Notas iniciais
Decidi postar dois...

Parecia um armazém de películas recuperado, era grande mas intimista. Gustav tinha bom gosto e isso notou-se na decoração moderna do bar. Rachel já estava sentada numa das cadeiras altas com um cocktail pousado em cima da mesa com a altura correspondente. O bar estava muito bem composto, havia muita gente conhecida da alta sociedade. Ao fundo a morena pôde reconhecer Lisa Levert, que estava com Thomas, o seu noivo. Noutra ponta reconheceu também alguns colegas seus de faculdade, e por aí perdidas algumas das modelos que tinham trabalhado com ela em colecções anteriores. Estava distraída quando Quinn chegou com pressa e pousou a sua pochette em cima da mesa e lhe disse "Boa noite" e "desculpa pelo atraso".

Rachel sorriu e esticou-lhe a mão para a cumprimentar. Quinn estendeu a sua e recebeu o, já tão comum, beijo nas costas da mão.

— Isto tem imensa gente. — comentou a loira ao retirar a mão da de Rachel.

— Sim, o Gustav convidou meio mundo.

— O espaço até ficou interessante. — respondeu Quinn olhando à volta.

— Estava a reparar nisso à bocado. Ele tem muito bom gosto. — o silêncio não chegou a apoderar-se do momento porque Lisa Levert chegou com um sorriso gigante nos lábios e dois braços abertos para abraçar Rachel. A estilista ao vê-la devolveu o sorriso e abraçou-a com carinho. — Como estás?

— Estou óptima, e agora que te encontro melhor. — disse a mulher enquanto dava um beijo sonoro e simpático na face de Rachel. — Olá Quinn, como estás? — e cumprimentou a designer de uma maneira mais formal, mas muito simpática. Quinn sorriu de volta.

— Estou bem, obrigada.

— E o casamento? Conta-me tudo... — disse Rachel realmente interessada.

— Ai nem me digas nada. Que caos. Organizar um evento desses dá mais trabalho que criar um filho. — Rachel riu-se e Quinn acompanhou com um sorriso simpático. — A sério, não sei qual foi a minha ideia de querer ir casar a Paris.

— Já tinha dito isso, eu. — respondeu a morena descontraída enquanto Quinn sentiu alguma tensão com a possibilidade de Lisa não gostar do comentário. — Se não vais casar na Notre Dame, porquê Paris? — Lisa riu-se e Quinn respirou fundo.

— Tens razão, foi um disparate. E acredita que a certa altura estive para desmarcar isso.

— A mim parece-me perfeitamente natural. Até achei interessante. — respondeu Quinn sendo politicamente correcta, Rachel sorriu e Lisa também em agradecimento.

— Estou a contar convosco. Quinn, não me podes fazer a desfeita.

— Sim, eu já pedi para enviar a confirmação, acho que o meu pai tratou disso.

— Ainda bem! Fico feliz. — e olhou para Rachel em interrogação.

— Não olhes assim para mim, achas que eu perdia isso? Alguma vez deixava que te casasses sem a minha presença? — responde a morena com carinho. Lisa ri-se feliz.

— Sabes que só há uma coisa que me poderia fazer desistir deste casamento... — disse a mulher simpática e divertida. Rachel riu-se com muita vontade. — Tu dizes-me que desista para ficar contigo e eu largo-o no altar. — o tom era de brincadeira e ambas se riram mas Quinn sentiu-se completamente fora de lugar. Aquela descontração sobre temas do género não eram uma constante na sua vida. Sentiu-se desconfortável e ficou com medo que se notasse.

— O Thomas é perfeito para ti. E adora-te. — respondeu a designer com diversão.

— Eu sei. Ele é a minha pessoa. — Lisa diz com carinho, e olha para Quinn descontraída para acrescentar um comentário com o mesmo tom mas sem nenhuma intenção. — É tão difícil conquistar esta mulher. Estou ansiosa para ver a quem lhe sairá a sorte grande quando ela escolher. — Quinn cora instintivamente mas Lisa finge não perceber. Rachel por sua vez sorri malandra.

— Não te preocupes, quando eu distribuir os números digo quem venceu. — responde a estilista com descontracção.

Estiveram à conversa com Lisa mais um bocadinho mas ela depois afastou-se para cumprimentar outras pessoas. Era o bar do seu irmão e ela sentia-se na obrigação de receber os convidados.

Rachel e Quinn ficaram sozinhas mas não por muito tempo.

— A Lisa é mais simpática que o irmão. — diz a designer.

— Sim, são estilos diferentes.

— Vê-se que ela gosta de ti.

— Sim, e eu dela. Andamos muitos anos no mesmo colégio e a Lisa sempre fez parte do meu grupo de amigos.

— Imagino. — disse Quinn sem filtro. Rachel sorriu e ia perguntar o que é que ela imaginava mas foi interrompida por um George entusiasmadíssimo por vê-la.

— Rachel Berry! Bons olhos te vejam. — disse o homem, com mais ou menos a idade delas, com um sorriso rasgado.

— Cala-te! — disse Rachel surpreendida e feliz com este encontro. Riu-se e deu-lhe um abraço tão grande que ele chegou a levantá-la da cadeira onde estava sentada. — Há tanto tempo que não te via. — acrescentou ainda abraçada a ele. Quinn franziu o sobrolho e sorriu. — Estás um homem. Há quantos anos não coincidíamos?

— Há 8 ?! Já nem sei. — disse ele feliz. — Olá Princesa. — disse ele a Quinn, e ela sorriu e recebeu um abraço do homem. Foi agora a vez de Rachel franzir um sobrolho, mas o dela sem sorriso. — Como estás?

— Eu bem, um bocado surpreendida por vocês se conhecerem, mas de resto tudo igual.

— Eu não via a Rachel há imenso tempo. Que bom ver-te. — dirigindo-se a ela de novo.

— Eu soube que te tinhas mudado para Londres mas depois nunca mais soube nada de ti.

— Sim, é verdade. Estive la uns anos, mas voltei há 2. — disse ele simpático. Mas depois olhou para Quinn e introduziu-a na conversa. — E tu? Já marcaste a data do lançamento da nova colecção?

— Estou a trabalhar nisso. — e a designer olhou para Rachel de maneira instintiva.

— Eu quero ver isso. Podias deixa-me ver antes, mas já sei que é inútil pedir.

— Exacto. — respondeu Quinn descontraída e Rachel sentiu uma pontada de ciúmes pela descontração da loira em frente a George.

— Mas conta-me tudo... — disse a morena disfarçando. — ... já casaste? Por onde andas? O que é que andas a fazer?

— Tu já casaste? — piscou-lhe ele o olho.

— Ok, eu deixo que não me respondas, mas o resto quero saber. — riu-se ela e ele gargalhou.

— Não me casei, porque tu não quiseste na altura — e sorriu malandro — tinhas de levar com esta, desculpa. — e riu-se enquanto Rachel acompanhava — Não. — e olhou discretamente para Quinn que não notou mas Rachel sim e incomodou-a. — Depois de me teres trocado por uma mulher eu pensei que agora só casaria com alguém que quisesse o mesmo que eu.

— Como assim? — perguntou Quinn sem pudor.

— Já tínhamos falado na Rachel... — disse George intimista, e Quinn mudou a expressão ao perceber do que ele estava a falar. -... a propósito, não sabia que se conheciam. — acrescentou o homem surpreendido.

— Como já tinham falado de mim? — disse Rachel curiosa.

— A Rachel de que me falaste é ela? — acrescentou Quinn em conversa paralela. George disse que sim com a cabeça e sorriu com carinho para Rachel.

— O que é que tu andaste a dizer de mim? — perguntou a morena divertida.

— A verdade. Que arrancaste o meu coração, partiste ao meio e levaste metade contigo.

— Que exagerado. — respondeu a estilista revirando os olhos a sorrir.

— Como exagerado? É mentira?

— Era só o que faltava que me tirasses a minha parte. Não fiz mais nada que a minha obrigação. — e ele desmanchou-se a rir à gargalhada.

— Eu chorei por ti. A Quinn que o diga que me limpou as lágrimas muitas vezes. — acrescentou ele com diversão.

— Que interessante. — disse Rachel enquanto olhava para a designer com um sorriso malandro.

— Mas não me tinhas dito que era a Rachel. — desvalorizou Quinn e ambos não perceberam a atitude.

— Eu disse-te muitas vezes que se chamava Rachel.

— Sim, mas nunca me disseste que era alguém tão, como diria a Lisa Levert, inalcançável. Se eu soubesse não te tinha dito em nenhum momento que a vida dá muitas voltas e ainda a podias recuperar. — George riu-se e encheu o peito de orgulho, e Rachel percebeu o que ele pensou com esta reacção de Quinn, mas ao mesmo tempo fez uma nota mental de que ele estava enganado com a intenção do que ela disse.

— Nós éramos miúdos e eu estava mais interessada na Mara James que em ti nessa altura. — respondeu Rachel sem pudor e com diversão.

— Eu sei.

— Mas então vocês conhecem-se há muito tempo... — acrescentou a morena sobre George e Quinn.

— Quem é que o George Astori não conhece?! — pergunta retóricamente Quinn desvalorizando.

— De facto, ele sempre foi muito sociável, é por isso que é um excelente vendedor.

— Obrigada meninas.- respondeu ele na brincadeira. Rachel riu-se e Quinn revirou os olhos a sorrir também.

— Vocês desculpam-me um momento só para eu ir cumprimentar o senhor Daniel Galiano? Ele tem estado muito doente e mesmo assim envia-me imensas entradas para galas sociais.

— Já foste a alguma? — pergunta George rindo-se e sabendo a resposta.

— Não. — ri-se ela também. — Por isso mesmo, é melhor ir cumprimentá-lo. — Rachel sai em direcção a Daniel, deixando Quinn e George sozinhos. A morena precisava de respirar daquela conversa que a estava a sufocar sem ela perceber exactamente porquê. Não tinha sentido na sua cabeça aquela situação.

— Que bom ver a Rachel.

— Agora que a superaste.

— Sim, de facto foi difícil, mas já passou. Há alguns anos na realidade. Tu bem sabes.

— Mas não me faz sentido que tenhas mesmo chegado a estar com ela. — disse a loira desconcentrada.

— Porquê? Antes a Rachel achava que gostava de ambos os géneros, o seu filtro começou há relativamente pouco tempo. — Quinn olhou para ele curiosa.

— Como assim?

— Quando andávamos no colégio, em miúdos, ela não tinha assumido sequer uma possível bissexualidade. A Mara James só entrou para o colégio nos últimos três anos antes da faculdade.

— Mas eu passei os teus anos de faculdade todos a ouvir-te lamentar por ela.

— Pois, foi quando te mudaste para a urbanização. Eu não te conhecia antes.

— George, a nossa história eu conheço. — disse a loira revirando os olhos e ele riu-se encantado.

— Sim, eu sei. Mas a minha história com a Rachel começou a caminhar para o fim quando começamos a faculdade.

— Isso é mentira, só quando te mudaste para Londres é que conseguiste superar isso. — e Quinn lembrou-se de fazer a pergunta que tinha entalada. — E essa Mara?

— Realmente acho que só na faculdade é que elas assumiram qualquer coisa. Mas eu acho que aquilo durou 2 anos e depois foi cada uma à sua vida.

— Ainda no tempo de faculdade?

— Sim. No último ano a Rachel ja não estava com ela, tanto que foi quando eu renovei as esperanças.

— Sim, acho que me lembro de me teres contado isso, mas nunca me contaste a história como ela era. Nunca me disseste que a competência era uma mulher.

— Isso não era importante.

— Como não?

— Porque eu estava convencido que era só uma fase de curiosidade da Rachel.

— Mas não era.

— Hoje sei disso. Mas obrigada por seres o meu pano de lágrimas naqueles anos.

— Oh, tu eras o meu melhor amigo.

— Era?

— George, muito menos, temos mais 10 anos encima. Claro que sim. — respondeu Quinn com naturalidade.

— Mas ela fez-se uma mulher lindissima. — acrescentou George a olhar para Rachel mas ao mesmo tempo com um sorriso maroto a olhar pelo canto do olho para Quinn para ver a sua reacção. George estava enganado em relação aos sentimentos da loira por si, mas ela nunca tinha notado. Quinn sem perceber e com a maior das descontrações conferiu o que disse George de Rachel.

— Sim, lindissima fica curto. — mas o homem não percebeu.

—x-

Quando já Rachel estava a caminhar para se encontrar com Quinn e George de novo, é abordada por Lisa Levert que lhe pergunta se está a gostar do cocktail. Rachel diz que sim e Lisa não consegue morder a língua para evitar a pergunta.

— A Quinn sempre foi uma pessoa arrogante. Porque é que alguém como tu socializa com ela? — Rachel sorri em tom de advertência.

— Não sejas assim.

— Não digo por mal, porque na realidade a mim sempre me falou muito bem e só tenho coisas boas a dizer dela.

— Existem pessoas bem mais difíceis que eu. — responde a designer piscando o olho a Lisa. A mulher solta uma gargalhada de compreensão e Rachel faz-lhe sinal de segredo.

— Vou adorar ver isso. — responde Lisa entusiasmada.

— Até já. — diz Rachel a rir-se enquanto volta a caminhar para a mesa de George e Quinn. Mas não lhe vale de muito porque é parada novamente, e esta vez por Valentina que a cumprimenta cheia de entusiasmo. Rachel dá-lhe um beijo na face e diz que o cocktail está muito giro enquanto Quinn revira os olhos sentada com George a apreciar a cena. O homem percebe que Quinn não tem particular adoração por Valentina mas não o estranha. Ele conhece o feitio da loira.

Rachel, embora abordada por Valentina continua a andar para a mesa deles e consegue chegar, mas sempre com a modelo a segui-la.

— Lembras-te da Quinn? — pergunta Rachel enquanto faz um gesto para que elas se cumprimentem. Quinn só diz "boa noite" e Valentina responde da mesma maneira. É George quem camufla o momento.

— Olá Vale, como estás? — pergunta o homem, deixando Quinn estranhada e Rachel percebe a sua surpresa e baixa o olhar. Mas entre percepções e falta delas, Valentina entende que existe alguma coisa em Quinn que desperta a atenção de Rachel.

— Estou bem George. Obrigada. E tu?

— Também. Obrigado.

— E quando é que vamos jantar Rachel? — diz a modelo concentrada na morena.

— Realmente agora tenho imenso trabalho, mas um dia destes combinamos com a Adara e vamos. — a sorte dela foi que passou Albert, deu um beijo na testa de Rachel e disse boa noite aos presentes mas levou Valentina por um braço para perto do resto dos modelos.

Notas finais
Realmente podia postar mais, mas gostava de saber o feedback primeiro, porque vejo muita gente que marcou que está a seguir mas os comentários são sempre das mesmas pessoas (que eu agradeço do fundo do coração, adoro-vos).