Desolação
1 Desolação
A fumaça subia lentamente, formando espirais e imagens que eram levadas pelo vento. O sol nascente brilhava além da muralha da cidade, porem do lado de dentro só havia fumaça e ruinas. Todos os civis já tinham sido levados para longe pelas passagens subterrâneas do castelo, até mesmo os soldados abandonaram seus postos e fugiram com a família real, deixando o grande tesouro daquele país desprotegido, completamente a mercê dos inimigos que rodeavam a muralha como abutres. Todas as pessoas se foram, menos uma...
A jovem mulher de longos cabelos negros subiu lentamente a muralha. Sua armadura, feita de pedaços de outras que foram abandonadas, bem como a capital do reino, rangia suavemente tanto pelo seu tamanho desproporcional, quanto pela falta de manutenção. Seus olhos tristes e cansados carregavam um peso que geralmente só eram visto nos olhos daqueles que muito já haviam vivido e visto. Ao chegar ao topo da escadaria ela contemplou o exercito inimigo.
Por um mês a guerreira os havia mantido do lado de fora, por um mês suas armadilhas e artimanhas os mantiveram longe do precioso tesouro que havia dentro do palácio, mas não mais... Suas ideias a muito acabaram e não havia mais nada que pudesse ser usado para defender a muralha. Ela mais do que ninguém sabia disso, pois abrira mão das poucas horas de sono que se permitia para buscar por toda a cidade. Nem uma única flecha, nem uma gota do piche ou do olho ferventes que lançara sobre os inimigos, não havia mais nada. Tudo que lhe restara fora à espada que se encontrava em seu sinto, apenas sua velha espada bastarda.
No fim tudo por que lutara estava perdido, havia embarcado em uma jornada que já estava condenada mesmo antes de começar. Neste memento se sentia tão estupida que sua vontade era a de se entregar a morte ali mesmo, seria tão fácil... Apenas mais alguns passos e cairia lá do alto, apenas mais alguns passos e poderia enfim descansar.
“Ainda não.” Este foi o pensamento que lhe passou pela cabeça antes de se afastar da beirada. Sim, ainda não se renderia. Se fosse para morre morreria lutando como a guerreira que era, como a guerreira que sempre soube ser.
Ela se lembrava do inicio, como as pessoas a ridicularizavam por querer ser uma guerreira. Diziam que como mulher deveria cumprir com seu papel e honrar sua família com um bom casamento, sendo uma esposa submissa e uma boa mãe. Quando insistira na ideia muitos a humilharam e a espancaram, ninguém jamais lhe apoiou, ninguém ate ele... Um dia enquanto treinava as escondidas no bosque atrás de sua casa um homem apareceu e lhe irritou rindo da maneira que segurava a espada, o sujeito passara a tarde a lhe atazanar, mas em nenhum momento rira do fato de ser uma mulher que queria aprender a lutar. Durante os dois anos seguintes o homem, que era um dos soldados do reino, se tornou uma presença constante em sua rotina e passado as desavenças iniciais lhe ensinara como lutar, como ser uma guerreira capas de intimidar o inimigo só com o olhar.
Anos se passaram e eles enfim se casaram, não por ser o que se esperava deles, mas porque o queriam, pois se amavam. Então a guerra se abateu sobre aquelas terras. Rumores sobre o tesouro do rei chegaram ao país vizinho, movidos pela ganancia eles atacaram e foi em um dos primeiros ataques que realizaram a cidadela que seu amor morrera. Ao lutar por seu reino, pelas pessoas que nele viviam, ele morrera. Morrera pelas pessoas covardes que o abandonaram, pelas pessoas que deixaram o tesouro para trás, fugindo pelas suas vidas sem se importarem com a desonra que tal ato lhes traria. No fim só restara ela e o corpo dele. E agora nem isso mais, pois em breve seu fim chegaria.
Notas finais
Espero um dia poder continuar essa historia, mas ate lá vou deixar ela assim mesmo e marca como concluída.
Obrigada aos que tiveram paciência de ler ate o fim.
Bjus.
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