Desilusões de Vandra
7 Capítulo 7
Eu realmente não sabia se minhas perguntas um dia seriam respondidas, mas eu sabia de uma coisa, eu não queria que Vandra fosse embora, não agora que a tinha perto de mim.
– Vem logo Cris! Já estão todos prontos! - Gritava meu pai do andar de baixo da casa.
Sai do quarto, Vandra estava me esperando no corredor, sentada no chão.
– Seu pai grita que é uma beleza. — Ironizou ela sorrindo. — Gostei da roupa.
– Que bom... Falando nisso...espíritos não trocam de roupa?
– Acho que não, se eu soubesse disso teria escolhido uma roupa melhor pra morrer.
Eu ri, mas ela ficou quieta de repente.
– Não fique triste por isso, um uniforme escolar não é tão ruim assim. — Digo, tentando fazê-la se sentir melhor.
– Não estou triste por isso, é que eu lembrei o motivo de ter escolhido o uniforme... - Ela ia continuar, mas parou, talvez pensou que fosse melhor não comentar.
– Por quê escolheu o uniforme?... — Fitou o chão quando ouviu minha pergunta.
– Você sabe... mais fácil para... identificar o corpo...
Estremeci ao ouvi-lá, fez-me pensar no suícidio. Não queria lembrar disso, muito menos falar sobre isso. Queria achar que ela estava viva e que não é o fim... mas sei que não é verdade. Comecei a andar, mas Vandra não me acompanhava, nem havia se levantado.
– Vamos Vandra... — Digo já nas escadas, ela apenas me olha.
– O que aconteceria se.... me afastasse de você? — Perguntou refletindo.
– Não sei...
Ela se levantou e fomos até o carro. Meus pais estavam quietos, no caminho não falaram quase nada. As vezes eu ria baixo com Vandra fazendo caretas para eles. É, ela era infantil as vezes, mas por algum motivo...eu gostava de sua presença.
– Chegamos. — Disse meu pai parando em frente a casa. Meus tios nos receberam.
A casa era de uma madeira bonita, com um jardim bem cuidado no fundo. Vandra observava tudo. Já na sala, minha tia Claúdia disse-me que Caio estava no segundo andar, e que eu poderia ir lá. Sempre quiseram que nós fôssemos amigos, por termos praticamente a mesma idade e para ele se afastar das "más companhias". Ele estava em seu quarto, lendo um livro. Resolvi não perguntar qual, da última vez me arrependi.
– E ai Cris. — Disse fechando seu livro ao me ver.
– E ai man. — Sento-me no primeiro puff preto que vejo, no quarto havia vários. Ele começou a olhar pela janela.
– Porra cara, essas estrelas são tão...tão.... grandes. — Disse "observando".
– Tá de dia Caio...
– Puuts, tá mesmo.
As vezes eu tenho minhas suspeitas dele, talvez fume maconha. Vandra estava estranha, ficava olhando alguém pela janela, parecia estar "brisando" mais que Caio.
[ Vandra's Pov]
Não contei ao Cristiano as outras coisas que Farkes me disse no ônibus, nem pretendo contar, algo me diz para manter em segredo. Agora parece ser ele de novo, ali fora, na rua. Preciso ir atrás dele e saber tudo, tudo mesmo, ele vai ter que me dizer.
Eu já não prestava atenção no que Caio e Cris diziam, apenas me concentrei no que poderia fazer. Sair correndo e ir lá! Tem solução mais óbvia?
– Já volto... — Digo a Cris e saio correndo, sem esperar resposta, afinal, ele não iria me responder mesmo.
Farkes estava parado na rua, parecia preocupado. De onde será que ele havia vindo? Ele havia notado que eu vinha em sua direção, não demonstrava estar surpreso.
– Por quê você ainda está aqui? — Perguntou-me baixo. É, ele realmente estava preocupado, dava para notar quando colocava sua mão na cabeça.
– Por quê eu deveria não estar? — Retruquei.
– Hmm...Você não viu uma luz, ou algo parecido...?
– Não, nem sequer um anjinho! Agora dá pra me explicar o que está acontecendo?
– Hmm... Fez o que eu te disse? O negócio dos sonhos? — Disse-me sem interesse na minha pergunta.
– Ainda não... — Respondo fitando o chão.
– Faça, assim você poderá ter suas respostas.
– Por quê você não pode me dizer?
– Por quê não sei, ninguém sabe, só você pode descobrir, são as suas respostas, as suas verdades. Já era pra você ter ido a muito tempo, espíritos normalmente não ficam mais de uma hora aqui. Você deve ter um motivo, um motivo muito valioso para você.
–--
Farkes não me disse mais nada, e eu não questionei e por fim fui embora. Ele tinha razão, não posso ficar perguntando as coisas a ele. É a minha verdade, tenho que descobrir sozinha, se não posso fazer isso, é por quê não há verdades a serem descobertas, mas eu sei que tem.
Mesmo não esperando muitos resultados, coloquei em prática o que Farkes me disse, entrar nos sonhos de Cris. Quando ele estava em seu quarto, já dormindo, sentei-me no chão, do lado de sua cama. Fechei meus olhos, e pensei em tudo que passei com ele, mesmo não tendo o conhecido pessoalmente. As horas passadas no computador com ele, até as 3 da manhã. De repente me vi em um lugar, o lugar que eu mais adorava. Uma praça bem cuidada, com uma árvore gigante e bonita, dando sombra ao banco que ficava em baixo dela.Se ouvia barulho de água caindo, era o chafaris belo que lá havia. Cristiano estava sentado no banco, e eu no chão, de frente a ele. Queria dizer algo, mesmo que um simples "Oi", e então eu falei, falei o que eu pensava naquele momento.
– Me lembro das conversas que tivemos nesses 2 anos.... Umas muito bobas que me faziam rir, outras sérias que me faziam chorar. Não me importava o tempo que tinha que esperar para te encontrar, eu sabia que meu amor era verdadeiro, e que te amava, o resto já não importava. — Digo calmamente. Ele estava surpreso, não por me ver ali, mas pelo que eu disse. — Eu te amo...
Comecei a sentir uma dor forte, como se a minha imaginação e a minha mente, estivesse extremamente esgotada. Saio do estado de transê, e volto a realidade. Já não mais no sonho, Cristiano acorda exausto, e me olha perplexo.
– O que foi isso...? - Perguntou com a voz fraca.
Não pudê responder, sentia desaparecer-me lentamente pelo cansaço, Cris chamava meu nome.
– Vandra!! Não vá embora, fique comigo.
Com esforço, consegui falar.– Por quê?
– Porque eu também te amo. — Disse lentamente.
[ Cristiano's Pov ]
Vandra havia desaparecido naquela noite, após me ouvir. Eu via em seu rosto que queria ficar, mas acho que uma força maior a levou. Não dormi quase nada depois, estava ansioso demais. O que aconteceria? Onde Vandra teria ido? Eu a veria de novo?
As perguntas só aumentavam, Vandra não aparecia e eu não sentia sua presença, não no dia seguinte, nem no outro e no outro...
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