Desenhando Futuros
16 Capitulo 16
Notas iniciais
Entre idas e vindas, passaram 2 semanas, e de uma maneira sempre muito profissional, ambas conseguiram levar as coisas para que os catálogos fossem criados, e as peças fabricadas a tempo.
Quinn mostrou as combinações, e Rachel aceitou com gratidão todas. Ambas as semanas tinham sido de loucos entre photo-shoots e papelada. Quinn ficava com a segunda parte, evidentemente.
Queriam ter os catálogos impressos para distribuir no desfile, que era dali a duas semanas. O tempo apertava e não havia tempo para nada mais.
A designer estava no seu gabinete e Rachel bateu à porta com um mocca branco na mão, deixou-o sobre a secretária dela enquanto falava pelos cotovelos sobre o que se estava a passar nas sessões de fotos para o catálogo. Mas a certa altura Quinn deixou de a ouvir. Rachel tinha muito pouca maquilhagem, estava vestida com uma t-shirt branca e umas calças pretas desportivas, uns ténis bota e o cabelo enrolado com uma caneta a segurar. Uma explosão de realidade surgiu na cabeça de Quinn. Ela não podia negar mais a si própria que aquela mulher mexia com ela.
Rachel percebeu que ela não a estava a ouvir e começou a dizer coisas sem sentido.
— E então apareceu um unicórnio em frente à câmara e o fotógrafo assustou-se. Imagina que aparece um dinossauro?! Não cabíamos todos dentro da sala. — Mas Quinn não respondeu nem reagiu ao que a morena estava a dizer, já com a mão na cintura e um sorriso divertido a olhar para Quinn. E então preocupou-se ao ver que os olhos da loira estavam aguados e que ela engoliu em seco. — Quinn? — perguntou ela enquanto se aproximava de repente da designer. Mas Quinn teve a mesma reacção repentina em se levantar da cadeira.
— Desculpa, preciso de ir à casa de banho. — e saiu em direcção à mesma deixando Rachel preocupada. A estilista não podia não reagir, e caminhou até à porta fechada do WC.
— Quinn, estás bem?
— Sim. — respondeu ela desde dentro. — Obrigada pelo café, mas falamos depois, pode ser?
— Sim claro. Mas se for preciso alguma coisa liga-me por favor.
— Combinado, até logo. — respondeu ela a despachar. Rachel terminou por sorrir com a situação, porque percebeu que Quinn a estava a evitar. Na sua cabeça, esse era um bom presságio.
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Tinha combinado há 1 semana com Kurt um café no Imperial, mas adiou sempre. Finalmente conseguiu um buraco na agenda para poder encontrar-se com o seu melhor amigo.
— Já estava achar que era preciso mandar um foguetão à Lua para que tivesses um bocadinho para mim. — reclamou ele ao sentar-se ao pé de Rachel no Imperial.
— Se não reclamasses não eras tu. — revirou ela os olhos.
— Vá, conta-me tudo. — disse o amigo despreocupado mas curioso.
— O que é que queres saber exactamente?
— Tudo. Podes começar pelo casamento.
— Foi giro, ela estava linda e ele estava muito bem vestido. — riu-se Rachel.
— Sim ele é horrível.
— Ele é muito boa pessoa de facto, mas foi muito giro porque estavam encantados e notava-se muito que se adoram. Desde sempre aliás.
— Sim, mais? — disse ele com pressa por desenvolver o assunto.
— Mais o quê?
— Não te faças de parva se fazes favor que nos conhecemos. Os Fabray que tal? A rainha do gelo?
— Pronto, já vai a conversa descambar. — respondeu Rachel com ar cansado. — Chama-se Quinn.
— Eu sei. Aliás, eu sei antes de ti inclusive. Fui eu que te disse quem ela era.
— Kurt o que queres saber?
— Tudo. Como é que ela se comportou no casamento? Com ar detestável ou pelo menos fingiu um sorriso? — Rachel voltou a revirar os olhos.
— Ela estava deslumbrante, como sempre. Estava lá o George também.
— Não percebo. O que é que isso tem a ver? — mas a cara de Kurt mudou ao perceber o que Rachel queria dizer. — Cala-te! A rainha do gelo e o George? O teu George? E a rainha do gelo? Cala-te!
— Kurt fala baixo, e muito menos. Ele quer, mas ela não gosta dele.
— Calma, eu quero pormenores... explica-me lá isso tudo.
— O George está nitidamente interessado na Quinn e passou o casamento todo a dar em cima dela. Aliás, até dançaram. — e aqui Rachel não conteve o riso.
— A rainha do gelo dançou com o George?! Ok, demasiada informação... Mas ela não o quer, claro evidente. Ela só gosta dela.
— A Quinn não é quem tu pensas.
— Desculpa amor, mas é. Lá porque estás encantada com ela, que diga-se de passagem não sei porquê, não significa que ela seja boa pessoa.
— Tu não a conheces Kurt, não faças julgamentos gratuitos.
— E a outra parte? — perguntou ele com um sorriso irónico no rosto.
— Hã? Qual parte?
— A parte do "e eu não estou encantada com ela Kurt". — respondeu ele no mesmo tom. Rachel respirou fundo e respondeu sem pudores.
— E eu não estou encantada por ela Kurt... estou apaixonada. — o sorriso do rapaz desapareceu-lhe da boca e ela abriu-se. Rapidamente percebeu que a amiga estava a falar a sério porque a viu baixar o olhar para a caneca que estava em cima da mesa e perdê-lo aí.
— Rachel... — responde ele com muita calma e agarrou-lhe na mão. — Estás a falar a sério?
— Sim. — disse ela num sussurro.
— Como é que deixaste isso acontecer?
— Kurt, a Quinn não é quem tu pintas. — e agora já o disse a olhar para ele. — Ela é reprimida, mas tem um coração gigante. Além disso é recíproco. — Kurt abriu tanto os olhos que quase lhe saíram da cara.
— Como?!?! Ela está apaixonada por ti? Mas vocês estão juntas? Como é que lhe disseste?
— Calma. Não disse nada, não é preciso. É evidente. Mas ela não quer nada comigo. E escreve o que te digo, ela vai usar o George para me afastar dela.
— Só se tu deixares.
— Eu vou deixar Kurt. Não tenho perfil para obrigar ninguém a ficar comigo, e se ela não consegue admitir a ela própria que gosta de mim, não sou eu a pressionar. E o George gosta dela, a Quinn é fria mas ao mesmo tempo é cobarde.
— Nem penses que te deixo desistir, além disso pago para ver essa mulher apaixonada por alguém.
— Kurt pára com isso. Ah... e a melhor... estava lá a Vale.
— Jura?! A fazer o quê?
— Escândalos claro. No final da noite tive de a meter no lugar porque senão ia ser um filme para recordar. Ela já estava bêbada.
— Fez-te uma cena?
— Não chegou a fazer, eu não deixei.
— E a Quinn?
— Desapareceu para a Torre Eiffel com o George em vez de vir connosco para o hotel.
— Torre Eiffel à noite?
— Sim — Rachel sorriu com a pergunta do amigo.
— Puf, clichê! — e agora gargalhou.
— Exacto, foi o que eu disse.
— Tu também não tens moral, já me levaste lá.
— Também foi o que eu disse. — e voltou a rir-se.
— Disseste a quem?
— Disse-lhe a ela.
— Calma, explica-te.
— Eu estava no bar do hotel quando ela chegou.
— Ficaste à espera que ela chegasse? Isso está mesmo mau minha amiga.
— Está pior que mau Kurt, está em verdadeiro risco. — suspirou ela.
— Nunca pensei ver isto.
— Nem eu senti-lo.
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Enquanto Rachel estava com Kurt, os Fabray estavam sentados à mesa de jantar.
— Como vai o catálogo? — pergunta Russell a Quinn.
— Bem pai. Vai ficar pronto a tempo. É apertado, mas está tudo dentro dos limites.
— E a Rachel? O que acha ela de como estão as coisas?
— Como assim?
— Está tudo a correr como ela planeou?
— Sim, ela está super metida nas sessões. Está a ficar muito bem.
— Tens estado com ela, certo?
— Sim, ainda à bocado.
— Não a notas cansada? — Russell fez esta pergunta com o intuito de perceber o nível de atenção que Quinn dava a Rachel.
— Porquê?
— Notas ou não?
— Não, realmente até acho que ela está entusiasmada. Tem tudo controlado.
— Como sempre. — acrescentou Judy. — Ela sempre foi muito organizada pelo que me conta o Leroy.
— Sim, nota-se que está confortável e despreocupada. — diz a loira continuando sem perceber a pergunta. Russell sorri e fica satisfeito com a resposta.
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— E os teus pais o que dizem disto?
— O Leroy não faz ideia. Só o Hiram é que sabe.
— E o que diz ele?
— Diz que não devo desistir.
— Vês?! Sempre gostei do teu pai.
— Cala-te. Tu és um interesseiro, dizes-me isso porque tens curiosidade em ver a Quinn nessa situação.
— Não sejas parva. Posso até admitir que a tenho, mas a minha preocupação principal é que a minha melhor amiga seja feliz... — mas parou para pensar e acrescentou.- ... se bem que, não sei se ela te faria feliz com aquela postura.
— Lá estás tu.
— E o pai dela? Oh meu deus!!! — lembrou-se Kurt de repente. — Esse homem ia fazer-te a vida negra.
— Não acredito nisso. — diz Rachel com um sorriso. Kurt surpreende-se.
— Como assim?
— Ele gosta muito de mim, até posso conceber que fosse um choque inicial, mas não acredito que ele deixasse de ser a mesma pessoa comigo.
— Não é um bocado pretensioso achares que tens o Russell Fabray na mão?
— Dito assim não é pretensioso é calculista. Isso é disparate. Eu só acho que ele gosta genuinamente de mim, e isso não desaparece de um dia para o outro.
— Deus queira que não. E o desfile?
— Está tudo em ordem.
— E está quase quase, até eu estou ansioso.
— Vai passar a correr o tempo.
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E passou! O tempo passou tão rápido que era Quinta-Feira e faltavam três dias para o desfile. Rachel entra no gabinete de Quinn sem precisar de apresentação.
— Estás pronta? — pergunta a morena com muito entusiasmo.
— Para quê? — pergunta Quinn sem perceber, mas ao mesmo tempo assustada com a possibilidade de se ter esquecido de alguma coisa.
— Faltam 72h para o desfile. — disse ela a perder o entusiasmo, sabendo que Quinn ia negar a proposta.
— Rachel explica-te por favor, estou cheia de trabalho e não estou a entender nada.
— Uma das condições era que íamos para um SPA. — Quinn percebe automaticamente o que ela está a dizer.
— Esquece, desculpa mas não posso. Tenho imensa coisa para fazer ainda.
— Quinn, não é justo. Era uma das condições.
— Pois, mas não posso e não é discutível. — disse ela concentrando o olhar nos papéis em cima da mesa.
— Então olha vou convidar alguém para ir comigo. — respondeu Rachel com um sorriso maroto. Quinn olhou para ela de maneira instintiva e mordeu a língua para não lhe responder. Tinha recebido aquela informação como se de um murro no estômago se tratasse, mas percebeu que Rachel estava a provocá-la quando lhe notou o sorriso.
— Faz o que entenderes. Comigo não contes. — a morena dirigiu-se a ela, rodeando a cadeira, Quinn petrificou à espera de perceber o que ela ia fazer, e Rachel deu-lhe um beijo na nuca e disse baixinho:
— Tu é que perdes. — e saiu do gabinete deixando Quinn respirar de alivio e ao mesmo tempo fechar os olhos com força pela falta de coragem.
Quinn teve pena de ter negado, mas tem muita coisa que fazer, nomeadamente ir à fábrica ver como está o processo de fabricação da jóia que desenhou para Rachel usar no desfile.
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