Desinteressante
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Minnesota, Estados Unidos. Numa das várias estradas que levavam em direção à nossa cidade do frio, Freapolis, embarcavam cinco passageiras numa caminhonete preta. Cada uma levava consigo no mínimo três malas, cheias de roupas e perfumes, que cabiam apenas na parte de trás do automóvel. Algumas elétricas, outras cansadas, as cinco damas viajavam há algumas boas horas para, finalmente, conviverem com o novo padastro e sua família.
Tiana e Astrid mal podiam esperar para enfeitar seus quartos conforme seus bons gostos, ajeitar seus perfumes conforme suas ordens de preferência e, finalmente, arejar seus dedinhos com a brisa da prometida varanda que as esperava. Laurel e Nicky, por sua vez, só desejavam descansar o máximo possível, e tentavam permanecer acordadas jogando papo fora. Mãe das quatro, Jane pretendia chegar na casa de seu noivo em menos de trinta minutos. A caminhonete explodia em conversas incessantes, que quase fizeram a mãezona perder o controle do volante.
Não muito longe das estradas, o colégio Riverwood tocava o sinal para o intervalo dos estudos. Parecia um formigueiro: por curtos trinta segundos, alunos saíam dos portões amadeirados do colégio em direção ao pátio principal. Alguns refugiavam-se nas proximidades da fonte luminosa, que ficava no pátio lateral de Riverwood. Eram poucos os que não deixavam os corredores do gigantesco colégio. E, dentre esses tão poucos que permaneciam no interior da escola, estava Benjamin e sua namorada, Amanda. Trocavam beijos rotineiros e sorrisos forçados: o namoro de quase 5 anos estava morno há tempos, mas ambos se esforçavam para que ele permanecesse vivo.
-Hilary não aparece há várias horas, estou ficando preocupada.
-Pensei que ela estivesse viajando.
-Bem, ela estava. Mas voltou de viagem no sábado, e desde domingo não dá sinal de vida. Liguei para a casa dela e parece que ela também não apareceu por lá.
-Que estranho... E Thomas?
-Pensei nessa possibilidade, também. Mas ele terminou com ela em junho, é meio que impossível.
-Eles podem ter voltado. Não sei não, mas da última vez que falei com ele, ele parecia convicto de que a iria reconquistar. Espero que ele tenha conseguido, afinal. Isso significaria que ela está sã e salva.
-Ben, ela me disse que voltar com ele não aconteceria de jeito nenhum. E ele, responsável do jeito que é, não permitiria que ela não desse notícia à Sra. e ao Sr. Wickham, não é?
-Isso é verdade, mas...
Interrompido pelo amigo de infância, Benjamin aclarou os pensamentos ao rever Joseph, que acabara de retornar para a cidade.
-E aí, cara!
-E aí, Ben. Fala, Amanda. Tudo em cima?
-Nem tanto. A Hilary tá sumida. Estou preocupada demais com ela.
-Parece que ela não tem dado notícias para a família desde domingo, e isso é bem estranho.
-Sério? Bom, nem ligações?
-Nem isso — Amanda tornou a olhar as próprias unhas, sem se preocupar em esconder a aflição.
-Que barra. O que vocês pensam em fazer?
O casal compartilhou um momento de olhares duvidosos, sem saber a resposta para essa pergunta. Por fim, retornaram para Joseph com olhares preocupados e sinceros. Os três continuaram a conversar por alguns minutos, até que o intervalo acabou e, infelizmente, tiveram que retornar à suas salas.
Com o pôr-do-sol chegando, o sinal tocou outra vez, desta vez chamando os alunos para se retirarem do colégio e partirem até suas casas. Ônibus escolares esperavam um terço dos alunos, e outro terço ia caminhando para a casa, mesmo. Riverwood, além de público, localizava-se muito perto do centro, abrindo possibilidades para os jovens que gostariam de estudar no tão estimado colégio.
Chegando em casa, Benjamin deparou-se com um silêncio absurdo. Amanda estava com o menino, e por isso o casal aproveitou o momento propício para trocar carícias e beijos rumo ao quarto de hóspedes, que sempre encontrava-se desocupado. Porém, assim que puxaram a maçaneta, viram-se num momento constrangedor: duas meninas os encaravam, surpresas com a agarração.
Olhos arregalados aqui e acolá, o socorro chegando. Bart subia as escadas até o antigo quarto de hóspedes, explicando toda a situação com a maior calma possível.
-As meninas vão ficar com o quarto de hóspedes, Benjamin. E espero que não hajam objeções quanto a isso. Astrid e Tiana, me desculpem por isso — Bart lançava um olhar de repreensão para Ben, que tratou de ajeitar a blusa de sua namorada.
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