Notas iniciais
Nesse capítulo vocês irão conhecer mais profundamente as veelas e a personalidade dos personagens... Não há nada como poder explorar outros lados da sua história favorita. Espero que gostem!

Desiré nunca teve sonhos tranquilos, para ela uma das piores partes do dia era a noite.Os sonhos eram como um filme embaçado cheio de fatos borrados e sempre deixavam-na temerosa e frustrada pois ela sabia que eles tentavam revelar algo que iria acontecer em breve e que muitas vezes ela não conseguia decifrar.

Essa visão mostrava um lugar muito escuro onde a única coisa que se conseguia ver era um pequeno ponto de luz que iluminava uma mesa, a visão como de costume não era nítida o suficiente para que a menina conseguisse definir o local onde estava. Desiré foi puxada para perto do ponto de luz e pode perceber que havia mais alguém ali, sentado atrás da luz. Era um vulto negro que parecia escrever com especial atenção em um pequeno pergaminho ela conseguiu ler escrito com uma letra muito refinada o nome 'Harry Potter', repentinamente a visão tornou-se totalmente escura e aos poucos um ponto distante de luz começou a ser revelado e como uma chuva de raios a garota é atacada por chamas incandecentes azuladas que Desiré identificou como as expelidas pelo cálice de fogo, elas começaram a ser tomadas por flashs amarelos como labaredas que tentavam alcançá-la. O vulto negro toma forma entre as chamas e deposita o pergaminho no cálice que se apaga totalmente por um instante e depois volta a suas chamas azuladas e ao longe Desiré ouve aplausos e a voz de Dumbledore dizendo Harry Potter e a jogando em um silêncio sepulcral juntamente com o fim das chamas azuladas.

Desiré acordou com um solavanco, não era possível que essa visão fosse real... Ninguém nunca havia conseguido ultrapassar a barreira dos feitiços colocados na taça, pois pelo que a garota se lembrava Harry Potter não possuía idade suficiente para se candidatar ao torneio, muito menos para ser escolhido como um dos campeões... Definitivamente havia algo errado e ela já sabia com quem deveria conversar sobre isso.

Desiré decidiu que não queria mais ficar deitada depois de acordar assustada por conta da visão, então se levantou e caminhou em direção aos jardins do castelo onde avistou um grupo de garotas de sua escola e resolveu se juntar se à elas para se distrair um pouco. As garotas veelas tinham uma forma peculiar de se divertir, elas costumavam competir entre si para saber quem possuía mais poderes de influencia sobre os garotos mais concorridos do colégio, o alvo de hoje eram alguns alunos da academia Durmstrang que estavam praticando um tipo de arte marcial no gramado.

Geralmente nenhuma garota gostava de competir com Fleur pois ela parecia sempre conseguir o garoto desejado, porém Desiré notou que Fleur não estava na brincadeira e resolveu se arriscar apenas para desbancar certas garotas que se achavam muito importantes

– Olá garotas! -Disse Desiré tentando se enturmar.

– Desiré, venha aqui nos ajudar com essa tarefa árdua que é seduzir os garotos. — Disse a colega de quarto de Desiré.

– Claro que sim! Essa é minha segunda tarefa favorita, a primeira seria falar sobre a vida dos outros, é claro.

Desiré fez com que todas as garotas concordassem em meio a risadas estridentes que chamaram a atenção dos garotos da Durmstrang.

– Garotas, menos! Lembrem-se que devemos seduzi-los com nossos poderes e não com nossas risadas super-nãoSexy's.

– Que os jogos comecem! — Disse Anne uma quarto-anista que desafiava constantemente Desiré e suas amigas neste tipo de jogo.

Desiré logo notou que os grupos já haviam se formado. Como sempre as garotas foram divididas entre “amigas da Anne” e “amigas da Desiré” uma situação constante e recorrente. Anne era uma garota irresistivelmente antipática, ela era linda, é claro, algo parecido com a Barbie Malibu e seu bronzeado artificial.

– Que os jogos comecem — Concordou Desiré retribuindo o olhar de desdém de Anne.

Os garotos pareciam entretidos com sua lutinha, mas nem essa enorme quantidade de testosterona e suor era capaz de deixá-los imunes ao poder de Desiré.

Esta competição era baseada nos ganhos finais das garotas, cada conquista possuía uma pontuação e cada garoto também tinha seu valor... O time adversário escolhia o garoto que cada capitão deveria tentar conquistar e quem conseguisse mais chances com o tal garoto seria a campeã.

Normalmente Desiré e Anne eram encarregadas de conquistar os dois garotos mais bonitos que estivessem por perto, Desiré orgulhava-se em possuir incontáveis números de telefone de garotos vítimas do jogo, porém, tornava-se uma disputa desleal uma vez que Anne não respeitava as regras e usava truques sujos que Desiré se recusava a repetir.

As garotas do time de Desiré decidiram que Anne teria a missão de seduzir ninguém menos que Victor Krum o famoso atacante de quadribol, tarefa que Desiré achou completamente fácil se tivesse sido dada à ela já que Freya poderia conseguir facilmente o telefone de Krum sem precisar nem chegar perto dele…

– Vida injusta! — Desiré não conseguiu conter a exclamação ao se lembrar desses detalhes sobre Krum.

– O que foi Desiré? Já esta pensando em desistir? — Anne disse abrindo um largo sorriso.

– Nunca! E então quem vai ser minha vítima?

Anne e suas amigas se reuniram e apontaram para um garoto fora do grupo da Durmstung, alguém que Desiré não tinha visto antes e que agora que o tinha visto estava começando a se perguntar como não tinha notado tal garoto?

– Aquele! Disseram as garotas

Desiré foi em direção ao seu alvo instantaneamente enfeitiçada pelo garoto, ele parecia ser estudante de Hogwarts, estava usando um uniforme preto e amarelo que parecia realçar sua pele branca que contrastava com seus olhos e cabelos negros, ele tinha uma beleza diferente aquelas as quais Desiré estava acostumada. Ele tinha a elegância de um dançarino mesclado com algo novo, era um mistério para ela, um mistério que ela estava mais do que nunca disposta a desvendar.

Enquanto se afastava de seu grupo Desiré pensava em uma forma de se aproximar do garoto, normalmente eles paralisavam quando ela chegava perto, seu poder das veelas em geral era posto em prática a partir do momento em que elas olhavam nos olhos do garoto desejado, mas com Desiré isso não era necessário, ela precisava apenas se concentrar no nome do garoto ou olhar uma foto e tudo estava armado.

Ela estava indo de encontro ao garoto e eles quase colidiram quando ele se virou e nem sequer olhou para Desiré, ela parecia um fantasma pra ele, algo invisível, se a garota não tivesse desviado certamente teria levado um esbarrão dele sem sequer receber um pedido de desculpas.

Isso a deixou desolada, nunca ela perdera um desses jogos, era sempre tão fácil. Ela só precisava pensar no garoto e alguns minutos mais tarde ela já estava com o papel com seu numero de telefone. Qual era o problema desse garoto?

Sentindo-se terrivelmente ignorada, Desiré deu uma última olhada para trás certificando-se que aquilo não teria sido um engano, porém a única coisa que a garota viu foi Anne colada em Krum abanando para ela um pedaço de pergaminho que certamente continha um numero de telefone... Sem parar para mais nada Desiré foi em direção ao colégio pensando se talvez conseguiria encontrar Freya para conversarem sobre os últimos acontecimentos de sua vida.

Quando Desiré entrou no salão principal ela pode ver Freya acompanhada de Draco Malfoy, a expressão de sua amiga era estranha, ela parecia aborrecida com algo e logo veio em direção de Desiré sendo brevemente impedida por Draco.

Freya teve exatamente a mesma visão de Desiré, mas estava acordada. Ela se sentou na cama segundos antes com uma sensação que já estava mais do que acostumada. A princípio achou que fosse um sonho, mas quando percebeu que estava olhando a cena com os olhos de outra pessoa descobriu que se tratava de uma visão. Com o final da visão e com o som cortante da voz de Dumbledore ecoando em seus ouvidos, a dúvida sobre como a pessoa que tinha ultrapassado a proteção do Cálice que prevaleceu. Em suas visões, mesmo quando ela via a cena pelo olhar da pessoa, ela sempre soube quem era. Mas nesta visão, ela apenas via a cena sem saber de quem se tratava.

Freya passou a noite em claro tentando se lembrar de cada detalhe da visão a fim de descobrir quem era a pessoa que colocara o nome no Cálice. Não poderia ser o próprio Harry Potter. Ele não tinha idade e muito menos conhecimento suficiente de feitiços para passar pela faixa etária.

Com seus pensamentos e a insônia que acompanhava as suas dúvidas, Freya se levantou e foi tomar um banho já que tentar dormir sempre a deixava mais irritada. Decidida a não ficar mais em seu quarto, pegou o seu caderno de desenhos e foi para o castelo. Escolheu ficar no salão principal que estava decorado para a festa das bruxas e como era a única no salão, se aproveitou disso para passar para o papel cada detalhe do salão. Como o desenho sempre a distraia, ela nem viu o prato com frutas em sua frente e assim começou a reparar que o salão estava enchendo. Olhando fixamente para o seu desenho tentando ver algum erro ela ouviu:

– Caiu da cama? — Era Draco, ele parecia estar de bom humor. “Como as pessoas podem estar de bom humor logo de manhã?” – pensou Freya. Ela não estava com seu melhor humor hoje.

– Na verdade eu nem dormi.

–Porquê? – Perguntou Draco se sentando ao lado dela e pegando uma fruta.

– Insônia. E você? Teve insônia também ou está muito ansioso?

– Na verdade nenhum dos dois. Acho que apenas acordei cedo demais. – disse sorrindo.

Freya reprimiu um bocejo e fechou o seu caderno.

– Hum... Eu posso ver o seu caderno? – Draco perguntou como se sua educação estivesse enferrujada.

–Claro.

Freya abaixou a cabeça sobre a mesa esperando tirar um cochilo enquanto Draco parecia fascinado com os desenhos.

– Hum... São seus pais? – Perguntou interessado.

–Sim.

– No quê eles trabalham?

– Ahhh, minha mãe é médica no hospital da minha cidade e meu pai trabalha no ministério com leis para feitiços. — ela estava com tanto sono que estava difícil manter uma conversa.

– Hum... sangue-ruim. –disse Draco com desgosto colocando o livro de desenhos de volta a mesa.

–O quê? – perguntou Freya perplexa.

– Nada não. – respondeu Draco tentando mudar de assunto.

– Eu ouvi o que você falou!

– Eu pensei que apenas os bruxos de sangues puro estudassem em Durmstrang!

–Então é por isso que você começou a falar comigo?! – perguntou meio ressentida.

Draco deu-lhe um olhar que confirmou a pergunta e não disse mais nada. Então viu Desiré parada na porta do salão. Ela parecia estar se decidindo entre interromper a conversa dos dois ou esperar.

Freya pegou o caderno e se levantou para encontrar Desiré, mas Draco a segurou pelo pulso e a fez parar.

–Sim? – perguntou Freya grosseiramente.

– Hum... Você não comeu nada. – disse Draco timidamente soltando seu pulso.

–Eu não como de manhã — respondeu bruscamente e foi ao encontro de Desiré deixando Draco com seus pensamentos.

– Você parece irritada. — observou Desiré.

– Ah... O Draco falou uma coisa que eu detesto ouvir.

–E o que foi?

–Sangue-ruim. Eu falei que minha mãe é médica e ele soltou essa.

– E qual o problema dela ser trouxa?– disse Desiré.

– Não, não! Ela trabalha no hospital dos bruxos. Mas ele não precisa saber disso!

– Concordo. Não é legal ele só falar contigo porque acha que você tem sangue puro.

– Então, você teve a visão né?- disse Freya sussurrando.

– Sim, mas foi estranho.

As garotas foram caminhando para fora do castelo e pararam embaixo de uma árvore para conversar.

–Eu tenho certeza de que não foi o Potter que colocou o nome no cálice. – disse Freya.

–Eu também acho isso! Você viu o tamanho daquela mão?! Nós precisamos ver o Harry de perto!

–Concordo! Mas como vamos chegar até ele?

– Vamos puxar assunto com a amiga dele. Deve ser mais fácil. – disse Desiré.

– Ela parece gostar muito de ler. Deve ficar sempre na biblioteca. – disse Freya tirando o sobretudo do uniforme.

– Nossa! Embaixo do uniforme tem mais uniforme. – riu Desiré reparando que a amiga usava uma regata preta, uma calça caqui e botas.

– Eu ODEIO esse uniforme! – disse Freya se deitando na grama.

– Eu nem posso imaginar o por quê.

– Podia ser uma sainha né, para as estudantes, mas não! Bom, eu já contei o que me aflige, agora é a sua vez. Porque você parece chateada?

– Eu acho que não sou mais tão boa com meus poderes como eu costumava ser. Você sabe, essa coisa de ser veela…- Desiré parecia realmente chateada com algo

– Nossa! Eu sempre quis saber sobre os poderes de uma veela!

– As veelas conseguem atrair a atenção dos homens facilmente, por isso temos um tipo de jogo interno sabe?

– Eu posso até imaginar do que se trata – Disse Freya se lembrando de algumas garotas veela que ela viu mais cedo no gramado tentando seduzir alguns garotos suados de sua escola.

– Eu nunca tinha perdido uma partida, tinha no máximo empatado, porém hoje foi diferente.

– Diferente como?

– Meus poderes são muito superiores aos das garotas da minha idade, deve ser algo ligado a minha diferenciação física. Não sei se você notou, mas eu sou a única veela de cabelos escuros por aqui, e, talvez a única que existe tirando, é claro, minha mãe.

– Humm — Freya parecia curiosa e ouvia atentamente.

– Normalmente eu consigo conquistar um garoto apenas me concentrando no nome dele e ele não precisa nem estar perto de mim. Garotas veelas normalmente precisam ter um contato visual direto para conseguir seduzir seu pretendente, mas hoje foi tudo diferente, elas escolheram um estudante de Hogwarts que eu nunca tinha visto, ele era o que podemos definir como perfeito, mas nem sequer olhou pra mim.

– Defina perfeito – disse Freya com um olhar investigativo.

– Pele branca, postura de um dançarino de tango, olhos e cabelos totalmente pretos, boca carnuda que estampava o sorriso mais angelical que eu já vi. – Desiré parecia enfeitiçada por tal garoto.

– Amiga é por isso que eu sempre gostei dos loiros! — Freya estava tentando animar sua amiga, porém os resultados não estavam sendo muito positivos.

– Normalmente nada interfere nos meus poderes e nunca achei alguém imune a eles. Devo confessar que quando fui ignorada tentei usar a minha influencia mental contra ele, porém nem isso pareceu afetá-lo.

– Epa! Influencia mental?

– Sim, os poderes das veelas não se limitam apenas em seduzir galãs indefesos. Veelas são capazes de invocar redemoinhos e tempestades quando estão nervosas e também possuem conhecimentos extraordinários sobre a cura e remédios naturais. Isso sem contar, é claro, a minha habilidade exclusiva de influência mental e sentimental.

– Nossa! Sabia que podemos ter mais em comum do que apenas nossas visões? – perguntou Freya.

–Como assim? — Desiré perguntou curiosa.

–A família da minha mãe descende de bruxas antigas e poderosas. De 27 em 27 gerações a mulher da família fica com certos poderes.

–E que poderes são esses?

–Minha mãe diz que muda de geração para geração, mas que é algo relacionado a um dos quatro elementos e a cura.

–E você é a mulher dessa geração?

–Bom... Minha mãe e minha avó sempre falaram que sim. Elas costumam pegar a árvore genealógica da nossa família para contar as gerações, e eu sempre caiu no número 27. – respondeu Freya envergonhada.

–Então você é... Vai... me mostra um poder legal aí. – disse Desiré toda empolgada.

–Acontece que eu não tenho nenhum desses poderes. -Sussurou Freya frustrada.

–Como não? Se você é a da geração você tem que ter algum poder...

–É, mas não tenho. Minha mãe sempre me manda ler livros, fazer cursos de férias onde eu possa estar perto dos quatro elementos, mas nunca aflora nada.

–E o que você acha que tem de errado?

–Bom, deve ser o número de gerações. Porque segundo a história não há uma bruxa da família que fugiu dos poderes. – finalizou Freya.

Desiré observou que Draco vinha andando em direção a elas, mas parou um pouco afastado com seus amigos.

– O Draco está olhando para cá. – informou Desiré.

– Pelo menos ele não teve a cara de pau de vir até aqui.

Desiré ficou observando os estudantes tentando achar algo em comum entre eles enquanto Freya aproveitava os raios de sol, algo que parecia não existir em seu país dada a sua cor traslúcida. De repente as duas tiveram uma visão, foi tão rápido que parecia ser puro reflexo, só deu tempo de Desiré se virar e pegar sua varinha enquanto Freya tirava a varinha das botas e as duas falaram as mesmo tempo: — Protego!

E então repelido pelo feitiço duplo um balaço saiu voando em direção ao castelo.

Desiré e Freya viram que Draco e seus amigos pareciam chocados, eles não tinham visto o balaço se aproximando, e na verdade, nem elas.

–Ual... Você ainda está em forma! – Krum elogiou Freya. Ele estava acompanhado do Kayo.

–Você está louco? Isso ia nos machucar! – gritou Desiré.

–E você também seria uma ótima jogadora de quadribol.

– Dá próxima vez você me avisa quando quiser treinar! – retrucou Freya.

Dumbledore estava vindo imponente em direção ao grupo das garotas com o balaço nas mãos.

– Ora, ora, ora! Senhorita Ivanitch e Thierry, eu não sabia que apreciavam um bom jogo de quadribol.

– Na verdade senhor, eu jogo. Sou batedora no time de Durmstrang. -Disse Freya orgulhosa.

– E você Senhorita Thierry, não se interessa por quadribol?

– Não, senhor.É um esporte muito bruto, prefiro assistir.

Dumbledore jogou o balaço para Krum.

–Acho que isso lhe pertence.

–Obrigado, senhor. – disse Krum.

–As senhoritas poderiam me acompanhar até a entrada do castelo?

– Claro. – responderam as duas.

Dumbledore as guiou em direção ao castelo e quando Desiré ia pedir desculpas pelo balaço o diretor disse:

– Não há necessidade de desculpas, afinal ninguém se feriu. Mas sei que vocês têm algo a dizer sobre a noite passada.

Houve um silêncio e então Desiré falou:

– Nós tivemos outra visão! Nós vimos alguém depositar o nome do Harry Potter no Cálice.

–E achamos que não foi ele quem colocou. – Completou Freya.

–Harry Potter? Com todo o respeito ao dom de vocês, mas isso é impossível. Eu posso garantir que ninguém com idade abaixo do permitido colocará seu nome lá. Acho que dessa vez vocês tiveram uma visão errada. – Dubledore fez uma pausa. — Eu esperarei vocês no meu gabinete as 16Hrs, vamos tentar tirar tudo isso a limpo de uma vez. – finalizou Dumbledore ainda sem dar muito crédito as visões.

Elas o observaram entrar no castelo caladas.

– Visões erradas? – perguntou Freya.

– Nunca! – repetiram as duas juntas indo em direção ao grupo de pessoas que cercavam Krum.

–E aí? O que Dumbledore falou? – Krum fez a pergunta que parecia estar na ponta da língua de todos que o rodeavam.

– Ele falou para mais ter cuidado para próxima vez. – mentiu Desiré.

– E falou que você é um ótimo apanhador. – disse Freya, sabendo que Krum ficaria satisfeito.

–Ual! Eu nem sabia que Dumbledore entendia de quadribol. – disse Kayo.

–Nem eu! – Disse Krum – Vamos tomar café da manhã?

–Vamos! – disse Desiré – Você não vem, Freya?

–Ah não! Obrigada.

– Ela geralmente não toma café da manhã. – explicou Kayo.

Freya deitou novamente no gramado aproveitando o sol que tanto gostava e quando achou que estava sozinha ouviu uma voz feminina próxima à ela:

–Você não vem Draco?

–Não. Eu já comi.

Freya decidiu ignorar o fato de que Draco ainda pudesse estar ali e se concentrou na visão, tentando achar algo que tivesse passado despercebido, mas foi em vão.

– Você tem um ótimo reflexo.

Freya reconheceu a voz de Draco e se levantou meio assustada, pois pensou que ele já havia saído dali.

–Hum... Obrigada.

–Não sabia que você jogava como batedora... – tentou Draco.

– É... eu sou batedora. E você, joga? — perguntou Freya tentando parecer indiferente enquanto se abaixava para pegar o seu sobretudo e ir para o navio.

–Sim, eu sou apanhador.

– Hum.. legal! Você deve ser bem rápido! – disse enquanto tentava se lembrar onde havia deixado o seu caderno de desenhos.

–É, acho que sou. – Draco falou com uma falsa modéstia.

–Tem que ser né?!

Freya começou a ficar meio desesperada por ter perdido o seu caderno. Havia tantos desenhos lá....

–Procurando isso? – Malfoy estava com o caderno nas mãos – Você tinha deixado ele no chão e como eu achei que você iria para a sala do Dumbledore peguei para te devolver depois.

– Muito obrigada! – disse realmente agradecida e foi pegar seu caderno e ir para o navio quando ouviu:

–Espere! Eu queria te pedir... Queria falar que... Eu não queria sabe?! — começou Draco.

Freya começou a rir.

– Do que você está rindo?- perguntou Draco magoado.

– Acho que você está tentando pedir desculpas, mas não parece acostumado a fazer isso.

– Sim é verdade. Desculpe. Eu não queria ter falado aquilo. Saiu sem querer.

– Tudo bem…

– De verdade, não me importa se sua mãe é trouxa – disse Draco como se as palavras estivessem contradizendo os conceitos que ele sempre teve.

– Eu não gosto nada dessa distinção que algumas pessoas fazem. É besteira.

– Freya, me desculpe de qualquer jeito.

– É, acho que você tá pegando o jeito de como se desculpar. – Freya foi em direção a Draco e lhe deu um beijo no rosto tirando o caderno de sua mão.

Draco ficou imóvel enquanto Freya ia para o navio.

Enquanto isso dentro do castelo...

Desiré, Kayo e Krum estavam sentados em uma mesa ao acaso degustando o café da manhã, apenas Desiré não parecia muito animada com a comida, algo que Krum rapidamente percebeu e fez questão de alfinetar a garota.

– Você ainda esta aborrecida por ter perdido o jogo? –Disse Krum fingindo preocupação.

– Não sei do que você está falando – Desiré rebateu.

– Ah claro que sabe, Anne me contou que você foi rejeitada hoje…

– Ora seu garoto estúpido!

Desiré não pensou duas vezes e atirou em Krum um anormalmente grande muffin que estava na sua frente, contudo ele foi mais rápido que a garota e conseguiu desviar, um aluno que estava sentado logo atrás de Krum não teve a mesma sorte. Ronald Weasley o garoto ruivo atingido pelo muffin estava acompanhado apenas por sua amiga nerd Hermione Granger que sentou estrategicamente em um lugar que Krum não precisava realmente se virar para olha-la.

Ronald Weasley fazia questão de bajular sempre que possível o apanhador da Durmstrang e diferentemente de uma reação normal pareceu idolatrar o Muffin apenas porque aquilo fora destinado a acertar a cabeça de seu ídolo, algo parecido com garotas que guardam os chicletes mascados por astros teens.

– Você esqueceu que sou o melhor e mais ágil jogador de quadribol da história Desiré? E eu também não tenho culpa se ele te rejeitou. – Krum disse isso tentando chamar atenção da garota que estava logo atrás dele.

– Vocês querem parar? Todos estão olhando pra nós e não é porque estamos sentados com o maior jogador da história! – Kayo disse parecendo realmente embaraçado com a situação.

– Eu não fui rejeitada! Anne não sabe o que diz, eu nem conheço aquele garoto e nem quero conhecer.

– Sério? Porque eu realmente o conheço, não muito bem, mas eu tenho enorme simpatia por ele, ainda mais agora! –Krum deu ênfase em suas palavras finais somente para irritar ainda mais a garota.

– Kayo o que você mais admira em alguém?

–Adoro pessoas de bom humor!

– Ótimo!

Sem dizer outra palavra Desiré se desligou daquela conversa e do ambiente a sua volta, ela apenas queria dar uma lição em Krum e usaria a idéia de Kayo como base para sua armação, a garota pensou em algo que a deixaria de muito bom humor e teve uma idéia.

Olhando fixamente para Krum ela pensou em um grande recipiente cheio de gás hilariante e os efeitos que ele poderia causa em seu amigo intrometido.

Krum estava comendo normalmente, parecia satisfeito por ter irritado Desiré, quando de repente em meio a um gole de seu suco de abóbora ele engasgou.

– Krum, você está bem? — Desiré perguntou fingindo a mesma preocupação demonstrada por Krum a respeito de seus problemas sentimentais.

Kayo não havia notado o amigo engasgando mas parou repentinamente de comer no momento em que olhou para o rosto de Krum que estava ficando roxo parecido com um bebê gorducho sem fôlego.

–Krum? — Kayo se levantou para conseguir ajudar seu amigo

Desiré não conseguia conter seu riso ao ver o olhar de pavor que Krum lhe lançava. Ela começou a rir e Krum que parecia prestes a estourar soltou uma enorme gargalhada, não era uma risada normal, era até assustador de se ver. Ele ria, gargalhava, e cada músculo de seu corpo parecia se contorcer rindo também, ele estava intoxicado com seus risos e não conseguia parar.

– Kayo foi uma ótima idéia, acabo de perceber que também adoro pessoas de bom humor!

Sem dizer mais nada, Desiré levantou-se enquanto todos no salão olhavam perplexos o ataque de risos de Krum, ao passar do lado do garoto Desiré tocou em seu braço e apenas disse ‘pare’ em um sussurro quase inaudível que fez com que o ataque de riso se extinguisse repentinamente.