Notas iniciais
Mais um de bónus...

Há 5 dias que Quinn não sabia de Rachel. A morena nunca mais lhe ligou e ela não teve coragem para o fazer tão pouco.

Estava sentada à mesa ao pequeno almoço com o pai e a mãe, mas Judy tinha cabeleireiro marcado e deixou-os sozinhos quando saiu com pressa.

— Como vão os preparativos para a apresentação conjunta? Tens estado com a Rachel? — pergunta Russell curioso.

— Vão bem, mas só podemos avançar combinações mais perto do tempo.

— Sim, tens de te apressar porque faltam 2 meses.

— Estou a trabalhar nisso, a Rachel deu-me as imagens todas do pre-desfile e da colecção passada. E mais umas que tinha e não apresentou.

— Perfeito, estou ansioso por ver isso.

— Daqui a 2 meses. — disse ela descontraída. Mas a descontração transformou-se em desagrado quando pensou que havia a possibilidade de só voltar a falar com Rachel em 2 meses, porque toda a burocracia não eram elas que tratavam. — Podias convidar os Berry para um almoço de Domingo à tarde. Acho que nos ficava bem. — disse ela lançando a escada.

— Boa ideia. Vou tratar disso. Mas cá em casa, não achas?

— Sim, claro. Já chega de restaurantes.

— Sim, cá em casa é mais pessoal, e eu quero muito mostrar a minha colecção à Rachel. — Quinn sorriu triunfadora.

—x-

Eram 15h00 quando Quinn entrou no Joe Coffe para pedir um expresso e sair. Era o plano dela, e uma rotina diária. As portas da cafeteria eram de rodar, como a entrada de um hotel, e ela passou no compartimento antes de dois policias que tinham o mesmo plano que ela. A fila estava a metade desde a última vez que ela lá fora. Aquele dia, até então, tinha sido demasiado normal para o que ela já estava a ficar habituada. Mas rapidamente percebeu que o vento mudara quando viu Valentina entrar no mesmo estabelecimento. Revirou os olhos e fingiu que não a viu, mas a modelo percebeu o gesto.

— Que bom que te encontro. — disse Valentina com algum ressabiamento. — Não te ensinaram que é muito pouco de alta sociedade fazer queixinhas?! — Quinn olhou para ela séria e com uma atitude completamente impassível. Os dois policias que estavam na fila sorriram um para o outro ironicamente. Quinn sentiu alguma vergonha pelo facto de Valentina estar a falar num tom de voz que se ouvia perfeitamente à volta, mas disfarçou.

— Já tínhamos chegado à conclusão que não me voltarias a dirigir a palavra, ou não? — perguntou a loira num tom gélido e sério.

— Por tua culpa a Rachel já não é a mesma comigo, e se achas que isto vai ficar assim, estás enganada.

— Isso é um problema teu. — disse Quinn virando a cara em tom de desprezo. Esse gesto despertou uma fúria contida em Valentina, que cuspiu um insulto num tom mais elevado.

— És uma oportunista de merda que só quer ganhar fama com as colecções da Rachel, mas eu vou-te desmascarar. — Quinn ferveu naquele momento e sentiu-se exposta em frente a toda a gente. Muitas cabeças voltaram para elas e um dos policias ia intervir mas foi parado por outro com tom sarcástico.

— Eu não quero saber da tua opinião, mas é melhor baixares o tom de voz porque não estás na praça, nem na casa onde foste criada. — Valentina sentiu-se ofendida e Quinn percebeu na cara dela.

— Se tu achas que porque tens dinheiro vales mais que eu, estás bastante enganada, não és ninguém. És uma pobre coitada de quem toda a gente fala mal e com quem ninguém quer socializar. — Antes que um dos policias possa pedir a Valentina para se retirar e acabar com o escândalo, Quinn agarra-a pelo colarinho e encosta o nariz no dela.

— Livra-te de voltares a dirigir-te a mim, seja onde for. Eu não te admito que voltes sequer a dirigir-me a palavra, ou então quem se arrepende és tu. — o tom de Quinn foi tão intenso que Valentina não teve outra reacção a não ser ouvir o que ela estava a dizer.

O policia que segurou o que ia intervir decidiu separá-las.

— Já chega. As senhoras vão acompanhar-nos à esquadra agora mesmo. — diz ele com um tom irónico-sarcástico.

— Mendez, não é para tanto. Podemos chegar a um consenso aqui. — diz o colega mais sério.

— Não. Só ouvi uma coisa certa nesta conversa toda, é que dinheiro não é posto, por isso vamos! — respondeu o agente. Quinn contrariamente ao esperado, com um tom bastante calmo e profissional acenou com a cabeça.

— Eu não tenho nenhum inconveniente em acompanhá-lo, sempre e quando lhe desaparecer esse sorriso sarcástico da boca como se esta situação fosse engraçada. — o policia adoptou uma postura mais séria e abriu passo para que ambas o acompanhassem.

— Se a minha vida profissional se vir afectada por esta situação, podes ter a certeza que eu arruino a tua. — disse Valentina num tom elevado.

— O que é que a senhora faz? — pergunta o policia mais calmo.

— Sou modelo internacional. — Quinn esboça um sorriso irónico e rápido. — Se as revistas sabem disto, pode ser muito grave.

— Então deveria baixar o tom de voz. — responde o policia. Valentina furiosa acaba por calar-se e pegar no telefone para fazer uma chamada.

— O que está a fazer? — pergunta o policia a quem Quinn respondeu.

— O quê? Não posso fazer uma chamada? — pergunta Valentina em mau tom. — Não estou a ser presa, só estou a ser levada para aviso, que eu saiba. — Quinn revirou os olhos cansada.

— Pode. Faça a chamada que quiser, só não se habilite muito a que tenha de a prender por desrespeito às autoridades.

Ambas entraram no carro, e Valentina ligou a Rachel no caminho. Quando Quinn ouviu o nome dela tremeu e fechou os olhos de maneira instintiva.

— Rachel! Ainde bem que atendeste. Desculpa ligar-te mas aconteceu uma coisa. — diz a modelo muito rápido.

— O que foi? — perguntou Rachel do outro lado da linha com tom preocupado pela abordagem de Valentina.

— Por culpa da tua amiga Fabray estamos a ser as duas detidas. — Quinn olhou para Valentina séria por segundos e voltou a cara cerrando os dentes.

— Como? Estás a falar do quê?

— Eu e ela, estamos a ser detidas. Vamos no carro da policia para a esquadra. — Rachel não teve reacção do outro lado e palideceu.

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Já sentadas na cadeira da sala de espera da esquadra, depois de Quinn ter resolvido a situação de uma maneira madura e profissional, Valentina só olhava para ela com fúria. A designer estava sentada com as mãos cruzadas e debruçada sobre os joelhos com os olhos fixos num ponto do chão em silêncio. A modelo não parava de se mexer.

Sentiu-se uma brisa gelada, que Valentina não teve a certeza se era do vento quando Rachel abriu a porta, ou da expressão da estilista ao entrar na esquadra. Se Quinn era considerada a rainha do gelo, Rachel metia medo com o semblante com que entrou. Valentina encolheu-se na cadeira de maneira automática e Quinn não se imutou.

Rachel chegou perto da loira e baixou-se de cócoras agarrando-lhe as mãos que estavam frias. O olhar de Rachel era de pena e de tristeza, e embora Quinn o sentisse não o viu porque continuou com o dela no mesmo ponto. Valentina decide intervir, mas Rachel ignora-a totalmente dirigindo-se a Quinn.

— Rachel, eu posso explicar o que aconteceu... — diz a modelo com calma.

— Estás bem? — pergunta a estilista à designer num tom calmo, e é a primeira vez que Quinn olha directamente para Rachel. A morena sente um murro no estômago mas aguenta-se.

— Devias filtrar mais as tuas amizades. — acrescentou Quinn com o mesmo tom de Rachel.

— Eu já começo a perder a paciên... — começa Valentina ofendida.

— Cala-te! — Rachel não permitiu que ela continuasse e o tom da morena voltou a fazer Valentina encolher-se, e inclusive Quinn sentiu pena da modelo. — Não quero que se torne um hábito pedir-te desculpa por coisas assim. — conclui Rachel com calma enquanto depositava um beijo carinhoso nas mãos de Quinn, que seguiam entre as suas e se levantava para sair sendo seguida por Valentina. Quinn fechou os olhos com força e respirou fundo. Passados uns minutos leva as mãos à cabeça e levanta-se para apanhar um táxi.

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O passo de Rachel era imperial e luxuoso, Adara ao fundo do corredor percebeu que ela estava a chegar e que alguma coisa não estava bem. Quando viu a cara séria de Rachel e uma Valentina em lágrimas atrás dela, percebeu que a irmã tinha pisado o risco.

— O que é que aconteceu? — perguntou a assistente a Rachel.

— Adara, lamento imenso por ti, sabes que te adoro e te tenho um apreço inclusive familiar, mas acompanha a tua irmã aos recursos humanos e façam as contas dela. A partir de hoje não trabalha mais comigo. — Valentina ainda tentou dizer o nome da morena mas ela já se tinha fechado no atelier sem sequer se despedir.

— O que é que aconteceu? — pergunta Adara a Valentina.

— Aconteceu a puta da Fabray. — Adara olhou para Valentina com expressão repreensiva.

— Vale, o que é que fizeste?

Valentina contou a história distorcida no seu ponto de vista a Adara, mas a assistente percebeu que para Rachel estar naquele estado, a irmã tinha, de verdade, abusado da confiança da estilista.

Notas finais
Tenho curiosidade em saber se alguma de vocês imagina o desenrolar desta história... como seria se a escrevessem vocês? Espero pelas vossas respostas, eu tenho esta toda estruturada e duvido muito que mude alguma coisa. Beijo