Desespero, Pânico...

9 Capítulo 9 - Orgulho


Notas iniciais
Eu acho que esse capítulo ficou bem... agonizante haha! Esse é o penúltimo capítulo!

Frank me estudava com seus pequenos olhos por trás da máscara. O que eu achava que era uma máscara. Slender mudava de sua forma original para a humana repentinamente e à todo momento. Um silêncio mortal pairava no ar, contudo foi quebrado por Frank.

– Você não devia sair por aí invadindo o quarto dos outros, Eve.

– Estou pensando em aplicar uma punição, o que acha Frank? – Disse Slender, mas dessa vez não sorria. Frank me olhou com um olhar calculista, reparando em todas as partes do meu corpo.

– Tenho tanta coisa em mente. Vai ser muito divertido brincar com o esse corpo, certo Slender? Amarre-a na cama, eu já volto. Não a deixe escapar. – Disse Frank.

Eu comecei a tentar me comunicar telepaticamente com Ezequiel. Ele era um anjo, podia ouvir minhas preces, devia. Sem resposta. Gritei então o nome de Martin, pensando na hipótese que Slender havia matado Ezequiel. Mas também não obtive resposta, então parei de gritar. Em forma humana, Slender me prendeu à cama, amarrando meus pulsos e calcanhares aos pés da cama. Eu fechei os olhos e tentei me concentrar em algo, mas não conseguia pensar. Passaram cinco minutos e então Frank chegou. Ele trazia vários apetrechos em um grande compartimento com rodinhas, vários deles com aspecto horrível. Ele tirou uma máquina de grande porte do compartimento e plugou a tomada na única entrada que tinha na sala. Ligou o objeto e pegou outra coisa, entregando a Slender.

– Espalhe esses eletrodos pelo corpo da garota. – Quando Slender terminou a tarefa, ele acrescentou mais uma instrução. – Isso, agora coloque isso nas têmporas de Eve. Muito bem. – Ele disse e olhou para mim, esperando uma reação. Eu sabia que aquilo era um objeto muito temido de tortura, já tinha visto em filmes. Era um aparelho que aplicava altas tensões elétricas nos pacientes. Aquilo era a pior sensação de todas. Comecei a ter espasmos, mas não gritava. Eu fazia o máximo para não gritar, já que o prazer de Slender era ver meu desespero. Frank aumentou a potência do aparelho, sentia meu coração saindo do meu peito com as alucinações. Um fogo borbulhava por minhas veias e isso continuou por muito tempo.

Sentia-me orgulhosa, pois apesar daquilo tudo eu não tinha gritado e nem demostrado nenhuma reação. Os espasmos eram involuntários então não consegui evitá-los. Isso me amedrontava um pouco também, a pessoa que eu tinha me tornado era horrível, mas era necessário. Os lugares que Slender tinha colocado o aparelho deixaram minha pele com bolhas. Eu tremia e não conseguia falar nem me mexer. Slender e Frank começaram a persuadir para que eu mostrasse alguma emoção. Eles diziam coisas horríveis e Slender ria, mas Frank não. Depois de muito tempo nessa situação, Frank chegou mais perto de meu rosto. Estava a cerca de três centímetros do meu rosto. Com raiva, cuspi nele. Slender deu uma gargalha e Frank ficou insano.

– Você não deveria ter feito isso. MEU ROSTO. PORQUE FEZ ISSO SUA VADIA? AGORA ESTOU TODO CONTAMINADO COM VERMES, VOCÊ IRÁ PAGAR. Eu vou me limpar, aproveite seus últimos minutos com seu coração ainda em seu peito. – Ele recompôs a postura e saiu da sala.

Slender disse que eu não devia ter feito aquilo. Aquele era o verdadeiro rosto de Frank, não era uma máscara. Ele odiava germes. Para se divertir, enquanto Frank ainda estava fora, Slender pegou uma faca e começou a fazer cortes em minhas pernas. Para provoca-lo, eu ria e pedia para ele me cortar mais fundo. Isso até poderia ser uma coisa estúpida, pois eu era muito orgulhosa, mas eu tinha que ser corajosa. Não podia mostrar emoção. Até agora já foram duas torturas sem mostrar emoção. Eu me sentia realmente orgulhosa.

A voz de Ezequiel ecoou em minha cabeça, ele disse que estava indo me salvar, todavia estava tendo problemas. Eu comecei a ter mais esperança, aquela voz doce e gentil me ajudou a ter mais coragem.

Frank chegou com um tipo de material inflável no quarto, tive um mau pressentimento. Senti que aquilo ia ser a pior coisa da minha vida. Vou resumir essa parte, porque eu mesma não consigo contar e ainda estou traumatizada depois do que aconteceu. Na verdade não, só não prefiro falar sobre. Slender colocou o material inflável em meu tronco e então aquilo começou a agir. Eu esperava que aquele negócio enchesse, mas ele se reprimiu. Reprimia-se tão forte e rápido contra meu tronco que não conseguia respirar. O processo foi lento e doloroso, aquilo tirou algumas de minhas costelas do meu corpo. Depois de tudo isso, Frank tirou o meu coração e sorriu, finalmente. Tirou um vidrinho de sal do bolso do jaleco, colocou um pouco em meu coração que jazia morto em suas mãos, e o comeu. Deliciava-se com a refeição.

– Não se preocupe, eu e Slender brincaremos com você para sempre. Não importa o quanto eu te torture, esse hospício te impede de morrer, você se lembra? Agora, Slender, me conte. Como conseguiu voltar à sua forma original?

– Eu dilacerei e comi todos os pacientes que estavam buscando por Eve. Não se preocupe, não eram todos do hospício. Ainda restam alguns para nossa diversão. Foi delicioso.

– O que você fez? Você encostou suas mãos imundas em meus pacientes? Eve espere aqui. Agora é a vez de Slender ser torturado.

Os dois correram em direção ao bloco central do hospício e então começaram a lutar desesperadamente. Um calor suave percorreu o meu tronco, então vi Ezequiel em cima de minha cama. Parei de sentir tanta dor. Eu queria agradecê-lo, mas ele colocou os dedos em meus lábios, em um sinal para que fizesse silêncio.