Notas iniciais
Basicamente, iCarly acabou há 6 anos nessa história, não sejam lezados porque todo mundo fala que eu sou confusa em relação à datas mas eu NÃO SOU. Ai, mais uma fic ☻♥ Se eu não me arrepender, eu não apago amanhã de manhã, prometo ♥

“ACIDENTE DE CARRO DEIXA DOIS MORTOS E UMA ÓRFÔ

As letras garrafais não prendiam mais a atenção da garota. Colocou o jornal de volta na prateleira da banca de jornal e pagou somente pela revista de culinária. O dono lhe devolveu duas moedas e ela sussurrou um “obrigada” antes de continuar a andar apressadamente de volta ao seu prédio, fazendo esse caminho pela última vez.

Teve que passar pela esquina da padaria que vendia os sonhos mais saborosos de Seattle, mas dessa vez não ficou apenas babando. Usou sua última nota de dez dólares para comprar todos os sonhos possíveis, resultando em seis deles e um troquinho, que ela doou para um mendigo faminto da rua de baixo.

E, lá estava ela, dando o seu último “oi “para Seu Esteves, o velhinho carismático da portaria. Acenou de volta, vendo-a entrar no elevador e apertar o décimo terceiro botão, suspirando enquanto as portas se fechavam.

Sam suspirou enquanto ele não parava em seu andar, o pé batendo ansiosamente no chão. Eram quase cinco da tarde.

Assim que entrou novamente em seu apartamento, teve aquela sensação familiar de tristeza e angústia, colocando a sacola da padaria em cima da pia e pegando o vestido amassado dentro da mochila preta e velha. Esse vestido ridículo, pensou. Seguiu para o banheiro sem se preocupar em fechar a porta enquanto banhava-se, afinal, não ia ter perigo de alguém flagrá-la, de qualquer maneira.

Em pouco tempo, os cabelos lisos e loiros já estavam prontos para a festa. Modelados com cachos nas pontas e com a velha franja jogada para o lado esquerdo. Os olhos bem marcados com o delineador preto, lápis embaixo, sombra clara e escura destacando bem suas íris azul-esverdeadas. Ou verde-azuladas, não via diferença. Seus olhos estavam naturalmente belos. Nos lábios, batom rosa. Não podia chamar muita atenção já que queria destacar os olhos. No corpo, aquele desprezível vestido preto colado juntamente com o colar de pérolas e o lindo anel de noivado brilhando em seu dedo anelar. Ela suspirou de novo.

Aqueles suspiros de insatisfação estavam acontecendo cada vez com mais frequência.

Sam calçou rapidamente os sapatos e colocou a roupa suja e a toalha de volta na mochila, segurando a sacola da padaria na outra mão. Fez uma manobra rápida para pegar as chaves e trancar a porta enquanto saía, tentando não reparar no apartamento vazio que estava deixando. Essa era a última vez. Tudo bem, o apartamento podia não ser grande, só quatro cômodos, mas era dela. Ela mesma tinha comprado com seu trabalho árduo, e aquilo nunca poderia ser mudado. Seria uma enorme dor misturada com alegria poder finalmente sair daquele lugar que um dia fora chamado de lar.

Carly, via mensagem, já tinha a avisado que estava estacionada na frente do prédio. Sam andou rapidamente até o elevador e apertou o botão de baixo, esperando-o fechar a porta enquanto tentava colocar o saco da padaria dentro da bolsa e se equilibrava em cima do salto alto, totalmente atrapalhada. Mas, sem mais nem menos, a máquina deu um tranco e começou a subir os andares. Ela praguejou mentalmente. Isso sempre acontecia.

A porta se abriu, revelando uma figura magra e desengonçada. Ele deu um pulo quando a viu, automaticamente olhando para baixo. O garoto entrou no elevador em silêncio, o lábio inferior trêmulo.

“Oi.” ela disse, sorrindo. O outro nada respondeu. “Dia bonito, não?”

Ainda em silêncio. Sam não era de se aproveitar da timidez de outras pessoas, mas desta vez precisava muito fazê-lo. Deu um leve sorrisinho enquanto se escorava na parede do elevador onde havia o espelho.

Timothy Everdeen, o garoto que tinha entrado no elevador, foi o primeiro que se interessou nela depois dos tempos negros de Sam. Ou seja: término de namoro, morte de sua mãe, abandono por parte da melhor amiga que fora para a Itália com o pai. Sam se tornou uma gótica depressiva e, logo na sequência, a pessoa mais feliz e simpática de toda a Seattle. Usava roupas bonitas, coloridas e até mesmo vulgares. Conseguia todos os homens que queria, e até mesmo os que não queria, como esse garoto ao seu lado. Ele tinha apenas dez anos quando tudo acontecera com Sam. E hoje, depois de mais rápidos outros seis anos, continuava completamente apaixonado por aquela linda mulher.

“É... amanhã, não é?” ele pergunta, a voz ainda fina por não ter passado pela época da puberdade.

“Sim, Timmy. Eu vou me casar.”

“Não me chame de Timmy.”

“Certo.”

E o silêncio voltou. Sam deu uma leve risadinha, lembrando das flores e dos presentes que apareciam em sua porta, no 13-F, há seis anos e ela não conseguia descobrir quem havia deixado lá. Em alguns dias, com um suborno à vizinha, ela percebeu que tinha ganhado um admirador secreto e uma sombra, o pirralho do último andar. Quando foi tirar satisfações, num dia claro e ensolarado, Timmy a agarrou e deu seu primeiro beijo na mulher das margens dos seus 21 anos, ele com 10. O melhor dia da vida do menino. Sam o explicou pesarosamente que não podia namorá-lo, que corria até o risco de ser presa por pedofilia, mas ele não aceitara aquilo.

Ela encostou levemente a cabeça em seu ombro, sentindo o perfume que ele tinha comprado justamente para impressioná-la, mas logo a tirou de lá. O elevador ainda não tinha começado a descer, mas as portas já estavam fechadas. Por esse lado, era até bom se mudar daquele condomínio repugnante.

“Não voltará mais, srta. Puckett?”

Qualquer um poderia sentir a dor em sua fina voz. Sam confirmou com um suspiro.

“Isso não é justo.”

“Eu sinto muito, Timmy... Timothy.” se apressou em corrigir. “É o melhor pra mim. Também sentirei sua falta.”

“Não tanto quanto eu sentirei a sua.”

“Por favor, não complique tudo. Você tem dezesseis anos, já te disse isso. Arrume uma garota da sua classe. Aquela... Como é o nome dela? A de dois rabinhos-de-cavalo?”

“Clover. Infantil demais.” bufou ele.

“Tem tantas outras por aí... Arrume uma da sua idade, querido. Você é bonito, carinhoso, inteligente. Não se preocupe. Algum dia, sua alma gêmea chegará e você não a deixará partir.”

Como eu fiz com a minha, pensou ela. Ele assoprou para cima, tirando a franja castanha da testa.

“Ainda não é justo.”

O elevador deu seu tranco e começou a descer, dessa vez rapidamente, e Timothy segurou a mão de Sam, não querendo vê-la saindo dali para nunca mais voltar. Ela permitiu o toque sem se contrapor. Quando ele parou no térreo, Timothy olhou-a, nervoso.

Ele até cogitou segurar em seu rosto com as duas mãos e dá-la o beijo que ele nunca dera. Um beijo calmo, porém urgente, e bem diferente daquele de anos atrás, quando ainda era inexperiente. Agora, crescido, já tinha prática o suficiente para não passar vergonha.

Mas não deu tempo. Sam já tinha escapado de seus dedos e cruzava o hall de entrada quando ouviu sua voz.

“Srta. Puckett!” gritou, correndo até ela. Sam se virou e esperou-o alcançá-la. “Nós vamos nos ver de novo?”

Um sorriso se formou em seu rosto antes de ela depositar um beijo em seu queixo, já que o garotinho que batia em sua cintura com 10 anos agora ficava mais alto que ela, com 16, ainda mesmo com os saltos extremamente altos da loira.

“Um dia.” e deixou o lugar.

Sam correu, procurando não ter que olhar para trás em busca do garoto que havia deixado lá, e entrou no carro preto já parado em frente ao seu prédio. Carly esperava-a ansiosa, com um sorriso no rosto. Assim que a loira bateu a porta, ela arrancou em direção ao lugar em que as duas iam passar a despedida de solteiro.

“Samantha! Que demora!” exclama, sorrindo. “Achei que tinha desistido de tudo!”

“Não tenho escolha, tenho?” responde, e encara a janela, pensativa.

Não, não tinha mesmo. Só o que a restou foi Carly, que tinha trabalhado duro para engatar a amizade novamente nesses últimos oito meses. Todos os dias ligava para a amiga, que trabalhava de garçonete num bar perto de sua antiga casa, e tentava marcar algum show ou um jantar de amigas, e Sam respondia positivamente às tentativas de recompensa vindas de Carly. Agora, parecia que os tempos negros, quando Sam ficou completamente sozinha no mundo, nem aconteceram.

Carly deu uma risada para descontrai-la, mas tudo o que Sam podia pensar era na vida que estava deixando em Seattle para a que ela teria que começar em Los Angeles, cidade natal de seu noivo.

“Não, não, não! Nada de tristeza! É hoje, amiga! O melhor dia da sua vida!”

“Se é o melhor dia, por que eu não sinto isso?” pergunta, encarando Carly por alguns segundos e voltando a olhar pela janela fechada. Nem parecia que ela realmente conhecia a pessoa com quem ela iria se casar.

...

“-Puckett, mesa três! – gritou o gordo de terno rosa, que ela relutantemente tinha que chamar de ‘chefe’. Sam revirou os olhos e puxou o uniforme de garçonete mais para baixo, caminhando até a mesa designada.

A tal boate era um lugar sujo e fedido para homens recém-chutados. Tudo era vendido por um preço excessivamente caro, mas os homens que ali frequentavam estavam tão depressivos e no fundo do poço por causa do término com o namoro que não se importavam. Literalmente, todos que iam àquele estabelecimento pediam seis doses de vodka, cerveja ou até mesmo drogas para curtirem um pouco. Não era exatamente o trabalho ideal para Sam, que tinha que trabalhar com uma mini saia e camiseta justa, mas era o lugar que ela ganhava dinheiro o suficiente para se sustentar e pagar seu aluguel, ainda sobrando dinheiro para todas as contas e um cinema duas vezes no mês. Almoçava ali mesmo, tendo que suportar os olhares dos nojentos em suas pernas, mas nem dava a mínima.

-Posso ajudar? – perguntou ela, nada simpática, olhando para o bloquinho. O homem sentado tinha acabado de chegar e olhava para seu decote.

-Claro. Pode enfiar... – subitamente, ele jogou o copo vazio de cima da mesa no chão, fazendo-o se despedaçar em vários pedaços. Sam deu um pulo para trás. – um pedaço desse vidro na minha garganta?

-Você é louco? – ela berra, ajuntando os pedaços com a mão mesmo, sem se preocupar com a possibilidade de se cortar. O homem riu ao seu lado.

-Não se preocupe, menina. Eu pago por isso. Eu tenho dinheiro – ele tirou algumas notas de cem dólares de dentro da carteira, colocando-as dentro do bolso de Sam.

Ela estranhou o ato, se aproximando de seu rosto.

-Você não fede à pinga. – disse, olhando em seus olhos claros. – Então, provavelmente, é louco varrido.

-Se você chama ‘acreditar em amor verdadeiro’ de loucura, eu concordo. – ele sorriu, enxergando o rosto angelical da loira. Ela também reparou nos olhos inchados, nariz vermelho e a boca inchada. Também era um dos que levaram um pé na bunda e acham que com bebida podem conseguir superar isso.

-Na verdade, eu chamo sim. Todo mundo sabe que isso não existe – reclamou, com raiva.

-Mas a única coisa que podemos fazer é acreditar nisso, não é mesmo? Você dá sua vida para a outra pessoa esperando o mesmo em troca mas, ao invés disso, ela destrói seu coração. Ela destrói seu coração, esquecendo-se que é ela que está dentro dele. Ela acaba com você.

-Amar é doentio.

-Mesmo quando você quer acreditar que não é, mesmo quando você tem a ilusão que, daquela vez, podia dar certo.

Os olhos do homem miraram o chão, desolados. Ele realmente tinha sofrido um dia por amor. Aquele homem, tão doce, tinha sofrido da mesma coisa que ela. Aqueles seriam os Tempos Sombrios dele. Sam se viu refletida naquela pessoa. Ela, depois de ser pisada por Freddie, depois de ser abandonada por Carly, depois de ser desamparada pelo acidente de sua mãe. Sentia-se horrível, como se o mundo tivesse conspirado para acabar com sua vida.

Ela se viu nele.

-Essa mulher... – começou, hesitando em colocar a mão em seu ombro. Mas desistiu de resistir. Fez o gesto, reconfortando-o. – Ela não merece... Você não merece sofrer por conta dela. Você deve ter a amado muito, não é?

Ele assentiu.

-Toma. – com a mão livre, colocou o dinheiro que antes estava em seu bolso, em cima da mesa à sua frente. O homem, surpreso, voltou a encará-la. – Pega isso, dê meia volta e vá pra casa. Pense. Eu não te conheço, não sei nem mesmo seu nome, mas faça isso. Não acabe com sua vida. Apenas siga em frente, certo?

Sam deu meia volta antes mesmo que pudesse ouvir o que ele tinha a dizer. E, por incrível que pareça, o homem voltou ao estabelecimento no dia seguinte. E no outro, e no outro, dois anos consecutivos.

Ela ainda se lembrava do fim de semana que não foi trabalhar e, na segunda-feira seguinte, o homem não apareceu. Seu coração murchou por segundos, só voltando a bater depois de vê-lo entrar pela porta, a barba por fazer e os olhos claros iluminando todo o ambiente naquela noite escura. Sam sorriu quando ele se sentou na sua habitual mesa 3, esperando-a atendê-lo.

-Oi – ele disse, sorrindo. Deu uma espiada no balcão, onde o gordo de terno rosa estava dormindo sentado, e passou o dedo pelo cardápio fingindo estar interessado no que lia. Espiou-a. – Não vai me perguntar se eu desejo alguma coisa?

-Não. Dessa vez, eu desejo alguma coisa – ele sorriu, à sua frente. Depois, fechou o cardápio. – Qual seu nome, estranho cabeludo?

Ele riu, passando a mão pelos cabelos na linha do ombro.

-Jared.

-Jared – repetiu, pegando o bloquinho que havia deixado em cima da mesa e anotando alguma coisa. – Pronto, agora pode fazer seu pedido.

-Eu quero você.”

...

Carly deu uma chacoalhada no ombro da garota, tirando-a de seus sonhos. Sam coçou os olhos, como se aquilo fosse uma retrospectiva que tinha vivido antes de se dedicar inteiramente àquele estranho que agora viraria seu marido.

“Eu perguntei se você não tá sentindo essa... Essa vibração!” ela disse, feliz. Sam suspirou.

“É, acho que estou sim. Arrependimento.”

“Sam, agora é tarde pra voltar atrás.” Carly sussurrou, como se alguém estivesse as escutando logo ali perto. Só faltava fazer um túnel com as mãos para certifica-la de que não seria ouvida. “O vestido de noiva já está no salão, aquele vestido perfeito, todo transpassado e com flores. Seu noivo...”

“Não fala essa palavra, por favor.”

“Seu noivo está em Las Vegas curtindo com os amigos dele. Amanhã, vocês estarão casados. Casados! Não dá pra andar pra trás agora!”

“Eu sei,Carls...” suspirou, pesarosa. Por um momento, desejou que ainda morasse no centro de Seattle com sua mãe e estivesse brigando com Melanie pelo controle remoto da televisão, prestes a bolar mais quadros para o iCarly. Mas isso já estava no passado.

“Então nada de desculpas.” A morena ficou quieta por instantes, estacionando o carro. À essa hora, já estava à noite. “Você vai entrar na festa, vai beber até cair e vai transar com todos os caras que sentir vontade, e tenha certeza de que eu cuidei para que houvessem caras MUITO gatos!”

A loira revirou os olhos. “Tudo bem. Vamos acabar com isso.”

Notas finais
O noivo dela é o Jared Leto sim jshjsdkslkjfl EITA HOMI GOSTOSO
EU TO QUERENDO.
Vocês não entenderam alguma coisa? Tá confuso? Falem pra mim pelo amor de Deus, porque eu não tô com paciência pra revisar e se vocês não entenderam eu esclareço no próximo que é quando as coisas calientes começam................
Reviews pra eu? ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.