo que se movia. Retirou as mãos rapidamente e observou com atenção o movimento que o brilho fazia. Seu coração parou quando chegaram nas foices e no relógio. Instintivamente ela sabia que era perigoso e que estava sendo julgada de alguma forma.
Só conseguiu relaxar quando o brilho desapareceu por completo. Então Sakura se deitou na cama e jogou o livro sobre a cabeceira um tanto assustada. Como Tsunade lhe entregada um livro tão perigoso e não falava nada? Sakura não conhecia os detalhes, mas sabia que havia passado por uma espécie de julgamento e embora não soubesse as consequências do resultado negativo, sabia que era algo realmente sério.
Precisou de um tempo para que pudesse pensar logicamente. Se o livro era sobre a família dela e Sakura era obviamente uma Haruno, talvez Tsunade tivesse certeza que ela passaria pelo julgamento. Com esse pensamento pegou o livro de forma um tanto receosa e começou a folhear o mesmo.
— Sakura. — a voz se Sasuke a tirou do inicio da leitura. Como ela conseguiu esquecer que ele viria?
Em um pulo se ergueu da cama e a porta se abriu automaticamente fazendo que ela pudesse observar o moreno parado na soleira da porta. Um sorriso surgiu em seus lábios enquanto o encarava e teve a impressão de que havia um sorriso nos lábios dele também. Leve e imperceptível, contido. Mas estava lá.
— Tudo bem? — os olhos dele analisaram o vestido branco “casual” que Sakura vestia. Pareceram aprovar, contudo não comentou nada. — Te chamei umas quatro vezes. — explicou a pergunta enquanto entrava na casa. Diferente de Itachi, Sasuke entrou sem problema nenhum.
— Ah, desculpe eu estava concentrada no livro. — explicou olhando para o mesmo e vendo que as paginas haviam mudado e voltado para a contracapa onde o selo se encontrava. Voltou o olhar para Sasuke que se aproximava olhando o livro de forma curiosa. Sua mente trabalhou rápido no que estava ocorrendo, o livro iria julgar Sasuke para ver se ele poderia o ler. Ela sabia qual seria o resultado. — Droga! — exclamou indo tapar o livro, porém não foi preciso. Em um momento o moreno estava andando normalmente em direção a cama onde estava o livro e no outro estava voando pela porta e o barulho dele batendo com força contra o peitoral da pequena área da casa pôde ser ouvido.
Rapidamente jogou o travesseiro sob o livro e então correu para fora, para onde estava um Sasuke sentado se desencostando do local onde havia batido. Parecia sentir alguma dor nas costas pela forma que agia e sua expressão demonstrava.
— Sasuke. — sentou-se de frente ao moreno o encarando preocupada. — É essa casa, ela respeita mais meu inconsciente do que a mim, é difícil controlar às vezes. Só não sabia que isso ocorria. Meu deus, às vezes ela parece ter vontade própria... Enfim. Desculpe. — gesticulou nervosa.
— Eu que não estava esperando isso, um ataque ou coisa do gênero. — fez pouco caso, com certeza devido ao nervosismo dela.
— Não foi um ataque. — reclamou, vendo ele fazer uma cara de quem não se importa. — Mas, tudo bem com você?
— Como se isso fosse me machucar. — a frieza havia voltado ao Uchiha, ele obviamente estava bem.
Sentou-se sobre suas pernas e ficou o encarando. Sasuke com certeza era forte, mas não seria forte o suficiente para ir contra o que quer que fosse que estivesse no livro. Talvez algumas coisas relacionadas a ela fossem perigosas demais para o Uchiha.
— Vamos entrar. — balançou a cabeça ao ver que estava um clima frio do lado de fora, ao menos em comparação a casa. Não só isso, estava mais escuro. De uma forma anormal e assustadora. — Não esta achando que a noite está escura demais? — encarou o moreno que já estava de pé.
— Hum. — respondeu erguendo a mão para ela, não foi bem uma resposta, era mais como uma ordem para que ela pegasse sua mão. — Vamos entrar. — é, ele não iria responder. Ignorou a falta de resposta e se concentrou apenas na mão estendida.
— Vou me concentrar em manter você dentro da casa. — sorriu confiante, e o sorriso se alargou mais ainda ao notar que mesmo de pé o Uchiha ainda segurava a sua mão e não parecia ter pretensões de soltar, pelo contrario, alguns dedos ate se entrelaçaram.
— Sakura, Sasuke. — a voz de Temari invadiu seus ouvidos e os dois se viraram automaticamente na direção de onde a voz vinha. Logo foi possível ver a garota se aproximando.
A loira corria tão rápido que mais parecia estar voando, desfocada como uma brisa e rápida como uma ventania. Balançou a cabeça. Desde que havia acordado da sua quase morte, Sakura que antes achava um desproposito ficarem colocando características em uma pessoa de acordo com sua casa, havia começado a ver as pessoas sempre assemelhadas as suas casas. Quando a loira parou próxima a eles, foi possível ver seu rosto vermelho e assustado, com uma expressão de urgência.
— Algum problema? — Sasuke perguntou aparentando estar tão confuso quanto Sakura sobre a loira e sua aparição surpresa e ate um pouco inconveniente.
— O Kiba. — a loira parecia um pouco ofegante. Shikamaru havia acabado de chegar e também corria, talvez não fosse tão rápido quanto Temari ou estivesse com preguiça de correr. — Ele está morto. — completou e Sakura sentiu o coração parar.
•••
Hanabi estava terminando de se arrumar quando bateram em sua porta. Franziu um pouco o cenho, graças à hierarquia do seu ramo e sua mãe esta praticamente no local mais baixo ela não tinha direito nem a uma moradia individual, dividia com mais cinco garotas e a casa ampla se tornava pequena demais na maioria das vezes, não oferecendo nenhuma privacidade. Por este motivo Kiba jamais a chamava na porta de sua casa. Preferiam se encontrar em sigilo.
Mas tinham se prometido assumir o compromisso após as seleções, lembrou e um sorriso tomou seu rosto enquanto borboletas rodopiavam sua barriga. Kiba com certeza não media as consequências ou era muito corajoso, iria começar a mostrar que estavam juntos diretamente ao ramo dela. Assumiria os riscos desde o inicio.
— Peça para esperar um pouco. — gritou sabendo que alguém a ouviria, era certeza, afinal a casa nunca estava vazia.
Encarou-se no espelho. A maquiagem leve, uma trança de lado no seu cabelo castanho escuro, quase negro ia ate a cintura, um delicado vestido coral e uma sapatilha. Por fim pegou um gloss avermelhado, Kiba havia dito que achava que a cor vermelha fazia um contraste bonito com sua pele branca. Ao se lembrar disto ficou tentada a colocar uma roupa vermelha de uma vez. Porém estava se sentindo tão bonita, sabia que ele iria achar isso também.
Usaria vermelho no próximo encontro, se prometeu enquanto ouvia baterem em sua porta. Bufou, seja quem fosse que estava a apressando não sabia a importância de se estar bonita para um encontro com o namorado. Namorado. A palavra a deixava animada.
— Já estou saindo. — resmungou indo ate a porta e dando de cara com Hashika, a sua vizinha de quarto.
— Desculpe te apressar, mas não devemos deixar a nossa líder esperando e ela parece muito aflita para falar com você. — a garota explicou um tanto nervosa. Claro, pessoas que estavam na base da pirâmide tremiam ao se encontrar com um nobre. Principalmente alguém da família mais nobre como Hinata. Hanabi um dia destruiria toda essa pirâmide.
— Ah, tudo bem! — sorriu fechando a porta e andando pelo corredor. Conseguiu ver Hinata parada na sala, a morena mordia os lábios nervosamente e olhava de forma fixa para a entrada do corredor, com certeza querendo muito a ver. — Hinata, Que surpresa. — falou e sentiu um susto vindo de Hashika. Afinal sendo do primeiro ramo Aqua deveria se ter respeito pelos superiores e os chamar sempre com respeito. No mínimo um “senhorita” antes do nome. — Não esperava te encontrar aqui. — completou vendo que a mais velha pareceu não se abalar ou importar pela forma que havia sido chamada.
— É eu sei. Vim sem avisar, desculpe. — os olhos demonstravam saber de algo, Hanabi suspirou, claro, Hinata já sabia dela e Kiba. — Poderia me acompanhar para uma conversa? — parecia mais nervosa que o normal.
— Na realidade não. Tenho um encontro. — encarou a morena sugestiva.
— Hanabi! — Hashika a repreendeu com um grito quase histérico.
— Também sei disso. — murmurou com uma sombra passando por seus olhos. — Pode nos dar licença Hashika? — pediu educadamente.
— Cl-Claro, senhorita Hinata. — a terceira parecia feliz ao ver que Hinata sabia seu nome e então simplesmente saiu da sala, antes mesmo que Hanabi pudesse dizer algo.
— Eu sei o que vai me dizer. — começou sem nenhuma paciência de ouvir o discurso sobre o seu ramo e como o honrar. Até porque não considerava que o ramo Aqua tivesse honra alguma, apenas política autoritária e armários cheios de esqueletos. — E já adianto que não vai adiantar, não vai ser o ramo ou a doença por regras absurdas que seus membros têm que vai me fazer mudar de ideia. — completou colocando todo o seu asco pelo ramo em suas palavras.
— Oh... — Hinata tinha os olhos arregalados de surpresa e a mão lhe tapava a boca entreaberta. Em toda a sua vida jamais havia ouvido uma única pessoa que falasse contra o ramo de forma tão aberta, criticas tão diretas. Ela mesma se surpreendia pela coragem que tinha em fazer perguntas simples e singelas, e por estas perguntas havia sido excluída por toda a vida. Como encarar alguém dizer algo tão explicito e ficar normal? Ah, sim. Tinha um papel a cumprir, era a responsável por Hanabi no fim das contas. — Eu sei o que deve estar imaginando que vou dizer, mas...
— Não sabe. — as sobrancelhas de Hanabi se uniram. — Ninguém, muito menos você vai saber nada sobre mim. — havia raiva nas palavras. Na verdade, elas carregavam todo o seu ódio.
— Não vim falar sobre seu relacionamento com Kiba ou o que o ramo acha disso. — Hinata falou rápido e Hanabi acabou cruzado os braços tentando entender o que estava ocorrendo. — É sobre o Kiba. — continuou devagar, como se esperasse que Hanabi recebesse tudo com cuidado. — Algo que ocorreu com ele. — tremeu um pouco.
— O quê? Do que esta falando? — perdeu a expressão de alguma forma. — Você... O que fez com o Kiba? — apavorou-se enquanto ia até a porta. O coração batia forte, forte demais. Eles não poderiam fazer isso. Não poderiam ter feito nada com ele.
— Hanabi, se acalme! — Hinata tentou segurar a garota antes que ela saísse pela porta.
— Não toque em mim. — gritou dando passos rápidos, tinha que encontrar Kiba. Assustou-se ao ver a morena na sua frente, a segurando. Porque ela fazia questão de encostar suas mãos cheias de sangue inocente nela? Todos da família principal tinham sangue inocente nas mãos.
— Você precisa me escutar. — Hinata pacientemente lhe falou, provocando a ira de Hanabi. O que mais irrita alguém ao ver outra pessoa completamente calma quando se esta enlouquecendo?
— Não preciso. — berrou chamando atenção das pessoas que estavam em volta. Se as encarassem, veriam olhos arregalados e incrédulos por verem que estava gritando com alguém da família principal. Sob seus pés a ponte de madeira que ligava a casa ao terreno normal havia começado a balançar e alagar.
Segundo ambos ramos, apenas o controle conseguia fazer realmente a pessoa ser forte, reprimiam qualquer sentimento que não fosse a calma e a razão, o raciocínio. Quanto mais alto na pirâmide mais forte era a família, ou seja, menos sentimentos eles deveriam ter e mais protocolos deveriam seguir. Quanto mais alto menos eram capazes de sentir. Verdadeiras carcaças vazias. E se orgulhavam disso. Mas para Hanabi, só de pensar nessas pessoas, seu estomago embrulhava. Não sabia o que seguir, mas jamais seria assim.
— Não vou te julgar por nada. — Hinata continuava a lhe segurar com uma firmeza que não combinava com a aparência delicada e doce. Os olhos passaram rapidamente pela ponte, mas não fez nada para impedir o movimento. Hanabi sabia que seria tão fácil quanto respirar para a mais velha controlar tudo, porém estava deixando que apenas ela se manifestasse. — Não sei do que está falando. Ninguém sabe quem fez isso com ele. — explicou e Hanabi paralisou. Era como se a raiva tivesse sumido.
— Isso? O que houve com ele? — a voz saiu em um sussurro e ela olhou em volta. Todos a encaravam curiosos, os mais próximos pareciam ter entendido o que se passava, que ela estava brigando com Hinata e a encarava como se estivessem lhe culpando. — Onde o Kiba está? — seus olhos começaram a lacrimejar.
— Hanabi, eu sinto muito. — então os olhos de Hinata também estavam cheios de água e Hanabi já sabia o que tinha ocorrido. — O Kiba... Ele... Ele morreu... Alguém o matou. — completou com as palavras que assombrariam a mais nova pelo resto da vida.
Os joelhos bombearam e se chocaram contra o chão. A garganta se fechou completamente e tudo o que a morena conseguia fazer era tentar manter a consciência. Não estava tendo sucesso. O mundo a sua volta poderia explodir, mas ela jamais saberia. Hinata lhe dizia palavras de conforto, palavras que não trariam Kiba de volta. Então qual o motivo para ouvir o que saia da boca da garota?
Apoiou as duas mãos no chão molhado sem nenhuma força. Não podia acreditar que Kiba estava morto, que ele não veria o seu gloss e que não teria um próximo encontro para usar vermelho. Ele nunca mais lhe elogiaria pelo vermelho.
Fechou os olhos deixando as primeiras lágrimas transbordarem. As primeiras de muitas que ainda derramaria pelo garoto. Não conseguiu ver que a primeira lágrima que se espatifou contra o chão estava acompanhada da primeira gota de chuva. O namorado estava certo. Aqua estava esperando para dar força a um de seus filhos, mas ela não conseguia se lembrar disso nem mesmo quando a tempestade começou a cair. Só se lembrava que kiba não estava mais vivo para estar certo em qualquer coisa.
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