Desenhando Futuros
13 Capitulo 13
Notas iniciais
A saída de Rachel, Hiram, Leroy y Judy viu-se adiada por momentos, afinal Quinn e Russell tiveram de se instalar no hotel e deixar as malas.
Depois de se acomodarem, cada um no seu quarto, desceram para se encontrar com o resto e dirigiram-se todos ao Jardim do Luxemburgo. Era grande, bonito e muito agradável para caminhar. Rachel ia à frente de braço dado com Russell a conversar e muito divertidos, mais atrás iam Hiram, Leroy e Judy, e por fim caminhava no fim Quinn sozinha com uma máquina fotográfica profissional ao pescoço. A loira tirou algumas fotos ao jardim, e quando percebeu o cenário à sua frente, tirou uma foto a todos a caminhar. Hiram ouviu o flash da câmara e deixou que Leroy e Judy continuassem o passo ao mesmo ritmo abrandando o dele para esperar por Quinn e meter conversa com a designer.
— Gostas de fotografia? — perguntou ele simpático.
— Sim, é uma das minhas paixões, mas era incapaz de fazer disto vida. — respondeu Quinn com um sorriso simpático. O pai de Rachel fez um gesto com o braço para que Quinn o agarrasse e caminhasse com ele. E ela assim o fez, deixando a máquina repousar.
— Eu também gosto, mas ultimamente não tenho muita paciência.
— Sim, percebo bem. Só em viagens é que costumo usar isto.
— Depois tens de fazer uma selecção das que tiraste cá e enviar-me. Não te importas?
— Claro que não. Pode contar com isso.
— Não Quinn, por favor, trata-me por tu, estou farto de pedir. Fazes-me sentir velho. — Quinn ri-se e acena com a cabeça em concordância. Os pais de Rachel eram pessoas muito simpáticas e ela gostava genuinamente deles. — E como estás tu? A Rachel contou-me que vocês de vez enquanto saem para jantar ou tomar alguma coisa.
— Sim, saímos um par de vezes. — disse ela nervosa. — Também por causa da colecção, para trocar ideias.
— Fico feliz por isso, ela tem um brilho especial quando está perto de ti. — o corpo de Quinn tensou-se e Hiram sorriu discreto antes de salvar o momento. — Gosto que sejam amigas, faz-lhe bem ter amigos que não trabalhem com ela directamente todos os dias, como o Kurt por exemplo. A Rachel conhece muita gente, mas amigos de verdade ela tem um processo de filtragem muito minucioso. — Quinn agradeceu mentalmente que ele se estivesse a referir ao campo da amizade.
— Sim. — respondeu ela arrumando o assunto. — Há quanto tempo não vinhas a Paris? — Hiram sorriu de novo.
Mais à frente, Rachel olhou discretamente para trás e sorriu com brilho. Aquele quadro despertava nela uma felicidade inexplicável.
—x-
Depois de percorrer todo o jardim, Russell lembra-se que não vai ao Louvre há muitos anos.
— Vamos ao Louvre? Ou vocês já foram desde que chegaram? — pergunta ele entusiasmado.
— Não fomos, e parece-me muito boa ideia. — responde Leroy com o mesmo entusiasmo. Hiram e Judy concordam, mas Rachel torce o nariz imediatamente. Quinn sorri ao perceber.
— Eu pessoalmente não quero ir, mas parece-me perfeito que vocês vão. É só porque estive lá, há coisa de 5 meses e para mim já é mais do mesmo. Estava a pensar ir ao Cemitério de Père-Lachaise, diz que é bonito e a última vez que cá vim não tive tempo de ir.
— Mas sozinha? — perguntou Russell com desagrado.
— Sim, eu não me perco. — respondeu Rachel a rir. — Não quero que deixem de ir ao Louvre, e não quero que se preocupem tão pouco.- Quinn sentiu-se desconfortável, ela preferia não ter de ir sozinha com os pais ao museu, até porque, como Rachel, já o conhecia de trás para a frente.
— A Quinn vai contigo. Ela também foi ao Louvre há pouco tempo. — disse ele com autoridade. Mas enquanto Quinn sorri com alivio, Rachel responde a Russell com alguma calma.
— Eu preferia que fosse a Quinn a decidir isso. — Russell cora com vergonha e Quinn sente uma pontada de vergonha alheia decidindo intrevir para salvar o momento.
— Eu vou contigo. Até tenho curiosidade por ver o Cemitério, fala-se muito nele. — Rachel percebe de maneira automática que tinha deixado Russell desconfortável e sem dar tempo a que Quinn terminasse o que estava a dizer abraçou-se a ele. O homem desatou a rir à gargalhada e devolveu o abraço com carinho.
— Não te preocupes meu amor, eu às vezes esqueço-me que ela cresceu e pode tomar decisões sozinha. — diz ele divertido enquanto Rachel lhe pede desculpa ao ouvido e lhe dá um sonoro beijo na cara. Quinn, contrariamente ao que o seu estômago manda, sorri com desconforto.
— Então vamos? — pergunta Hiram descontraído.
— Vamos. — reponde Judy a rir.
—x-
Já no cemitério, ambas caminham no corredor principal quando Rachel decide começar uma conversa sobre o sítio.
— Tens medo de mortos? — disse ela antes de revirar os olhos ao perceber a pergunta parva que acabara de fazer. Quinn riu-se com o gesto.
— Tenho mais dos vivos. Eu gosto deste tipo de coisas. Os cemitérios deixam-me curiosa. — Rachel sorri e mantém-se em silêncio durante alguns segundos. Mas é quando baixa a cabeça e olha para o chão que Quinn percebe que ela quer dizer qualquer coisa e não o está a fazer. — Queres falar sobre isso? — a estilista sorri e responde.
— Desculpa a minha resposta ao teu pai. — mas a designer não estava à espera que esse fosse o tema de conversa.
— Eu tenho de admitir que por dentro me ri um bocadinho.
— Mas não foi gracioso.
— O meu pai adora-te, vá-se lá saber porquê, e não me parece que tenha ficado assim tão constrangido depois de que o abraçasses. — Quinn disse-o com descontracção, mas Rachel sentiu uma pontada no estômago de desconforto.
— Vá-se lá saber porquê. — respondeu ela baixinho. Quinn ouviu e ficou envergonhada mas nada disse. De nenhuma maneira era um insulto, era só uma expressão, dado que Russell gosta de poucas pessoas na opinião da loira. — Ele condiciona-te muito. Ou melhor, tu deixas que ele te condicione.
— Sim, de facto a opinião dele sempre prevalece na minha vida. Mas é dificil para mim desligar-me dele.
— As coisas não são assim tão radicais, e muito provavelmente é por isso que não consegues. Ter a tua própria opinião e tomar as tuas decisões sozinhas não é desligar-se dele, é educá-lo e mostrar-lhe que ele não deixa de ser importante só porque deixa de mandar em ti. — Quinn acenou com a cabeça em concordância, e Rachel abordou um tema sobre o qual tinha muita curiosidade. — Nunca te apeteceu ir viver sozinha? Desculpa a pergunta se for demasiado pessoal.
— Sim, claro que sim. Ultimamente passa-me pela cabeça diariamente.
— Se me permites opinar, eu acho que seria bom para ti. Principalmente teres um sitio onde possas ser tu a mandar e mais ninguém, isso acalmaria o teu lado Russell de autoridade. — disse a morena a sorrir. Quinn revisou os olhos e franziu a sobrancelha. — Acho que devias mesmo. E quando chegarmos a NY vais começar a procurar, eu ajudo. Está decidido. — e riu-se com autoridade, fazendo Quinn soltar uma gargalhada.
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