Desejos libertos
18 Valentine´s Day - Provocando
Notas iniciais
Esta última semana passou voando. Antes de ontem, dia 12, ligaram aqui para casa da estação de telégrafos — a minha encomenda finalmente havia chegado. Avisei o Sebastian que nós iríamos sair para buscar a encomenda mas ele insistiu que podia ir buscar sozinho. Eu não queria mas ele acabou indo sem mim. Achei que não teria tanto problema, normalmente as encomendas vêm embrulhadas em papel pardo ou em caixas de madeira, não teria como ele saber o que era mas mesmo assim ordenei que não a abrisse em hipótese alguma.
Depois de uma hora ele voltou, soube que algo havia saído errado no momento em que entrou no escritório onde eu estava. Sua expressão estava horrível, nem nos piores casos que nós enfrentamos seu rosto estava desse jeito, parecia um bicho prestes a atacar ou uma bomba prestes a explodir. Não consegui perguntar nada, ele entrou no escritório rapidamente, seus passos soando duros no piso de madeira, praticamente jogou a caixa sobre a minha mesa.
_Aí está a sua encomenda. Espero que ela goste e que vocês sejam muito felizes — e saiu tão intempestivamente quanto entrou, batendo a porta com força.
Desviei meus olhos da porta para a caixa na minha frente e entendi o motivo do seu comportamento.
Na minha frente estava uma grande caixa rosa, com corações vermelhos, dourados e vinhos, onde se lia Ateliê La couleur de la passion* — lingeries feitas para surpreender. Uma larga fita vermelha fechava a caixa com um enorme laço e um pingente de cupido. Bati minha mão espalmada no rosto vendo o tamanho do estrago que eu fiz.
“Inferno! Como podia imaginar que eles não seriam nem um pouco discretos com uma encomenda que ia atravessar o oceano?”
“Devia ter me certificado disso no momento da encomenda.”
Depois dei um pequeno sorriso de canto lembrando o que Sebastian disse — “Espero que ela goste…tsc, espero que você goste” — o corrigi mentalmente.
Subi, mal conseguindo carregar a caixa e a guardei no armário.
Sebastian não tocou mais no assunto mas eu sabia que estava com ciúmes novamente. À noite, ele deitou-se ao meu lado e me abraçou, o beijei mas ele não deixou que fosse um beijo simples, já foi logo enfiando a língua na minha boca, correspondi ao beijo, deixando que ele se aprofundasse, enlacei o pescoço de Sebastian com meus braços e abri minhas pernas para que ele se encaixasse no espaço, o que ele fez prontamente. Desci minhas mãos pelas suas costas até chegar ao seu traseiro o qual empurrei, forçando-o de encontro ao meu e fazendo nossos membros pressionarem um sobre o outro. Arfei, afastando minha boca da dele que desceu ávida para o meu pescoço. Eu nem vi quando ele fez isso mas uma mão já estava sob a minha roupa e apertava deliciosamente o meu mamilo, a outra estava nas minhas costas apertando e arranhando suavemente a pele.
Deslizei minhas mãos também sob a sua roupa, subindo pelas costas, sentindo a pele quente e arrepiada sob meus dedos. Sebastian era muito bom, eu adorava tocá-lo, só não fazia mais por causa da maldita vergonha que eu tinha. Já estávamos juntos há um bom tempo e ainda tinha vergonha de tocá-lo e ele não gostar ou de ficar nu na sua frente e principalmente dos gemidos que eu dava.
Subi minhas mãos até elas serem impedidas pela sua roupa, se eu continuasse teria que despi-lo e eu não queria fazer isso, não hoje. Desci minhas mãos e voltei a abraçá-lo, segurando-o pela nuca e acariciando a região e os ombros. Sebastian voltou a me beijar, um beijo de tirar o fôlego, deslizou um braço sob a minha cabeça e afundou os dedos no meu cabelo, a outra mão desceu do meu mamilo e se infiltrou na minha roupa íntima. Sebastian enrolou os dedos no meu membro que começava a endurecer e começou a pressioná-lo movendo-o para cima e para baixo.
Dei novo ímpeto ao beijo, movendo meu quadril no mesmo ritmo dos movimentos da mão dele, mas tive que interromper o beijo para poder respirar, eu estava pegando fogo e isso era ruim, muito ruim para os meus planos. Eu tinha que ser forte.
_Sebastian.
_Hum — ele nem se incomodou de parar de beijar meu pescoço e clavícula.
_Hoje não — senti uma fisgada interna de decepção, afinal eu queria tanto quanto ele seguir em frente a aplacar logo essa fome.
Ele ergueu o rosto do meu pescoço.
_O quê??? — perguntou incrédulo, seus olhos estavam avermelhado. Eu adoro quando os olhos de Sebastian ficam vermelhos e com a pupila fendida.
_Hoje não — repeti e o empurrei levemente para o lado
_ Você não vai me deixar assim, vai? — Me perguntou levantando-se e mostrando o tamanho do volume que se formava na sua calça.
Senti minha boca salivar mas me contive.
_ Não me sinto muito bem — menti.
_Você parecia bem até agora há pouco. O que está sentindo? — ele pôs a mão espalmada sobre a minha testa.
É claro que eu estava bem, até demais. Porém eu o vinha evitando já há alguns dias. Tudo não passava de alguns beijos e amassos mas eu nunca deixava ir além por um único motivo, que pode até ser bobo, mas eu queria deixá-lo passar vontade, queria que ele estivesse morrendo de vontade de me ter no dia da surpresa. Portanto, era assim que eu agia: beijava-o, acariciava-o, deixava ele me apalpar o quanto quisesse mas nada de consumar o fato.
_Acho que é só um indisposição — fiz uma cara meio enjoada.
_Você tem ficado indisposto frequentemente e sempre quando nós estamos nesta situação — reclamou.
_Fazer o quê né? — dei de ombros e deitei, virando as costas para ele, fechei meus olhos para não vê-lo naquele estado, senão eu não resistiria.
“Só mais essa noite. Amanhã é o dia” — pensei tentando me acalmar.
Sebastian, depois de alguns minutos, deitou-se ao meu lado e me abraçou, ainda podia sentir seu membro forçar o meu traseiro, joguei o meu para trás aumentando a pressão.
_Não me provoque — sussurrou no meu ouvido.
Dei uma risada e me afastei alguns centímetros.
****
Hoje é dia catorze de fevereiro, dia dos namorados aqui na Inglaterra, também conhecido como Valentine’s day. Não posso dizer que estou calmo, não, parece que engoli uma revoada de borboletas e elas estão fazendo um motim no meu estômago.
Tenho mil coisas planejadas na minha mente: o que falar, o que fazer, o que vem depois do que, como me mover mas não sei se vou conseguir fazer nem metade. Não é como se fosse a nossa primeira vez porém de certo modo é. Será a primeira vez que eu tomarei a iniciativa, que eu conduzirei do início ao fim. De todas as vezes o Sebastian toma a frente de tudo ou então ele me enlouquece à ponto de eu tomar as rédeas, mas sempre, sempre é ele a dar o primeiro passo, é sempre ele a me provocar, a me deixar quente e ofegante. Eu não sei se consigo fazer isso e estou realmente receoso de travar na hora.
Já passou da hora do almoço, Sebastian serviu salmão com molho de romã e ovas de arenque, é muito peixe para o meu gosto mas pelo menos é leve, assim acho que não vou passar mal de tanto nervoso.
Mandei Finny me trazer rosas da estufa, são rosas especiais, chamadas de príncipe negro, são de um vermelho escuro profundo e muito perfumadas. Ele as trouxe numa cesta, chamei a Mei rin e solicitei que trocasse os lençóis da cama por um conjunto branco de linho egípcio, eles têm um toque acetinado delicioso no corpo, enquanto ela trocava a roupa de cama desci para conversar com Sebastian e ter certeza que ele não ia entrar no quarto.
O encontrei arrumando os livros da biblioteca, estava terminando de arrumar uma prateleira quando entrei. Ele deu um pequeno sorriso para mim, e continuou o que estava fazendo, sorri de volta.
_Já terminou o seu livro? — perguntei me sentando no sofá.
Ele olhou para mim um pouco apreensivo.
_Já.
_Gostou?
Ele ficou levemente corado.
_Gostei. É um livro…
_Sim, eu sei, de receitas — falei o interrompendo, ele acenou concordando.
_E as receitas são boas?
_Ah, são ótimas — seu sorriso o denunciava. “Demônio safado!”
_Deveria fazer alguma delas não acha? — o provoquei.
O sorriso se abriu mais.
_Deveria. Mas… são difíceis. Precisaria de alguém para me ajudar.
_Chame o Bard, afinal ele é o cozinheiro da casa — me fiz de desentendido.
Sebastian fez uma careta.
_Ele não. Quem sabe um dia eu não mostre as receitas do livro para você. Aí poderia me ajudar…
Me levantei e caminhei até ele, fiquei na ponta dos pés e o puxei pela lapela até que se abaixasse. Beijei seus lábios e sorri.
_Eu teria o maior prazer.
Saí da biblioteca deixando para trás um mordomo com um sorriso bobo nos lábios.
“Rá, ele pensa que eu não sei do que se trata o livro”- ri internamente.
O resto da tarde foi tranquilo, trabalhei um pouco, li, peguei no flagra o Bard se agarrando com o Finny na despensa da cozinha quando fui pegar um chocolate e, precisava ver como os dois ficaram vermelhos como dois pimentões de tanta vergonha e tentavam ajeitar a roupa rapidamente, não estavam nus mas deviam estar com as mãos bem ocupadas. Peguei a barra de chocolate da prateleira como se o que eu tivesse visto fosse a coisa mais comum, e comentei na saída.
_Bard?
_Sim, Jovem amo — ele estava de cabeça baixa e Finny escondido atrás dele.
_Tenha certeza de lavar muito bem as mãos antes de fazer o meu jantar.
E saí batendo a porta. Internamente eu queria rir da situação e da cara que eles fizeram.
O jantar foi tranquilo e teve de sobremesa torta charlotte, a mesma que Sebastian serviu há um tempo atrás e que deu origem ao primeiro passo de toda a nossa história. Comi rapidamente a refeição para que pudesse comer logo a sobremesa. Sebastian cortou uma fatia generosa. Peguei o prato e parti uma porção, a colher deslizou macia no creme e eu a levei à boca.
Eu amo essa torta, senti o gosto doce da baunilha misturado com o amargo do chocolate explodirem na minha boca e a maciez do creme envolver a minha língua. Saboreei lentamente o pedaço.
_Você não deveria fazer isso.
Ouvi Sebastian dizer e então me dei conta que estava, como da outra vez, de olhos fechados.
_Fazer o quê? _ perguntei inocentemente, peguei outra colherada.
_Comer desse jeito. É tentador.
_De que jeito? Assim? — enfiei lentamente a colher na minha boca e fechei os olhos.
_Não faça isso, bocchan!
_Isso? — a terceira eu lambi o creme da colher como se lambesse outra coisa, dessa vez mantive meus olhos semi-cerrados e vi o desespero nos olhos do demônio.
Num instante ele estava sobre mim, me puxando da cadeira.
_O quê? — falei no susto.
Sebastian passou o braço no tampo da mesa, afastando o prato e a torta e me pôs deitado sobre ela. Não consegui falar nada, ele me beijou com voracidade, nossas línguas dançando sensualmente, resolvi provocar um pouquinho mais, enlacei minhas pernas no quadril dele e rebolei, ele segurou meu quadril e forçou o dele no meu. Meus braços estavam soltos, erguidos e pousados na mesa ao lado da minha cabeça. Nossas bocas foram separadas e ele começou a desabotoar minha camisa, no terceiro botão, perdeu a paciência e puxou estourando os outros. Não posso dizer que não me assustei um pouco, afinal Sebastian nunca perde a paciência mas, verdade seja dita, aquilo me excitou tremendamente.
O puxei pela gola e o beijei novamente, suas mãos exploravam meu tórax me deixando arrepiado. Ele interrompeu o beijo e começou a desabotoar a própria camisa enquanto me olhava fixamente, levei uma mão à boca, cobrindo-a com o dorso, a outra deslizei pelo meu tórax e acariciei lentamente meu mamilo, vi Sebastian estreitar os olhos já vermelhos e estremecer. As borboletas dentro do meu estômago fizeram uma nova revoada, senti meu baixo ventre se retorcer — desejo e ansiedade. “Vou provocar só mais um pouco…”
Sebastian ainda lutava com os botões, com um movimento rápido me livrei dos meus sapatos, flexionei uma perna e o empurrei pelo tronco um pouquinho, ele me olhou sem entender mas quando viu minha expressão deu alguns passos para trás, desci a perna que o havia empurrado deslizando o pé pelo tórax e chegando onde havia um volume considerável, pressionei a parte gordinha da planta do pé, logo abaixo dos dedos, naquela região, sentindo a rigidez do membro sob os tecidos, massageei e pressionei com movimentos circulares, por um minuto Sebastian ficou parado, as mãos segurando a camisa aberta, os olhos fixos nos movimentos do meu pé, percebi que ele movia o quadril acompanhando os meus movimentos. O pênis dele endureceu mais, sorri vitorioso. “Agora eu só tenho que fugir e me preparar para daqui a pouco” pensei.
Mas então Sebastian segurou meu pé e, tirando a meia, o levou à boca, beijou o dorso do pé e os dedos então enfiou o dedão na boca e o chupou. Um misto de cócegas e tesão me invadiu, movi o dedo dentro da boca dele e senti a língua se enrolar na falange. Eu ofegava de boca aberta e um fiozinho de saliva escorregava pelo canto, Sebastian olhava fixamente para mim, uma mão segurava o meu pé e a outra pressionava o meu membro ainda coberto.
“Ops, as coisas estão ficando muito quentes. Preciso parar.”
Puxei meu pé rapidamente, escapando da sua mão, rolei para o lado e desci da mesa.
_Para onde você vai? — seu tom de voz era urgente e levemente irritado.
_Vou para o quarto.
Ele sorriu e começou a vir atrás. Me virei.
_Sozinho — seu sorriso esvaiu-se.
_M-mas…
_Termine de tirar a mesa — falei vendo a expressão confusa dele — Estarei te esperando lá — abrandei o tom e o vi sorrir novamente.
_Imediatamente.
_Imediatamente não. Só daqui uns quarenta minutos — ordenei, dando as costas para ele e andei.
_Olha o estado que você me deixou — lamentou-se e eu dei pulos internamente.
Virei para ele e finalizei.
_Se vira mas não ouse se aliviar sem mim — sorri maliciosamente e saí da sala indo direto para o quarto.
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