Notas iniciais
Não tem como fugir do destino.

–Dafne, segure na mão do seu irmão – disse Anne para sua filha que corria a sua frente, em meio à multidão que estava no parque de diversão. A garotinha de olhos cor de mel e cabelos negros correu até seu irmão e apertou sua mão o Máximo que pode, fazendo-o soltar um leve grunido de dor.

–Ai! Sua pestinha! – O garoto pegou-a pela cintura e a suspendeu no ar. Luck era um Rapaz alto, corpulento e assim como a irmã possuía cabelos escuros, mas seus olhos eram acinzentados, como céu em dia de chuva. A garotinha dava gargalhadas.

–Vamos, pestinha, o papai ta na fila da roda gigante. – falou enquanto colocava a menina no chão. Mais cedo naquele dia, Luck e seus pais estavam assistindo American Idol quando Dafne desceu as escadas com sua fantasia de fada e pediu para que eles fossem ao parque da cidade esta noite, onde haveria uma pequena apresentação de um grupo de teatro que encenaria Tinker Bell, o desenho favorito dela. A princípio todos resistiram, mais a insistência da garotinha (se colocar em frente à TV) os convenceu.

O céu de Norfolk estava estrelado, o vento frio passava suavemente frio pela nuca de Luck, fazendo-o se arrepiar. Seu olhar se perdeu por um pequeno instante em uma garota de cabelos castanhos, Dafne o acordou de seu devaneio com uma cutucada. – Qual o seu problema? — Perguntou desviando o olhar na direção da garota de cabelos castanhos, ele tentou acha-la com os olhos, mas nenhum sinal dela. Dafne lhe deu a língua e correu até seu pai que estava a poucos metros, na fila.

–Somos os próximos, onde vocês estavam? – Connor perguntou aos filhos, mas Dafne estava distraída demais com o algodão doce, que seu pai acabará de lhe entregar, para responder.

–A fila do cachorro quente estava lotada, mas a mamãe se recusou a comer outra coisa. – respondeu Luck, fazendo seu pai dar uma leve gargalhada e sua mãe dar-lhe um leve tapa no braço.

–Então, Dafne, você vai com seu irmão e eu com a sua mãe, okay? – mal Connor terminou de perguntar e a menina já estava balançando a cabeça negativamente. – Não, não, não. Eu quero ir com você, papai! – respondeu a garotinha. Luck viu sua mãe fazer um olhar de complacência para seu pai que disse – Tudo bem então, vamos, está na nossa vez.

Connor e Dafne entraram no primeiro compartimento, no seguinte entram Luck e sua mãe. O funcionário do parque verificou se tudo estava dentro dos conformes, dentro de alguns ele já estavam no topo da roda gigante, Luck podia ouvir as gargalhadas de sua irmã no carrinho* próximo.

– Ela está se divertindo muito, não é?! – Disse sua mãe, o garoto conseguiu enxergar sua irmã e teve que concordar com a mãe. Há tempos não via sua irmã tão feliz, sua família não tinha uma boa condição financeira, um passeio como esse era considerado um luxo, portanto era raro de acontecer.

–Se ao menos eu conseguisse aquele estágio, nós poderíamos... — Luck falou quase que sem pensar, ele sabia que mãe não gostava que ele se preocupasse com essas coisas, mas ele não podia evitar. Para sua surpresa ela não mudou de assunto. – Chegou uma carta do trabalho do seu pai hoje, vai haver um teste para gerente na próxima semana, ele vai fazer. – disse ela, a notícia animou Luck bastante, ele sabia que o pai era capaz de conseguir a vaga. – Mas não deixe ele saber que eu te contei, ele não quer que vocês criem expectativas, você sabe como o seu pai é. – completou olhando para o marido e a filha que acenavam para eles. Eles acenaram de volta.

–Certo, boca de siri. – disse passando a mão sobre a boca como se tivesse fechando um zíper. – O garoto olhou para o céu estrelado e rapidamente imaginou uma vida diferente, mais tranquila para ele e sua família. Foi então que ele avistou uma estrela cadente. – Olha Lá mãe, uma estrela cadente – falou apontando para a radiante estrela que cortava o céu. Sua mãe admirou com um leve sorriso no rosto. Então, a esfera explodiu formando algo parecido como um pequeno “L” radiante no céu.

– Uau! – disse admirado – será que são fogos de artifício? – perguntou para sua mãe, ele abaixou os olhos pra ver se ela havia visto, mas estranhou em ver sua mãe com os olhos fixos no céu e pode jurar que eles estavam cheios de lágrimas. – Mãe? Você tá chorando? – perguntou delicadamente, chamando a atenção dela que rapidamente tentou disfarçar.

–Não, não – disse entre pequenas fungadas- É que, bom, olha só pra você...cresceu tão rápido. – antes que o garoto pudesse se manifestar sua mãe lhe surpreendeu com um forte abraço.

–Hã... Que tal deixarmos essa sessão melosa quando eu for pra faculdade?

– Está bem, é melhor mesmo – respondeu Anne tentando por um sorriso no rosto. – Então, quer dizer que já escolheu o que vai fazer?

–Quero tentar uma vaga no curso de Arquitetura de Lincoln — disse Luck timidamente.

–Uau, Isso é maravilhoso, mas você não acha Lincoln um pouco longe daqui? Sentiremos a sua falta.

– Eu visitarei vocês em todos os feriados, além disso, ainda faltam 2 anos pra eu entrar na faculdade. – Luck lançou um simples sorriso motivador pra sua mãe.

Eles continuaram a volta a da Roda-Gigante em silêncio, Luck admirava o contorno simplório de Norfolk com poucos prédios que nem eram tão altos assim, pensou ele. E logo imaginou um contorno diferente para aquela cidade, então seu pensamento se mudou até Nova York, mas não a Nova York que você vê em qualquer cartão postal de Um dólar, aquela era a mesma cidade, mas totalmente diferente, com prédios mais altos e elegantes. Uma Nova York com um design totalmente novo, criado por Luck White, esse era o seu grande sonho.

O restante do passeio foi bem divertido, mas deixou a pequena Dafne exausta, ela vinha dormindo na cadeirinha no banco de trás, junto com Luck que começara a seguir o mesmo caminho da irmã e agora dormia. Porém, mal tivera tempo de cair no sono e já estava sendo puxado de volta a consciência pela conversa em tom alterado de seus pais. O Garoto resolveu ficar quieto fingido que não havia acordado.

“Ele ainda não ta pronto, não pode ser” ouviu sua mãe dizer.

“Anne, Eu também não queria isso agora, mas foi acertado assim, não podemos fazer...”

“Connor, eu não quero saber..ELE É NOSSO FILHO!! NÓS O CRIAMOS!! ELES NÃO TEM DIREITO”, Luck nunca havia visto sua mãe tão alterada, sua voz estava transtornada.

“NÓS CONCORDAMOS COM ISSO, ANNE!! Sabíamos que esse dia chegaria, nós o amamos, ele sabe disso, apenas isso importa..olhe pra mim”, Luck abriu os olhos lentamente, estava confuso, em sua cabeça vinham milhões de pensamentos, por que sua mãe diria tais coisas?

Tudo aconteceu muito rápido, enquanto se inclinava pra dar um beijo em sua esposa, Connor não reparou o que vinha na pista da esquerda. Luck reparou que duas luzes vinham em direção ao carro da sua família. Ele gritou. Seu pai puxou o volante para o lado, foi um movimento rápido e forte demais para o carro que começou a capotar. Uma, duas, três voltas..antes de parar de cabeça pra baixo com toda a família White desacordada.

Notas finais
Espero que tenha gostado XD. Até semana que vem!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.