Deserto Maldito

1 De Vítima a Culpado


Notas iniciais
Olá! ;) Esta é minha primeira fic, espero que gostem. Podem haver poucos, médios e doentios erros ortográficos aí. Sorry, não tive tempo de revisar o capítulo (que, aliás, deverá ser bem curto pra você!). Os próximos capítulos serão mais extensos (este é apenas o nosso prólogo). Tenham uma boa leitura! Bye!

Deserto do Akatama. 2008.

Tudo estava bem escuro. O céu não tinha sequer uma única estrela, porém a lua cheia conseguia iluminar razoavelmente aquela região semiárida. Em meio a uma rodovia totalmente abandonada, um veículo passava claramente descontrolado, indo e vindo para os lados em alta velocidade. Alguma coisa estava sobre o carro, algo com uma capa negra, olhos avermelhados e com alguma espécie de furadeira nas mãos.

No interior do veículo, um casal passava o maior sufoco, em desespero. A moça de pele branca, que o dirigia, estava com os cabelos pretos bagunçados, as roupas cobertas de sangue e com alguns hematomas pelos braços. O rapaz loiro, deitado no banco de trás, dava gritos agonizantes de dor enquanto desviava da ponta da furadeira que hora ou outra furava o teto em sua direção.

― Pisa fundo, Lindsay! – Grunhiu Chris. ― Ele só vai desistir quando nos matar!

A pálida tentava seguir o namorado no meio de um mar de aflições. Havia acompanhado há poucos minutos as mortes dos seus melhores amigos, e agora estavam prestes a ter o mesmo caminho caso não encontrassem uma ajuda logo.

Alguns segundos se passaram, foram muitos para o loiro sem que a coisa o atacasse. Por um reflexo no retrovisor, Chris notou que a criatura pretendia saltar para o para-brisa para surpreender sua namorada. Lindsay mantinha-se focada na estrada, suas mãos seguravam o volante, trêmulas, e o suor escorria livremente do seu rosto. O homem deu um grito agudo quando o assassino caiu sobre o capô, tentando alertar a moça. No entanto, o ataque foi rápido demais, a broca da furadeira atravessou o painel e atingiu sua barriga.

― Lindsay! – Gritou Chris em pânico. Ele nada podia fazer para ajudá-la, pois seus pés estavam quebrados. Aquela era a pior situação por qual passava em toda a sua vida, presenciar a morte dos seus melhores amigos e se sentir um verdadeiro inútil.

A furadeira foi puxada de volta do estômago dela, sua broca escorria sangue fresco. Entretanto, Lindsay ainda não estava morta. Uma pequena trilha de sangue começou a sair pela sua boca, enquanto do buraco em sua barriga transbordava. Ela sabia que iria morrer e que tinha poucos segundos para acabar com tudo aquilo...

― Morra, desgraçado!

A coisa tentou novamente mandar-lhe a arma, porém a jovem jogou toda a direção do veículo de repente, o fazendo tombar. Foram várias piruetas, inúmeros destroços lançados ao vendo, muito sangue jorrando em seu interior, até o carro parar no acostamento da pista, capotado. Chris já não se lembrava disso, a última coisa que assistiu foi o beijo que a namorada o deu pelo espelho, quando chegavam naquela rodovia, oito horas antes.

***

Delegacia de Polícia de Parks Ville. Dias depois.

― Quer dizer que não se lembra de nada... Certo? ― O detetive estava visivelmente estressado e perguntava com um sorriso irônico no rosto, batendo as mãos fortemente contra a mesa e fixando-se em Chris, que estava sentado do outro lado. ― Só tinha você, sua namorada e dois amigos seus... Os três morreram, quem sobrou? Você! Ninguém estava bêbado, nenhum outro transporte passava pelo local... Então me conte, por favor, como os matou?

― Já disse, não os matei! ― Chris gritou.

O loiro ainda estava com um bocado de arranhões pelo corpo, e suas pernas permaneciam engessadas. Usava uma cadeira-de-rodas para se locomover por algum tempo até conseguir recuperar-se, pois nenhum nervo de seu corpo tinha sido danificado. Nos braços e ao redor da cabeça usava curativos.

― Senhor, precisa me ouvir. Eu não me lembro de nada daquele acidente!

― Haha... ― O detetive não escondeu a ironia enquanto dava risos amarelos. ― Essa modinha já não funciona mais... Assassinos que matam a sangue frio e depois se esquecem de tudo. Sabe o que faço com eles? Mando pra cadeia e ficam lá até apodrecerem!

Chris revirou os olhos e bufou. Por mais que quisesse dizer que era culpado e que tinha os matado, ele não se recordava de coisa alguma do acidente. E claro, não lembrava também de ter qualquer discussão com seus amigos para justificar assassiná-los, muito pelo contrário, mantinha uma amizade forte com todos eles e amava muito Lindsay, sua namorada. A última coisa que ficava em sua memória foi quando Lindsay o mandou um beijo pelo retrovisor. Antes daquilo, pareciam todos felizes e sorridentes pois estavam na metade do caminho para chegarem na festa. Depois daquilo, apenas quando acordou atordoado no hospital, há 2 dias.

― Senhor Dale... ― Um homem chegou perante a porta e chamou o detetive até ele, entregando-o uma porção de folhas. ― Mandaram-no ler!

― O que é isso? ― O funcionário deu de ombros e retornou para onde veio.

Coube ao loiro observar o oficial passando de um lado para o outro, em zig-zag, até vê-lo emitir um murmuro de fúria e lançar os papéis sobre a mesa com bastante força. Fixou seu olhar em Chris, que engoliu seco pensando que sua situação iria de mal à pior.

― Policial James, solte o suspeito! ― Ordenou Dale coçando o rosto, visivelmente descontente com tudo aquilo. Assim que Chris pôde abrir os braços, que ficaram com as marcas das algemas que o prenderam por 3 longas horas, novamente foi surpreendido pelo interrogador. ― Nós ainda nos veremos, pode ter certeza disso! Você não conseguiu me enganar... Alguma coisa aconteceu com seus amigos naquela estrada, você sabe e eu vou descobrir o que foi!

Retomando sua cadeira-de-rodas, o rapaz calmamente saiu dali. Em sua mente, tentava a fundo buscar o que ocorreu naquelas 24 horas que foi dado como morto após o acidente, mas de nada lhe servia além de provocar uma forte dor na região cerebral. O ferimento de sua cabeça ainda estava ativo, e era só o tempo para curar aquelas cicatrizes. Enfim, queria mais que tudo se relembrar do que houve, ter a chance de ver de perto como foi que chegou ali... E ele teria.

Na sala de interrogatórios, o policial James pegou as chaves das algemas, confuso, e ficou curioso, olhando para as folhas soltas sobre o centro da mesa.

― Senhor Dale, o que dizia? Ele é inocente? – Perguntou.

― Não, mas parte do cérebro dele foi danificado, assim como suas lembranças mais recentes. – O detetive roçou os lábios, pensativo. ― A parte boa é que no prazo de um ano, ele vai se recordar de alguns fatos... E aí não vai ter como escapar, vou ir até o fundo dessa história!

DESERTO MALDITO

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.