Notas iniciais
Logo a Segunda Tarefa está aí... Espero que gostem :3

Os dias na ala hospitalar não eram muito movimentados para as garotas, ocasionalmente elas recebiam a visita de Draco que sempre era incumbido pelo professor Severo Snape de avisar à Desiré quando seria sua próxima aula. Quando o garoto aparecia dedicava todos os momentos respondendo as perguntas de Freya sobre o que estava acontecendo do lado de fora da ala hospitalar e alguns minutos após sua chegada ele entregava a Desiré o bilhete do professor e saia.

As aulas das garotas aconteciam de 3 em 3 dias, mas não tinham uma sala fixa por isso se faziam necessárias as visitas de Draco, fato que Desiré acreditava estar mais ligado as visitas do garoto a Freya do que ser um aluno exemplar e ajudar Snape a informar Desiré.

O professor costumava passar uma lista de leitura para a garota, sempre voltada a ensiná-la como seriam as diferentes técnicas de bloqueio de mente, então depois de ler a garota se apresentava teoricamente pronta para as aulas práticas, mas infelizmente teoria e prática dificilmente se igualam, o que faziam as aulas mais comparáveis com torturas do que com ensinos pedagógicos.

Naquela segunda feira nada foi diferente, embora a garota tivesse se esforçado muito com o manual de contenção ela tinha a certeza que não obteria sucesso nenhum com suas aulas e que seria mais uma hora de tortura.

Sério, ela devia ter feito algo muito ruim para os deuses, algo como petrificar uma freira ou grudar chicletes encantados em baixo do banco da igreja ou distribuir feijõezinhos de todos os sabores de cera de ouvido para seus primos menores.

Naquele dia a aula iria ser realizada no escritório do professor que era localizado perto do dormitório da Sonserina, aquilo se tornou algo obvio a medida em que os estudantes das outras casas se tornavam cada vez mais raros até o momento em que Desiré só via uniformes da Sonserina passarem por seu caminho.

– Nossa, esses perfumes franceses não são mais os mesmos, antigamente eles conseguiam esconder o pior dos cheiros, mas pelo que podemos sentir, seu efeito não é mais o mesmo. — Disse Pansy assim que passou pela garota acompanhada por meninas mais novas com seus risinhos afetados com a menção que a menina havia feito a Desiré.

Sem ligar para os comentários maldosos de Pansy, Desiré continuou em seu caminho até o momento em que encontrou a sala do professor Snape, antes de entrar a garota respirou profundamente e mentalizou o azul, aquela seria mais uma de suas longas aulas.

– A senhorita está 5 minutos atrasada! — Esbravejou o professor assim que viu a garota entrar na sala.

– Me perdoe, é que sua sala é meio difícil de ser localizada. — Disse a garota meio sem graça.

– Vamos começar logo, abra o livro na página 193. Espero que a senhorita tenha estudado direito dessa vez, não quero ser obrigado novamente a ver suas memórias românticas e passar o resto do dia com náuseas. -Disse o professor se levantando de sua escrivaninha e se dirigindo para perto da garota.

Ela sempre ficava encabulada perto do professor, porque ela nunca obteve sucesso em suas tentativas de barrar as invasões mentais e ela sabia que o professor conhecia muito bem todos os seus segredos.

– Eu li todos os textos de todas as aulas, é que os testes reais são muito mais evasivos.

– No mundo real será assim, nenhum comensal da morte vai se apresentar e sentar com a senhorita para um chá da tarde antes de tentar invadir sua mente, agora chega de enrolação, me descreva minuciosamente o que a senhorita fará para proteger sua mente. -Disse secamente o professor.

– O manual começa dizendo que para se proteger a mente é preciso inicialmente tentar esvazia-la de todos os pensamentos e sentimentos.

E plof, o professor já estava dentro da mente da garota antes que ela pudesse acabar de falar a palavra 'sentimento'.

– A senhorita teve tempo de esvaziar a mente? — Perguntou o professor trazendo a garota novamente para a realidade.

– É, não senhor — Desiré estava assustada.

– Pois é, no mundo real esse tempo também não existirá, essa é uma técnica falha como pudemos constatar. Próximo livro, página 223, descreva a técnica.

Dessa vez a garota estava mais alerta, mas mesmo assim não conseguiu impedir a investida do professor.

– Segundo o autor seria preciso lançar um feitiço atordoante no adversário antes que ele consiga descobrir os seus segredos. — Disse Desiré já com a varinha em mãos.

– Senhorita Desiré, você acha realmente que um comensal da morte experiente seria tolo suficiente para se deixar acertar por um feitiço atordoante?

– É... péssima idéia — Admitiu a garota, que já estava procurando o terceiro e ultimo livro que lhe havia sido indicado como biografia para essa aula, era um pequeno livro de bolso, não trazia muitas explicações e era bem resumido.

– Página 32, descreva a técnica. -Disse automaticamente o professor.

– Essa técnica não é muito detalhada, consiste em distrair o invasor com memórias superficiais enquanto suas forças são convergidas para uma memória específica a qual não deve ser vista pelo oponente, mas que deve ser forte suficiente para conter a invasão mental. — Descreveu a garota.

Essa técnica tinha chamado a atenção da garota nos dias em que ela dedicou a leitura e estudo dos livros indicados pelo professor, ela ficou imaginando quais seriam suas memórias superficiais e quais seriam aquelas capazes de possuir tal força. Algumas aulas anteriores tinham sido voltadas para memórias fortes, mas em nenhum dos casos a garota teve êxito em suas escolhas e sempre acabou por ter sua mente invadida e ouvir dentro de sua cabeça a voz insatisfeita de Snape.

– Bem essa parece ser a técnica mais racional de hoje, vamos testar sua capacidade de aprendizado senhorita Thiery . — Sem mais palavras o professor investiu mentalmente contra a garota.

Desiré foi pega de surpresa, mas essa técnica ela havia ensaiado arduamente, e rapidamente começou a produzir suas lembranças superficiais que consistiam basicamente em suas conversas com outras garotas veelas e com a prática dos jogos de sedução, enquanto isso todas suas forças eram concentradas em uma outra memória.

– Vamos Desiré, eu sei que há muito mais aqui do que você realmente está me mostrando, onde estão seus momentos românticos? – A tortura psicológica parecia ser a parte favorita do professor, ele sentia imenso prazer em sussurrar dentro da cabeça da garota.

Tentando ignorar aquela voz, Desiré se concentrou ainda mais, anteriormente a garota havia usado lembranças importantes como quando ela recebeu a sua carta de admissão na academia bruxa, o convite de Juan para o baile, o primeiro beijo dos dois, mas era preciso mais que isso, deveria ser uma memória muito poderosa, inexplicavelmente forte e foi assim que a garota soube, não existia lembrança mais cheia de magia do que aquela produzida no primeiro encontro com Freya em Hogwarts. Aquele primeiro contato era a lembrança mais poderosa que a garota possuía.

– Acho que alguém não andou estudando direito, estou achando algumas brechas aqui.– A voz de Snape era a coisa mais irritante que a garota já ouvira em sua vida.

Desiré concentrou todas suas forçar naquele momento, relembrando cada segundo, tentando sentir novamente aquela força emanada do toque das garotas.

– O que é isso? Pare agora! - Gritou Snape.

A garota sabia que devia ser algum truque do professor para desconcentra-la mas ela não deixaria que ele a vencesse novamente. As memórias daquele dia na ponte estavam cada vez mais nítidas e próximas, agora as garotas estavam de mãos esticadas quase se tocando.

– Pare, pare, volte para a realidade Desiré! – Gritava Snape na mente da garota.

Elas aproximaram as mãos e se tocaram, Desiré conseguia sentir toda aquela energia novamente fluindo dentro dela, nenhuma voz mais era escutada, apenas toda aquela força fluindo em suas veias. A mente da garota agora estava vazia, sem pensamentos ou lembranças, apenas aquela força mágica a preenchia inteiramente.

Com um baque Desiré foi trazida novamente para a realidade, quando acordou ela estava apenas ouvindo um grunhido ensurdecedor e vários estilhaços de vidro voavam pela sala, olhando ao redor a garota se assustou com o que viu.

O escritório do professor estava pelos ares, um vaso quebrado no chão era a fonte do grunhido, agora estava explicado, uma mandragora se esganiçava e isso estava fazendo com que os vidros de poções do professor quebrassem, ele não pode ser identificado inicialmente, estava à procura de algo no chão, coberto por um tipo de liquido viscoso que lembrava a tonalidade de musgo e a consistência de meleca de nariz, e ele se movimentava estranhamente pelo chão.

Antes que a garota pudesse se levantar e tomar alguma atitude o professor encontrou sua varinha em meio a bagunça e acertou a mandrágora com um feitiço paralisante, reparou o vaso, recolocou a terra e replantou-a antes que seus gritos emergissem novamente, sem se importar com sua aparência ou com suas poções ele se dirigiu para a garota que tentava se levantar do chão, agarrou seu braço e arrastou- a para fora da sala.

– O que aconte... — Começou Desiré confusa enquanto era arrastada pelos corredores de Hogwarts.

– C A L A D A — Disse o professor que agora além de verde musgo estava ficando infestado de pequenas folhas pelo corpo.

Sem mais nenhum comentário o professor continuou andando, ocasionalmente alguns estudantes que voltavam para seus dormitórios cruzavam o caminho deles e assim que viam o estado do professor abafavam risos e o professor apenas repetia.

– Dez pontos a menos para Grifinória! — Quando passaram por Fred e Jorge que gargalhavam.

– Cinco pontos a menos para Lufa-Lufa — O professor puniu uma jovem que saia do banheiro e não conseguiu se conter ao dar de cara com uma planta ambulante. A própria Desiré achava que não conseguiria conter o riso se desse de cara com essa situação na porta do banheiro feminino.

A garota foi arrastada até uma sala que ela já conhecia muito bem, o escritório de Dumbledore.

– Visitas, não estava esperando vocês. — Disse o diretor — Não sabia que teríamos uma aula de sobrevivência na selva hoje, Severo. — Dumbledore parecia ter notado a estranha vestimenta do professor. — A que devo a visita de vocês?

– Essa garota não tem solução, não aceito mais ministrar essas aulas, nem por um cofre lotado de ouro no Gringotes. Ela destruiu minha sala e ainda me fez ser acertado por uma poção de camuflagem. Me tornei um pântano ambulante, FRANCAMENTE!

– Óh, agora estou entendendo sua peculiar vestimenta. -Disse o diretor.

Após esse comentário Snape explicou o ocorrido em aula para o diretor. Desiré permaneceu imóvel sentada na cadeira que fora indicada pelo diretor, assim que acabou a narração e antes de sair da sala Snape esbravejou.

– Ela está pronta, não há mais nada à ensiná-la. — Sem olhar o professor saiu, batendo a porta logo atrás dele.

– Desiré, Desiré, se vocês continuarem assim eu terei que criar uma ala de psiquiatria para tratar os funcionários que tem que lidar com você e a senhorita Ivanitch.

A garota foi dispensada pelo diretor depois disso e voltou para a ala hospitalar onde ficou aguardando futuras notícias de Dumbledore sobre a possibilidade dela voltar a ter aulas com Severo Snape, algo que a garota achava ser quase impossível levando em conta a fúria demostrada pelo professor no escritório do diretor.

As semanas que antecederam a segunda tarefa não passaram tão rápido para as garotas como elas queiram. Apesar de todos os livros e as tentativas de novas visões pelas bolas de cristais o tempo custava a passar, ainda mais com a frustração de não conseguir nada. Desiré contara para a amiga sobre o ocorrido na sala com Snape, mas não soube dizer o que ocorreu. Freya ficou feliz pela amiga ter conseguido bloquear sua mente, mas não teve muito sucesso ao tentar abrir a sua para ver algo sobre ela mesma. Desiré por vezes tentava jogar livros em sua amiga na esperança de fazê-la ver algo, mas com a sua ajuda ela só teve dores de cabeça. Então decidiu jogar travesseiros que também não trouxe resultados.

–Será que o Krum conseguiu achar uma forma de respirar de baixo d’agua? – perguntou Desiré. – A prova já é amanhã.

–Ele? – riu Freya. – Se ele conseguir com certeza vai ser com a ajuda de Karkaroff.

–Ele não parece ligar de deixar tudo para o Karkaroff.

–E não liga mesmo. Isso me deixa muito irritada e já foi motivo de várias detenções.

–Eu nem quero saber como são as detenções lá. – disse Desiré com a mão levantada.

–Será que eles vão nos deixar ver a prova?

–Sim – disse Dumbledore entrando na Ala Hospitalar. – Amanhã vocês acordaram para a prova e após o termino dela vocês voltam e pegam as suas coisas. Acabou a temporada da alergia.

–Mesmo? – perguntou Desiré.

–Já não era sem tempo, não é mesmo? – disse Dumbledore sorrindo.

–Mas nós não sabemos, exatamente, onde será a prova... – disse Freya.

–Não se preocupem. Amanhã vocês tomaram o café da manhã aqui e depois serão informadas do local.

Dumbledore desejou uma boa noite e as deixou conversando sobre o que esperavam da segunda tarefa. Após o jantar Desiré pegou no sono lendo sobre oclumência. Freya não demorou muito mais para dormir, mas no meio da noite teve aquela sensação estranha novamente. Uma visão. Freya percebeu que estava vendo pelos olhos da mesma pessoa que colocou o nome de Potter no cálice.

A pessoa parecia estar em uma sala de Hogwarts. Pegou um pouco de pó de flu com as mãos gordas e dizendo um endereço estranho, que Freya achou que seria do país mesmo, entrou na lareira e saiu em uma sala escura de uma casa. Olhando pela janela viu uma casa mais a frente com um cômodo iluminado. De repente, Freya sentiu tremores percorrendo o corpo da pessoa. Alguns gemidos levaram-no ao chão mostrando agora uma mão mais fina.

Quando Freya achou que poderia descobrir sobre quem era a pessoa a visão se distorceu, como se tivesse acabado, então quando a visão retornou ela estava fora do corpo do homem misterioso e foi deslocada para um cômodo de uma casa muito velha. O assoalho estava todo podre. Havia uma poltrona muito gasta no meio da sala com um homem gordinho a frente, aparentemente alguém ocupava a poltrona, mas ela não conseguia ver quem era. Um barulho no assoalho avisou que alguém estava chegando perto. Freya viu um homem com vestes velhas, ele tinha o cabelo preto e estava muito sujo. Ele se agachou em frente à poltrona e então disse:

–Está tudo certo, Milorde. Está ficando cada vez mais próximo.

–Espero que você consiga o trazer até mim... Para o bem de todos. – disse a pessoa da cadeira com uma voz fina e gélida que fez Freya tremer de medo. – Deixe me ver...

O homem puxou a manga do seu braço esquerdo mostrando, para o terror de Freya, a marca negra. De repente uma mão pequena e branca saiu da poltrona e tocou o marca que ficou ligeiramente mais nítida.

–Está chegando... Eu posso sentir... – disse a voz gélida. – Logo todos retornarão a mim e eu os darei o devido castigo...

Freya acordou assustada levando a mão à cabeça que doía terrivelmente. Tentou chamar a atenção de Desiré, mas ela estava dormindo calmamente. Não querendo fazer alarde, deitou novamente e ficou pensando sobre a visão durante toda a noite. Acabou pegando no sono quando a dor diminuiu, mas acordou com a claridade da Ala Hospitalar. Freya se levantou, foi até a janela e ficou pensando sobre sua visão.

–Bom dia! – disse Desiré com uma voz feliz.

Freya se virou e Desiré perguntou:

–O que houve? Você parece péssima.

–Você teve alguma visão? – perguntou ela.

–Não, por quê? Você teve?

Freya apenas acenou com a cabeça e com os pedidos da amiga ela contou sua visão, ali mesmo, na janela.

–Você acha que tem ligação entre a pessoa que colocou o nome do Potter com o que estava lá na casa, em frente a poltrona?

–Eu não sei... Diga-me, o que você sabe sobre você-sabe-quem?

–O mesmo que todo mundo. Por quê?

–Tem algo que está me deixando muito encucada. Lá em Durmstrang, Karkaroff deu algumas palestras sobre ele e os comensais da morte.

–E? Você acha que aquele na poltrona é você-sabe-quem? – perguntou Desiré assustada.

–Eu espero que não, mas é só você ligar tudo. A Marca Negra ficou mais nítida quando ele a tocou e apenas os comensais da morte é que o chamavam de Milorde.

– Não pode ser. Quer dizer, será mesmo possível?

–Bom, metade das pessoas preferem acreditar que ele se foi para sempre e a outra metade tem certeza de que ele está apenas enfraquecido. É isso o que eles nos ensinam lá. É essa a base de tudo o que aprendemos. É isso que está por trás de todas as aulas malucas que Karkaroff tenta esconder do Ministério. Ele quer nos preparar para uma futura volta.

–Eu não consigo acreditar... Na verdade eu não quero acreditar.

–É mais fácil para mim que escuto desde que entrei para Durmstrang.

–Isso é muito grave, Freya. Nós temos que alertar Dumbledore sobre isso.

–Ele com certeza vai achar que estou louca…

– Vem, vamos tentar descobrir algo sobre isso nos livros que temos aqui.

Notas finais
O que acharam? :B