Desilusões de Vandra
8 Capítulo 8
[ Vandra's pov]
Depois de três dias, consegui me recuperar daquela noite. Me aproximava devagar de Cris, ele não havia me notado, parecia triste. Estava em um lugar que nunca fui antes, havia umas árvores com flores vermelhas. Cada passo era uma lembrança do que Farkes disse quando eu estava recuperando-me.
[ Flash back on ]
Abro meus olhos, estava em uma casa, na sala. As paredes eram brancas. Vejo Farkes ao meu lado, no sofá. Seu olhar estava concentrado em mim.
- O que houve...? — Pergunto confusa.
- Você usou muita energia espíritual... Se eu não tivesse te ajudado poderia ter desaparecido pra sempre.
- O que é essa energia espíritual? - Pergunto me ajeitando.
- É uma energia diferente da comum, só há em espíritos. Sem ela você não tem "força" para permanecer perto das pessoas, ou seja, não pode ficar na Terra. — Depois de uma breve pausa, continuou. — Você gastou muita energia pelo tempo que está aqui, com o sonho você se "esgotou". Não achei que fosse conseguir. Muito menos achei que teria que te ajudar, tirando-a de lá. — Deu um pequeno sorriso.
- Então você é tipo um "ajuda espíritos" ? — Olho para cima ao falar, numa tentativa de colocar as idéias em ordem.
- Digamos que sim... e você é um deles que precisa de ajuda.
- Por quê?
- Porque você é um espírito confuso, ainda tem um motivo para estar aqui e deve resolver o quanto antes.
- Huum... E o que acotenceria se eu não resolvê-lo e ficar aqui?
- Você iria desenvolver um outro tipo de energia, aliás, já deve estar desenvolvendo. Ela faz com que as pessoas passem mal Vandra, elas podem até morrer. Seria um desastre, porque só geraria mais espíritos confusos e mais gente morrendo depois. Não há maneiras de ficar, você tem que ir, não importa o tamanho de sua vontade. O próprio destino obriga-a, é a coisa certa a fazer. — Vendo minha reação, continuou. — Você é diferente dos outros espíritos Vandra, sente mais emoções e realmente tem sentimentos. Talvez por isso conseguiu permanecer tanto tempo aqui, admiro isso em você. Mas como eu disse, não há maneiras de ficar.
[ Flash Back off ]
Dei mais um passo, até que ele percebeu minha presença.
- Oi... — Digo baixo.
- Finalmente... — Tento disfarçar meu sorriso. Eu havia dito a mesma coisa quando consegui falar com ele novamente. Algumas flores vermelhas caiam das árvores lentamente, acompanhando o vento. Ele me olhou, parecia querer explicações.
- Eu queria ficar com você, mas descobri que não posso. — Digo o olhando também. Ele fita o chão, mais triste que antes, mas não surpreso, talvez já esperasse por isso.
- Por quê não pode...? — Pergunta com medo da resposta.
- Assim como não posso ficar, você não pode saber. Apenas saiba que... eu queria mesmo permanecer aqui, por causa de você...
- E antes... quando você era viva, queria ficar comigo também? — Dessa vez ele me olha ao falar.
- Claro que sim...
- Então me diz por quê Vandra! Por quê mesmo você querendo ficar comigo, mesmo me amando, mesmo com todas as chances de sermos felizes juntos, mesmo sabendo que eu iria sofrer... ME DIZ POR QUÊ FEZ ISSO?? POR QUÊ SE MATOU?? EU TE AMAVA VANDRA, E AINDA AMO!
[ Cristiano's pov ]
Eu conseguia ver as lágrimas no rosto de Vandra, eu havia gritado com ela sem piedade, porque eu realmente não a entendia e não poderia perdoá-lá pelo que fez.
Mas tudo isso desapareceu de minha mente, quando ela sussurrou:
- Me perdoa... — Sua voz estava fraca, podia ver o esforço que fazia para não chorar mais ainda. — Por favor... Me perdoa... Eu não queria ter feito aquilo...
Eu estava decidido em nunca perdoá-la, mas não poderia fazer isso. A amo, e ela merece ser perdoada. Além disso, acho que esse era o motivo...O motivo dela ainda estar aqui.
- Claro que eu te perdôo Vandra...
Comecei a sentir uma sensação estranha, parecida com a que sentia quando estava com Vandra, só que mais forte.Ela olhou para trás, não sei o que viu, mas começou a andar.
- Aonde você vai?! — Pergunto assustado, dando um passo à frente. Uma luz começou a clarear o quarto.
- A gente se vê algum outro dia Cris, mesmo que demore. — Ela sorri, e dá mais um passo, e a luz clareia mais, a ponto de eu não enxergar nada.
Depois de longos 15 segundos, a luz saiu, voltando a ficar como antes. Esfreguei meus olhos para que o efeito passasse. Já enxergando novamente, procurei Vandra com o olhar. Não a encontrei, não estava mais aqui...Talvez nem nesse mundo... Agora eu tinha certeza, ela foi embora, definitivamente.
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