Desperate Souls
16 Capítulo 15 - Verdades escondidas
Notas iniciais
—Ok, por favor, tente não ficar encarando ele, já notei que ele não gosta disso. –Miki se vira para a amiga –E lembre-se, nada de contar sobre o meu novo emprego nem os pesadelos, eu preciso falar isso pra ele, mas não agora. –ela coloca a chave na fechadura:
—Anotado! Mas eu já sei como ele é, por que ficaria encarando?
—Pode crer, no momento que começar a falar com ele, não vai querer desviar o olhar. –ela abre a porta, revelando o apartamento vazio:
—Cadê ele? –Letícia espia, entrando em seguida:
—Escondido. Espere aqui. –Miki vai até seu quarto e encontra Springtrap sentado no canto, desligado.
Com um suspiro, ela se senta ao lado dele, ficando pensativa por um segundo até levar sua mão até o nariz dele e apertá-lo três vezes, que faz um som engraçado. Springtrap religa, aparentando estar confuso, até que vê a garota do seu lado:
—Como que você sabia sobre o nariz? –ele a encara, indicando o nariz:
—Foi só um chute. –ela sorri –Preciso de uma coisa de você...
—E o que seria?
—Se lembra daquela minha amiga que vem de vez em quando aqui? Então...
—Você quer que eu me esconda? –ele a interrompe:
—Não, pelo contrário, eu quero que vocês se conheçam.
—Espera, o que? –ele fica com a cabeça de lado, completamente confuso –Você quer me apresentar para sua amiga? Eu, o coelho robô assustador?
—Ela já te viu na atração diversas vezes, e eu já contei sobre você para ela.
—E por que tu teria falado de mim para ela?
—Porque eu pedi um grande favor para ela, e de certa forma envolvia você.
—Que tipo de favor?
—Eu pedi para ela pesquisar sobre a história das pizzarias... –Miki desvia o olhar para o chão, nervosa:
—E por que você iria querer saber sobre isso? –ele estreita os olhos.
E agora? Será que seria o caso de falar dos meus pesadelos? Do emprego de guarda noturna? Ela começa a pensar, sentindo uma pontada de desespero:
—Miki, já está ficando entediante aqui! Não me diga que o coelho pulou a janela! –a voz de Letícia é ouvida, salvando Miki:
—Espera um pouco! –Miki se levanta, encarando o animatrônico –Depois te explico, pode ser?
—Já conheço essa história... –ele resmunga, relembrando que ela não lhe contou nada ainda de seu novo emprego. Ele se levanta, seguindo-a até a sala:
—Letícia, aqui está meu... “Colega de apartamento”. –Miki deixa que a amiga finalmente olhe para o animatrônico:
—Wow, você é mais alto do que eu lembrava! –Letícia o encara, dando um passo para trás –E fedia mais.
—O que? –ele soa raivoso:
—Eu dei um banho nele, e te pedi para ser gentil Letícia. –Miki repreende a amiga:
—Deve ter sido divertido. –ela ri:
—Ela já me viu, sanei a curiosidade dela, posso ir agora? –Springtrap bufa, olhando Miki:
—Não sem antes eu te perguntar umas coisinhas. –Letícia interrompe Miki, que tinha aberto a boca para falar:
—E o que seria?
—Quem é você? –ela fita ele, seus olhos demonstravam desconfiança:
—Do que está falando?
—Ao contrário da fofa da Miki, eu sou mais corajosa e idiota, e eu pesquisei sobre a história da Fazbear, uma história bem intrigante...
—Letícia...
—Sabe, assassinatos, corpos dentro de animatrônicos, acusações de os robôs estarem possuídos por espíritos... –ela se aproxima, ficando cara a cara com ele –Só que não havia nenhum coelho dourado naquela época, muito pelo contrário, ele havia sido desativado e deixado para escanteio. Porém, você está aqui, e com certeza está longe de agir como sua programação manda, então me diga, senhor “Springtrap”, quem é você?
—Quer mesmo saber? —ele rosna, os olhos mudando, a mão preparada para dar um golpe, ao qual Miki nota:
—Letícia! O que foi que eu te falei?! –ela os separa, ficando entre os dois:
—Ah, mas era óbvio que eu ia perguntar, ele é muito suspeito! Ainda mais depois do que aconteceu na...
—Letícia!—ela interrompe a amiga –Poderia, por favor ir embora e depois conversamos?
—Ah, m-me desculpe, eu não quis... –ela recua, notando o que quase havia falado:
—Por favor. –com isso, Letícia vai até a porta, cabisbaixa:
—Me liga depois. –e ela sai.
Miki, com um suspiro, se volta para Springtrap, descobrindo que o mesmo não estava mais ali, e sim dentro de seu quarto:
—Desculpe... –ela começa, entrando no quarto e vendo-o parado na frente do espelho, se olhando:
—Sua amiga está certa. –ele fala, ainda se encarando no espelho –Eu não sou confiável, eu nem deveria estar vivo.
—O que você...
—Esta roupa é o meu inferno, estar aqui, “vivo”, é a punição que mereço. –ele finalmente se vira para ela –Eu queria lhe contar que eu realmente sou, mas sou muito covarde de encarar o que fiz.
—Você... –algo chama a atenção dela no espelho.
No lugar onde deveria estar seu reflexo estava uma criança extremamente pálida e o roto marcado por lágrimas negras, encarando-a perturbadoramente. Antes que Miki pudesse fazer algo, a criança é engolida por Freddy, fazendo-a recuar. Freddy ri, levando suas mãos até o focinho e abrindo a parte de cima do traje, revelando um cadáver ensanguentado e desfigurado.
Miki arregala os olhos, e com um berro cai para trás, tentando se arrastar para longe do espelho:
—Miki o q-...? –Springtrap segue o olhar dela, porém tudo que encontra é um espelho refletindo apenas eles –Você descobriu...
—E-eu preciso ir, está na hora do meu trabalho. –ela tenta se levantar, porém tremia muito. Springtrap, cautelosamente vai até ela e a ajuda:
—Miki, eu...
—Desculpa, o problema não é com você, sou eu. –ela o interrompe –S-só... Preciso respirar um pouco. –e com isso ela pega sua bolsa e sai, deixando-o sozinho.
Eu tenho que contar para ela antes que alguém descubra. Ele pensa, voltando-se para o espelho e o tocando. No momento que lhe contar, serei expulso daqui, o que devo fazer então? Um pensamento assombroso passa por sua mente, porém ele balança a cabeça, tentando fingir que jamais fosse capaz de fazer aquilo.
O que foi que a fez ficar tão assustada? O que ela viu?
Foi seu último pensamento, encarando-se no espelho, vendo apenas o assassino que fora um dia refletido.
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