Notas iniciais
QUEM É VIVO SEMPRE APARECE!! Hallo, peoples. Sei que vocês estão doidos para me matar. Eu sei. Prometi esse capítulo muuuuito antes, mas eu tive um enorme bloqueio criativo. E teria demorado muito mais para postar se não fosse a ajuda da Kathie Raddare. É sério, agradeçam a ela, porque ela foi uma enorme ajuda nesse cap todinho. Capítulo dedicado a ela ♥ Obrigada, obrigada, minha lindaaaa Eu literalmente acabei de escrever e revisar o cap, minha beta ainda tá sumida, então me avisem qualquer erro!

Quase dois meses tinha se passado. Sua agenda enfim estava lhe dando uma trégua e sua almejada folga estava programada a partir de amanhã. Três longos dias. Lembrando-se da recompensa que Allen havia lhe prometido, olhou para o celular. Estava pensando seriamente se mandava uma mensagem para o albino avisando que estaria livre no dia seguinte.

Sentado no sofá de sua casa, havia acabado de chegar de uma longa sessão de modelagem. Estava louco para tomar um banho e cair na cama, mas o fato de que ainda não falara com Allen o incomodava e queria entender porque. Fazia quase duas semanas que não falava com o outro, sendo que nesse meio tempo teve duas viagens, e, ao que Lenalee lhe contou em mensagem, Walker também viajou a trabalho.

Suspirou longamente, embrenhando a mão em seus cabelos. E se mais uma vez ele se decepcionasse? E se mais uma vez fosse uma... mentira? Claro, havia a chance de também não ser, mas seria difícil se recuperar se mais uma enorme decepção acontecesse.

Olhou mais uma vez para o celular, o nome de Allen grande sobre o número de contato. Ele tinha que parar com esses pensamentos que sempre o deixavam com um pé atrás. Allen não era como aquela pessoa. Não era.

Ele não podia se privar por causa de algo que nem sua culpa era.

Determinado pegou novamente o aparelho, mandando uma mensagem ao albino avisando a data de sua folga. Ele não demorou a receber uma resposta, um questionamento sobre o que gostaria de comer. Não notou que sorria, os olhos ternos sobre a conversa na tela. Allen e ele conversaram por mais algum tempo, planejando sobre o dia de cinema na casa do menor.

Seu torpor foi quebrado por um longo bocejo. Estava cansado. Despedindo-se de Allen, seguiu para o quarto.

Estava ansioso para vê-lo novamente.

~K.A.~

Allen respirou profundamente, estufando o peito em orgulho, as mãos apoiadas nos quadris. Havia feito uma bela faxina em seu apartamento, os moveis e chão brilhavam, tudo tinha um maravilhoso cheiro de flores – aroma de um dos produtos de limpeza – e as coisas organizada e devidamente em seus lugares, vulgo os desenhos e fotografias que antes jaziam espalhadas pelo assoalho e centro de sala.

Seu quarto também estava todo ajeitado e a cozinha totalmente limpa. Céus, seu balcão estava imundo do bolo que fizera outro dia e alguns salgados para que Kanda pudesse comer, afinal, o mesmo sempre deixou claro não gostar de doces.

Haviam marcado de Yuu aparecer ali por volta das 14h. Allen quis que o mesmo dormisse mais de oito horas devido ao fato de que nos dias anteriores seu sono era escasso pelo trabalho.

Olhou para o relógio digital ao lado da TV e suspirou. Faltava ainda uma hora, tempo necessário para seu banho e deixar o restante pronto. Por longos momentos fez questão de ficar de molho debaixo da água, esfregando a pele com seu sabonete mais cheiroso para tirar o odor de desinfetante.

Saiu do banheiro vestindo roupas leves, ajeitou a sala para que tudo ficasse confortável, e justamente quando estava ligando a Netflix seu interfone tocou. Um sorriso se abriu em seu rosto, rapidamente atendeu autorizando a subida de Kanda. Abriu a porta de entrada e ficou aguardando pouco tempo até a figura de Yuu aparecer pelas escadas de incêndio.

— Não quis pegar o elevador? – Riu soprado.

— Tsc, você mora no terceiro andar, como se fosse uma subida longa. – Allen apenas continuou a sorrir divertindo enquanto dava espaço para Yuu entrar antes de fechar a porta.

— Sinta-se à vontade. Quer comer algo? – Yuu sentou-se no sofá e balançou a cabeça.

— Belisquei algo antes de vir, então estou bem. – Desajeitadamente e um pouco consciente de si mesmo, Allen sentou-se ao lado de Yuu, pegando o controle sobre o centro de sala.

— Bom, algum gênero de filme?

— Qualquer coisa menos romance. – Imaginando justamente que essa seria a resposta o albino riu.

— Certo.

Se acomodaram melhor sobre o sofá, com dois cobertores que Allen deixou de prontidão, selecionou um filme de terror que foi indicado por Lavi, antes de fechar as cortinas e deixar a sala com uma iluminação baixa.

— Vê se não dorme nesse filme também. – Allen corou, virando o rosto para Kanda indignado e sem jeito.

— Eu não vou! – E Kanda riu, seus olhos brilhando com um ar de desafio. Bufando, Allen cruzou os braços, observando fixamente a introdução do filme.

E como se fosse o desafio de sua vida, com um bico que não saiu de seus lábios, não descolou as vistas da tela, desta forma não notou o pequeno sorriso de Kanda, que queria rir sempre que o menor franzia o cenho ao tentar se manter focado.

Para a maior conquista de Allen, com direito a uma pose de vitória e um “há!” apontado para Kanda, ele viu o filme inteiro sem adormecer, ganhando em troca uma sobrancelha arqueada e um riso.

Enquanto deixou Yuu escolhendo o que veriam a seguir, partiu para a cozinha no intuito de fazer pipoca, afinal, uma boa sessão cinema sempre deve ser acompanhada de um bom balde pipoca.

Retornou à sala, largando-se sobre o assento, a vasilha em seu colo e um punhado de pipoca em sua mão.

— Caramba, você é como um hamster. – Gargalhou ao ver as bochechas cheias. Allen o acotovelou, sem graça, causando ainda mais risadas no moreno. Kanda, sem perder a oportunidade, sacou o celular a câmera focada no rosto vermelho e bochechas com pipoca.

Fortemente enrubescido, Allen empurrou Kanda, que ainda ria quando caiu no braço do sofá, parecendo que essa atitude de tentar desviar a atenção apenas lhe causara mais humor.

Mastigando e engolindo, o fotografo ainda corado afastou-se do moreno, um bico fazendo retorno aos seus lábios, desviando o olhar para o lado. Ouviu Kanda respirar fundo, observou-o de soslaio, vendo um sorriso em seu rosto, os olhos negros brilhantes... belos como uma pedra ônix. Apesar de seu constrangimento, o coração de Allen fraquejava com a visão do modelo tão relaxado, diferente de quanto o conhecera, com seus olhos opacos e frios. Mesmo que fosse as suas custas, Allen queria que continuasse a se divertir.

Falsamente, continuou a parecer emburrado. Kanda pegou novamente o controle, mas sua expressão em nenhum momento se desfez.

Eles toparam com uma série de comédia nas recomendações, com poucos episódios, e por insistência de Allen deram play. O mais novo queria dançar no sofá sempre que algo arrancava um riso do modelo, que falhava em tentar voltar a sua pose estoica.

Ao término de dois episódios, Kanda tinha as costas da mão contra a boca, uma tentativa nula de tentar esconder o sorriso aberto.

O coração de Allen fraquejou uma batida com essa visão maravilhosa.

— Você deveria sorrir mais, Kanda... – Allen disse em um sussurro, chamando sua atenção. Quando o albino levantou o olhar, seus orbes pratas brilhavam enquanto o canto de seus olhos se enrugavam ao mesmo passo que sorria. – Você fica bem sorrindo.

Certo.

Kanda definitivamente estava desistindo de resistir ao charme de Allen.

Desta vez teve sucesso em esconder o sorriso... mas não o olhar predatório. Allen sugou sua respiração, o corpo tenso como a corda de um violino enquanto Yuu virava-se no sofá, aproximando-se lentamente, como se lhe desse chance para fugir.

Allen sentiu o braço do sofá contra suas costas conforme Kanda se posicionava sobre si. A boca entreaberta e olhos arregalados. Expectante e temeroso.

Uma mão incrivelmente macia acariciou seu rosto. Virando sutilmente sobre a palma, depositou um singelo beijo sobre a pele, ganhando um olhar aquecido em troca.

— Realmente... nada como ele.

Antes que Allen pudesse perguntar a quem Kanda se referia, lábios molhados se juntaram aos seus. No mesmo instante sua mente ficou em branco, a única coisa que notava era o corpo forte contra o seu. Seus braços moveram-se para se acomodar nos ombros largos, puxando-o para mais perto conforme abria os lábios para a língua do outro.

Sem se incomodar com o som de um novo episódio começando, Allen tinha os olhos suavemente fechados, apreciando o peso e a quentura do outro homem. A mão que outrora estava em seu rosto, arrastou-se para seus cabelos, embrenhando-se nos fios brancos e macios tirando um gemido de Allen, que foi abafado pelo ósculo.

O barulho estridente do celular de Allen tocando foi responsável por tira-los do torpor. Afastaram o rosto brevemente, olhando o aparelho que vibrava sobre o centro de sala. Allen bufou, esticando o braço para pega-lo, rindo quando Kanda, apertou um braço ao redor da sua cintura para mantê-lo no lugar.

— Deixe-me atender, vai que é import— — Sua fala foi cortada por outra onda de riso quando Kanda mordia seu ombro sobre a blusa levemente. – Você é um animal, vamos... – Esticou-se novamente, alcançando somente com a ponta dos dedos o celular, sem olhar o nome apenas arrastou o dedo na tela para atender. – Alô? – A outra mão arrastou-se pelas costas de Yuu, que dava leves beijos na pele exposta de seu pescoço.

— Alleen!

— Lavi... – Ouviu Kanda grunhir o nome em aborrecimento.

— Oi, Lavi. O que houve?

— Por que demorou para me atender?! – Allen revirou os olhos.

— Fala logo.

— Por que a pressa? ‘Tá ocupado?

— Sim. – Respondeu com um resmungo, empurrando Kanda que se debruçou ainda mais sobre seu corpo.

— Uuh, eu queria que saísse comigo! – Choramingou.

— Não dá, eu—Kanda! – Ouviu a risada soprada do moreno, olhando-o indignado enquanto a mão livre ia para o local onde recebeu um chupão dolorido. – Você é um animal!

— Pera, o Yuu ‘tá aí?! – Afastou o telefone com o grito.

— Ugh, sim... agora, por favor – ei! – Kanda tomou o celular de sua mão, sem se importar com o protesto. — Caramba, qual é a sua me interrompendo?

— Usagi., vê se morre e não ligue mais. Você está atrapalhando. – Desligou sem esperar uma resposta, jogando o celular de lado.

— Francamente, seu homem das cavernas. – Não resistiu em rir, os braços voltando a circular os ombros fortes enquanto o corpo do outro retornou sobre o seu, seus lábios se conectando mais uma vez ao mesmo passo que sorriam.

~K.A.~

— Eu só acho que você tem que tomar conta da sua vida, Lavi. – Allen suspirou, não exatamente aborrecido, mas adorava instigar a imensa curiosidade do ruivo.

— Mas, Al! Você está fazendo segredinho com o Yuu! Eu acho isso tão injusto! – Lavi choramingou, abraçando-o pela cintura, chorando falsamente.

— Se é segredo porque eu te contaria?

— Porque eu sou seu melhor amigo! – Reclamou beliscando a cintura do albino, que riu e se esquivou dos braços do ruivo.

— Por enquanto é segredo meu e do Kanda. – Mostrou a língua para o ruivo, seguindo caminho no corredor enquanto ainda era perseguido pelo outro. Mais um lamento saiu dos lábios de Lavi.

— Você é mau. – Sua resposta arrancou um riso do menor. Saíram do prédio, com Lavi indo para o lado, parando apenas quando notou que não era seguido. – O que foi q— — Se cortou quando um carro preto parou, Allen lhe sorriu e acenou.

— Tenho outra carona hoje! Tchauzinho! – E adentrou o carro após rir da feição surpresa do ruivo.

O carro deu a volta e partiu, foi naquele momento que Lavi notou que quem estava no motorista do carro era Kanda. Soltando um gritinho, logo sacou o celular do bolso.

— Allen, seu desgraçado! – Céus, ele precisava falar com Lenalee.

~K.A.~

Allen ainda gargalhava mesmo que já não visse mais Lavi surtar pelo retrovisor do carro. Durante o dia todo o ruivo lhe questionara sobre o que diabos havia acontecido com Kanda e ele no dia anterior, pela ligação interrompida e pelo tom de Allen nesta.

Céus, Allen sabia que Lavi teria um dia de campo se descobrisse o chupão que tinha no pescoço, escondido graças à maquiagem que aplicou naquela manhã... desnecessário dizer que Kanda foi muito xingado enquanto fazia isso. Não que o moreno soubesse de qualquer coisa, claro.

Allen apenas o ligou e falou poucas e boas sobre deixar marcas em locais visíveis.

E infelizmente ele sabia muito bem que entrou por uma orelha e saiu por outra se olhar que Kanda lhe dava agora fosse qualquer indicação.

— Pare de ficar me olhando e presta atenção na estrada! – Gritou, fortemente enrubescido quando o moreno lambeu os lábios enquanto o fitava de soslaio. Kanda apenas deu um sorrisinho em escarnio, mas virando o rosto mesmo assim. – Para onde está me levando?

— É surpresa.

— Mas você já disse isso antes!

— Então ‘tá perguntando de novo por quê? – Em resposta Allen cruzou os braços.

— Você é mau. – Kanda apenas balançou a cabeça negativamente, humorado pela birra do albino.

Allen apenas suspirou e virou o rosto, olhando para a paisagem a fora, um pequeno sorriso surgindo em seu rosto na lembrança do dia anterior.

Por longos minutos eles ficaram na mesma posição, com beijos profundos sendo dados e mãos gentis a acariciar. Relutantemente se afastaram, olharam-se nos olhos e sorriram cumplices. Ajeitaram-se então no sofá, retornando o episódio desde o começo e Allen se aconchegou nos braços de Yuu.

Realmente não queria sair dali.

Era tarde da noite quando o modelo disse que iria para casa. Um pouco tristinho pelo dia ter passado tão rápido, Allen apenas aceitou. Acompanhou-o até seu carro, trocando mais um beijo antes de Kanda adentrar o carro.

— Que horas sai do trabalho amanhã?

— Por quê?

— Quero te levar à um encontro. – O sorriso de canto que Yuu lhe deu apenas acentuou o rubor no rosto de Allen.

— Saio pouco depois das 17h... se nada acontecer.

— Certo. Mandarei uma mensagem confirmando.

Roubando-lhe mais um beijo, Yuu se despediu e pariu com o carro.

Allen, apesar do cansaço, demorou a dormir naquela noite, sorriso como um tolo e tocando diversas vezes seus lábios enquanto passada o dia em sua mente.

E ali estavam eles agora.

Desde a confirmação do seu horário de saída, questionara sobre onde iriam, mas Kanda permaneceu firme sobre ser segredo. Suspirou, virando o rosto e observando o moreno que enfim parecia mais concentrado na direção, tentou conter o sorriso mordendo levemente o lábio.

— O que foi? – Kanda enfim perguntou.

— Naada. – O moreno apenas bufou e o ignorou.

Enfim o carro parou. Allen curiosamente olhou ao redor quando o moreno estacionou em uma vaga na rua, franzindo o cenho ao notar casas e alguns estabelecimentos, mas nada que o ajudasse a adivinhar o que faziam ali.

— Vem. – Tornou a olhar para Kanda quando este o chamou, pegando sua mão que foi oferecida. Um misto de emoções fez seu coração bater acelerado quando o moreno continuou andando de mão dadas consigo, guiando-o pela rua vazia. – Ei, olhe a frente. – Fazendo como dito, Allen ofegou quando notou o acumulo de pessoas em frente a uma entrada.

— Oh! O que é isso?! – Um enorme sorriso nasceu em seu rosto quando notou palhaços, bailarinas e outras pessoas do circo apresentando-se, entregando panfletos para quem passasse por ali.

— Lenalee comentou sobre esse circo... imaginei que gostaria. – Falou despretensioso, sua feição inexpressiva, mas por dentro sentia-se satisfeito ao ver o olhar de admiração no rosto de Allen.

— Eu amei isso! – Virou-se para Kanda, um largo sorriso presente em seu rosto. – Obrigado. – Levantou-se rapidamente na ponta dos pés, depositando um rápido beijo nos lábios do moreno antes de voltar a olhar para frente e puxá-lo em direção à fila para adentrar o local.

Permaneceram de mão agarradas quando entraram após comprar os ingressos, com Allen ofegando como uma criança a cada coisa que via. Yuu definitivamente não estava se importando de ser puxado por ali quando o albino achava algo que queria olhar. Primeiramente foi um stand de comida, obviamente. O cheiro forte de pipoca ao redor da barraca. Kanda não pode deixar de torcer o nariz com o odor de manteiga na pipoca que Allen recebeu, ficando levemente enojado com a oleosidade na comida.

— Eu vou pegar um hot-dog. Me recuso a comer isso. – Balançou a cabeça, fazendo Allen gargalhar, e em provocação levar a mão suja pela comida até o rosto do moreno, que se esquivou e o olhou irritado.

— ‘Tá com nojinho? – O albino questionou em deboche, levando o dedo indicador aos lábios, lambendo e sentindo o sabor da pipoca, manteiga e sal. Observou o exato momento que os olhos negros se escureceram antes de ter a mão agarrada e uma língua passando da palma de sua mão até a ponta dos dedos. Um arrepio alastrou-se por sua coluna, arrancando seu folego.

— Certamente não. – A voz do moreno soou baixa, dando um leve beijo em sua mão em seguida largando-a e dando as costas para ir na barraca de hot-dog ao lado.

Allen precisou de um longo minuto para se recompor, desejando bater em Kanda e arrancar aquele sorrisinho vitorioso de seu rosto. Em vingança abocanhou um pedaço do lanche do moreno, que o olhou indignado antes de persegui-lo por aí alegando que o mataria.

Allen apenas ria, esquivando-se das pessoas até que teve a cintura agarrada e seu corpo puxado contra o forte de Kanda. As sobrancelhas negras estavam franzidas, sua boca torcida, mas o brilho em seus olhos mostrava a Allen que aquela irritação era falsa, fazendo-o sorrir largamente para o outro, dar um beijo melado de manteiga em sua bochecha antes de sair de seus braços.

— Vamos ver outras coisas. – Disse seguindo por entre os caminhos cheios de barracas, com Kanda logo atrás.

Eles foram abordados com um palhaço, que ria bobamente como o propício de seu papel, carregando balões. Kanda franziu o cenho para o homem, contendo o estalar de língua quando viu Allen brilhar em alegria e cumprimentar o outro. Instintivamente colocou o braço sobre os ombros de Allen, que pareceu não se incomodar.

O palhaço sorriu para os dois, rindo da carranca de Kanda e entregando para Allen um balão no formato de coração. Do bolso imenso da calça colorida, retirou um canetão.

— Qual o nome deste casal lindo que estou vendo? – Allen corou lindamente, olhando para Kanda de soslaio tentando ver alguma reação negativa, mas aparentemente o moreno apenas franzia o cenho para a proximidade súbita do circense.

— Hm.. eu sou Allen e ele é Kanda.

— É um prazer conhecê-los! – Ele sorriu largamente, pegou o balão ainda segurado por Allen e desenhou dois bonecos palitos de mãos dadas, com o nome de ambos sobre estes. – Aproveitem nossas atrações!

Allen enrubesceu mais um pouco ao ver o desenho, agradecendo ao palhaço antes de diversas crianças o rodearem pedindo por balões. Kanda por fim não existiu em estalar a língua, franzindo o cenho para a gritaria das crianças, soltou o braço do ombro de Allen antes de segurar sua mão firmemente.

— Vamos sair daqui antes que eu mate um. – Disse entredentes e Allen acabou por gargalhar.

Kanda não pode deixar de apreciar a visão do mais novo jogando a cabeça para trás, os fios brancos seguindo o movimento e escorrendo por seu rosto e testa. Os cílios longos e brancos encostados na maçã do rosto pelos olhos fechados. Seu riso era alto e cristalino, enchendo Kanda de um sentimento que não quis nomear, além de um calor em seu peito.

Allen então voltou a olha-lo, um sorriso divertido esticado em sua face, fazendo seus olhos enrugarem, os orbes pratas brilhantes como constelações.

Foi naquele momento que Yuu notou que desistiu de vez de manter um muro entre Allen e ele.

Era simplesmente impossível.

Sem deixar transparecer seus pensamentos, apenas puxou Allen para mais perto, apertou seus lábios juntos em um rápido selinho antes de virar e prosseguir caminho até ontem um homem fazia uma apresentação com espadas e fogo, contendo o pequeno sorriso que queria nascer em seu rosto quando o albino mostrou-se sem jeito.

Era hora de superar e seguir em frente.

~K.A.~

Em algum momento no meio do passeio o balão estourou, fazendo Allen choramingar e pegar o pedaço onde continha o desenho e seus nomes. Já anoitecia quando avistaram a última barraca de apresentação o restante a continuar seria apenas brincadeiras e comidas. E aquela era uma de dança do ventre pelo que a placa na entrada mostrava. Ainda com as mãos firmemente agarradas, entraram e se sentaram nos lugares disponíveis.

Havia um véu vermelho e branco separando os dançarinos das pessoas sentadas, a iluminação amarela baixa deixava um tom misterioso e sensual no ambiente. Tão logo um som¹ começou a tocar ao mesmo passo que o véu começou a se levantar e os dançarinos a se mover conforme a melodia. Allen ficou admirado ao notar que não eram somente garotas... não. Dentre as cinco pessoas ali, dois eram garotos. Esguios e belos, um albino como Allen, porém seus cabelos eram loiros enquanto o outro tinha a pele negra, os cabelos castanhos em tranças pequenas chegando até a cintura.

Eles trajavam apenas a saia, um colarinho dourado adornando o pescoço, pulseiras que tilintavam conforme moviam os braços, anéis e um véu branco que moviam conforme a dança, seus pés descalços tinha apenas uma pulseira em força de corrente solta nos calcanhares com um pequeno sino.

Allen precisou morder o lábio para não ficar boquiaberto. A dança era envolvente, a batida da música fazendo-o querer até mesmo se levantar e juntar-se a eles. Olhou de soslaio para Kanda, notando que a feição inexpressiva permanecia presente, seus braços cruzados, mas os olhos focados nas figuras a se mover a frente. Retornando seu olhar aos dançarinos, percebeu que Kanda olhava fixamente para o outro albino, Allen não pode deixar de apertar as mãos em sua camisa quando viu que o olhar era devolvido, os orbes azuis cristalinos do dançarino fixos na figura de Kanda, facilitando o fato de que os dois estavam sentados na primeira fileira.

Céus, não havia nem como competir. O garoto a frente era bonito, gracioso, ciente de sua sensualidade, se movendo com confiança e um leve sorriso que o véu em sua boca não escondia. Seus olhos azuis brilhavam em divertimento e querer.

Logo os dançarinos começaram a se espalhar pelo local, os véus em suas mãos circulando os expectadores que observavam admirados. O albino caminhou em sua dança para frente, obviamente tendo Kanda como seu destino, Allen não conseguiria olhar aquilo, aquela demonstração de poder que o estranho exerceria sobre o homem ao seu lado, então virou o rosto para ver o dançarino negro que sorria e encantava uma garotinha, chamando-a para dançar consigo.

Allen então ofegou em surpresa quando um pano fino e macio circulou seu pescoço, virou o rosto notando que o outro albino sorrindo e dançando a sua frente. Seus movimentos eram graciosos, ainda com o véu ao redor de Allen, quando aproximou o rosto.

— Aproveite para encantar o bonitão ao seu lado. – A voz aveludada sussurrou em sua orelha, dando uma risadinha em seguida, se afastando, mas deixando o véu em Allen, ajeitando-o sobre os cabelos brancos antes de juntar-se aos seus parceiros no pequeno palco.

Foi somente naquele momento que Allen notou que Kanda havia descruzado os braços e tinha apoiado o braço direito na cadeira de Allen, um claro sinal de que estavam juntos. O Walker mordeu o lábio, sentindo seu rosto enrubescer.

— Quero que dance assim para mim. – Kanda lhe disse baixinho, o tom soando como uma ordem, os lábios tocando seu pescoço e sua respiração o arrepiando. – Use o presentinho que tão gentilmente ganhou. – E puxou levemente o véu para enfatizar seu ponto.

Oh, é assim que morreria então.

— Kanda! – Sentia que poderia entrar em combustão com o quão corado estava. O moreno apenas riu soprado, depositando um leve beijo em seu ombro antes de ver a finalização da apresentação.

Todos bateram palmas até que o véu vermelho e branco se fechou, os dançarinos em sua pose final.

Allen não tirou o véu, apenas ajeitou-o o pescoço como um lenço, segurou firmemente na mão de Yuu e saíram de lá com destino às barracas de brinquedos. Os olhos de Allen brilharam quando avistou o tiro ao alvo, puxando Kanda sem um seguindo pensamento.

O moreno franziu o cenho quando pararam em frente ao homem de aparência rabugenta.

— Você sabe que isso é roubada, né? Mesmo que acerte o alvo o objeto não vai cair. – Diante de sua fala o homem o olhou com uma careta pior, e quando pareceu que ia expulsa-los dali, Allen se adiantou.

— Aah, eu sei lidar com essas coisas. – Allen soava confiante e Kanda apenas cruzou os braços.

— Duvido. – Isso apenas atiçou um fogo em Allen, que sorriu largamente, entregou o dinheiro para o homem.

— Apenas observe.

— Você tem três tentativas. – Disse o funcionário num resmungo, entregando a arma para Allen.

— Vou precisar só de um. – Sorriu docemente. Ajeitou a postura e mirou no patinho de plástico que circulava em um trilho.

Kanda somente pode ficar boquiaberto quando o tiro acertou bem no meio do patinho, derrubando-o. Allen se virou para o moreno, um sorriso jocoso.

— Eu disse. – E então se virou para o outro homem, que também aprecia admirado. – Vou querer aquele urso ali. – Apontou para o ursinho cor-de-rosa com um laço vermelho ao redor do pescoço. Desde que foram ali seu desejo era aquele... e ele tinha que confessar que era porquê parecia que o ursinho franzia o cenho e Allen não pode deixar de rir. Kanda apenas arqueou a sobrancelha quando um Allen sorridente entregando-lhe o urso.

— Para você. – Yuu o olhou por alguns instantes antes de bufar e aceitar. – Ok, o que quer fazer agora.

— Maçã do amor! – Erguei os braços em animação, avistando um carinho que vendia a pouca distância.

— Sério? – Kanda parecia descrente, balançando a cabeça e seguindo Allen.

— Circo não é circo sem maçã do amor ou algodão doce! – Disse como se citasse um poema, fazendo Yuu revirar os olhos.

— Tá certo... mas eu não como essa merda.

— Kanda!

— Não.

Mas Allen realmente não se importava. Sorriu em agradecimento a vendedora, apenas revirou os olhos quando Kanda decidira que ele pagaria. Com os dedos entrelaçados os dois encaminharam-se para a saída.

Allen olhou por alguns instantes o doce avermelhado em sua mão, lambendo algumas vezes para tentar amolecer o caramelo. Choramingando quando tentava morder. Um beicinho surgiu em seus lábios quando ouviu Yuu bufar e tentar esconder o riso em sua mão, tornou a olhar para o moreno, mas seu coração fraquejou uma batida ao notar o quão relaxado ele estava.

— Não ria. – Resmungou fracamente, empurrando o outro de leve com o ombro, mas Yuu apenas sorriu, soltou a mão e enlaçou o ombro com o braço, mantendo-o perto e aquecido do vento frio noturno.

Eles ficaram assim até chegar no carro, que foi quando Yuu lhe deixou ir para destravar o carro e entrar. Ambos respiraram profundamente antes de Yuu pôr a chave na ignição e dar partida.

Tinha sido perfeito, foi o pensamento de Allen, observando Yuu de soslaio. Em algum momento do caminho sua maçã havia sido comida com certo sacrifício em morder o caramelo, então apenas ficou com o latido em mãos, rodando-o entre seus dedos.

Suspirou, levantando o olhar de seu colo para o moreno mais uma vez, tentando gravar o modo como seus cabelos soltos esvoaçavam com o vento que adentrava pela janela aperta; a expressão leve, os ombros relaxados, o cotovelo apoiado na janela e uma mão firme no volante, os lábios avermelhados de tanto ser mordiscado

Tantos mínimos detalhes.

Allen não podia negar que estava se apaixonando pelo Kanda que estava conhecendo... pela personalidade tranquila além da casca grossa. Definitivamente queria que ele se abrisse ainda mais, queria conhece-lo ainda mais.

Se apaixonar mais.

Não notou quando o carro parou em frente ao seu apartamento, apenas percebendo quando Yuu enfim virou-se em sua direção com um pequeno sorriso.

— Está entregue. – Allen sorriu de volta, olhando para seu prédio uma vez antes de virar-se para o moreno.

— Eu me diverti muito hoje. Obrigado.

— É, eu também.

Foram alguns instantes de silêncio, os olhos fixos um no outro antes de Yuu levantar as mãos até o véu ao redor de seu pescoço e puxá-lo em sua direção. Allen foi sem resistir, fechando os olhos antes mesmo de sentir os lábios contra os seus.

Um suspiro de contentamento foi preso em sua boca quando a língua de Yuu lambeu a costura de seus lábios ao mesmo passo que uma mão saía do véu para sua nuca, um aperto firme o fazendo abrir docemente a passagem para o outro.

Suas mãos se agarram na camisa de Yuu, um pequeno gemido abafado, e apenas se deixou cair ainda mais sobre o moreno, que pareceu não se importar. Sugando-lhe a alma e o coração através daquele ósculo.

Allen não soube por quanto tempo ficaram assim. Em um momento ele estava apenas sendo docemente beijado, para no seguinte se encontrar sobre as coxas fortes, no banco do motorista – que fora puxado para trás -, os braços ao redor dos ombros largos e sua boca sendo devorada. As mãos grandes seguravam em sua cintura num agarre forte, como se impedisse Allen de sair dali.

Pff, como se ele ousasse.

Allen apenas queria que Kanda o consumisse inteiro.

Após algum tempo eles se separaram, os olhos dilatados em luxuria, a respiração ofegante e lábios entumecidos.

Allen se perdeu no mar profundo que eram os olhos negros de Yuu...

E desejou que aquele momento fosse eterno.

Notas finais
¹ https://www.youtube.com/watch?v=5OfyoXyyfWo&feature=youtu.be música que a linda Kathie Raddare sugeriu, se quiserem ouvir para inspirar! ♥ Seguinte, eu sei que queria terminar essa fic até o fim do ano, mas nem eu me iludo assim mais. Esse bloqueio me fodeu mesmo. Confesso também que perdi o encanto com essa fanfic, o enredo que eu tinha para ela era muito maior, mas eu desisti, encurtei a história e ela vai ter 13 capítulos seguindo conforme o roteiro que planejei. É por causa de vocês leitores que aguardam muito um cap novo que eu não abandonei. Jamais faria isso com vocês. Eu queria fazer o próximo cap para o Natal, mas não sei se consigo, então se depender considere esse meu presente! Para quem leu minha fic Spideypool eu estou escrevendo uma spin-off Stony que já está na metade, dando tudo certo com minha inspiração e pedindo aos deuses que não me deem bloqueio criativo, eu acho que essa entrego no Natal. Enfim, mxs queridxs, é isso. Espero que gostem desse capítulo. Obrigada mais uma vez Kathie Raddare pela ajuda. Eu vou tentar mesmo não demorar com o cap 10, ok? Beijos, lindxs ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.