Desenjers Contos de Anjos e Demônios

2 Capítulo 02 -Entre a Vida e a Morte


Notas iniciais
Quase não escrevo, espero que gostem e boa leitura. procura se co-autores para um novo projeto. Chamem no e-mail: nascimentnm300@gmail.com

Você já dormiu em táxi durante uma tempestade? Você entra, fala ao motorista seu destino, e adormece com as costas descansadas sobre o banco de trás e a cabeça encostada na janela? Voce não conhece o motorista e por esse motivo não consegue relaxar totalmente e cada pequena curva é um presságio de que o destino está próximo. Era assim que Elaine se sentia naquele momento, estava dormindo, dentro de um carro durante uma tempestade, até que o carro todo treme com um forte impacto de seu parashock arrebentando os limites da estrada e logo em seguida seu para-brisa quebra em conjunto com as janelas deixando a água do Rio Stone entrar por todos os lados, só de uma vez, sem nenhuma delicadeza, você não consegue respirar, suas narinas começam a arder o mundo a girar e você acorda, da mesma forma como Elaine acordou.

O olhos de Elaine analisam com muto cuidado e delicadeza todos os cantos do quarto de teto branco e paredes verdes claro, seu corpo dói como se tivesse sido colocada numa maquina de lavar e tivesse sido lavada no máximo do motor. Ela tenta se levantar e nesse momento sente um grande calafrio percorrendo seu corpo que começa a separar o seu corpo de sua alma, de inicio foi como se ela tivesse apenas se levantado da maca, mas depois de olhar de volta para a maca e ver seu corpo intacto entra em total desespero. Elaine se aproxima de seu corpo com suas mãos cobrindo sua boca para não dar um grito. Ela se senta na maca e logo em seguida se deita na mesma posição na qual seu corpo se encontra e o monitor de sinais vitais exibe uma linha reta que começa a emitir vários bips seguidos, depois disso sua alma e expulsa do corpo de modo que bata no teto do quarto e volte de novo para baixo caindo no chão. Ela se senta no chão e sente seu corpo afundando, se desespera novamente e pensa que está num sonho, ela vê seu corpo deitado numa maca e se sente dentro de outro, completamente idêntico, leve e translúcido.

“Como faço para me livre deste corpo artificial?” Ela se pergunta afundando cada vez mais no chão até que um idoso bem velho e careca surge em sua frente segurando o suporte de seu soro. Ele exibe um sorriso e acena balançando suas vestes hospitalares brancas como nuvens num dia ensolarado.

— Quer uma ajudinha querida? — Ele estende uma mão e Elaine pega nela se levantando. — Voce precisa deixar seu corpo espiritual em equilíbrio com o mental, desta forma você vai conseguir ficar em pé e se movimentar nas terras humanas e sagradas. — Elaine pisca várias vezes seguidas e consegue ficar em pé com um certo esforço.

— Quem é você? Onde está o doutor? O meu irmão veio me visitar? Porque estou no hospital? — Ela precisa de respostas, caso o contrário pode surtar a qualquer momento.

— São muitas perguntas mocinha. Eu sou Albert uma alma penada, vago pelos corredores deste hospital já faz 100 anos e até hoje ainda não descobri qual a minha pendência no mundo humano. Não sei porque está aqui, mas tenho certeza que você não tem um problema humano, mas sim muito mais complexo ate pra mim que conheço as lendas urbanas de perto. — Ele fala se sentando na maca e analisando o corpo de Elaine deitado na maca. — Seu corpo não esta morto, e as chamas da sua alma estão fracas como uma vela ao vento. Se você não restaurar sua aura você morrera em breve.

— Do que você está falando? Que lendas? — Elaine pergunta andando em círculos pelo quarto. A porta se abre e o doutor acompanhado de Fernando. Elaine corre para o irmão, ela estende a mão para puxá-lo pelo braço mas seu toco atravessa o corpo de seu irmão como se ela fosse uma projeção de um projetor multimídia.

— Voce sentiu isso? — Fernando pergunta para o doutor que olha para ele perplexo.

— O que? — Ele fala preparando a seringa com algum injetável, um calmante talvez, os músculos de Elaine estavam completamente tensos.

— Um calafrio. — Ele diz coçando o cabelo olhando atentamente o que o medico fazia, enquanto Elaine estava intacta atrás dele olhando tudo com atenção.

— Não adianta querida, os humanos não conseguem ver almas de outros humanos depois que morrem. — O velho fala se levantando da maca deixando o médico atravessar seu corpo.

— Senti, era esse calafrio que estava falando? — O doutor fala olhando para Fernando se tremendo.

— Voce sentiu também? Será que existem fantasmas nesse hospital? — Fernando fala rindo e o médico faz uma careta no rosto negando com um sinal.

— Como pode ver eles só sentem calafrios quando passam por um de nós?

— Eu estou aqui, mas não morri? É como se… — Elaine não consegue achar as palavras.

— Voce estivesse entre a vida e a morte. — O idoso completa se levantando e saindo do quarto. Ela dispara atrás dele e o vê no corredor atravessando um grupo de faxineiras que saíram gritando após sentirem um calafrio conjunto. — Viu, não e tão horrível assim ser uma alma penada – Ele completa rindo.

— Voce já saiu deste hospital? O que sabe sobre as lendas urbanas? — Elaine segue o idoso pelo corredor, para um velho segurando um suporte de soro ele é bem rápido pensa ela.

— Não. — Responde ele secamente atravessando um jovem no corredor que distraído mexendo no seu celular se espantou. — As lendas falam sobre as criaturas sagradas, as que foram criadas antes de nós, os humanos.

— Que tipo de criaturas são essas? Se nunca saiu deste hospital como espera cumprir sua pena e deixar de ser uma alma penada. — Elaine cai no chão fraca de tanto seguir o velho pelos corredores do hospital.

— Anjos, vampiros, lobisomens, demônios e desen… — Ele para de falar no meio da frase.

— Desen… ? O que? — Elaine fala de joelhos no chão.

— É verdade, todos que conhecia já morreram e não paguei minha pendencia com eles, talvez seja por isso que eu nunca fui exorcizado. — Ele fala coçando sua careca. — Desenjers querida, as lendas se referem a eles como filhos de anjos e demônios, eu temo todos essas criaturas e por esse motivo nunca me atrevi a por os pés fora deste hospital. Ainda sinto traumas desde o meu acidente.

— Você sabe como me ajudar? Sabe de algo que possa me restaurar para que eu consiga retornar ao meu corpo? — Elaine pergunta se levantando e com seriedade no olhar.

— Eu não posso. — O idoso fala com medo em sua voz.

— Por favor meu senhor, só quero meu corpo de volta.

— Tudo bem, eu lhe ajudarei, juntos podemos simplesmente ser mortos pelos anjos ou algum demônio, vamos para o bosque, o lugar favorito dos últimos Desenjers, ou melhor, do único que pode ser considerado bom entre os outros cinco.

— Foi la onde desmaiei Albert. — Elaine fala esperançosa. — Eu senti um toque em meu ombro, que acalmou meu coração, e logo em seguida senti um forte sono que adormeci ali mesmo.

— Apenas os Desenjers habitam aquele bosque, se algum deles tentou se possuir de você. Porque ainda esta viva? — Albert, o idoso pergunta esticando suas costas enquanto se livrava do suporte de soro que era apenas parte do figurino dele. — Voce é um milagre Elaine.

— Antes de irmos, eu gostaria de falar com ele. — Elaine aponta para o seu irmão Fernando que passa pelos dois com uma cara de confuso no rosto, em uma de suas mãos segura um cachorro quente e na outra um chocolate gelado.

— Voce não consegue, sua alma esta fraca demais, deixa que eu aviso ele. — Albert fala pegando seu suporte de soro novamente e Elaine fica no fim do corredor vendo Albert se aproximar de Fernando.

— Posso me sentar com você? — A voz de Albert sai rouca e trêmula. — È que dentro do meu quarto a central deixou ele muito frio, vim aqui pra fora para me aquecer um pouco, se bem que a noite esta fria também. — Fernando permanece calado e o idoso se senta. — Quem esta doente da sua família aqui?

— Como você sabe que é da minha família?

— O olhar de um homem diz tudo. — Albert fala rindo de leve. — Escute meu filho, a doença de sua irmã não é uma doença terrena, mas sim espiritual, a resposta para a doença dela está no seu subconsciente, na Floresta de Sangue. — Fernando pisca por um segundo e o idoso desaparece. Ele deixa seus lanches no banco e se lembra da velha historia que seu bisavô o contara uma vez sobre a Floresta de sangue.

Fernando olha para o fim do corredor e não vê nada, mas ali, naquele mesmo corredor, Elaine estava olhando para ele sorrindo.

— Vamos querida. — Albert fala para Elaine tocando em seu ombro. — Temos um longo caminho pela frente, veja está amanhecendo, o melhor horário para evitar as criaturas sagradas.

“Florestas de Sangue” Esse nome ficou martelando pela cabeça de Fernando pelo resto da manha, ele ainda não entrara no quarto de Elaine desde que comprou seu lanche. Ele estava cansado e se sentindo sujo, ele pega seu telefone discando o número de Rick o celular emite vários bips e Rick atende.

— Aló? Fernando? Alguma notícia de Elaine? — O silêncio reina entre os dois por dez segundos.

— Sim, ela pegou hipotermia devido ao frio as margens do Rio Stone. Ela deve despertar do seu sono em 48 horas. Voce pode passar o dia com ela aqui? Preciso resolver umas situações pessoais. — A voz de Fernando chega rápido, abafada e rouca aos ouvidos de Rick.

— Claro, chego ai em cinco minutos, me espera na frente do hospital. — Os dois desligam o telefone. Fernando corre pelos corredores do hospital e chega na recepção do estabelecimento, ele cruza por um grupo de mulheres de máscara e passa pela porta giratória de vidro chegando na frente do local, o sol bate em sua cara e ele sente um calafrio percorrer o seu corpo.

— Florestas de Sangue – Ele fala um pouco alto e solta um pequeno riso. Pouco depois Rick chega em seu carro. Rick estaciona perto de Fernando e sai do carro logo em seguida apertando o botão no controle para trancá-lo.

E ai cara? Qual quarto ela esta? — Rick pergunta tapando os olhos para que o sol não ofuscasse sua visão.

— Quarto 8, fique com ela, eu volto amanha para sairmos junto com ela. -Fernando fala e sai correndo em direção a sua moto.

— Ok. — Rick fala e entra dentro do hospital indo para o quarto de Elaine.

Florestas de sangue, o pensamento nos pequenos conjuntos de árvores de pinheiros que compõem florestas, várias as lendas urbanas das quais contavam sobre não entrar naquelas florestas a não ser que quisesse perder a vida. Ele sente outro calafrio e chega no seu apartamento. Toma uma ducha, se veste e senta em frente ao computador. A internet de sua casa estava rápida aquela manha o que deixou tudo mais fácil. Ele pesquisa FLORESTAS DE SANGUE no navegador e vários artigos aparecem, um deles possuía o titulo de O SEGREDO DAS DOENÇAS OCULTAS – O PARADEIRO DA CURANDEIRA DE SANGUE, seus olhos se entortam sobre este link e ele clica em cima sendo direcionado para um mapa em tempo real via satélite focado numa parte especifica da Floresta de Sangue, ele pega as cordeadas do mais próximo e joga no Google Maps em busca de alguma trilha entre essas florestas.

“OPS… NENHUMA TRILHA POR PERTO! GOSTARIA DE FAZER UMA? QUE TAL COMPARTILHAR COM A GENTE?” A mensagem é exibida na tela do computador, ele pensa em sair imediatamente em busca das coordenadas, ela já ouvira sobre as doenças ocasionadas por algo que existia nas Florestas de Sangue, mas acima de tudo ele precisava dormir. Fernando se deita para cochilar por trinta minutos, mas quando acorda o dia já tinha passado e já eram nove horas e quarenta minutos da noite. Ele anda pelo apartamento, pega um mapa das florestas impresso que ganhara anos atrás de um velho amigo, duas lanternas, pilhas, uma bussola, agua e comida, coloca tudo em sua mochila.

Fernando sai do seu apartamento e dirige pela fria noite que se fazia, ele nunca tinha vivido um final de verão tão quente, depois de trinta minutos dirigindo ele chega na beira da floresta, um local bem afastado da cidade, ele poderia vir durante o dia, só que tinha medo de Elaine não acordar em 48 horas e ele não possuir nenhuma resposta, ele desliga sua moto e a tranca, deixando a estacionada na margem da floresta.

A primeira vista era apenas uma Floresta qualquer iluminada pela luz da lua, sem nenhum problema, animais passeando por entre as enormes árvores tao grandes e velhas que rangiam com o vento. Apos vinte minutos de caminhada e a bateria da primeira lanterna descarregando, pois já estava gasta ele decide checar o mapa e se situar de onde esta. Fernando pega sua mochila, tira o mapa de dentro e quando vai olhar sua posição, ele sente que está sendo observado, não por um animal, pois os mesmos nos observam sem que a gente perceba, mas essa coisa deixava bem claro sua presença, a penumbra de alguém se formava atrás da árvore, alguém grande e peludo, Fernando não tem tempo para ver o que é, só que sai correndo espantado com a imagem para mais fundo na floresta, deixando para trás seu mapa. A criatura escuta seus passos e começa a persegui-lo, ele corre, e corre ate que suas pernas começam a ficar queimando e seus pulmões ardendo, com a respiração ofegante e exausto ele olha para trás e percebe que não há mais ninguém seguindo ele que de tanto olhar para trás bate a cabeça num galho baixo de um pinheiro e desmaia. Ele passou uma hora correndo, e agora faltava apenas alguns minutos para e meia-noite, onde muitos eventos acontecem, principalmente nas Florestas de Sangue.

Notas finais
Deixem seu feedback da historia. Comentem e compartilhem o numero de falta de views e matante, quase desistindo de publicar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.