Desire

1 Capítulo único.


Notas iniciais
Não revisei, então relevem qualquer erro.

– Não tá mais dando certo. – Disse Draco, olhando-a dentro dos olhos com falsa franqueza.

O silêncio reinou no cômodo por alguns segundos, que mais pareciam séculos. Hermione buscou força para manter a máscara de frieza, e o fez com êxito. Por mais que amasse Draco, sabia que ele estava certo. Não queria fazê-lo, mas era tão orgulhosa quanto e jamais daria o braço a torcer.

– Concordo. – Respondeu por fim, em uma frieza que o mesmo estava invejando no momento.

Uma palavra dela era o suficiente para quebrá-lo, mas não demonstraria isso. Sorriu de forma irônica, levantando uma só sobrancelha e dando um passo a frente, até ficarem cara a cara.

– Ora, ora, ora, e é aqui que terminamos. Não posso dizer que não previ isso.

O olhar dele sob ela queimava, podia sentir a descarga elétrica passando por seu corpo só por sentir o calor que ele emanava, mas não deixou que isso a abalasse. Deu um passo a frete também, agora podendo sentir sua respiração e fazendo-o engolir em seco.

– Praticamente tudo sobre nós é previsível.

Os olhos azuis de Draco ganharam um tom mais acinzentado que o normal, como se uma frente fria estivesse a caminho. Hermione sorriu de forma divertida, irritando-o ainda mais.

– Era óbvio que não iríamos durar. – Prosseguiu, fitando seus olhos com uma falsa inocência, aproximando-se um pouco mais, até seus narizes quase se tocarem. – Eu sou boa demais pra você.

Ele a encarou de uma forma que a fez estremecer. Era como se a sala estivesse ficando menor e cada vez mais sufocante. O olhar dele parecia uma prisão da qual ela não conseguia se libertar. Suas feições estavam totalmente inexpressivas e ela se lembrou naquele momento: nada sobre ele era previsível.

Antes que pudesse quebrar o silêncio, sentiu o estalo de suas costas na parede. Ele a prendia e tinha um olhar assustador, mas não se deixou demonstrar nada. Continuou fitando-o da mesma forma que antes e com um pouco mais de indiferença. Perguntava-se ás vezes por que o amava. Ele era arrogante, egocêntrico, egoísta e narcisista. Se achava uma masoquista só de lembrar de tudo o que ele era capaz de fazê-la sentir. Quando estava com ele, mesmo que fosse brigando, era como se nada mais faltasse.

Se sentia viva.

– Claro que é. – Disse ele em extrema rouquidão. – A sabe-tudo, queridinha dos professores. – Riu de forma cafajeste e fitou-a de forma maliciosa. – O que seus amiguinhos diriam se nos vissem agora? – Se aproximou de sua orelha e prosseguiu. – Se nos vissem ontem à noite, no seu quarto, enquanto você finge que não aceitou o cargo de monitora-chefe por mim.

Escutou um estalo e em seguida sentiu seu rosto ardendo. Hermione ainda estava a sua frente, mas um pouco mais afastada. Era como se ela fosse capaz de matá-lo só com um olhar. Não podia evitar o divertimento que sentia ao vê-la daquela forma. Aquilo alimentava o que sentia por ela.

– E o que seus pais diriam se nos vissem ontem? Quando você tocou uma sangue-ruim. – Disse ela lentamente enquanto se aproximando ao mesmo ritmo, provando do mesmo divertimento. – Ou pior, quando você fez juras de amor — Fez uma pausa e finalizou, com seus lábios extremamente próximos — a uma sangue-ruim.

Draco se sentiu desnorteado, por um instante esqueceu-se de onde estava e não se importava. Puxou Hermione pela cintura e beijou-a com urgência. Colocou-a em cima da mesa, sem quebrar o contato e sem nenhum cuidado. Sentia seu ódio aumentando e, consequentemente, sua atração. A forma que ela estava sempre pronta pra tudo, pra revidar suas ofensas e para fazê-lo pagar por tudo de ruim que já havia feito. Aquilo o enlouquecia. Ela o enlouquecia.

– Eu te odeio. – Murmurou.

Ela sorriu, soltando um riso discreto.

– Eu sei. Isso é o que eu mais gosto em você.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!