Despertar
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Na tentativa de impedir os garotos de tocarem na taça as meninas acabaram sendo transportadas alguns segundos antes pelo portal, assim que caíram elas olharam ao redor com assombro. Estavam em um ambiente sombrio e assustadoramente silencioso, um cemitério abandonado que parecia aguardar novos convidados para ressurgir e as meninas suspeitavam que não demoraria muito para que os flashs da visão começassem a se tornar reais. Depois de passar um momento de assombro, elas olharam a sepultura a frente e puderam ler “TOM RIDDLE” cravado aos pés de um anjo que segurava um punhal de forma ameaçadora. Ao ler o nome que estava gravado na sepultura as garotas se entreolharam com olhares desesperados tendo a certeza de que deveriam voltar o mais rápido possível para os jardins do castelo levando consigo Harry e Cedrico.
– Temos que sair logo daqui. — Disse Desiré olhando ao redor em busca da taça que deveria ser a chave do portal que os levariam de volta.
– Lá está a taça, temos que alcança-la. — Freya estava apontando para o objeto que havia caído a vários metros de distância de onde elas estavam quando os garotos foram transportados até ali.
– Veja, os garotos estão recobrando a consciência, temos que agir rapidamente.
O céu acima da cabeça das menina começou a tomar novas formas, as espessas nuvens escuras estavam se fechando e formando um presságio de tempestade. Enquanto Cedrico olhava maravilhado a taça do torneio, Harry andava desnorteado ao redor da sepultura com semblante desesperado, ele observava atentamente um grande caldeirão que estava a frente do anjo e sussurrava “eu já estive aqui antes”. Levou apenas alguns segundos para o garoto tomar consciência do que estava por vir, Freya conseguia ver o desespero em seu olhar antes dele gritar para Cedrico.
– Nós temos que voltar imediatamente para o campo, Cedrico. — Disse Harry.
Mas antes que Cedrico pudesse responder Harry começou a gritar levando a mão a cicatriz enquanto as garotas viam surgir ao longe um homem pequeno de expressão radiante, as chamas em baixo do caldeirão tomaram vida e o homem se aproximava carregando nos braços um embrulho que de longe não dava para ser identificado, Harry se contorcia de dor e as garotas começaram a correr em direção a taça para tentar empurra-la para perto dos garotos.
Freya seguiu Desiré em direção a taça, mas estacou no meio do caminho quando sentiu um frio lhe percorrer a espinha. Ela sabia o que ia acontecer e sabia que não teria tempo para evitar.
–Mate o outro garoto… — disse uma voz rouca e gélida vindo do pequeno embrulho nos braços do homem que agora Freya podia ver que tinha feições de rato.
Não houve tempo para Cedrico se defender, Freya apenas conseguiu virar seu rosto em direção ao garoto antes de ver a maldição imperdoável deixando uma clarão verde no cemitério. Quando a escuridão voltou, o corpo de Cedrico jazia no chão com o mesmo semblante desafiador que havia em seu rosto ainda com vida a poucos segundos atrás.
–Aqui... estão…. — A voz continuavam zunindo na cabeça das garotas — vocês.
A cada interferência ficava mais difícil das garotas se concentrarem no objetivo que tinham ali, elas já não conseguiam ouvir os sons do cemitério e ao olhar de relance para trás Freya gritou aterrorizada.
– Ele vai retornar. Não há mais tempo. — Freya havia visto o lorde das trevas tomar forma por entre as chamas e fumaças emitidas pelo caldeirão, ela tentou correr mas teve a sensação de que não estava mais no controle de suas pernas, ela agora estava petrificada e não conseguia se mover.
– Eu sabia que havia algo de errado no desaparecimento repentino das senhoritas. — A voz estridente tomava forma cada vez mais nítida e assim que as garotas ouviram essas palavras Desiré sentiu uma forte pressão sobre suas têmporas que fez com que a garota perdesse as forças e caísse de joelhos no chão.
– Não! Não podem nos mover, agora não. — Chorava Desiré enquanto sentia a pressão aumentar e suas forças a abandonarem.
– Não consigo me mover. O que está acontecendo? — Freya
– Eu… não…- Desiré estava falando com dificuldade, mal conseguia articular as palavras — A taça… — ela apontou com dificuldade na direção da luz azul que brilhava intensamente.
Freya estava se desesperando vendo a amiga caída no chão e ela sem conseguir se mexer. O ambiente ao redor estava cada vez mais turvo, ela não sabia ao certo se era uma reação ao ritual de projeção ou se todos ao redor sentiam a atmosfera densa e escura se afunilando a cada segundo. Era difícil se concentrar e focar a visão, ela viu quando Voldemort havia chamado seus seguidores, os comensais da morte, mas não conseguia ouvir mais nada daquele ambiente.
– Não toque nelas, não sabemos que tipo de besteira elas estão aprontando.– Disse a voz grave que agora havia assumido um tom preocupado.
– Esses estudantes estão cada vez mais insolentes. – Dizia o zelador de Hogwarts de forma irritante.
– Eu já disse para você manter a distância– Snape parecia agitado.
As garotas estavam completamente atordoadas agora, as vozes estavam duelando dentro da mente delas e nada ao redor fazia mais sentido, Desiré começou a sentir uma pressão cada vez maior em sua cabeça, a ligação estava por um fio.
– Desiré eu não consigo me mexer, vamos voltar, eu li sobre isso naquele guia, podemos ficar perdidas entre as várias dimensões que existem, é muito perigoso tentar manter a ligação agora. Não há nada mais que possamos fazer. — Disse Freya tentando esvaziar a mente de toda aquela bagunça.
– Não podemos voltar, temos que salvar os garotos! — Desiré parecia um pouco atordoada tentando se levantar.
Ao observar o corpo de Cedrico caído no chão Desiré se convenceu que já não havia mais nada a ser feito. O objetivo delas havia sido frustrado quando ele fora acertado pelo flash esmeralda, e agora elas tinham que tentar cortar a ligação e voltar aos terrenos de Hogwarts para ao menos tentar alertar alguem sobre o que estava acontecendo ali, talvez alguém ainda conseguisse ajudar Harry.
– Esvazie sua mente, vou cortar nossa ligação. — Disse Desiré determinada.
Desiré reuniu suas ultimas forças e se jogou em cima de Freya tentando um ato desesperado como ultima alternativa para cortar a ligação delas. Nesse tipo de ritual uma intervenção inesperada como essa deveria causar uma alteração muito forte no corpo das garotas e cortar imediatamente a ligação entre elas. Assim que elas estavam prestes a bater no chão elas foram sugadas para fora daquele ambiente, nem chegaram a bater no chão, antes disso foi como se ele se abrisse e as engolisse para dentro da terra.
Alguns segundos depois, Freya abriu os olhos e se viu sentada de frente à uma Desiré totalmente pálida, e antes que pudesse perguntar algo à amiga, sentiu os olhos negros do professor Snape as fuzilando. Ela virou para olha-lo e constatou que apenas Filch estava com ele. Freya achou estranho porque ele não estava com sua cara habitual de “vocês estão tão ferradas”, ele estava emburrado.
– Senhorita Ivanich, seus olhos estão completamente negros. É uma visão? — perguntou Snape rapidamente.
– Cedrico está morto. — respondeu Desiré sem emoção.
– Por favor, chame professor Dumbledore, o Harry está em grande perigo.
– Venham! — disse Snape entre os dentes.
As garotas, fracas, se levantaram com alguma dificuldade, mas antes mesmo de chegarem até Dumbledore, Desiré sentiu suas pernas bambearem e foi ao chão sendo amparada pela amiga. Snape lhe deu um olhar cortante e saiu atrás do diretor com seus vestes balançando.
– São os efeitos da projeção, não é? — perguntou Freya preocupada.
– Sim. — respondeu Desiré.
As garotas estavam paradas no meio da entrada para as arquibancadas e logo foram vistas por Kayo e Draco. Harry ainda não havia voltado, mas Freya sabia que em questão de poucos minutos o desespero iria começar a reinar.
– O que aconteceu? — perguntou Kayo quando abraçou sua irmã.
– Por favor, senhoritas, me contem. — disse Dumbledore chegando com Snape.
– A taça era uma chave de portal. — contou Freya à eles — A taça nos levou a uma especie de cemitério onde nós só vimos o túmulo dos Riddle.
– Riddle? — perguntou Draco sem entender.
– O que mais vocês viram? — perguntou Dumbledore lutando contra o tempo.
– Nós não deveríamos estar naquele cemitério. De alguma forma aquela chave de portal nos sugou junto, mas nós não estávamos preparadas para aquela projeção. — desabafou Desiré. — Nós vimos o túmulo e vimos um homem baixo e gordo com feições de rato carregando um embrulho nos braços que mandou matar Cedrico. A ultima coisa que me lembro é de ter visto o homem fazendo um ritual, mas não consegui ver o fim dele…
– Eu vi… Ele voltou. — disse Freya resoluta — Voldemort voltou.
Freya sentiu as mãos do irmão a segurarem com mais força e viu a cara de pânico em Draco. Dumbledore e Snape não pareciam surpresos a não ser pelos olhos que demonstravam medo e preocupação. Só que não havia mais tempo para agir, com um estalo Harry e Cedrico apareceram em frente ao labirinto e os alunos da fanfarra começaram a tocar a música da vitória que havia sido ensaiada muitas vezes antes.
Professor Dumbledore saiu correndo em direção a eles com suas vestes roxas flutuando ao seu redor, numa cena que seria cômica se não fosse trágica. Freya se levantou e foi em direção a eles, mas ao ouvir o grito cortante de Fleur suas pernas fraquejaram e ela caiu no chão, chorando. Mais uma morte em suas mãos, mais uma morte que ela não havia conseguido evitar.
– Não estou com humor para você agora. — disse Freya vendo Krum se aproximar.
– Freya, me desculpe. — disse Krum com a voz rouca.
– Saia de perto de mim. — disse Freya com raiva.
– Não vou sair.
– Me deixe em paz! — gritou Freya com lágrimas nos olhos.
Sem ouvir as palavras da amiga, Krum se abaixou ao lado da amiga e a abraçou. No começou Freya lutou tentando se desvencilhar dos braços do amigo, mas aos poucos a luta foi dando lugar aos soluços doloridos e ela aceitou o abraço.
– Você é um idiota. Poderia ser você ali. — chorou Freya.
– Me desculpe… Eu procurei você antes de entrar no labirinto, para falar que eu acreditava em você, mas não a encontrei. O que aconteceu? — perguntou ele preocupado.
– Karkaroff! — disse ela se lembrando do diretor — Preciso falar com ele. Onde ele está?
Krum apontou para uma pequena tenda perto do labirinto e Freya viu o diretor que a olhou como se conseguisse ler a sua mente. Ele andou a passos largos até eles e Freya pode ver o terror em seus olhos. As mão de Karkaroff estava sobre o braço da Marca Negra, ele sabia, ele estava sentindo.
– Ele voltou. — disse Freya — Voldemort voltou.
– Eu senti seu chamado no final da prova, a marca queimou em meu braço e pude ver Severo sentindo a mesma coisa.
– Você viu isso? — perguntou Krum sério.
– Sim. Suas feições estão diferentes, mas é ele. — finalizou Freya.
– Ele está vindo atrás de mim? — perguntou Karkaroff assustado, olhando para os lados.
– Não vejo nada sobre isso agora, mas se ele vier a sua procura eu falarei e nós…
– Não...Eu não ficarei aqui esperando para ser executado. — disse o diretor friamente.
– O que o senhor vai fazer? — perguntou Krum.
Os garotos não ouviram uma resposta, Karkaroff saiu andando em direção a tenda novamente falando palavras tão baixas que pareciam ser direcionadas a ele mesmo.
– Isso nunca vai acabar? — perguntou Desiré, muito fraca, se aproximando indicando com os olhos a roda de pessoas em volta de Harry.
Assim que Desiré disse essas palavras, Harry saiu da roda sendo acompanhando por um professor. Sem saber o porque, Freya sentia que precisava falar com Harry, mas ela não conseguia chama-lo. Quanto mais ele se aproximava, mais a sensação se aprofundava e assim que o garoto estava perto o suficiente, Freya pegou em seu braço e então aconteceu.
Todas as visões que ela havia tido sobre o misterioso homem que havia provocado a entrada de Harry no torneio estavam agora claras. Ela conseguia ver claramente em sua mente o rosto do homem, mas ainda não sabia quem ele era.
Segundos antes de soltar o braço de Harry, sua mente fora invadida por lembranças dele. Ela viu Harry usando a penseira de Dumbledore e olhando as memorias de um julgamento, que para seu espanto, era o de Karkaroff.
– Você foi trazido até aqui para dar um depoimento e fazer denuncias. — disse um Crouch mais novo.
– Sim, eu… eu tenho nomes… — disse Kakaroff.
Freya ouviu as acusações do diretor que não pareciam surtir muito efeito em Crouch e nem nos aurores que estavam assistindo o depoimento. Crouch disse que ele retornaria a Askaban e que eles iriam averiguar as informações recebidas.
– Severo Snape! — gritou Karkaroff.
– Um depoimento meu sobre Severo Snape já foi dado ao ministério o inocentando. — disse Dumbledore se levantando na multidão.
– Podem o levar. — disse Crounch.
– Não. Eu tenho um nome. Essa pessoa torturou os Longbottom com ajuda de Bellatrix Lestrange. — disse Karkaroff friamente — Bartô Crouchh…
Todos olharam para Crouch que parecia sem palavras. No meio da sala, um homem jovem se levantou e Freya o reconheceu. Era ele.
– Junior. — finalizou Karkaroff.
O jovem percebendo que agora todos o olhavam tentou sair correndo pulando algumas pessoas, mas um auror o acertou com um feitiço o fazendo cair.
Quando Freya voltou para a tarefa, Krum e Desiré a olhavam perplexos. Sem saber o que fazer, a garota correu em direção a Snape que estava parado mais distante da roda ao redor do corpo de Cedrico. Em seu pequena corrida ela finalmente pode sentir os efeitos da projeção e da visão, ela sentiu a fraqueza tentar a derrubar, mas Harry ainda estava em perigo.
– Eu sei quem ele é! Quem colocou o nome de Harry na taça. — disse Freya.
– Quem? — perguntou o professor friamente.
– O professor que levou o Harry. Ele não é o professor, está tomando poção polissuco para se passar por ele. É o filho do Bartô Crouch! — enquanto Freya contava ela podia ver claramente em sua mente a imagem de Bartô Jr fazendo a poção e se transformando no professor.
Sem nenhuma pergunta, Snape saiu a procura de Dumbledore deixando para trás as garotas que, agora sem poder ajudar em nada, sentavam no chão exaustas e muito fracas.
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