Notas iniciais
Desculpem a demora! Em compensação, este segundo capítulo tem o dobro do tamanho do primeiro. Tenho duas perguntinhas para vocês no fim deste capítulo! ;)

O dia amanheceu com o exterior do dormitório coberto de neve. O mau tempo tinha-se agravado e Severus, ao chegar do refeitório para tomar o pequeno-almoço, conseguiu ouvir os seus colegas comentarem o sucedido:

— Nevou imenso do nada… Logo hoje! Como é que é suposto conseguirmos ir para casa agora? – lamentou Jacob Avery, enquanto passava manteiga num pãozinho com raiva.

— Tem calma, Avery. De certeza que vão mandar um limpa-neve para resolver o assunto. – Tentou tranquilizar Bruce Mulciber, enquanto ia comendo a sua sandes mista.

— Hum… Olhem que não sei. Pelo que se diz, vem aí uma tempestade. Não sei se vão correr o risco assim. – esclareceu Evan Rosier, bebericando o seu chá, calmante. – Provavelmente só vão limpar tudo depois do temporal.

Entretanto, Severus, já com a sua comida no tabuleiro, sentou-se com o grupo, ao lado de Evan. Bruce era o seu colega de quarto, enquanto Jacob e Evan ficavam no quarto da frente. Dizer que eram seus amigos seria exagerado. Os três tinham dinheiro e Severus, que só conseguia frequentar a faculdade graças a uma bolsa de mérito, tinha capacidade de os ajudar na matéria. Nada muito além disso, mas servia.

A conserva prosseguiu:

— Olhem, e se pedíssemos aos nossos pais que mandassem um helicóptero para nos vir buscar? – questionou Bruce, enquanto mastigava a sua sandes.

— Sim, Mulciber… Porque seria totalmente aconselhável usar um transporte aéreo durante uma tempestade. – murmurou Severus.

Bruce preparou-se para reclamar da observação, mas Evan adiantou-se:

— O Snape tem razão, Mulciber. Essa ideia é só estúpida. O helicóptero nem sequer conseguiria cá chegar com o temporal.

Bruce resmungou um pouco entanto comia, mas não insistiu mais na ideia.

— Bem, sendo que não deve haver opção, ficamos cá todos, a fazer companhia ao Snape. – comentou Evan. – Tu não irias para casa com ou sem tempestade, certo?

— Sim. – encolheu os ombros – Sabem que não gosto de distrações antes dos exames.

Bruce e Jacob trocaram olhares e sorriram de maneira matreira.

— Ah, mas se não queres distrações, convém trancares-te no quarto as férias todas. – avisou Jacob.

— Pois, com esta situação do nevão, estamos todos presos aqui… E Isso inclui a tua coleguinha favorita. – provocou Bruce.

Severus engasgou-se com o galão. Tentou explicar que não sabia a que se referiam, mas era demasiado óbvio para os colegas de mesa.

— Olha, eu vi os desenhos que fizeste dela lá no quarto. Um pouco de obsessão, não vou mentir. – esclareceu Bruce.

— Deixa-o sonhar, Mulciber! Ela é demasiada areia para o camiãozinho dele! – disse Jacob, enquanto ria.

Irritado e sem conseguir esconder como o seu rosto estava vermelho de vergonha, Severus levanta-se da mesa, bruscamente, com o tabuleiro na mão, só para quase ir de cara ao chão quando tropeçou no pé de alguém. Por sorte, com exceção da caneta usada, que apenas tombou no tabuleiro em si, só havia guardanapos para cair ao chão.

— Ei, olha lá por onde andas, Snape! – reclamou James Potter, que estava sentado a duas mesas de distância, com um sorriso despretensioso no rosto. Severus percebeu que era nele que tinha tropeçado e duvidava que o outro rapaz não tivesse feito de propósito.

Potter e o seu grupo pareciam ter um gosto especial em implicar com ele. Para seu azar, mesmo não sendo do mesmo polo universitário nem do mesmo dormitório, havia zonas comuns, como os refeitórios, que eram partilhadas.

Decidindo que já tinha sido humilhado o suficiente naquele dia, foi devolver o tabuleiro e voltar para o quarto.

Aquele era o primeiro dia de férias de Natal e os corredores dos dormitórios estavam uma confusão, com imensos estudantes apressados para partirem de volta a casa. Demorando mais do que o habitual, chegou ao quarto e foi diretamente à estante para pegar no seu material de estudo. Porém, o ambiente do outro lado da janela chamou a sua atenção.

Pôde ver Lily e as amigas, com a suas malas, já à espera para entrar no carro que as levaria para casa. Sentiu-se triste por vê-la partir sem se despedir dela (Até parece que teria coragem!). A interação do dia anterior tinha sido a mais longa até então e Severus começara a ponderar se, como resolução de Ano Novo, não poderia ter iniciativa e tentar falar mais com ela. Tinha considerado que tudo tinha começado bastante bem, tendo em conta que a rapariga não pareceu incomodada e ainda lhe tinha dado boleia de volta ao dormitório. Claro que a última parte poderia ter sido só Lily a sentir a obrigação de ajudá-lo também por ele a ter ajudado antes.

Suspirou. Não adianta pensar mais nisso, pensou. Voltando a focar na vista da janela, viu que Lily já tinha partido e que o céu estava a escurecer bastante rapidamente. Só esperava que a tempestade que se aproximava não deixasse a ruiva presa no caminho. Era uma viagem de mais de 2 horas e muito podia acontecer. Severus sabia isso porque tinha descoberto há algum tempo que Lily e ele viviam em bairros vizinhos. Ela tinha conversado sobre isso com as amigas durante um intervalo. Não que ele estivesse a tentar ouvir conversa alheia, obviamente, mas estava por perto no momento e essa informação chamou-lhe a atenção.

Sentou-se à secretária, já com os livros que tinha trazido da prateleira. Apesar da sua intenção inicial de começar o seu plano de preparação para os exames de Fevereiro, a sua mente não conseguiu desviar-se de Lily. Começou a rabiscar no seu caderno de desenhos enquanto refletia. Mesmo sabendo que ela vivia perto de si, concluiu que nunca a tinha visto antes, pois seria impossível não se lembrar dela. Questionou-se sobre qual seria a localização mais precisa da sua casa, já que ela não tinha frequentado as mesmas escolas que ele na zona. Havia duas opções: Ou a jovem não vivia ali antes de ter acabado o secundário, ou ela vivia num bairro nobre, diferente do dele. Considerou a última opção bastante provável, já que Lily tinha aspeto de quem sabia bem qual era o seu lugar no mundo. Quando se apercebeu, tinha feito outro retrato da ruiva, só com a memória que tinha dela.

Percebendo que não conseguiria seguir com o estudo naquela noite, resolveu preparar-se para dormir. Já deitado, ficou às voltas na cama, sem conseguir adormecer. Não conseguia parar de pensar em Lily. A perceção de que ele não tinha chance era mais que sabida. Ou deveria ser. Porém, a troca que tinham tido tinha acendido algo dentro de si que ele próprio não conseguia explicar. Que patético, Severus. A rapariga deixa-te ir no carro com ela até ao dormitório e tu já achas que ela vai querer casar contigo, pensou.

Olhou para o relógio na mesa de cabeceira e viu que passava pouco da meia-noite. Lá fora, a tempestade tinha-se intensificado. Levantou-se, vestiu um robe por cima do pijama e saiu do quarto. Desceu para o último andar e ia em direção ao refeitório, para ir buscar um chá, quando viu um grande grupo de estudantes na entrada do prédio. Reconheceu alguns colegas do seu dormitório, que, ao avistá-lo, vieram na sua direção.

— Bem, parece que a tempestade não quis mesmo que passassem o Natal em casa.

— Nem me digas nada! Mais de 3 horas só para tentar sair do centro da cidade… – explicou Bruce, com cara de poucos amigos.

— E, mesmo assim, tivemos sorte de conseguir voltar. O idiota do motorista não estava a querer fazer o caminho de volta. – queixou-se Evan.

— Juro, pior dia… Vou para a cama! – resmugou Jacob, enquanto arrastava a mala atrás de si pelas escadas.

Enquanto os seus colegas passavam por ele, Severus começou a olhar para o grupo maior, à procura de uma cabeleira ruiva.

— Nós não a vimos com os outros. – disse Evan, parado nos primeiros degraus da escada – Ela saiu mais cedo. Talvez tenha tido mais sorte que nós.

Severus corou um pouco, resmungou que não era ela que ele procurava e disse que iria buscar chá antes de voltar para a cama, já andando em direção ao refeitório.

Evan deu um risinho de gozo e continuou o caminho para o seu quarto.

Severus voltou para o quarto, já com o seu chá e deu com Bruce esparramado na cama, ainda com a mesma roupa que tinha usado no dia.

Severus sentou-se na sua cama, a bebericar a bebida quente que tinha trazido consigo.

— Que treta de dia… – resmungou para a almofada, que lhe abafou a voz.

— Bem, não dá para termos sempre tudo que o queremos, não é? – comentou Severus, encolhendo os ombros.

— A quem o dizes… – Bruce levantou a cara da almofada e deu um sorrisinho matreiro a Severus – Reparei que fizeste mais um desenho da ruivinha. Estás mesmo obcecado.

— Eu não estou obcecado, Mulciber. Só gosto de a desenhar, mais nada. – murmurou.

Vermelho, Severus levantou-se, foi até à secretária, guardou o desenho que tinha feito antes e deixou a caneca com por ali. Despiu o robe, deixou-o na cadeira e deitou-se na cama.

Virado para a parede e de costas para o colega de quarto, avisou que precisava de dormir para poder começar a estudar de manhã.

Bruce deu uma risada, mas foi preparar-se para dormir também e não incomodou Severus pelo resto da noite.

Já de manhã, o despertador tocou às 8h. Severus levantou-se, trocou de roupa e foi tomar o pequeno-almoço. Para sua sorte, Bruce tinha o sono pesado e nem se mexeu na cama antes de o colega sair do quarto.

No refeitório, sentou-se numa mesa sozinho. Aparentemente, assim como Bruce, o resto do seu grupo não tinha interesse em acordar cedo naquela manhã.

— Bom dia! Posso sentar-me contigo?

Severus, que estava a meio de uma trinca no seu queque, virou a cabeça para o lado e deparou-se com Lily, a sorrir para ele com uma bandeja nas mãos. Nervoso, o rapaz acabou por se comunicar através do que parecia ser um grunhido, mas que Lily pareceu entender como um “sim”, pois sentou-se à sua frente.

— Bem, finalmente uma cara conhecida! Achei que não tinha ficado cá ninguém do nosso ano.

— Eu achei que irias para casa também. – comentou Severus.

— E ia, mas fui apanhada pela tempestade… E cheguei aqui já de madrugada! – reclamou a rapariga entanto metia açúcar no seu café e mexia – As minhas amigas tiveram mais sorte que eu. Moram mais perto daqui. A Mary ainda me sugeriu ir passar o Natal a casa dela, mas eu quis arriscar para estar com os meus pais… – suspirou ela.

— Que chatice…. Realmente, a tempestade deu a volta aos planos a muita gente. O grupo com quem me costumo dar também teve de voltar.

— Bom, acho que é um sinal do universo para eu me meter já a estudar para os exames. Tu já começaste? Podemos estudar juntos, se quiseres. – sugeriu ela com um sorriso.

O sorriso começou a desvanecer-se perante a cara de choque de Severus.

— Ou… Já tinhas outros planos? Talvez com o teu grupo—

— Não! Claro que não! – declarou ele alto demais. Mais calmo, prosseguiu – Quero dizer… Eles nem são muito de estudar. Não seria produtivo.

— Ah, perfeito! Eu sei que tens sempre muito boas notas também. Vai ser bom para nos ajudarmos um ao outro. Se estiver tudo bem por ti, posso ir já a seguir buscar os meus livros ao quarto e encontramo-nos na biblioteca. O que achas? – propôs ela, radiante.

Inicialmente, Severus limitou-se a acenar positivamente, mas logo se lembrou que a biblioteca fechava nas férias, já que não era considerado um serviço essencial durante aquele período na faculdade.

— Ah, a sério? Não fazia ideia. No ano passado, consegui passar as férias em casa. Mas, bem, sendo assim, acho que podemos estudar no meu quarto.

— Ah, sim, suponho que sim. – disse ele, ainda meio atordoado com tudo aquilo.

— Ótimo! Bem, vamos lá? – já se levantava ela com o tabuleiro nas mãos.

— Bom, eu ainda tenho de ir buscar o meu material ao quarto, então…

— Ah, ok! Vamos então. – disse, decidida a acompanhá-lo.

— Na verdade, é melhor ires andado e eu já lá vou ter contigo. – gaguejou ele – É que o Bruce, o meu colega de quarto, tem mau acordar e é melhor não fazer muita confusão perto dele nestas alturas. Sou rápido, prometo! – foi dizendo ele, enquanto recuava de costas em direção à ala masculina dos dormitórios.

— Oh, bem, ok… O meu quarto é o 207, no terceiro andar!

Severus fez sinal com o polegar para cima e seguiu para o seu quarto. Assim que virou a esquina, começou a correr. Se era pelos nervos ou para fugir daquela situação, ele não saberia dizer. Tudo tinha mudado tão rápido. Há dois dias, eles só tinham trocado meia dúzia de palavras desde que se tinham tornado colegas de turma. Hoje, ela convidou-o para ir até ao quarto dela! Para estudar, claro… Mas ainda assim! É mais do que eu esperava conseguir, refletiu.

Ao chegar ao seu quarto, abriu a porta devagar, para não acordar Bruce. Não ia dizer-lhe para onde ia e não lhe apetecia estar a inventar uma desculpa. Pegou no material que iria precisar e estava a fazer uma “ginástica” tremenda para abrir a porta novamente com as mãos cheias de coisas quando o estojo, que ele tinha deixado aberto (Maldita sorte!), escorregou para o chão, espalhando o conteúdo e fazendo barulho suficiente para acordar o seu colega de quarto. E foi exatamente isso que aconteceu. Mulciber, deixando cair um fio de baba que lhe molhava a almofada, acordou sobressaltado.

— Ei… Onde é que vais? – murmurou, confuso.

— Ah… Vou estudar para a biblioteca! – respondeu Severus, enquanto apanhava o material caído o mais depressa conseguia – Bom, até logo! – despediu-se apressadamente, saiu e fechou a porta.

Enquanto ia a caminho do quarto de Lily, ponderou se Bruce ia “engolir” a desculpa da biblioteca, já que esta não era suposta estar aberta. Bem, conhecendo o Mulciber, ele nem deve saber que existe uma biblioteca aqui.

Chegado à porta da ruiva, Severus ficou parado por uns minutos para tentar acalmar-se. Nunca tinha estado no quarto de uma rapariga antes. Tinha de se lembrar que não podia fazer nada estranho, que a deixasse desconfortável. Não tendo muito experiência com raparigas, pensou que o melhor seria manter-se o mais quieto, como fazia nas aulas.

Mais uns minutos e acabou por decidir que tinha de criar coragem e bater à porta. Foi isso que fez e, um segundo depois, a porta abriu-se. Lily estava do outro lado, com um sorriso de orelha a orelha.

— Ah, estava a ver que já não vinhas! – provocou ela, dando-lhe espaço para poder entrar.

— Eu-eu não estava a conseguir encontrar o meu estojo! Foi isso! Desculpa! – gaguejou ele, entrando no quarto de cabeça baixa e rosto corado.

— Sem problema! Estive a organizar um pouco as coisas por aqui. Podes usar a secretária da Mary, ela não se vai importar. – explicou, apontando para a mesa mais próxima da porta. Esta estava totalmente vazia, ao contrário da que estava ao lado, que tinha duas pilhas com alguns livros e cadernos.

Sentaram-se então e começaram a sessão de estudo. Já tinha passada mais de 1 hora e Severus já tinha conseguido ficar mais à vontade, pois estava no seu “elemento”, o estudo. Quando começou a remexer no material para começarem a estudar outra disciplina, acabou por encontrar um dos seus desenhos por ali. Para seu azar, era precisamente o desenha que tinha estado a fazer de Lily na noite anterior. Mal o viu, tentou cobri-lo, mas a ruiva foi mais rápida e conseguiu pegar-lhe.

— Uau! Tu tens muito talento! – expressou enquanto apreciava, com um sorriso, o trabalho de Severus – Esta sou eu, não sou? O que é que te deu para me desenhares? – questionou ela, rindo.

— Ah, sim… – Severus pensava a mil por hora numa desculpa para dar – Bem, eu lembrei-me de te desenhar porque… Eu gosto… Do teu cabelo! Sim, é isso! Eu gosto muito de usar cores vibrantes nos desenhos e o teu cabelo é perfeito para isso! – explicou ele, gaguejando.

— Ah, faz sentido, suponho. – respondeu, deixando de olhar para ele e voltando a atenção para o seu retrato – Olha, achas que eu posso ficar com ele? Eu gostei mesmo dele.

— Oh, isso foi só um esboço rápido, não vale essa atenção toda. Podia fazer melhor que isso. – explicou ele, tentando controlar o nervosismo. Definitivamente não era bom a reagir a elogios.

— Bem, eu acho que ficou ótimo… Mas, se dizes que fazes melhor, então, força nisso! – Lily pousou o desenho na sua secretária e virou-se para Severus com expectativa.

Inicialmente, Severus ficou meio atónico enquanto tentava entender toda aquela situação. Ele achou que, quando a rapariga visse o desenho, ia começar a achar que ele era algum obcecado por ela (De facto, talvez fosse um pouco…), que o expulsasse do quarto e nunca mais quisesse falar com ele. Mas ela não fez nada disso. Pelo contrário, pediu que lhe fizesse outro retrato.

Definitivamente, o Natal tinha chegado mais cedo para Severus Snape.

Notas finais
Perguntinhas: 1) Vocês preferem que eu publique com mais frequência, com capítulos mais curtos, ou preferem esperar mais e ter capítulos mais longo? 2) Não diretamente relacionado a esta história, mas relacionado ao fandom de HP, queria saber se teriam interesse se eu escrevesse algo para preencher algumas "lacunas" existentes sobre os Fundadores de Hogwarts. Seria algo longo, com várias fases e que acabaria por ter ligação com Snily! Como? Teriam que ler para saber! eheh Respondam as perguntas e digam-me o que acharam deste capítulo, por favor 💛
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.