Desinteratium
4 Cap 4
Logo depois de toda essa confusão fui direto pra casa da minha mãe, agora não podia mais mudar oque eu já tinha feito. Pedi a Magda que trouxesse todas as minhas roupas, eu não mais ficar na casa de Finnk, eu estava decidida a procurar o verdadeiro Legacy, o pai de Finnk. Ninguém melhor que ele pra começar algo, eu sabia oque estava por vir, Finnk não é daqueles que esquece as coisas e as deixa, agora que mexi com ele, ele ira revidar, ele quer guerra, ótimo, vamos dar guerra a ele, temos mais de seis milhões de pessoas nessa cidade e só três mil se aliam a ele o resto, hahaha, odeia ele, assim como eu, a vingança muitas vezes não leva a nada, mas isso não vai ser uma vingança, vai ser mais que isso, vai ser a queda do seu “império”. Ele quer jogar? Ótimo, vamos jogar, mas do MEU jeito.
Ao chegar a minha antiga casa eu não a reconheci, nem a casa nem aquela parte da cidade. Ela era totalmente obscura, as casas meio destruídas, as pessoas eram bem diferentes, elas eram fortes e tinham uma personalidade, que quando se olhava pra elas era como elas já estivessem a postos pra luta. O que mais me surpreendeu foi que as pessoas não me olhavam com indignação e sim como se fosse mais uma guerreira entrando na batalha, e era realmente isso que estava acontecendo.
Conforme eu andava na rua mais eu reconhecia aquele lugar, e pensar que eu já brinquei aqui, em plena harmonia com crianças, mas isso agora já não acontece mais, pobres crianças já não podem nem sair de casa que quase já são mortos. Ao entrar pela porta a casa estava como era antes, exceto as paredes que agora tinham outras cores, e os móveis que agora foram trocados por novos. O silêncio acalmava a atmosfera de guerra que estava lá fora. Sentei-me no sofá arranquei os sapatos atirando-os pra longe, finalmente um pouco de paz, pensei. Mas isso não iria durar muito tempo até que Finnk resolvesse começar a atacar, e o meu plano era ir até seu pai, o segundo governo da cidade, é lá que tudo vai começar. Já estava sentindo minhas pálpebras pesarem, então simplesmente fechei os olhos.
Minhas costas queimavam um pouco quando acordei, um barulho irritante me obrigou a me levantar, o maldito celular.
–Alô? – disse com uma voz meio grogue ainda cheia de sono.
–Senhorita Alyn? – disse uma voz masculina meio velha do outro lado da linha.
–Hã, sim? – respondi me questionando de quem era aquela voz que eu conhecia.
–Aqui quem fala é o Sr. Legacy.
Dessa vez eu me levantei de vez e comecei a prestar mais atenção no que ele estava prestes a dizer, ele era realmente de quem eu precisava, parece que o pai de Finnk também ficou sabendo do “ocorrido”.
–Ah sim, diga. – Eu disse tentando ao menos manter o tom.
–Eu fiquei sabendo do ocorrido na praça e, realmente você parece me ser uma garota corajosa, eu gostaria de saber se você e eu podemos trabalhar juntos?
Seu tom era sério, eu não iria recusar por nada, ele era do segundo governo, e se eu preciso de “jogadores” ninguém melhor do que Greg Legacy para me mostra o seu jogo.
–Então querida, feito? – perguntou ele.
–Feito. – Eu disse.
Logo após a ligação eu resolvi dar uma volta pela casa, fazia muito tempo que eu não vinha aqui. Subi as escadas como costume, até o meu quarto, quando abri a porta o quarto estava praticamente igual, eu ainda tinha os mesmos objetos, mas a mobília já era outra pelo caso de eu ter crescido, isso pesou forte no meu coração porque minha mãe reformou o quarto com a certeza que eu ia voltar um dia. Mas agora ela podia ter essa certeza, pois agora eu vim pra ficar. Abri um pouco a janela pra poder entrar um pouco de ar no quarto quando a porta da casa bate e eu me assusto.
–Querida cheguei. – Disse mamãe.
Eu desci os lances de escada até encontra-la no meio de um monte de sacolas.
–O que é tudo isso? – perguntei me referindo ao tufo de sacolas na mesa.
–Ah, uma vez por semana fazemos nossas compras semanais, e você veio bem no dia.
–Hmmm, isso quer dizer que sou eu quem vai preparar o jantar? –perguntei curiosa.
–Eu adoraria que você preparasse querida enquanto eu vou buscar seus irmãos do campo de treinamento. – Ela disse dessa vez com a voz um pouco triste.
–Então quer dizer que eles foram escalados pros jogos?
–Infelizmente. – Ela disse triste.
–humm, parece que isso esta no nosso sangue não? – ela disse dando aquele seu meio sorriso.
Uma vez na academia de ensino quando eu era pequena, eles me escalaram para os jogos, eu tinha somente nove anos, eu fui a garota mais jovem a participar. Por sorte e muito treinamento eu ganhei, mas eu perdi um grande amigo.
–É. – Respondi suspirando.
Após o jantar ficar pronto meus irmãos entraram pela porta. Eles estavam enormes, provavelmente com uns catorze anos já, e ficaram bem surpresos ao me ver.
–July! Gritaram eles.
–Ai nossa que escândalo que vocês fazem. – Eu já disse rindo e os abraçando.
–Que saudade de você. – Disse Josh.
–Também senti saudade de vocês seus pestes.
–ok, ok, agora vamos jantar antes que esfrie a comida.
O jantar foi um daqueles cheio de perguntas, de como eu estou ou por que eu sumi, mas com tudo que eu passe hoje meu plano era tomar um banho e ir direto pra cama.
–July querida, vá tomar um banho e durma, amanhã é um novo dia.
–Pode apostar mãe, amanhã realmente é um novo dia. – Eu disse e subi as escadas.
Entrei no banheiro me despi e tomei meu banho pensando no que Sr. Legacy iria me propor. Sai do banho coloquei minha camisola e fui dormir, cai na cama e logo adormeci, por que desejo que o amanhã chegue logo.
Acordei com o barulho do meu celular que vibrava na escrivaninha, levantei-me e dei uma olhada rápida para ver o quê era. Era uma mensagem do Sr. Legacy que dizia que estava me esperando, isso me fez me apressar, desci tomei um café e troquei de roupa, colocando uma blusa cinza que ia até o cotovelo, uma calça jeans rasgada e um casaco preto que ia até a metade da minha coxa e uma bota de cano alto. Fiz um rabo e peguei as chaves do carro e sai, por sorte dou graças a deus que o carro do século vinte dois são mais rápidos do que uma Ferrari. Segui o mapa que estava na mensagem, o local era obscuro ficava em uma parte mais longe da cidade, o prédio era enorme e preto com as janelas azul neon. Sai do carro e fui caminhando até o prédio, eu havia estacionado do outro lado, a rua estava silenciosa provavelmente ninguém devia morar aqui. Quando fiquei de cara com a porta eu suspirei e entrei, era realmente surpreendente ali dentro, milhares de pessoas circulavam de baixo pra cima carregando coisas ou armas, algumas mulheres vestiam um blazer, camisa social branca e uma saia que ia até os joelhos, com um broche pendurado do lado direito do peito que eram dois triângulos, um em cima do outro. Provavelmente uma delas deve ter me reconhecido, pois ela veio andando até minha direção.
–Olá, você deve ser July Alyn não? –a mulher de preto me perguntou.
–Sim... –respondi lentamente ainda observando o lugar.
Eu só queria saber quem ela era, ou pelo menos o nome dela, e provavelmente ela percebeu, pois deu um sorriso.
–Meu nome é Gracie, e eu sou uma das secretarias daqui, por favor me siga – ela disse num tom totalmente calmo apertando o botão do elevador mais próximo. O elevador se seguiu e eu continuava em silêncio, por mais que eu quisesse pergunta-la oque era tudo isso eu me contive. Quando a porta do elevador se abriu olhei o número do andar que estávamos, andar vinte e um. Guardei bem esses números na cabeça, eu estava confiante e minha coragem nunca faltou, era tudo o quê eu precisava.
–Ele esta esperando por você. – Ela disse, como se ela tivesse esperado um bom tempo para dizer essas palavras. Entrei na sala, ela era grande e cinza escura, tinha uma grande mesa cheia de papéis e mapas, um sofá e armas na parede. E ali estava ele Arean Legacy, de costas observando seja lá o quê for. Ele notou minha presença e se virou, seu rosto era sério, mas pelos seus olhos pude perceber que ele estava um pouco feliz.
–Enfim eu pude revê-la. – seu tom de voz era rouco mais ainda forte, me lembrava do meu treinador.
–Digo o mesmo. – Minha voz saiu em um tom calmo, não queria que ele soubesse que eu estava realmente ansiosa pra acabar com tudo isso.
–Creio que você saiba que eu lhe tenho uma proposta, então antes de eu começar a explicar, sente-se. – Ele pediu gesticulando para o sofá na minha frente. Ele relaxou em sua cadeira e cruzou os dedos, ainda pude reparar que mesmo já velho sua aparência ainda era boa, uma barba bem feita branca e cabelos grisalhos. Ele deu um suspiro antes de começar.
–Bem, desde que você era pequena nunca pude não reparar na sua força e na sua coragem, toda vez em que seu pai ou padrasto seja lá como o chame. – Falou gesticulando. – Você nunca chorou quando ele a xingava, era incrível você simplesmente ia para o quarto e fazia ao contrário do que ele havia mandado você fazer. Também me lembro de você ser uma garota justa, sempre separando as briguinhas dos seus amigos. – Falou dando seu velho sorriso.
–Nossa, nem me lembro direito dessas coisas. – Respondi surpresa pelo fato dele se lembrar disso tudo.
–É, e eu me lembro de muito mais. – A cadeira fez um barulho quando ele se levantou e começou a andar pela sala com os braços cruzados para trás. – mas eu quero ir direto ao ponto. – Disse impaciente, ele parou de andar mais continuou com os braços cruzados para trás e olhou para mim com seu olhar gavião.
–Essa cidade por muitos anos July vem esperando a luz que nunca chega, depois que seu pai assumiu o governo a cidade nunca mais foi a mesma, ele acha que violência e sangue é oque as pessoas querem ver, mas não é isso que elas querem não? – ele perguntou arqueando suas sobrancelhas.
–Não.
–Você é uma das minhas agora. – ele disse sem nem mesmo esperar minha resposta. – mas você esta comigo agora pra guerra ou pra morte?
Eu tentei várias vezes convencer meu pai, e cheguei muito longe mais no final isso não importou, pois eu cai e perdi tudo. Suspirei e respondi:
–Eu sou como uma rachadura no castelo de vidro, mas não uma pequena rachadura que pode ser consertada, eu causo estragos. – ele me entendeu perfeitamente e deu um sorriso.
Sai de lá mais confiante, agora nada iria parar Finnk, nem mesmo eu. Eu sabia que tudo isso tinha um risco, e era grande, mas seria bem melhor se eu agisse agora, eu iria evitar mais mortes e mais destruição, agora o passo era fazer os meus entrarem para o mesmo time que eu.
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