Despedida

1 Capítulo Único



Já não sei mais o que fazer, o que falar. Sinto-me como barata tonta, vendo suas amigas, que pedem por socorro, estrebuchando até a morte.

Como gostaria de poder falar que não gastei litros de saliva por nada, que foi por boa causa que fiquei rouca. Mas, não, não posso dizer isso, pois tudo o que contei foi em vão, não serviu pra nada, tornou-se inteiramente lixo. Tudo pelo qual lutei foi destruído, assim, do nada.

Aqueles, do qual chamo de amigos, me causam uma dor simplesmente insuportável. Eles estão a me matar aos poucos, lentamente, cada um ao seu jeito, me deixando terrivelmente doente, irremediavelmente machucada, acabando comigo. Cada nova palavra, frase, gestos, atitudes, é uma nova adaga que perfura meu peito que já sangra.

Meus motivos para sorrir já são poucos, raros momentos de felicidade. Tudo o que vejo me magoa profundamente. Tudo o que ouço acaba comigo.

Sinto-me perdida nesse mundo. Não tenho onde me agarrar, sem Porto-seguro para estacionar meu frágil barquinho. Qual poderia ser o Salvador do meu universo? O oásis perdido no deserto? A ilha no meio do oceano? A estrela solitária no céu? A escondida porta do Paraíso? Quem poderia tirar-me este terrível tormento pelo qual passo no momento?

Já não posso mais viver isso. Para a tentativa à morte, pouco falta. A beleza do mundo parece-me agora negra, sem cor, sem voz, sem vida. Coragem não me falta, apenas não trazer sofrimento à outras pessoas. Afasto-me de quem gosto, despedindo-me deles. Sigo em direção ao longínquo interior, com malignos planos demoníacos. Digo aos inteiros que preparem minha cama eterna: puro marfim encrostado de rubis, morada para o fim dos séculos, voltando de onde veio. Dos sonhos aos sonhos, da terra a terra, do pó ao pó.

As nuvens de tempestade já encobrem totalmente o sol que a pouco brilhara, e destacam que de lá não mais saíram. Os trovões que a pouco anunciavam a tempestade, terror dos navegadores, apresentam agora apenas o fim, o descanso finalmente.

O fim próximo já não mais assusta, ao contrario, é incrivelmente magnifico e salvador. Aquilo que me levará à morada final, à sete palmos de terra, a tortura eterna. Ao local aonde guardarei as memórias de minha inútil vida, para onde levarei as lembranças que todos tem sobre mim. Apagarei toda minha historia da mente dos outros e a colocarei escondida a sete chaves, para que ninguém me procure, me perturbe, me persiga, me povoe, me tormente.

Nesta terra já não mais existo, não mais resido. Neste lugar diferença não faço, nunca fiz. Mesmo que você veja meu corpo vaguear por aí, minh'alma já não pensa, não sente, não vive. Aproveite o tempo enquanto pode, diferente de mim, que desperdiçei isso, e agora não tenho mais tempo nem o que aproveitar. E por isso digo: "Este é meu Adeus Final. Até a Eternidade".



Notas finais
Espero não ter assustado ninguém com esse texto... Na verdade nunca me imaginei escrevendo algo do tipo... Critica e sugestões são bem vindas.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!