Despertar De Um Pesadelo
11 Quando ainda me intrometo
Notas iniciais
Quando você mergulha em um silêncio parece que todas as probabilidades parecem passar pela sua cabeça, Takanori estava cada vez mais confuso com tudo que estava acontecendo. Sabia que Yuu estava certo quando disse que ele estaria se metendo demais na vida de Kouyou, entretanto ele só estava fazendo isso por tentar ajudá-lo, era tão errado assim?
Ou só estaria fazendo aquelas coisas por estar carregando um sentimento de arrependimento ou culpa? Nem o próprio Takanori saberia responder aquela pergunta, era complicada demais. Reita havia passado algumas horas conversando com ele antes de sair para trabalhar, havia dito que era melhor parar de se meter porque pelo menos Kouyou estava menos infeliz antes.
Porque as pessoas já não parecem dispostas a ajudar Kouyou?
Perguntas como essas deixavam Takanori muito inquieto. Então era assim que era se esquecer de um amigo? Por anos agiu dessa forma, deixando tudo que tinha relação a Kouyou de lado. E já estava na hora de dar um basta naquilo tudo.
A semana foi passando praticamente arrastada, ele tentava encontrar um jeito de ajudar Kouyou e não chegava a lugar algum. Não seria melhor começar perguntando para ele o que seria melhor fazer?
Takanori resolveu procurar Kouyou no apartamento dele. Já não se falavam desde o reencontro com Yuu. Não pôde evitar o sorriso amargo e com desgosto ao lembrar-se do nome Yuu. O que o moreno queria a final de contas?
“Seria mais fácil se ele realmente tivesse morrido, no final das contas.”, pensou.
Tocou a campainha do apartamento de Kouyou. Ficou pensando no que dizer enquanto esperava a porta ser aberta. Alguns minutos se passaram e Takanori tornou a tocar a campainha. Kouyou nunca saia, então porque não atendia?
Chave extra.
Essa palavra pareceu um flash na memória de Takanori. Havia se esquecido que anos atrás tinha ganhado uma chave extra de Kouyou, sempre o encontrava bebendo pelos bares e o antigo loiro acabava perdendo as chaves. Kouyou acabou fazendo uma copia de segurança e deixando com Takanori.
Ele pegou o chaveiro de caveira com brilhantes e procurou por uma chave estranha. Acabou sorrindo de canto ao se lembrar que vivia perguntando de onde era aquela chave. Como podia ser tão esquecido? A chave finalmente se encaixou na fechadura e Takanori destrancou a porta.
-Uruha? – O chamou antes de encostar a porta e adentrar a casa.
Achou estranho o silêncio. Estranhou ver os sapatos dele na entrada e não ter nenhuma resposta. Continuou adentrando a casa sem se preocupar se o outro brigaria, só estava torcendo mentalmente para que Mikurami não estivesse em casa, odiava o fato de ter que esbarrar com ele pelo corredor. Estranhamente Takanori foi subindo as escadas tomando cuidado para não fazer nenhum barulho desnecessário, foi se aproximando do quarto de Kouyou, a porta estava entreaberta. Escutava um choro baixo, como o de uma criança.
Takanori, porque seu coração disparou?
O menor apoiou a mão na porta e a empurrou lentamente, o choro ainda podia ser ouvido sendo seguido de soluços baixos. Takanori deveria esperar que o choro fosse de alguma criança pequena, o que fez lembrar jogos de terror. Engoliu seco e empurrou a porta de uma vez.
Arregalou os olhos e sentiu o coração se esmagar com o que via. Kouyou estava deitado no chão próximo a cama, estava praticamente jogado ali. Tudo que o cobria não passava de um edredom aparentemente fino, jogado na altura da cintura, tampando as partes íntimas.
-Uru...Ha? – A voz saiu como um fio, pó receio de chamar o outro era notável.
Kouyou engoliu os soluços na mesma hora, se encolhendo mais. Não fez nada a não ser direcionar o olhar a Takanori.
-O... Que merda aconteceu aqui!? –Takanori apressou os passos em direção ao loiro, parando ao ver pequenas manchas de sangue no tapete, foi só ai que percebeu que havia hematomas no rosto de Kouyou.
-Ruki... Me ajuda... – Não deveria estar fazendo aquilo e sabia disso, mas não estava mais aguentando as agressões e os abusos constantes de Mikurami. – Por favor, eu imploro... Me tira... Me tira daqui...
Takanori passou a mão pelo rosto enquanto sentia os olhos arderem. Olhou para trás em um reflexo de preocupação, estava com receio de alguém chegar ali.Começava a imaginar o que poderia estar acontecendo. Então era por aquele motivo que Kouyou não tinha entrado em contato com ele.
-Eu vou te ajudar... – A verdade era que ele não sabia o que deveria fazer naquele momento. Foi andando na direção do banheiro e parou, foi na direção do guarda roupa e parou.
Passou a mão no rosto já sabendo que não podia perder tempo pensando no que fazer. Roupas. Seria a primeira coisa a fazer naquele momento, Takanori correu até o armário e pegou qualquer peça de roupa que coubesse com facilidade em Kouyou. Parou perto dele e o encarou. Estava respirando rápido e mantinha o cenho franzido, seria um pouco constrangedor para ambos, o que ele faria agora.
-Olha, vou ter que te ajudar a se vestir, desculpa ta? –Takanori não deu tempo para que Kouyou respondesse e foi logo colocando as roupas nele, Takanori estava sentindo as bochechas esquentarem.
Foi complicado vestir Kouyou, ele reclamava muito dizendo que estava sentindo muita dor, não era para menos. Takanori fez Kouyou se apoiar nele, o que não era muito difícil já que ele era menor, entretanto Kouyou era pesado.
Demorou a que conseguissem descer as escadas e sair do apartamento. Kouyou estava olhando para trás toda hora, estava com medo que Mikurami chegasse em casa e não o visse, medo do que Mikurami poderia fazer contra Yuu ou a qualquer pessoa próxima a ele. Foi nessa hora que Kouyou se lembrou que não tinha mais ninguém fora Ruki. Sacudiu a cabeça em uma tentativa de afastar os pensamentos, se controlava para não chorar de novo.
Aquele inferno que viveu nos últimos dias estava acabando.
Mas o inferno que vive há três anos ainda não.
Notas finais
(. -.)Cansa, sabe xD
Então, eu vou tentar arrumar tempo pra escrever o capítulo 12 (sim, ainda não o escrevi. Eu empaquei legal...) e tentar ao máximo postar semana que vem. Peço só que tenham paciência, eu não estou abandonando a fic, só estou sem tempo.
Agradeço se entenderem (n_n)
Até o/
:3
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